sexta-feira, 2 de abril de 2010

PELA RAZÃO ERRADA

A vitória do Dourado na última terça-feira acendeu uma luzinha na minha cabeça. Ele foi o oitavo homem a vencer em 10 edições do programa. Isto quer dizer que os brasileiros preferem homens como os protagonistas de suas narrativas. E não há narrativa maior do que o próprio país, daí que... acho que Dilma Rousseff não será eleita. Para mim, ela tem mil defeitos que a fariam uma má presidente: é autoritária, estatizante e não demonstra um grande apreço pelas liberdades democráticas. Mas, na hora do vamovê, não será eleita pela razão errada: porque é mulher. Apesar de algumas governadoras, prefeitas e senadoras, o Brasil ainda não está preparado para uma presidente mulher. Vamos ver.

19 comentários:

  1. Tony, momento "advogado-do-diabo": qual o problema com estatizante? Digo, num momento em que até os grandes bastiões do liberalismo econômico (vide EUA e o plano para o sistema universal de saúde) estão chamando o governo para interferir na economia, não é surpresa que ela defenda isso.

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  2. Ai nem sei..... com o Lula no pé dela, é possível ela conseguir. Ainda mais pq o Serra tem uma popularidade baixa.

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  3. Ouvi isso, não sei de quem, mas Dilma presidente é como botar a Marlene Mattos para apresentar o Xou da Xuxa.

    ainda é cedíssimo para prever alguma coisa, mas ela não estava perdendo nas 1as pesquisas?

    o pior é que a oposição também não me inspira nada. quero reset nos políticos!

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  4. Discordo da sua bola de crystal...
    Acho que o Brasil já deu um recado ao eleger um operário presidente e dará outro ao eleger uma mulher.
    Mulher competente, honesta, firme nos seus prpósitos e excelente gestora de políticas públicas.
    O mundo precisa de mais mulheres em postos de comando

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  5. Sou mulher mas não votarei na Dilma. Mas mesmo que ela fosse homem eu não votava também!

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  6. Acho que a questão nem seja falta de simpatia para com a Dilma, mas sim simpatia demais com idéias arcaicas como as do Dourado.

    Um abraço!

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  7. Tenho receio. Como falaram, O Lula do lado dela pode fazer a diferenca, e acho que as pessoas vao se incomodar com a "velhice" e falta de carisma do Serra.

    Mas espero do fundo do meu coracao que eu esteja errado e voce certo, pq a Dilma alem de estatizante, autoritaria e nada fan (to sem acento) das causas democraticas, ainda eh arrogante e sem tato - e por isso ela pode perder.

    Vamos torcer. Acho uma lastima que tanta gente atribua ao PT e ao Lula a melhora na economia do Brasil. Povo tem a memoria fraquissima, e isso vai custar caro caso a Dilma seja eleita, podem ter certeza.

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  8. Eu não votei no cara e também não vou votar na coroa. Também acho ela autoritária, estatizante e sem apreço pelas liberdades democráticas - e acho tudo isso muito errado.
    *

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  9. Resposta para o Fernando, lááá em cima: o PT e a esquerda em geral querem estatizar a economia. Isto significa muito mais do que a simples interferência do estado, aliás absolutamente necessária. Significa a transformação de empresas competitivas em cabides de emprego e em moeda de troca política.

    Por exemplo, Lula sonha em re-estatizar a Vale do Rio Doce, uma companhia que aumentou muito seu faturamento depois que foi privatizada durante o governo FHC. Por quê? Para poder oferecer o comando da empresa aos aliados, como os pilantras do PMDB, por exmeplo.

    Hugo Chávez estatizou grande parte da economia venezuelana, distribuiu as empresas entre seus asseclas e está levando o país à ruína.

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  10. Ela será eleita pq o Nordeste inteiro vota nela. E hoje em dia candidato algum ganha eleição presidencial sem o apoio dos 9 Estados do Nordeste...

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  11. Trabalhar esse sentimento antipaulista sem renegar os governos de Fernando Henrique Cardoso será um desafio para o marketing de campanha de Serra. E isso terá de chegar, quase que sem intermediários, no eleitorado dos Estados fora do circuito do Sul-Sudeste (o raciocínio exclui Minas). Nos Estados onde Lula tem grande popularidade, o candidato tucano tem dificuldade de montar palanques.

    Um movimento eleitoral de aversão a um grupo hegemônico é um indicador poderoso de um fim de ciclo. Não raro, os movimentos de contestação a hegemonias políticas precedem o fim propriamente dito de uma hegemonia econômica. No período anterior à ditadura militar, o poder político de São Paulo e o econômico estavam dissociados pelo poder autoritário; no período seguinte, eles se encontraram. Nos governos de Fernando Henrique Cardoso, a concentração dos poderes político e econômico do Estado atingiu o seu auge. Nos primeiros anos do governo tucano, o Estado, que era hegemônico econômica e financeiramente, esteve plenamente representado na política e dominou o aparelho do Estado com quadros originários de suas universidades, bancos, setor agropecuário e indústria. Os demais Estados e regiões, esvaziados por uma política tradicional que sobreviveu à ditadura e por uma grande concentração de renda que os excluía dos benefícios do projeto de modernização do governo Fernando Henrique, foram coadjuvantes de um projeto de poder onde sobreviviam meramente das práticas clientelistas. Foi o auge do poder paulista.

    Esse poder, ao que tudo indica, não sobreviveu a um período em que ocorreu um movimento mais forte de desconcentração, não apenas decorrente da distribuição de renda a indivíduos, via programas de transferência, mas da descentralização do investimento público. Um projeto de desenvolvimento menos regionalizado vem corroendo a sólida hegemonia que comandou o país pós-Real e foi incontestavelmente dominante até o início do segundo mandato de Lula. O país vive esse período de transição, com todos os ressentimentos dos que perderam no período anterior embutidos na conta a ser paga pelo grupo ainda hegemônico.

    Maria Inês Nassif é repórter especial de Política. Escreve às quintas-feiras

    E-mail: maria.inesnassif@valor.com.br

    Acompanhe pelo Twitter https://twitter.com/luisnassif

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  12. 18/03/2010 - 09:00
    O voto antipaulista nas eleições
    Do Valor
    O voto antipaulista

    Maria Inês Nassif
    18/03/2010

    A popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva está longe de ser o único dos problemas do quase candidato do PSDB à Presidência da República, José Serra. Paulista e governador do Estado mais rico da Federação, Serra carregará o carimbo de origem para os palanques nas outras unidades federativas no momento em que a aversão à política paulista se generaliza.

    Lula obteve o seu segundo mandato, em 2006, com uma consagradora votação no Norte e no Nordeste e com uma ínfima diferença sobre o seu adversário, Geraldo Alckmin (PSDB), no Estado de São Paulo. É também o objeto da aversão da elite política e social paulista, alimentada pelo partido hegemônico no Estado, o PSDB. Esse afastamento da política paulista, por si, o livra do estigma de estar ligado ao Estado mais rico da Federação. A sensibilidade para o momento antipaulista da política nacional o conduziu a uma candidata, a ministra Dilma Rousseff, nascida em Minas e que viveu boa parte de sua vida adulta no Rio Grande do Sul. Serra, ao contrário, é o mais importante representante do reduto tucano paulista. É o herdeiro político do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (1995-1998 e 1999-2002), cujos governos tiveram inconteste hegemonia da política e dos setores econômicos do Estado.

    Uma das lógicas de Lula, ao escolher a sua candidata, é a de tirar a sucessão do circuito de poder do PT paulista. PSDB e PT de São Paulo dividem não apenas as antipatias dos políticos de outros Estados, mas do eleitorado não paulista. A candidatura de um político recém-saído do governo do Estado mais rico da Federação vai na contramão dessa lógica. São duas apostas diferentes.

    Em Minas, o sentimento antipaulista do eleitor foi alimentado por um governador que até o fim do ano passado disputou com Serra a preferência de seu partido como candidato a presidente da República. O discurso de Aécio Neves, que tem popularidade imbatível em seu Estado, é carregado de forte regionalismo; a mídia mineira é coesa em torno do seu governador e amplifica não apenas a ideia de mineiridade, mas a de que o poder político-econômico paulista é indevido. Na hora em que saiu da disputa, deixando o campo aberto para Serra, Aécio já tinha montado, em Minas, um cenário francamente contrário a uma candidatura paulista. Aliás, um trabalho de continuidade do governo anterior, de Itamar Franco, que levou essa pregação ao extremo. Mesmo que Aécio não mova um dedo contra Serra durante o processo eleitoral, e até faça uns discursinhos a favor, dificilmente o governador conseguirá desfazer o que está feito: o ambiente em Minas é francamente contra São Paulo. E Serra é a configuração da hegemonia política desse Estado sobre os demais. No mínimo, o candidato paulista do PSDB vai ter um grande trabalho para reverter essa situação.

    Esse não é um prejuízo desprezível. Segundo a contabilidade de um aliado, dono de uma afiada análise político-eleitoral, tomada a base eleitoral da qual partem os candidatos à sucessão de Lula, Minas não apenas é fundamental, mas os votos dos mineiros são definitivos.

    A conta que é feita nos bastidores dos partidos oposicionistas transfere para Minas Gerais a decisão sobre as eleições presidenciais. Num cálculo mais ligeiro, a explicação é a seguinte: no Norte e no Nordeste, onde Lula tem uma popularidade próxima a 90%, imagina-se que, mesmo se não fizer uma transferência completa de votos para Dilma, ela será amplamente vitoriosa; no Sul e no Sudeste, exceto Minas, imagina-se que Serra seja o mais votado, neutralizando o favoritismo de Dilma no outro extremo do país. O Centro-Oeste é neutro nessa conta. No fim, os eleitores de Minas – que representam cerca de 10% do eleitorado nacional – acabam definindo o pleito.

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  13. Tony, discordo veementemente. A esquerda estatizante é uma parcela da esquerda. A Petrobras não foi privatizada, mas é uma sociedade de economia mista, possuindo, também, investimento privado. E é super lucrativa. O mesmo poderia ter sido feito com a Vale e acredito que ela poderia estar melhor do que está agora.

    A questão da polarização entre "free market" e "Estado forte" é ultrapassada. A esquerda moderna não pensa em um Estado forte, dominando todo o mercado. Na Europa não é incomum ver várias sociedades de economia mista em setores estratégicos e elas são super lucrativas. Essa é a minha posição, inclusive: setor estratégico = participação do Estado e da iniciativa privada conjuntamente.

    No caso da Petrobras, vê-se que outras empresas multinacionais também estão presentes no País. Chevron, Shell, Exxon, Total, etc. Logo, há concorrência. Tudo bem, por algmas questões políticas, ainda há uma presença forte da Petrobras. Mas o interessant é que todas as descobertas do Pré-sal estão sendo feitas em parceria entre a Petrobras e essas multinacionais.

    É claro que não necessariamente a Dilma se filia à esquerda moderna, mas não acho que ela seja todo esse demônio. Eu realmente não sei em quem votar, porque também gosto do Serra. Gosto da trajetória política dele, acho que os paulistanos o admiram, etc.

    Por fim, fica o meu recado. Acho que a polarização free market x Estado forte é coisa de Guerra Fria e de Venezuela (aquele paizinho que não é nada no mundo; só tem petróleo). The Cold War is over!

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  14. Prefiro não manifestar minha opinião política, mas ouvir que "o Brasil não está preparado" para isto ou para aquilo me deixa angustiado.
    Dá para fazer uma lista como aquelas da Wikipédia.

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  15. Dilma carrega todo aquele rancor 68 das esquerdas do tempo da ditadura militar. Serra é tirano de aldeia. E a política nacional um porre federal. Dá pra descer no próximo?

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  16. Tony, a Dilma de peruca tem cara de tia velha da Elis Regina. Eu acho que ela não vai ser eleita porque falta a ela carisma. Mas, talvez se o Lula usar seu poder de persuasão ela consiga. Robson, SJCampos

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  17. Lula viajava de carro pelo interior do Piauí e lá pelas tantas, no meio do poeirão, bate aquela sede, e ele manda parar o carro junto da primeira casa no caminho para beber um pouco de água. A dona do casebre grita para o menino de uns 9 anos que estava sentado na porta:
    - Luiz Ináçu! Corri aqui, chegue!!! Traiz a muringa e as caneca prus dotô pudê bebê água!
    Lula, todo vaidoso, vendo que a dona do casebre não o reconhecera, pergunta:
    - Companhêra! Vi que a senhora chamou o garoto de Luiz
    Inácio.... Ele tem esse nome em homenagem a alguém?...
    - Não, não, dotô! O nome dele é Fernando Henrique, mas é que o menino deu pra bebê, roubá, minti e fazê tanta besteira , que nóis apelidô ele assim...

    Fica a pergunta... será que a irma do pestinha tem o apelido de Diúma???

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  18. (SOBRE O COMENTÁRIO ACIMA): Aiii... Piadinha rastaquera sobre Lula e sua (pseudo) "ignorância". Será que quem não vota PT (e eu não voto mais) tem algo melhor a propor para o Brasil? É desse jeito que alguns dos apoiadores de Serra, em sua ira (à la Reinaldo Azevedo), querem fazê-lo presidente?

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  19. Querem saber? Desafio qualquer um que aqui expôs ideias a mostrar UM SETOR do funcionalismo público que funcione neste país... É simples assim: quem não tem patrão, não tem metas a cumprir e não pode ser demitido, para quê vai se esforçar? Terá aumentos automáticos, reajustes, equiparações, quinquênios, a PQP e vai se aposentar tranquilo; e estou falando dos HONESTOS, tá bom?
    Pessoal, minha opinião é que o ESTADO deve ficar na POLÍCIA, JUDICIÁRIO e até o quanto baste na SAÚDE, todos ganhando salários decentes, pagos por nós, através dos impostos. Há 150 anos Thoreau já avisava, no atualíssimo Desobediência Civil: "O melhor governo é o que governa menos". Não existe dinheiro público, todo o dinheiro é sempre nosso.

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