quarta-feira, 4 de novembro de 2009

A IRMANDADE DO ANEL

Hoje rolou aqui em SP uma sessão especial para a imprensa e alguns blogueiros do filme mais hypado do ano, “Do Começo ao Fim”. Desde maio, quando caiu na rede o primeiro trailer, que a bibalândia está ouriçada para assistir a história dos dois irmãos que se amam. Mas claro que o incesto é o de menos: se fossem o Cássio e o Tato Gabus Mendes, por exemplo, duvido que houvesse esse alvoroço todo. O que o povo quer mesmo é ver dois gostosões se pegando na telona, parentes ou não. E isto o filme entrega. Quem for ao cinema atrás de soft porn não vai se decepcionar. As cenas de sexo são cheias de tesão e ternura – alguns vão achar que tem ternura demais – e, *suspiro de alívio*, mostram muito pau, bunda e beijo na boca. O problema está no roteiro, que é absolutamente inverossímil. Como já havia dito no meu primeiro post sobre o assunto, são comuns os casos de irmãos que transam, provavelmente até mais do que se imagina. Amor é bem mais raro, mas também existe. Agora, o que rola em “Do Começo ao Fim” é simplesmente fantasia. Uma relação idealizada, que além do mais acontece num mundo perfeito. Todo mundo é rico, todo mundo se dá bem, não existem conflitos. Os irmãos não escondem sua relação – chegam a usar alianças – mas, apesar de causarem uma certa estranheza, ninguém se incomoda muito com eles. O único problema demora a aparecer, e é um problema de criança: uma separação temporária por motivos de trabalho. Coisa até corriqueira para milhares de casais, mas que no filme equivale a um tsunami. Quem se desespera com uma separação dessas geralmente tem 7 anos de idade, e é esta a idade mental dos personagens. Então não espere um clima denso, cheio de nuances psicológicas, nem uma trama consistente. “Do Começo ao Fim” vale a pena porque mostra dois gostosões se pegando na telona.

22 comentários:

  1. Peraí. É pau, bunda e beijo-na-boca ou pau, bunda e beijo, estando os 3 na boca?

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  2. seu comentário só confirmou a suspeita que eu tinha desde que começaram a falar desse filme: much ado about nothing.
    ou... só hype, sem substância nenhuma.
    a bibalândia parece se alvoroçar com qualquer migalha que é atirada na nossa direção. como acho que minha idade mental passou um pouquinho (não muito) dos 7 anos, não vou perder meu tempo com essa arapuca.
    hj em dia ninguém precisa ir no cinema pra ver 2 gostosões se pegando.

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  3. Tony, nem parece que era você que outro dia estava todo bobo com o maridão fazendo uma serenata no seu aniversário... Amores de verdade são uma soma enorme de desencontros e de frustrações, recompensadas por momentos de verdadeiro jubílio. Ninguém se casa e vai viver no comercial de margarina, e o meu publicitário favorito sabe disso. E é esse mesmo o motivo por que precisamos de um comercial de margarina onde a gente possa viver de vez em quando. Eu me lembro até com um pouco de dó das gays mais velhas, que tinham que brilhar na pele da Liza Minelli, ou que viravam loucas más cozinhando o coelhinho junto com a Glenn Close, e sonhavam com o gostosão que tirava a Julia Roberts da vida. Era isso que sobrava para a gente sonhar-a gente? Se eu lembro disso tudo, eu também sou uma gay mais velha? Mas tergiverso.
    Enfim, estou feliz porque tem uma juventude dourada que foi dar a bunda à tapa nas Paradas e agora pode ver dois homens lindos vivendo um romance cor-de-rosa na telona. Claro, se pegando, porque a gente é de ferro, né?
    E conta para mim, amigue, você chorou no final?

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  4. Eu ainda tenho vontade de ver. Já esperava mais ou menos o que você escrebveu muito e, agora, pelo menos vou levando em consideração que o filme é uma estória água-com-açúcar em um mundo perfeito (o que, para mim, não é de todo ruim - pelo contrário: será até bom para me desligar da minha realidade por duas horas) com um "a mais".

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  5. Acho que a questão do incesto que não pega pra alguns vai pegar muito pra outr@s!
    Acho que, inclusive, falar de um amor insestuoso entre dois homens já é complexo! Talvez se não se passasse em um "mundo perfeito" não fosse possivel tocar no tema...
    Eu sempre penso que é uma forma de ampliar horizontes... e depois, que a coisa já tiver amassiada, pode-se fazer algo mais "mundo real"!!
    Eu não assisti ainda... estou muito longe de qualquer sala de cinema, mas desejo ver assim que possivel!

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  6. SOU MAIS 2012...SE FOR PRO MUNDO ACABAR QUERO ALGO DRAMATICO...
    INCESTO/PORN/CACA NIQUEL
    OUTRA PRODUCAO NACIONAL LOUCA PRA APARECER E FAZER UM DINHEIRINHO...

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  7. ADOOOOOORO PEGAÇÃO NO CINEMÃO!!!
    DILIÇA!!! QUERO É PEGAÇÃO MESMO!!!
    EU VOU ASSISTIR É SEM CALCINHA!!!!
    VOU MELAR A POLTRONA SIM!!!! ADOOOOOOOOOOOORO!!!!!

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  8. A maioria das pessoas não tem mais que 7 anos de idade mental.

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  9. Rubem Matias Filho4 de novembro de 2009 23:42

    Já era mais do que previsível só pelo trailer deste filme bobinho... Mas que poderia ter ido muito mais longe... isso daria sim uma grande história... fica para o próximo...

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  10. Bom, vc acabou com o filme, né!!!??? Para ver 2 gostosões se pegando na telinha eu alugo um do Bel Ami ou da Falcon...Esperemos a próxima produção nacional para irmos ao cinema!!!RSRSRS...
    Agora é sério, acho que fizeram tanto alarde para lançar este filme que ele acabou frustando as expectativas. Se tivesse sido lançado sem tanto pseudo-marketing (erros de gravações mostrados antes mesmo da estréia, opções de votações para a escolha do cartaz!!!!???? Faça -me o favor né...vamos ser profissionais!!!), ele poderia até ser considerado um filminho simpático, mas... tornou-se um porn soft, ou seja , nada!!! Se é porno é porno, se baunilha é baunilha!!! o Próximo, por favor!!!!!Abraço.MG.

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  11. CAssio vc agrediuuuuuuuuu,isso ae nao importa o roteiro e sim a manifestacao artistica e social q o filme promete colocar,o ludico ja alimenta...agrediuuuuuu,recalque e´fodaaaaaa,o poviiinho invejoso

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  12. esse barbudinho me tira do sério... meu número ever!!! Dia 27 tô lá no gargarejo!

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  13. Continuo com vontade de ver, e não é só para ver os gostosões se pegando (também). Imagino que se o filme fosse muito frustador, todos contra eles, eles contra todos, nossas criticas seriam piores, devemos acostumar com o amor sendo aceito, pelo menos nos filmes, aliás precisamos imaginar como seria um relacionamento sem contrariação, deixando os "no armário" (assim como eu) com uma enorme vontade de assumir-se e tentar viver algo parecido;

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  14. Até desanimei pra ver. Vc praticamente descreveu como funciona um longa de animação da Dreamworks: a parte técnica é sempre excelente, mas o roteiro papai e mamãe, só se salva pra quem quer risadas fáceis.
    Triste.

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  15. estive nesta sessão e considero bastante equivocada a opinião de que o filme só vale para ver dois gostosos se pegando. mesmo nas cenas em que há nudez, o clima de romance e paixão são tão intensos que dá pra sacar que a pegada não é sexual-para-deixar-gay-de-pau-duro-no-cinema. quem for atrás disso, irá se decepcionar. dentro do contexto do filme, o fato de ver dois homens nus se beijando, é a consumação de um amor incondicional e é colocado com total elegância e respeito à inteligência do espectador.

    o problema do filme, ao meu ver, está na ausência de conflitos e na excessiva harmonia mesmo com um tema como este.

    Ah, escrevi uma resenha tb... http://bit.ly/2Y4IAk

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  16. fiquei ainda mais com vontade de ver o filme.
    fico bem excitado com essa possibilidade de amor sem conflitos no mundo gay...
    na verdade sou meio mulherzinha pra isso: gosto do água-com-açucar, só pra me abster do mundo real... questão de nível de ceticismo (ou idade mental).
    e acho que até nós não provarmos que uma relação gay pode ser bonita, cheia de amor e romantismo como qualquer outra, a nossa imagem perante a sociedade vai continuar do jeito que estamos acostumados:
    equivocada.

    ps: admiro tua supermaturidade ao tratar sobre distância em relacionamentos... eu devo ter uma uma idade mental próxima dos 7, pois meu ultimo namoro sofreu esse detalhe corriqueiro chamado distância e o desfecho não foi nem um pouco tranquilo.
    abraço.

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  17. Deixa ver se eu entendi: é uma coisa novela de Manoel Carlos meets canal For Man = filme?

    Acho que mesmo assim eu vou querer ver.

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  18. Sempre tive receio em relação a este filme. Claro que não é pelo tema. Roteiro mesmo e interpretação são os problemas. O segundo, dá pra se ver de cara pelo trailer. Se é que quem se importa com interpretação quando há inter-trepação? E melhor ainda: por dois gostosões? Cara do Mix Brasil - "Do começo ao fim" abre o festival -, que prioriza filmes com corpões, pouco conteúdo e atuações sofríveis. Affff... Como tô amargo. Vou chupar magnésia bisurada.

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  19. Caraleo, quando eu voltar para aí nem em cinema de subúrbio vai estar passando mais... (Será que rolará DVD?)

    Bem, nem toda producao nasce para ser um Brokeback Mountain, né...

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  20. Assisti ontem, então so li a review agora. Adorei o texto. Sai do cinema pensando exatamente isso.

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  21. concordo em gênero, número e grau. Há um buraco no roteiro.. ausência de conflitos e uma história de amor, que nem empolga (a não ser pelo sexo ardente).. acho que o aluísio, por já estar tratando via sinopse de um tema tão controverso, resolveu não abordá-lo, só exibi-lo.. a gente nem lembra que eles sao irmãos pela falta total de questionamento sobre isso.. certo ou errado, é polêmico e merecia um debate ou um certo drama.. tava tão desgostoso que torci que a racha fizesse um threesome.. rs

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  22. Só estreou este final de semana aqui em Blumenau, e eu bobinho, fui para "marcar presença", justamente pelo tema.
    Não me contive e tive ataques de risos durante todo o filme. É muita palhaçada pra um filme só. Atuações abaixo da média, trilha sonora ruim e irritante e a história mais inverossímel impossível. A cena do tango foi de doer e resume todo o filme em uma palavra: Cafona.
    Graças ao bom Deus do cinema, hoje também assisti Onde Vivem os Monstros (estes que demonstram mais emoção do que os irmãos do filme do Abranches).
    Uma pena.

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