segunda-feira, 30 de novembro de 2009

FROUXO DE RISO

Não é engraçado que…

…justo Dubai, onde basta passar um cheque sem fundos para se ir em cana, tenha dado um calote de bilhões de dólares?

…o Brasil defenda com veemência a eleição fraudulenta do Ahmadinejad, mas se recuse a reconhecer o pleito em Honduras?

…Cuba também não reconheça? Justo Cuba, que deveria ser enquadrada na Lei Maria da Penha, porque gosta de bater em mulher.

…paire agora sobre o Lula a suspeita de ter tentado estuprar um colega de cela? Justo ele, o Jesus redivivo, o filho do Brasil com a dona Lindu, que aliás nasceu analfabeta.

Não, não é.

CÁPSULA DO TEMPO

Se eu tivesse que levar um único disco de 2009 para a proverbial ilha deserta, não teria dúvidas: seria "The Fame Monster" da Lady Gaga. OK, estou roubando no jogo, porque é um álbum duplo com o CD que ela lançou no final do ano passado e mais um EP com 8 faixas novas. Mas o pacote completo reúne fácil, fácil, o melhor da música dos últimos 12 meses. Stefani Joanne Germanotta (sim, ela também se chama Stefani) tem sido comparada por muita gente com Madonna. Pois eu vou além: o que ela conseguiu em sua estreia supera a tia de longe, que só virou um fenômeno global depois de "Like a Virgin". Gaga é inteligente e ótima compositora, o que deixa prever uma carreira bem longa pela frente. Mas também é a tradução perfeita deste exato momento. Ninguém encarnou como ela esse ano que já vai tarde.

LIBERA AÊ

Faz tempo que sou a favor da descriminalização total das drogas. Mas li outro dia um dado estarrecedor, que me deu ainda mais certeza da minha convicção. Sabe quantas pessoas morreram de overdose no Rio de Janeiro em 2008? Menos de 100. E sabe quantas morreram por causa da violência ligada ao tráfico? Mais de 6.000 – um número 60 vezes maior. Ou seja, mesmo se as drogas fossem totalmente liberadas e o número de fatalidades provocadas por ela dobrasse (o que é improvável), ainda assim teríamos muito menos gente a caminho do cemitério.

Não sou ingênuo a ponto de achar que com isto os traficantes iriam todos se emendar, pagar impostos e viver dentro da lei. Toda vez que um tipo de crime é reprimido com sucesso, outro cresce em seu lugar. Portanto, se o tráfico acabasse, poderíamos esperar um aumento no número de sequestros, por exemplo. As causas da criminalidade são sociais, e enquanto existirem também haverá crime. Mas a liberação das drogas pode ser um passo para a redução da violência. Pelo menos morreria menos gente do que hoje.

domingo, 29 de novembro de 2009

OS ANÉIS DA TERRA

Finalmente a resposta para uma pergunta que sempre angustiou a humanidade: como seria se a Terra tivesse anéis como os de Saturno?

WHOA

Com apenas 10 anos de atraso, caiu na rede há dias esta cena clássica do "Matrix" totalmente refeita com Lego. Achei a performance dramática do bonequinho mais convincente que a do Keanu Reeves.

A LUA E EU

Fui ver "Lua Nova" com a maior das boas vontades, sabendo plenamente que o filme não foi feito para mim. Faz tempo que não sou mais uma menininha sonhadora, apesar de ainda adorar vampiros (lobisomens nem tanto). E saí do cinema embatucado: como é que essa besteira se tornou o maior fenômeno planetário desde que inventaram o pão quente? O ritmo é lento, e durante boa parte do tempo não acontece absolutamente nada. A tal da Bella é uma chata, o que torna muito significativo o fato de tantas raparigas se identificarem com ela. E os meninos-monstros, faça-me o favor. Alguém sente mesmo tesão pelo Robert Pattinson, com aquele rosto pálido coberto de glitter? O Taylor Lautner de cabelo curto e bombadinho é melhor, e quando se junta aos amigos descamisados parecem que estão todos num set da Bel-Ami. Mas os lobos gigantes em que se transformam (perdão, pra mim lobisomem é outra coisa) parecem feitos com papel maché e cola de farinha de trigo. Tinha esperança que os Volturi, os vampiros nobres italianos, trouxessem uma dose de glamour e audácia-do-bofe, mas nem mesmo a presença do Dudu Bertholini entre eles consegue salvar o filme. E atóron o gancho do final (sim, vou contar, tralala): Bella tem certeza que quer virar vampira para namorar o Cullen, mas ainda está na dúvida se quer se casar com ele. Oi?

sábado, 28 de novembro de 2009

TAPA NA PANTERA

De vez em quando um artista popular se volta para si mesmo e resolve fazer um trabalho para seus próprios botões. Dane-se o público que o alçou aos píncaros da glória: “já bajulei vocês demais, agora vou fazer o que eu gosto”. O que costuma provocar essa reviravolta é um acontecimento grave, como um acidente ou uma morte na família. E, na maioria das vezes, a obra resultante do furor auto-indulgente é beeem chatinha. Bom, não sei se Rihanna se encaixa no conceito de “artista” (popular ela é), mas o resto do enredo ela seguiu à risca. “Rated R”, seu novo CD, é uma piscina de água fria na cabeça de quem esperava mais musiquinhas grudentas, tipo “Umbrella” ou “Don’t Stop the Music”. Eu, por exemplo. O disco é declaradamente inspirado na surra que ela levou do ex-namorado Chris Brown no começo do ano. Tem letras sombrias, guitarras distorcidas e, apesar de muitas faixas agitadas, um climão de anti-festa duro de aguentar. Rihanna merece aplausos por se arriscar e ir contras as expectativas. E um tapinha por ter se tornado tão “madura” (marquetês para “amarga”) com apenas 21 anos. Ah vá, um tapinha não dói.

ARQUEOLOGIA DO FUTURO

Daqui a mil anos, os Beatles serão estudados pelos acadêmicos de então como os de hoje estudam o Antigo Egito. E também serão mal-interpretados. É a premissa desse viral engraçadinho, que parece um segmento de um futuro programa do Discovery Channel. É isso aí, campos de morango para sempre.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

CANSEI DE SER MÁRCIA

Ando muito bonzinho nas minhas colaborações para a “Folha de São Paulo”. Todo filme que eu vejo é ótimo, todo show é sensacional, todo mundo é incrível. Pareço até a Márcia de Windsor, uma atriz que foi jurada no “Programa Flávio Cavalcanti” nos anos 70 e dava 10 para qualquer calouro, não importava a barbaridade que ele cometesse no palco. Pois bem: esse tempo acabou. Hoje saiu no jornal minha primeira crítica negativa, que os assinantes do UOL podem ler aqui. Quis o destino que a vítima fosse justamente “Do Começo ao Fim”, o filme mais badalado pela viadagem brasileira neste ano que vai findando. Repito lá mais ou menos o que disse no blog: não há conflito, os irmãos que se amam são duas criançonas e o ingresso só vale pelas cenas de sexo. Mesmo assim, não calquei a mão até o fim e dei “regular” como cotação. Porque o filme tem inegáveis qualidades técnicas, bons atores e, principalmente, coragem e boas intenções. Mas, como todo mundo sabe, de boas intenções o inferno…

(Marta, a sua comparação do filme com a coleção "Sabrina" é tão boa que eu tive que chupar. No jornal não pude dar o crédito a você, mas aqui eu posso.)

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

TATI QUEBRA-PALÁCIO

Ainda não tinha me manifestado sobre essa terceira temporada do "Brazil's Next Top Model", mas não dá mais pra segurar: explode coração. Como assim, a Tati eliminada? Achei que ela chegaria até a final, onde disputaria o primeiro lugar com sua antípoda Bruna. Mas agora perdeu a graça. Às vezes parece que os jurados se esquecem que aquilo é só um programa de TV e levam muito a sério a missão de descobrir a próxima estrela das passarelas. Ninguém, nem aqui nos EUA, alcançou a glória só por ter sido a vencedora. E olha que esta foi, de longe, a melhor edição, justamente por causa do mix de meninas na casa. O "BNTM" virou quase um "Big Sister", com as pelejas entre as candidatas se tornando mais importantes que as provas. Claro que, mais uma vez, meu proverbial pé-frio entrou em campo: minha primeira favorita era a lésbica Giovahnna, que dançou há mais de um mês. Aí passei a torcer pela Tatiana, a favelada carioca que parecia estar ali à revelia. Era uma delícia vê-la dizer que odiava fazer pose e que não queria ser modelo. Mesmo assim, suas fotos ficavam incríveis, e ela foi se tornando a grande rival da Bruna, a diabética pentelha com tendência a engordar - mas também a mais experiente da turma, e ótima modelo. Já vazou na Wikipedia que a campeã será, como das outras vezes, uma mosca morta: Camila Trindade, linda de morrer mas sem graça feito um copo d'água. Pouco importa. Para mim o programa acabou hoje.

A LÍNGUA PRÉ-FABRICADA

Atire a primeira pedra quem nunca usou uma frase feita. Aliás, "atirar a primeira pedra" é um lugar-comum exuberante, devidamente registrado no sensacional dicionário "O Pai dos Burros". Humberto Werneck vem colecionando esses vícios de linguagem desde os anos 70 e agora eles estão reunidos num único volume, ao alcance de quem quiser evitar os clichês na hora de escrever. A lista é abrangente e cruel: entraram até expressões que me pareciam perfeitamente inocentes, como "atrás das grades" e "engolir em seco". O autor diz que elas não estão "proibidas", mas que sua ausência deixa qualquer texto mais interessante. Para a segunda edição, sugiro a inclusão de algumas que eu adoro odiar, como "perdeu a batalha contra o câncer" ou "o camelo é o navio do deserto".

RESSONÂNCIA MAGNÉTICA

Admiro a desfaçatez dessas francesas que não deixam que um pequeno detalhe como a falta de voz atrapalhe suas carreiras de cantoras. Elas se garantem com charme, atitude e boas relações e os resultados muitas vezes são agradáveis. É o caso da primeira-dama Carla Bruni e também o de Charlotte Gainsbourg. Linhagem musical ela tem: seu pai Serge foi o mais importante compositor do pop francophone. Por outro lado, sua mãe Jane, apesar de inglesa, se inscreve tranquilamente na tradição nacional de cantoras sussurrantes e meio truqueiras. Charlotte pelo menos é inquieta e procura coisas inusitadas para gravar. Seu disco “5:55” foi produzido pela dupla Air, e era uma gostosura atmosférica. Dessa vez ela chamou o americano Beck para conduzir seu novo trabalho, “IRM” (a sigla em francês para o exame de ressonância magnética). Quem cadastrar o e-mail no site da moça recebe um link para baixar de graça a faixa-título. Não gostei muito não: pouca melodia e muita percussão. Preciso conferir o resto do CD. Charlotte ainda tem crédito comigo.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

LEVI SEM PAGAR

A gloriosa revista "Playgirl" - a primeira a mostrar nus frontais masculinos - parou de ser publicada em janeiro deste ano. Nem mesmo seu fiel público gay, que respondia por aproximadamente 30% da circulação, foi suficiente para salvá-la. Mas ela sobrevive online, e inventou uma jogada sensacional para voltar aos holofotes. Está publicando, a ritmo de conta-gotas, fotos sensuais de Levi Johnston, aquele que engravidou a filha da Sarah Palin e depois rompeu com a família toda. Não tenho coragem de me associar ao site e morrer numa grana só para ver essas fotos, ainda mais porque já se sabe que Levi não fez the full monty. Mas adoro seu corpitcho na medida, sem tatuagens nem excessos de malhação. Fora que o rosto do rapaz é lindo, digno de Hollywood. Por enquanto não encontrei nenhuma imagem mais ousada que essa aí ao lado, mas a luta continua. Alguém sabe onde tem mais?

OVO VIRADO

Toca o telefone.
- Luiiiiz?
Mau humor instantâneo. Quem liga me chamando de Luiz não só não me conhece como provavelmente vai me aborrecer com alguma coisa.
- Aqui é da academia. A gente reparou que você não tem vindo. Por quê, hein?
- Falta de tempo.
- Mas é por causa do trabalho, é pessoal…?
- É um pouco por tudo.
- Mas é mais trabalho ou mais pessoal?

Pronto: o mundo se tingiu de vermelho. Devia ter dito “É que estou me tratando de uma gonorreia que eu peguei da sua mãe”. Ou então encarnado a Maria Clara Gueiros e soltado um “Vem cá, te conheço?”. Mas na hora não me ocorreu nada melhor.
- Eu vou na academia quando eu quiser!
E bati o telefone.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

MANAH MANAH, WILL YOU LET ME GO?

Freddie Mercury morreu há exatos 18 anos. Numa merecidíssima homenagem ao maior cantor de todos os tempos period, os Muppets lançaram hoje sua versão de "Bohemian Rhapsody". Que mané "Bad Romance", que nada: este é que é o melhor vídeoclipe do ano. Mimimimi.

MASH QUE EU GOSTO


Hoje é um dia importante para o que restou da indústria fonográfica. A um mês do Natal, estão sendo lançados nos EUA alguns dos CDs mais badalados do ano. O pacotaço inclui Lady GaGa, Adam Lambert, Susan Boyle, Rihanna, Britney Spears (com mais uma compilação) e até mesmo Sua Majestade Satânica. Isto mesmo: o papa Adolf I empresta sua voz de rouxinol a alguns cânticos e litanias que prometem bombar nas festas do réveillon (NOT). Tá com preguicinha de baixar tudo? Então dá uma sampleada no mash-up remix que o DJ Skribble preparou para o Daily Beast, meu site favorito. Ahaseaux.

MAPA-BUNDI

Sabe aquela sensação de que está todo mundo transando horrores, menos você? Ela vai piorar ainda mais depois de uma visita ao "I Just Made Love", que mostra no mapa onde se trepa mundo afora, e como, e com quem. Funciona assim: logo após uma bimbada, os usuários preenchem um pequeno formulário no site, inclusive com dados subjetivos do tipo "foi bom para você?". E os internautas podem usar muitos filtros para revelar os detalhes que realmente interessam: homem com homem, mulher com mulher, camisinha, ao ar livre, no barco... Claro que não há como saber se é tudo verdade. Mas que dá uma certa aflição, ah, isso dá.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

MÚSICA EUNUCA

Até o século 19, era comum na Itália que meninos pobres fossem castrados para se tornarem cantores líricos. Claro que ninguém perguntava se eles estavam a fim de entrar na faca, mas a perspectiva de uma carreira de sucesso animava muitos pais sem recursos. Depois a prática caiu em desuso, fiu, e todo um repertório específico foi esquecido. Porque a voz desses eunucos era única, nem de homem nem de mulher. Perfeita para papéis de anjos e seres mitológicos. Atualmente, pouca gente se arrisca nessas peças dificílimas. Edson Cordeiro foi um deles, e agora chegou a vez de Cecilia Bartolli, que acaba de lançar o CD “Sacrificium”. Cecilia é ultra-histriônica, e sua voz de mezzo-soprano talvez seja o mais perto que consigamos chegar dos castrati originais. Experimente “Chi Teme a Giove Renante”, com direito a trovoadas e malabarismos – isso aí que é diva beeesha, o resto tem até buço. E hoje em dia, quem topa se sacrificar pela arte? Prometo que não vai doer nada…

AHMADONNEJAD

O popstar iraniano já desembarcou no Brasil, levando a tiracolo seu namorado Maomé Trevas e obcecado como sempre pelos judeus. Mas é tudo embromação: o escritor irano-americano Reza Aslan já cantou o blefe. Ahmadinejad nega o Holocausto toda vez que reprime alguma manifestação estudantil, ou rejeita mais um acordo quanto à capacidade nuclear de seu país. Assim distrai a mídia, que fica soltando gritinhos de horror, enquanto desce o cacete à vontade na oposição. Mesmo assim, acho normal o Brasil ter relações diplomáticas com o Irã, como aliás todos os países europeus também têm. Mas ninguém fica puxando o saco do Mahmoud, apoiando sua eleição fraudulenta ou dizendo que lá brilha a mais prístina democracia. Ando relevando muita coisa do Lula, mas isto não perdoo. Tenho vontade de vomitar quando penso que o Mal-ajambrad está sendo recebido em Brasília com honras de chefe de estado (o que, de direito, ele não é). Menas, Lula, menas.

PITTA PAGOU O PATTO

Celso Pitta talvez tenha sido o pior prefeito de São Paulo, desde o tempo das capitanias hereditárias. Não vai fazer a menor falta no apodrecido panorama politico brasileiro. Mas não deixo de sentir uma certa peninha do cara, porque, de certa forma, ele foi o bode expiatório do malufismo. Todo mundo o abandonou, a começar pelo próprio Maluf, e, last but not least, sua ex-mulher Nicéia. Nos últimos anos Pitta concorreu duas vezes a deputado federal, e levou ferro em ambas. Era uma unanimidade negativa. Deu no que deu: o cara somatizou, desenvolveu um câncer e se foi. Seu sacrifício vai deixar muita gente se sentindo expiada, limpinha de todos os pecados. A começar pelo mesmo próprio de antes, que, apesar do eleitorado minguante, ainda deve ter votos suficientes para se eleger deputado. Blargh.

domingo, 22 de novembro de 2009

O GÊNERO ESTÁ ENTRE AS ORELHAS

Chaz Bono, nascida Chastity, ainda não terminou o longo processo que irá transformá-lo num gordo afeminado, mas já dá para ver alguns resultados. OK, estou sendo cruel, mas piadinhas como esta devem ser o menor dos problemas de quem nasceu mulher e quer se transformar em homem. Por enquanto o filho da Cher só retirou os seios, cortou o cabelo, se encharcou de hormônios masculinos e fez duas tatuagens horrendas. Ainda não mexeu nos países baixos, e, se eu fosse ele, pararia por aqui. Se houvesse uma maneira eficaz de construir cirurgicamente um pau funcional, quem mora perto já seria freguês faz tempo.

(mais uma dica do Luciano de SJC)

E O MUNDO NÃO SE ACABOU

Ninguém mais pode soltar um peido no Rio de Janeiro sem que a imprensa internacional questione a capacidade dos cariocas de organizar as Olimpíadas de 2016. É tanto alarmismo que eu fiquei a fim de ver algo arrasador pra valer, que cancelasse a porra dos Jogos de uma vez por todas. Como o tsunami prometido pelo poster brasileiro de “2012”, com o Cristo se estilhaçando e uma Urca imaginária sendo arremessada contra o Pão de Açúcar. Mas saí frustrado: a cena é rapidíssima, e acontece apenas num monitor de TV, com “imagens fornecidas pela Globo News” (sabia que a Globo iria resistir ao fim do mundo). Só neste ponto o filme desaponta. São quase três horas de aniquilação total, acompanhadas pelo roteiro perna-de-pau obrigatório. Adoro quando os cientistas explicam que as partículas solares se “transmutaram”. E adoro ainda mais quando uma torre de controle é destruída pela lava e alguém lá dentro exclama, “essa não!”. “2012” é um pastiche bilionário de todos os filmes-catástrofe jamais feitos: “Terremoto”, “Poseidon”, “Inferno na Torre”, “Aeroporto”, etc. Só faltou um enxame de abelhas assassinas. O mais engraçado é que tem neguinho por aí levando a sério a tal da “profecia” maia sobre o fim do mundo em 2012. Gente, se os maias fossem tão sofisticados assim, não teriam extinto sozinhos a própria civilização, antes mesmo da chegada dos espanhóis.

sábado, 21 de novembro de 2009

FESTA DE ARROMBA

"Minha Fama de Mau", a autobiografia de Erasmo Carlos, é gostosa de se ler, recheada de "causos" da Jovem Guarda e outros momentos da MPB. Alguns fazem até a linha mais-do-que-queríamos-saber. Mas o livro nem de longe é o retrato definitivo da vida e da carreira de um dos compositores brasileiros de maior sucesso de todos os tempos (como cantor, nem tanto). Erasmo escreve de maneira leve, e mantém o tempo todo o deslumbramento do menino pobre que vê um mundo de festas, mulheres e carrões se abrir à sua frente quando ainda era muito jovem. Mas os episódios difíceis, que existem em qualquer vida, são praticamente varridos para baixo do tapete. Especialmente o suicídio de sua ex-mulher Narinha, que merece um capítulo com menos de uma página. O Tremendão diz até hoje que não faz ideia por quê ela se matou, mas é claro que faz - e claro que tem todo o direito de evitar o assunto. Mas fiquei curioso em saber dos detalhes, que talvez só fossem revelados por um escritor mais isento. Só que não duvido que Erasmo, a exemplo do seu amigo-de-fé-irmão-camarada, também tirasse esse livro de circulação.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

VERSÃO BRASILEIRA...

Meu sogro morreu hoje de madrugada, no Rio de Janeiro, depois de quase um ano muito doente. Tinha um dos nomes mais ouvidos na televisão brasileira e um rosto pouco visto - tanto que existem comunidades no Orkut tipo "Quem é Oscar sênior?". Era um homem cheio de energia, que amava o cinema e o golfe. Agora estamos em plena função velório, e a cremação será amanhã. Oscar está bem, na medida do possível, e agradece aos telefonemas, e-mails e mensagens que estão chegando. Obrigado pelo carinho, gente.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

TCHÍNEMA ITALIÁNO

Falta só um mês para a estreia americana de "Nine", o filme-que-eu-mais-quero-ver-de-todos-os-tempos deste ano. No Brasil ele entra em cartaz no dia 15 de janeiro; enquanto isto, posso me regalar com fragmentos como este acima. Nele Kate Hudson, uma atriz que nunca me agradou muito, está absolutamente fabulosa cantando "Cinema Italiano", uma das poucas canções originais do filme e forte candidata ao Oscar na categoria. Também já estão pingando na internet os primeiros comentários de quem já viu "Nine" pronto, e são todos sensacionais. Para os esfomeados como eu, tem até um blog no ar. Minha expectativa só é menor que o medo de me decepcionar.

LOS NORMALES

Com alguns ajustes, "Um Namorado para Minha Esposa" poderia ser adaptado para mais um episódio das aventuras de Rui e Vani. A agilidade dos diálogos e o pique dos atores é semelhante e, como no recente longa brasileiro, o tom fica sentimental e o ritmo mais lento no final. Essa comédia argentina fez muito sucesso por lá, mas está passando meio desapercebida em SP. Além de ser um bom programa, é mais uma amostra de como nossos vizinhos conseguem fazer bons filmes de baixo orçamento que retratam a classe média, enquanto que por aqui só se fala em favela e tiroteio. Valeria Bertuccelli está fenomenal como a mulher insuportável que aos poucos vai se tornando interessante, para desespero do marido que contratou um cara para seduzi-la e assim conseguir o divórcio mais fácil. E, apesar da cidade aparecer pouco, saí do cinema com saudades de Buenos Aires.

(gracias ao Cau, mi turróncito relleno de avellanas, que percebeu o parentesco do filme com "Os Normais)

GAY DEMAIS

Todo ano a revista "Out" faz a lista dos 100 gays mais influentes dos Estados Unidos, e põe os mais famosos na capa. Claro que na edição de 2009 está o Adam Lambert, que saiu do armário logo após o "American Idol" e lança seu disco na semana que vem. Beleza, né? Mas aí o editor da revista escreveu uma "carta aberta" ao cantor, reclamando que os assessores de Lambert insistiram para que ele não saísse "gay demais" na foto, e que houvesse pelo menos uma mulher hétero no grupo. Olha, para o rapaz não parecer excessivamente viado, nem jogando um pano grosso por cima, porque ia virar um sári belíssimo. E a tal da mulher hétero escolhida foi ninguém menos que Cyndi Lauper, fag hag das mais manjadas do planeta. Adam retrucou que isso é jogada de marketing da "Out" para esquentar as vendas. Pois eu acho que sai todo mundo ganhando com essa polêmica. Inclusive as bibas americanas, que já têm um ídolo jovem e corajoso em quem se espelhar.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

INHAME, SALAME, GARRAFA DE GUARANÁ

Eis o grande vencedor do "Show do Gongo", que rolou ontem à noite aqui em São Paulo. É uma pequena obra-prima. E agora acho que vou tirar a roupa e ficar totalmente nu, devido ao forte calor.
(obrigado ao Regis e ao Ruy, que me avisaram que já estava no Iuiuiutube)

A REPÚBLICA DEMOCRÁTICA DO GONGO

Já faz 10 anos que o “Show do Gongo” é a sessão mais concorrida do Festival Mix Brasil. A verdade é que ninguém teria saco de assistir aos concorrentes numa sessão normal de curtas: a maioria é abaixo de péssimo. Mas o formato de programa de auditório é simplesmente irresistível. Quase todas as feeenas de SP estavam ontem no Memorial da América Latina, esperneando como se jamais tivessem estudado no Des Oiseaux.

Presa no Rio por causa das gravações do último episódio de “Toma Lá, Dá Cá”, Marisa Orth chegou atrasada. Para conter a sede de sangue da plateia, a produção pediu para Silvetty Montilla quebrar um galho. E a drag mais engraçada do Brasil não se fez de rogada: fez o povo rolar de rir enquanto a esbaforida Marisa arrumava o cabelo nos bastidores. La Orth encontrou um público já aquecido, e, talvez com ciuminho de La Montilla, entrou afiadíssima, soltando farpas em todas as direções.

Menos numa: os proprios vídeos. Experiente, a apresentadora não deixou que a turba furiosa eliminasse todos os candidatos assim que vencessem os 30 segundos preliminares. E alguns diretores malandrinhos se beneficiaram disto, porque as porcarias que inscreveram tinham menos que meio minuto. No júri, Piu-Piu e Walério Araújo foram facilmente ofuscados por Silvetty, como sempre em noite de glória.

Logo no começo surgiu um favorito: “Furico Li, Furico Lá”, de Sandra Brogioni, vencedora de outras edições. Uma paródia da famosa canção italiana, contando casos inacreditáveis de beees que enfiaram corpos estranhos no fiofó e foram parar no hospital. Divertidíssimo e tecnicamente perfeito: o Memorial veio abaixo, e todos os jurados deram nota máxima.

Nenhum outro lhe chegava aos pés. André Machado, também bi-campeão, veio com duas piadas rápidas, mais fracas do que de costume. O único vídeo lésbico foi praticamente escorraçado. Marisa fez com que um pornô hétero, com interessantes imagens caleidoscópicas, chegasse até o fim, mas o júri não se convenceu.

À meia-noite, a apresentadora ligou do palco para o filho, que estava completando 11 anos. Foi um momento ternurinha, com todo o auditório cantando “Parabéns a Você”. Mas a partir daí, talvez cansada e/ou lubrificada pelo whisky, Marisa perdeu um um pouco o rebolado. Entrou numa discussão boba com Walério, chamou Silvetty de Salete e salvou do gongo uns vídeos fracotes. E caiu de amores por “Arco-Íris”, um manifesto político com uma linda mensagem pró-igualdade, mas bem tosco e piegas. Contaminado, o júri acabou dando uma unânime nota 5 a este também, que então foi disputar o troféu com “Furico”.

Mas, apesar da torcida de Marisa, prevaleceu o bom senso – ou melhor, o espírito de porco. O “Show do Gongo” é um tributo à avacalhação, e o candidato que melhor encarnou essa irreverência toda foi mesmo “Furico Li, Furico Lá”. Uma saraivada de palmas para a diretora, e assim que o vídeo estiver disponível na rede – ainda não achei no YouTube – eu posto aqui no blog.

Ufa.

(Também não achei nenhuma foto da noite de ontem, por isto Marisa aparece lá em cima numa cena de seu próprio show. Depois eu troco.)

terça-feira, 17 de novembro de 2009

THE LUCKIEST PEOPLE IN THE WORLD

As pessoas mais sortudas do mundo foram os cento e poucos sorteados numa promoção realizada pelo site da Barbra Streisand há pouco mais de um mês. Os felizardos puderam assistir na faixa a um show da diva num pequeno clube de jazz em Nova York, espremendo-se em mesas ao lado de celebridades como o casal Clinton e a estilista Donna Karan. Aliás, há quase 50 anos a jovem Barbra fez um teste para cantar no mesmo clube - e não passou! Hoje ela ainda reina absoluta. Seu novo CD "Love is The Answer" estreou em primeiro lugar na parada americana. Talvez porque seu público-alvo não saiba baixar músicas da internet... E novo é força de expressão. O repertório é todo do tempo do onça, que Barbra canta com tanta perfeição que chega a ser irritante. Irrite-se você também: baixe aqui a versão de Streisand para "Smoke Gets in Your Eyes". Se você souber.

PRATA É DE OURO

Dois amigos diferentes me enviaram o excelente artigo que Antonio Prata publicou ontem em seu blog no site do "Estadão". É uma reação lúcida e desapaixonada contra os evangélicos que andam denunciando por aí a ameaça de uma "ditadura gay". Aliás, esse termo absurdo é cada vez mais frequente na boca desse povo. A verdade é que vivemos há milênios numa ditadura hétero, onde quem não se encaixa nas normas é perseguido e, às vezes, até morto. Evangélicos, aliás, não são exatamente conhecidos por sua tolerância com outras religiões. Já viu a maneira como eles se referem aos cultos afro-brasileiros? Então está na cara quem está mesmo a fim de implantar uma ditadura. Mas enquanto houver gente como Antonio Prata, nem tudo está perdido.

HIGH SCHOOL MUSICAL 4

O único gay que aparece na nova versão de “Fama” é eliminado logo nos exames iniciais. Também, quem mandou se inscrever na Escola Jânio Quadros de Bailados? Porque foi nisto em que se transformou a lendária New York Academy of the Performing Arts nesse remake caretaço. Pela ótica do filme, o mundo regrediu nos últimos 30 anos. Não só as bichas foram deletadas – e justo numa escola de balé e teatro – como negro só namora com negra, branca só namora com branco, e ninguém sabe o que são sexo e drogas. Lembra da história da estudante que engravidava? Foi-se. Da que mostrava os peitinhos num teste fajuto? Idem. Os personagens originais foram substituídos por robôs bonitinhos e antissépticos, e são tantos que não dá para se envolver com nenhum. Da trilha original também só sobraram (soçobraram?) a canção-título e a melada “Out Here on My Own”. O resto são hip-hops barulhentos e alguns standards inofensivos. Os produtores dessa joça podem jogar a culpa no lento processo de criação do cinema: um filme leva no mínimo dois anos para ser feito, da concepção à estreia. E os caras não perceberam que uma mudança já estava em curso. Esse arremedo de telefilme do Disney Channel foi feito para a era Bush, mas só entrou em cartaz na era Obama. Um programa como “Glee” traduz muito melhor o espírito musical desse novo tempo. O “Fama” de 2009 tem alguns momentos simpáticos, por isto não é o desastre total que eu temia. Mas é medíocre de cabo a rabo, o que talvez seja ainda pior.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

O PRÓXIMO VENCEDOR DO OSCAR

Já sei qual é o filme vai ganhar o Oscar no ano que vem. É “Precious”, que venceu os festivais de Sundance e Toronto e acaba de estrear nos EUA, com flores da crítica e filas do público. A trama é barra pesadíssima, e perfeita para o primeiro ano da era Obama. A personagem título é uma adolescente obesa, semi-analfabeta, abusada pela mãe, estuprada pelo pai (com quem tem dois filhos) e HIV positiva. Claro que é uma história de superação e esperança, mas, pelo que tenho lido nos sites especializados, não cai nos clichês do gênero. A novata Gabourey Sidibe vai ser indicada ao prêmio de melhor atriz, e a comediante Mo’Nique, como a mãe violenta, vai levar o de atriz coadjuvante para casa. Periga até sobrar uma indicaçãozinha para ninguém menos que Mariah Carey, que faz uma assistente social. Talvez pela coragem de aparecer com cabelo ruim e nenhum pingo de maquiagem.

PEQUENAS VITÓRIAS

Um casal gay entrou com uma ação na Argentina, e uma juíza lhes deu parecer favorável: segundo ela, a constituição do país não proíbe o casamento entre pessoas do mesmo sexo, então os pombinhos já estão providenciando a papelada. O que gerou grande repercussão por lá foi o apoio de Mauricio Macri, o prefeito gostosón de Buenos Aires. Tomara que los novios tenham sorte, porque por aqui até o Lula já se declarou a favor da bicharada e nem mesmo uma coisa basicona como a criminalização da homofobia conseguimos aprovar.

Mas algo de bom aconteceu no Brasil. A feiticeira mascarada Rozângela Justino, com medo de ser cassada pelo Conselho Federal de Psicologia, declarou que não vai mais atender em seu consultório os imbecis que querem “deixar” de ser gays. Agora as consultas a este seleto público deverão ser numa tenda, com o apoio de uma bola de cristal e muita pata de morcego e olho de dragão. Claro que já tem evangélico reclamando, o que não é de se espantar – essa cambada não entende que o que a bruxa oferece não é psicologia. Mas o que esperar de quem acha que o criacionismo é ciência? Se eu fosse psicólogo, criava um tratamento para quem quisesse deixar de ser evangélico.

(a primeira vitória foi dica do Luciano Guimarães, a segunda do Daniel Cassús)

A BETHÂNIA DE SAIAS

O primeiro show que eu assisti na vida foi dos Secos e Molhados, em 1973. Não dá para descrever o impacto: eles eram a coisa mais transgressora jamais feita no Brasil, e eu tinha apenas 13 anos. E não dá para exagerar a coragem de Ney Matogrosso, rebolando e liderando as paradas em plena ditadura militar. Só por isto ele já merece todo o respeito, mas Ney é um puta artista. Depois de muito tempo sem vê-lo no palco, sexta passada assisti seu novo show, "Beijo Bandido", a serviço da "Folha de São Paulo". Minha crítica saiu no jornal de hoje, e os assinantes do UOL podem lê-la aqui. Fiquei tão impressionado que comprei o disco na saída, que ouvi sem parar no fim de semana. Ney voltou a ser um dos meus favoritos, e agora divide meu altar-mor com Maria Bethãnia, com quem tem muito em comum: a incessante pesquisa musical, a eletrizante presença cênica, a... Digamos que Ney Matogrosso é uma Maria Bethânia de saias.

domingo, 15 de novembro de 2009

CADA MERGULHO É UM FLASH

Trabalhei com Mara Manzan em "Ô, Coitado!", onde eu era um dos roteiristas e ela fazia dona Cláudia, a patroa da Filó. Mara era limitada como atriz: nunca decorava as falas direito, e basicamente interpretava sempre o mesmo personagem. Mas tinha um incrível timing de comédia, e um alto astral constante e contagiante. Vivia às gargalhadas. Ficou famosa para valer no ano seguinte, quando voltou para a Globo e ajudou a colocar o Piscinão de Ramos no mapa. Sua morte me deixou surpreso e triste. Mas ela provavelmente me daria um safanão, para eu parar de perder tempo com bobagem.

LET'S MISBEHAVE

Faz tempo que não se monta nada de Noel Coward no Brasil. Quem nunca viu nada desse dramaturgo inglês, que brilhou nos anos 20 e 30, tem uma boa chance de entrar em seu mundo de elegância e tiradas ferinas no filme "Bons Costumes", em cartaz no Rio. À primeira vista, a trama é futilidade pura: uma famíia tradicional da Inglaterra se horroriza quando o filho mais velho traz para a imensa casa de campo sua nova esposa, uma - gasp - americana. Um choque de cuturas que nunca vai além das afinetadas, mas fica cada vez mais engraçado. Até que de repente a coisa fica séria, e percebemos que o que Coward faz é retratar o fim de uma era e o começo de outra. Não sou muito fã da Jessica Biel, que faz a americana; seu sorriso de 150 dentes me dá um pouco de aflição. Mas atóóóóron Colin Firth e Kristin Scott-Thomas, os pais do noivo, perfeitos como sempre. Ah, e atenção para a triha sonora. No meio de standards do próprio Coward e de Cole Porter, há músicas contemporâneas em arranjos de época, como "Sexbomb". "Bons Costumes" é uma comédia não-pastelão, mal-comportada e deliciosa de se ver.

sábado, 14 de novembro de 2009

LES PETITS AMIS

A exposição de Pierre e Gilles no Rio de Janeiro tem um defeito grave: é curta demais. É a primeira vez que o trabalho deste casal de artistas franceses, juntos há mais de 30 anos, é mostrado no Brasil, e merecia mais do que 25 telas. Aiás, não sei se "telas" é o termo correto, porque tecnicamente são fotos. Fotos alteradíssimas, mas sem nada de Photoshop: os dois usam antigas técnicas de retoque, que deixam ainda mais coloridos cenários, figurinos e maquiagens. Os temas não podiam ser mais gays, mesmo quando usam ícones religiosos (ou principalmente quando usam). São imagens cafonérrimas, deirantes, um mundo de martírio e êxtase. Os modelos se dividem entre gostosôes anônimos e celebridades absolutas, como Madonna ou o astro pornô Jeff Stryker. A mini-retrosepctiva está no Oi Futuro, um espaço moderno como o Rio precisava faz tempo e fica em cartaz até 17 de janeiro. Quem não puder ir, clique aqui e passeie por uma galeria dos rapazes. É de arregalar les yeux.

CORRE, VEADINHO, CORRE

Quer alegrar o seu sábado e encher o coração de alegria e esperança? Então dá uma espiada no vídeo aí em cima, que mostra a fuga espetacular de um veadinho das garras de duas leoas no zoológico de Washington. Mas como que ele foi parar lá? Simples: o zoo da cidade é contíguo a um parque onde os colegas andam à solta. Bem alimentadas, as leoas estavam brincando de mordê-lo e arranhá-lo, com a crueldade típica dos felinos. Repare como uma delas desiste de persegui-lo quando ele cai n'água: nem valia pena molhar o picumã por tão pouca micharia.

(Agora, quer estragar o seu sábado? O veadinho não resistiu aos ferimentos e mó-rreu no hospital. Mwahahaha)

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

DEFINIDO E MUITO BEM DOTADO

Já tinha avisado alguns posts mais abaixo que minha entrevista para o André Fischer, em seu programa "DJ Mix", havia reaparecido na Rádio UOL. Mas claro que não resisto a fazer um post novo. Ainda mais agora, que ganhei chamada e fotinha na homepage do Mix Brasil. Pena que trocaram as legendas com a chamada de baixo... Enfim, separe 71 minutos da sua vida, clique aqui e ouça o que eu falo, falo, falo. Coitado do André, não sei como ele me suportou.

10 ANOS EM 7 MINUTOS

Fim de ano é época de restrospectiva. Como este é o último ano da primeira década do século 21, já começam a pipocar as listas de "melhores da década" (e não, não recomecemos o debate sobre quando começou o século - foi em 2000 e pronto). A revista "Newsweek" preparou este vídeo aí cima, que em apenas 7 minutos faz um resumão dos principais acontecimentos do período. Antes que alguém reclame que não se fala em Lula nem em Brasil: também não se fala em França, Grã-Bretanha, ou Japão. O vídeo foi feito por americanos, o povo mais caipira do mundo. Só enxergam o proprio quintal. Mesmo assim, senti falta da Lady Gaga.

O HOMEM DEGRADÉ

Michael Jackson negou, durante anos a fio, ter feito qualquer tipo de branqueamento artificial. Só quando pressionado por Oprah Winfrey ele “admitiu” que tinha vitiligo, uma doença de pele que disfarçava com maquiagem. Ninguém acreditou muito, e só depois de morto é que Jackson perdeu a aura de traidor da raça. Os tempos mudaram: semana passada, o ex-jogador de beisebol Sammy Sosa, nascido na República Dominicana, apareceu em público com a pele visivelmente mais clara que seu tom achocolatado natural, e anunciou garbosamente que está lançando um creme que branqueia a pele. Está sendo xingado de tudo quanto é nome, mas muita gente também o defende. Afinal, num mundo em que a pele clara merece todos os privilégios, quem pode ser criticado por querer ser branco? E isto me leva a outra questão. Se um cientista inventasse, por exemplo, uma pílula que transformasse gay em hétero, será que eu a tomaria?

ЛAДЫ ГAГA

Já tem programa para amanhã? Então corre pra Los Angeles. Comemorando os 30 anos do MOCA (Museum of Contemporary Arts), o Balé Bolshoi vai se apresentar com uma convidada especial, cujo nome aparece em cirílico no título deste post. Sim, ela mesma. Acertou.

(E o poster é de Francesco Vezzoli, um dos artistas mais interessantes da atualidade. Ah, e quem quiser ouvir a participação da tal convidada num remix de "Video Phone" da Beyoncé pode clicar aqui.)

FACE-KUT

Alguém aí gostou do novo Orkut? Eu também não. Essa tentativa canhestra de modernizar o site (leia-se “imitar o Facebook”) veio um pouco tarde demais. Parece aquela tia que quer pagar de jovem e usa gírias que não estão mais na moda, como “caraca” ou “demorô”. E isto vindo do todo-poderoso império Google, que engloba até mesmo este blog. Agora, dizem que legal mesmo é o tal do Google Wave, onde só entra quem tiver nome na lista. Alguém aí já tem a pulseirinha?

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

NAS ONDAS DO RÁDIO

Já está no ar, pela Rádio UOL, uma entrevista que dei para o André Fischer, em seu programa semanal "DJ Mix". Quem quiser ouvir minha voz maviosa desfiando sandices pode clicar aqui. Depois, é só clicar no primeiro programa da lista, o de número 389, com a data de hoje (12/11). Não tem meu nome, mas tem a lista das 10 músicas que eu escolhi para tocar. Levei de um tudo: um mini-recorte do meu gosto musical. Tem Queen, Sparks e até Amália Rodrigues, em homenagem aos leitores d'além-mar. Como eu falo para caralho, a brincadeira toda ficou em mais de... 71 minutos. Quem tiver paciência, tá lá.

(Update, 22:34 - Oops, o programa não está mais lá. Devem ter tirado por alguma razão técnica. Ou então o número de acessos foi tão grande que o derrubou, feito a rede elétrica brasileira atingida por um raio. Ou então, mais provável, perceberam que é horrível... Aviso assim que voltar. Se voltar.)

(Update 13/11: Voltei! Na verdade, toda a Rádio UOL passou por um upgrade técnico de ontem para hoje. O link aí de cima continua o mesmo, clica lá.)

SEUS MALES ESPANTA

Só vi dois episódios de "Glee" até agora, mas já estou perdidamente apaixonado. É o melhor programa de TV do ano. Porque não é só divertidíssimo e gayzérrimo: "Glee" também captura com precisão o momento de transição por que os Estados Unidos estão passando. O cenário principal é um colégio em Ohio, o mais indeciso de todos os estados da federação - em alguns anos o povo de lá vota nos republicanos, em outros nos democratas, sem uma preferência definida como a maioria dos vizinhos. E o tal do colégio, dominado por gente careta e uma moral hipócrita e repressora, vê chegar uma onda de tolerância, alegria e diversidade. O embate entre essas duas forças se dá em vários fronts, mas também não quero politizar demais uma série onde o principal atrativo são os números musicais. O elenco é um primor, e os membros do tal do "glee club" - o grupo que se reúne para cantar e dançar - são quase todos oriundos da Broadway. Também parecem saídos de um anúncio da Benetton: tem uma negra, uma oriental, uma bichinha e até um deficiente físico. Todos coadjuvantes, claro, do casal hétero central. Mas não importa. Os roteiros são bem escritos e engraçados, a audiência está boa e a trilha, recheada de clássicos mais ou menos cafonas, sobe nas paradas. É assim, cantando e dançando, que os personagens vão espantando o mal para longe.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

ENTREVISTA COM IANSÃ

Numas de livrar a cara do governo – e principalmente a de Dilma Rousseff, que foi ministra de Minas e Energia – já existe uma explicação bisonha para o apagão que atingiu 19 estados brasileiros. Foram mil raios e trovões, dignos do capitão Haddock, que caíram em Itaberá, no interior de São Paulo. E numas de esclarecer essa história, fui atrás da responsável por esses raios todos: a orixá Iansã.

- Qual o interesse que a senhora tem em prejudicar o governo Lula? A senhora é tucana?
- Não, zi fio. Sou do Piauí.
- Isto é preconceito. Nem o Lula nem a Stefhany tiveram a oportunidade de estudar. A senhora é fã do Caetano?
- Sou mais a irmã dele.
- Mas não desviemos do assunto. Por quê a senhora quer acabar com o bolsa-família e deixar milhões de brasileiros passando fome?
- Fome não, zi fio. Come uma orelhinha de Obá, come. Foi cortada agorinha mêiss
.


Enojado com a orelha sangrenta que a deusa me oferecia, saí do terreiro convencido que ela está pagando o pato nessa história. É bom lembrar que o Brasil é o país com a maior incidência de raios do mundo. Se um punhado deles basta para provocar um blecaute monstro, então estamos mesmo mal-pagos (fodidos já estávamos). Nada me tira da cabeça que essa desculpa meteorológica é tão fajuta quanto os cabelos negros do ministro Lobão. Não tenho a menor prova, mas ainda acho que o apagão foi um chega-pra-lá dos paraguaios – “somos pobres, pero podemos joder con ustedes”. Mas se for isto mesmo, é mais fácil o Lula ler Schopenhauer no original do que admitir a verdade.

ELEVADOR PANORÂMICO

O som do Air é tão levinho, tão inofensivo, que uma das críticas mais frequentes que se faz à banda é acusá-la de tocar muzak, a popular música de elevador. Um termo, aliás, que misteriosamente pegou no Brasil, porque aqui os elevadores têm câmeras e Elemídia, mas nunca música. Enfim, as críticas têm fundamento - só que o elevador do Air é todo envidraçado, e tem vistas lindas para o espaço sideral. "Love 2", o novo CD, é o perfeito papel de parede sonoro, que não exige muita atenção mas é sempre bonito. Deixei tocando no repeat no carro, e perdi a noção de onde começa ou termina o disco. Virou um loop, e eu só percebo que recomeçou quando chega minha faixa favorita, a quase instrumental "Tropical Disease". Quando surgiu há uns 10 anos com "Moon Safari", o Air era indispensável como o oxigênio. Não é mais, mas continua agradável como uma brisa.

GATO MIA, BRASIL

Minha noite começou a melar antes mesmo do apagão. Tentei ver "Fama" e gastar logo a bala de prata que reservei para essa bosta de filme. Mas a sessão tinha sido cancelada por causa de uma pré-estreia, então acabei comprando para "À Procura de Eric". Vinte minutos depois, créu. Um lanterninha entrou na sala para avisar que a queda de energia era no prédio inteiro. Saiu todo mundo, e eu resolvi não esperar a luz voltar. Estava achando o filme bem marromeno, e não havia a menor previsão. Nem tive saco de entrar na fila para pedir o reembolso do ingresso (reeeka).

Saindo do shopping, o espanto foi crescendo aos poucos. O bairro todo estava escuro. E o seguinte também. E o meu. Rodei um pouco de carro, para ver até onde ia o estrago. Mas voltei logo para casa assim que percebi que algumas avenidas estavam congestionadas: engarrafamento no escuro não dá. O porteiro me abriu o portão no muque, e disse que estava apavorado. Quem quisesse invadir o edifício tinha só que chutar a porta. Subi de escada na boa, moro no terceiro andar. Mas o mais assustador era a falta de telefone: nem os celulares funcionavam. Minha única ligação com o mundo era a internet via smartphone. O Facebook estava uma algazarra.

Foi aí que me dei conta que até Recife tinha sido atingida, e que o problema parecia vir de Itaipu. Aí me deu mais medo ainda: será que foi culpa dos paraguaios, que estão doidos para cobrar mais pela eletricidade que nos vendem? Será que é motivo para guerra? No dia em que o Chávez resolver invadir o Brasil (sim, este dia chegará), basta ele combinar com o Lugo e nos deixar no breu. Como somos vulneráveis, caray. E o show da Donna Summer, será que foi interrompido justo quando ela cantava "Dim All the Lights"?

Minha bateria acabou antes que a do celular. Pelo menos a noite não estava tão quente em SP (tadinhos dos cariocas...). Aliás, a única pessoa que tinha luz no Rio era a Madonna. Hoje o André Almada vai anunciar que tudo não passou de uma ação promocional para o show da Preta Gil, o "Noite Preta". Muita gente vai reclamar do Lula, que deixa o Paraguai lhe passar a mão na bunda à vontade. Já o Lula irá culpar o Fernando Henrique, que não investiu no setor elétrico. E continuaremos todos no escuro, mesmo agora que a luz voltou.

(O título desse post vem do Gui do "Que Pressão É Essa?". Ele deixou seu blog às escuras, mas ainda brilha muito no Corinthians)

terça-feira, 10 de novembro de 2009

BUDA-PLAST

O Rio ainda tem a fama de concentrar os melhores cirurgiões plásticos do mundo, mas Budapeste está tentando roubar essa coroa. A cidade sediou em outubro o concurso de “Miss Plástica Hungria”, onde, ao contrário de muitos certames do gênero, as participantes são obrigadas a terem entrado na faca em algum momento de suas vidas. O objetivo era chamar atenção para a crescente indústria húngara da cirurgia plástica, que oferece operações aos preços mais baixos da Europa. Claro que o evento provocou polêmica, pois as candidatas desfilaram praticamente nuas e sem jamais proferir uma única palavra. Pois eu acho isto ótimo: é sempre um alívio não ouvir uma miss discorrendo sobre a paz mundial.

O REICH CONTRA-ATACA

Juro que eu já estou enjoando do assunto Uniban. Mas como o dia está meio devagar, aqui vai o inevitável vídeo com uma cena legendada de "A Queda". Incrível como esse filme se presta a absolutamente qualquer coisa, não? Lá em seu esconderijo no Pólo Norte, Hitler deve estar dando risada. Ah, e para entender a piadinha final: o Cardoso a quem os nazistas se referem é o blogueiro que cometeu esta gracinha.

UNIVERSIOTÁRIOS

E o episódio Geisy/Uniban continua rendendo. Os alunos trogloditas, que ainda defendem a expulsão da moça, não se deram conta de algo que a própria direção da "universidade" demorou a perceber: daqui para a frente, ter cursado a Uniban virou uma mancha no currículo. Alguém vai levar a sério um formado nesta prestigiosa instituição de ensino? O pior é que deve ter muita gente legal por lá (deve), mas agora foi todo mundo levado de roldão por essa lama negra que engoliu a facul. Mais seriedade, rapazes - é apenas o futuro de vocês que está em jogo.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

CONVERSA DE SURDOS

Fico pasmo toda vez que lembro que o Sílvio Santos do "Pânico" precisa da "autorização" do verdadeiro para imitá-lo na TV. Isto é coisa de país atrasado, onde a liberdade de imprensa ainda não é um fato consumado. As celebridades brasileiras não suportam ser satirizadas. Clodovil, por exemplo, processou Deus e o mundo, mesmo sendo um prato cheio para qualquer comediante - e impiedoso com quem quer que fosse. Teria muito a aprender com Marlee Matlin, a única atriz surda a ganhar um Oscar. Marlee volta e meia é vítima de piadas sobre sua deficiência no "Family Guy". Ao invés de ameaçá-los, ela participou do especial de TV dos criadores do programa. E ainda tirou sarro de Alex Brostein, que a dubla no desenho. "Eu deveria fazer minha própria voz", disse Marlee mais tarde à revista "Entertainment Weekly". "Afinal, eu tenho um Oscar, e Alex não tem". E ainda mandou os politicamente corretos se preocuparem com coisas mais sérias. Nada melhor que a capacidade de rir de si mesmo.

(Mudando de assunto, mas ainda relativo ao vídeo aí em cima: não é mesmo impressionante a longevidade de "Poker Face"?)

BALANÇA PRA FORA, IRMÃ

Quem já era muderno na virada dos 80 para os 90 certamente gostava do Swing Out Sister, uma dupla inglesa de estilo meio retrô. Aliás, o bom de ser retrô é que não se fica datado: depois de alguns anos fora de circulação, o SOS ressurge com um CD que poderia ter sido feito em qualquer momento das últimas décadas. A voz de Corrinne Drewery continua bonita como antes, e sua foto na capa, bem malandramente, não entrega o menor sinal de envelhecimento. Este só é sentido quando se ouve o disco: "Beautiful Mess" é mais relaxado, mais lounge que os primeiros trabalhos. Até mesmo "Breakout", o grande sucesso da estreia, reaparece num arranjo bem mais lento. Vai ver que é o reumatismo que não deixa mais o Swing Out Sister balançar para valer.

AS RUÍNAS DO MURO

Os soviéticos esperavam que a proverbial eficiência germânica transformasse a Alemanha Oriental no melhor exemplo de estado socialista bem-sucedido. O que os alemães conseguiram foi criar um aparelho repressivo ainda pior que o da URSS. A República “Democrática” da Alemanha era uma prisão a céu aberto, e o Muro de Berlim era seu logo: a cristalização perfeita de um sistema cruel e desumano, e um pararraios do descontentamento ao seu redor. Neste sentido, talvez falte um símbolo como ele para apressar o fim do regime cubano, por exemplo.

Hoje se comemoram os 20 anos da queda do Muro. Foi só o evento mais emblemático do furacão que varreu a Europa no final de 1989. A perestroika de Gorbachev saiu pela culatra, e, ao invés de renovar o comunismo, conseguiu enterrá-lo mais rápido. Para mim o ponto alto desse processo foi o fuzilamento sumário do infame Ceausescu, o sanguinário ditador da Romênia. Mas Berlim, por sua história e importância, concentra a maior carga simbólica.

A integração da Alemanha ainda não terminou, o que serve de pretexto para duas linhas diferentes de críticas babacas: a que prega que as coisas eram melhores durante o comunismo, e a que se queixa que os orientais não atingiram o paraíso material num piscar de olhos. Tudo bobagem. Ninguém em sã consciência pode ter saudade do Muro de Berlim, não importa sua filiação política. Hoje é um dia para se celebrar. E também para lembrar que ainda faltam cair o muro que separa palestinos e israelenses, as cercas eletrificadas da Coreia do Norte, o apartheid informal que vigora no Brasil, e assim por diante.

(Tenho dois pedaços do Muro de Berlim em casa. Meu marido Oscar passou o Natal de 89 na cidade, e conseguiu arrancar uma lasca e um vergalhão das ruínas. Devem valer uma fortuna no eBay.)

domingo, 8 de novembro de 2009

O MEIO-NAMORO

"500 Dias com Ela" vem sendo saudado como uma comédia romântica inovadora, porque fala de algo comum na vida mas raro no cinema: o meio-namoro. Sabe aquele relacionamento em que um está perdidamente apaixonado e o outro não quer nada sério? Já participei de vários, nos dois papéis. Aquele clima não-trepa-nem-sai-de-cima - quer dizer, muitas vezes trepa, como o casal do filme, mas a coisa não "evolói". Onde "500 Dias" peca é justamente no quesito comédia: faltam piadas, que talvez o elevassem ao nível de um "Harry & Sally", para mim a obra-prima do gênero. Há um número musical que traduz perfeitamente a sensação de estar embriagado de amor, mas queria ter rido mais. É porque talvez o meio-namoro não renda mesmo muitas risadas: no fundo, não é bom para ninguém.

EXPULSA DO TALIBAN

A Uniban nunca foi conhecida pela qualidade do seu ensino. É mais uma universidade caça-níqueis, das milhares que existem por aí. O mais engraçado é que ela não faz mesmo a menor questão de melhorar a imagem. Expulsar a estudante que foi hostilizada por ir à aula de microssaia é passar recibo de boçalidade e ganância. Provavelmente temendo o processo que Geisy Arruda estava ameaçando mover, a escola foi mais rápida e partiu para o ataque. Como é costume em países machistas e atrasados, a culpa é da vítima. A Uniban devia vestir a carapuça (a burca?) de vez e mudar sua primeira sílaba para "Tali". Só espero que Geisy não dê razão a essa turba, e recuse o inevitável convite da "Playboy" para posar nua.

sábado, 7 de novembro de 2009

LA TOLA

Até mesmo a tonta da Paula Abdul se recusou a comer o sushi oferecido sobre o corpo de um homem nu numa das muitas cenas grotescas do filme "Brüno". LaToya Jackson topou. Por causa da morte do irmão Michael, sua participação foi cortada da versão que passou nos cinemas. Mas está no DVD que saiu nos EUA esta semana. Repare como ela também demora a perceber que Brüno está copiando o telefone de Michael de seu Blackberry (calma, os números que ele diz em alemão são falsos). LaToya é tão burrinha e sem talento que eu quase que tenho pena dela. Quase.

IS THIS THE REAL LIFE?

Is this just fantasy? Custo a acreditar que os famososo prisioneiros filipinos continuam a gravar tributos coreográficos a ídolos do pop, enquanto que nas cadeias brasileiras o PCC comanda ataques pelo celular. É o efeito "Glee" / flash mob enchendo o mundo de alegria e bichice. O pessoal da penitenciária de Cebu é simplesmente a mais importante companhia de dança em atividade no momento: não tem pra Pina Bausch nem pra Débora Colker nem pra mais ninguém. Não sei porque eles ainda não foram chamados para dançar na entrega dos VMAs ou do Oscar. Ok, I get it: estão todos presos.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

HEY MICKEY YOU'RE SO FINE

Não existe personagem mais chato que o Mickey. Quando o camundongo surgiu no cinema, no longínquo 1928, era uma espécie de Bart Simpson de seu tempo. Sacaneava amigos e inimigos, e sempre se dava bem. O tempo foi passando, e o Mickey foi encaretando. Seu papel de endiabrado foi roubado pelo Pato Donald, à medida que crescia sua importância como símbolo do império Disney. Hoje ele é pouco mais do que isto: um logo corporativo. E é por isto que as vendas de produtos com sua imagem vêm caindo no mundo inteiro. Como o reino é encantado mas não é bobo, Mickey está passando por um extreme makeover. Sua versão reloaded vai estrear, apropriadamente, num videogame. “Epic Mickey” vai mostrá-lo lutando numa espécie de mundo pós-apocalíptico do desenho animado. Um universo paralelo dominado por, veja só, seu “antepassado”, o Coelho Oswald – o primeiro personagem criado por Walt Disney, que ele perdeu para um antigo estúdio (e cujos direitos comprou de volta anos depois). O novo Mickey continua bom-caráter, mas não mais imaculado. Vai enganar, trapacear, aplicar golpes baixos. Se o jogador exagerar, ele vai se transformar numa ratazana. Isso ia ser legal: o Mickey transmitindo peste bubônica.

A CARA PARA BATER

Já está nas bancas a edição de novembro da revista “Women’s Health”, com a primeira coluna “Pergunte ao Amigo Gay” assinada por mim. Confesso que estou levemente em pânico. Sou assumidérrimo há muitos anos, mas a revista tem uma tiragem de 100.000 exemplares. Tenho a sensação de que todas essas pessoas virão me perseguir, com tochas e enxadas nas mãos. Por outro lado, estou me achando o cara mais corajoso do mundo. O texto está engraçadinho: sofreu alguns cortes aqui e ali, para caber na diagramação (e não, não posso postá-lo aqui no blog – quem quiser ler vai ter que comprar a revista). Mas a foto está me incomodando pacas. Eles tinham que escolher justamente a pose mais gay? OK, este é o nome da coluna, e quem sai na chuva é pra se molhar. O “leve brilho” que o maquiador aplicou nos meus lábios também imprimiu exagerado. Parece que estou fazendo propaganda da linha “Viva Glam” dos cosméticos M.A.C.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

A GENTE REZA - E ACONTECE

Semana passada o governador do Paraná, Roberto Requião, fez uma correlação estúpida entre o câncer na mama e a homossexualidade. Muita gente se revoltou, inclusive eu aqui no blog. Esta semana nossas preces foram atendidas: a providência divina derrubou o palanque onde estava Requião, que sofreu ferimentos leves. Agora precisamos direcionar nossa ira santa para outros fronts. Como a enquete que está rolando no site do Senado: “Você é favorável à aprovação do projeto de lei (PLC 122/2006) que torna crime o preconceito contra homossexuais?” Depois de alguns dias na lanterna, conseguimos virar o jogo, e agora as forças do Bem estão vencendo por 51% a 49%. Vamos aumentar essa vantagem: não é necessário rezar, só clicar.

Se bem que democratas de verdade sabem que é burrice submeter os direitos das minorias ao voto popular – pelo simples fato de que minorias sempre perdem votações. Os direitos civis dos negros americanos, por exemplo, foram impostos de cima para baixo; jamais teriam passado pelo crivo das urnas dos estados racistas do sul. Veja só o que acabou de acontecer no Maine. O estado faz parte da Nova Inglaterra, a região mais culta e liberal dos EUA. Alguns de seus vizinhos já legalizaram o casamento gay, como Vermont e Massachussets. O Maine submeteu a proposta aos eleitores, e não deu outra: o Mal venceu. Por pouco, mas venceu. Precisamos rezar mais.

(Marco e Luciano, Deus lhes pague pela dica)

THE CARREY SHOW

"I Love You Phillip Morris" é a comédia mais engraçada de toda a carreira de Jim Carrey. Mesmo assim, o filme ainda não encontrou distribuidor nos Estados Unidos (e nem no Brasil). A razão é prosaica: o personagem principal é desavergonhadamente gay. Fiquei com um pé atrás quando vi o trailer há alguns meses, mas que bom que eu estava enganado. O estilo de direção do filme, que está passando na Mostra de SP, combina perfeitamente com o da interpretação de Carrey. É frenético, over the top, ligeiramente irritante. A história seria totalmente absurda se não fosse baseada em fatos reais: um trambiqueiro de marca maior, que engana dezenas de pessoas, surrupia milhões de dólares e ama loucamente um cara que conhece na prisão. Ewan MacGregor está um tesãozinho, e no tom exato, como o delicado Phillip do título, e Rodrigo Santoro não compromete nas poucas cenas em que aparece. Mas é Carrey quem brilha, magro feito uma caveira e com um corte de cabelo que parece ter sido feito com uma cuia. Esses americanos não sabem o que estão perdendo.