terça-feira, 3 de novembro de 2009

RODA E AVISA

Cresci vendo o Chacrinha na TV, e achando a coisa mais natural do mundo aquela figura bizarra, que jogava bacalhau no auditório e chamava por uma mulher que não estava lá. Muitas vezes o próprio apresentador também me parecia não estar lá: Chacrinha funcionava meio que no piloto automático, repetindo bordões e meio alheio ao caos instaurado à sua volta. Como ele morreu há mais de 20 anos, já existe toda uma geração que não o conheceu. E, no que depender do documentário "Alô, Alô, Terezinha", vai continuar não conhecendo. O filme foca muito mais nas ex-chacretes e ex-calouros de seus programas, e pouco esclarece sobre a trajetória de Abelardo Barbosa. Mas ficamos sabendo, com requintes de crueldade, que quase todo mundo se deu mal. O diretor Nélson Hoineff chega a humilhar os entrevistados, ao exibi-los em toda sua decadência física e material. Ainda bem que sobram muitos "causos" saborosos, e as imagens de época - mesmo com qualidade sofrível - revivem a animação e a baderna que ninguém, nem Faustão, nem Ratinho, ninguém jamais igualou na televisão brasileira. Chacrinha foi um ícone, um pedaço de um Brasil subdesenvolvido e carnavalesco que ainda teima em sobreviver. Merecia coisa melhor do que este filme, que veio mais para confundir do que para explicar.

6 comentários:

  1. Sério? Ainda bem que eu não vi. eu cheguei a pegar a fase final do Chacrinha e queria ver esse documentário, mas depois do seu comentário, vou ver o Distrito 9 que eu ainda tô devendo.

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  2. você escreve bem pra caraaalhhooo
    puta que o pariu, meu!
    delicia!
    ai ai ai ui ui
    vem ca, Tony Franja
    deixa eu te possuir nesse descampado! rsrss
    beijo

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  3. Eu tinha horror, pavor desse homem. Ele aparecia na TV e eu corria feito louca.

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  4. orra meu

    esse viado ai de cima

    não trabalha não???

    PQP

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  5. Não gosto de elogiar você porque fica todo convencido. Mas pensando bem, quem é você, Tony Goes, se não for convencido? Esse texto é simplesmente PERFEITO. Parabéns, my own Russel. Você tem um estilo excelente, consegue ser breve mas dá sua opinião, muitas vezes, brilhante. Escreva sempre bem assim aqui, no jornal, na revista... e se der, dá uma revigorada no Livro do Apocalipse? Aquela coisa de 7 trombetas e 7 dragões mais parece a festa do boi de Parintins...

    ;-)

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