sexta-feira, 23 de abril de 2010

DESCONFIÁ

Lembro bem da primeira vez em que ouvi Fito Paez. Foi numa festa em Buenos Aires, no réveillon de 92 para 93. Começou a tocar "El Amor Después del Amor", e eu fiquei paralisado: o que era aquilo, tão moderno, tão profundo? Comprei o CD do mesmo nome no dia seguinte - até hoje, o mais vendido da história do pop argentino - e ouvi quase até furar. O cara fazia um som léguas na frente de qualquer coisa que se ouvia no Brasil na época, com toques eletrônicos e melodias sofisticadas, mas sempre muito acessível. Virei fã, fui a shows, adquiri todos os discos seguintes. E pouco a pouco fui me desencantando. Já tenho o recém-lançado "Confiá", que foi parcialmente gravado na Bahia e no Rio de Janeiro, e sinto dizer que a decepção continua. Fito parou no tempo e hoje soa como um roqueiro envelhecido, preso ao velho esqueminha guitarra-baixo-bateria. Como todo argentino que se preza, o pelotudo é louco pelo Brasil, e além de gravar por aqui ele chega a citar Niterói e seu Museu de Arte Contemporânea em "La Nave Espacial". Essa faixa, como todo o resto do álbum, não é ruim, mas também não traz nada de especial. Rodolfito perdeu o trono de bam-bam-bam hispânico para seu vizinho Jorge Drexler, e hoje seu trabalho é déjà entendu, ya escuchado. Uma pena.

3 comentários:

  1. Conheci ele graças aos Paralamas do Sucesso. Infelizmente perdi contato com o rck argentino desde que a Sky/Dierctv parou de ter programação de lá (MTV e Much Music), mas Fito Paez era obrigatório.

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  2. Nunca me pegou. Sempre achei um porre. Ele ainda é casado com Cecilia Roth? Dela eu gosto. Muito.

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  3. "Os árabes são os argentinos dos americanos".
    A melhor seria fazerem outra guerra contra UK!

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