quarta-feira, 18 de novembro de 2009

A REPÚBLICA DEMOCRÁTICA DO GONGO

Já faz 10 anos que o “Show do Gongo” é a sessão mais concorrida do Festival Mix Brasil. A verdade é que ninguém teria saco de assistir aos concorrentes numa sessão normal de curtas: a maioria é abaixo de péssimo. Mas o formato de programa de auditório é simplesmente irresistível. Quase todas as feeenas de SP estavam ontem no Memorial da América Latina, esperneando como se jamais tivessem estudado no Des Oiseaux.

Presa no Rio por causa das gravações do último episódio de “Toma Lá, Dá Cá”, Marisa Orth chegou atrasada. Para conter a sede de sangue da plateia, a produção pediu para Silvetty Montilla quebrar um galho. E a drag mais engraçada do Brasil não se fez de rogada: fez o povo rolar de rir enquanto a esbaforida Marisa arrumava o cabelo nos bastidores. La Orth encontrou um público já aquecido, e, talvez com ciuminho de La Montilla, entrou afiadíssima, soltando farpas em todas as direções.

Menos numa: os proprios vídeos. Experiente, a apresentadora não deixou que a turba furiosa eliminasse todos os candidatos assim que vencessem os 30 segundos preliminares. E alguns diretores malandrinhos se beneficiaram disto, porque as porcarias que inscreveram tinham menos que meio minuto. No júri, Piu-Piu e Walério Araújo foram facilmente ofuscados por Silvetty, como sempre em noite de glória.

Logo no começo surgiu um favorito: “Furico Li, Furico Lá”, de Sandra Brogioni, vencedora de outras edições. Uma paródia da famosa canção italiana, contando casos inacreditáveis de beees que enfiaram corpos estranhos no fiofó e foram parar no hospital. Divertidíssimo e tecnicamente perfeito: o Memorial veio abaixo, e todos os jurados deram nota máxima.

Nenhum outro lhe chegava aos pés. André Machado, também bi-campeão, veio com duas piadas rápidas, mais fracas do que de costume. O único vídeo lésbico foi praticamente escorraçado. Marisa fez com que um pornô hétero, com interessantes imagens caleidoscópicas, chegasse até o fim, mas o júri não se convenceu.

À meia-noite, a apresentadora ligou do palco para o filho, que estava completando 11 anos. Foi um momento ternurinha, com todo o auditório cantando “Parabéns a Você”. Mas a partir daí, talvez cansada e/ou lubrificada pelo whisky, Marisa perdeu um um pouco o rebolado. Entrou numa discussão boba com Walério, chamou Silvetty de Salete e salvou do gongo uns vídeos fracotes. E caiu de amores por “Arco-Íris”, um manifesto político com uma linda mensagem pró-igualdade, mas bem tosco e piegas. Contaminado, o júri acabou dando uma unânime nota 5 a este também, que então foi disputar o troféu com “Furico”.

Mas, apesar da torcida de Marisa, prevaleceu o bom senso – ou melhor, o espírito de porco. O “Show do Gongo” é um tributo à avacalhação, e o candidato que melhor encarnou essa irreverência toda foi mesmo “Furico Li, Furico Lá”. Uma saraivada de palmas para a diretora, e assim que o vídeo estiver disponível na rede – ainda não achei no YouTube – eu posto aqui no blog.

Ufa.

(Também não achei nenhuma foto da noite de ontem, por isto Marisa aparece lá em cima numa cena de seu próprio show. Depois eu troco.)

4 comentários:

  1. Acho curioso que o Show do Gongo seja a única coisa digna de nota do Festival Mix. Tudo resumido numa única frase: "È uma piada!"

    ResponderExcluir
  2. o video vencedor Já esta no Youtube!

    ResponderExcluir
  3. Não consegui i, mas uma equipe de amigas colaboradoras estava lá.

    O link do vídeo é esse aqui http://www.youtube.com/watch?v=V9ZybA9SQYA

    Abraço

    ResponderExcluir
  4. gente, e foto da Silvetty caida no palco, alguém tem?

    ResponderExcluir