sexta-feira, 27 de novembro de 2009

CANSEI DE SER MÁRCIA

Ando muito bonzinho nas minhas colaborações para a “Folha de São Paulo”. Todo filme que eu vejo é ótimo, todo show é sensacional, todo mundo é incrível. Pareço até a Márcia de Windsor, uma atriz que foi jurada no “Programa Flávio Cavalcanti” nos anos 70 e dava 10 para qualquer calouro, não importava a barbaridade que ele cometesse no palco. Pois bem: esse tempo acabou. Hoje saiu no jornal minha primeira crítica negativa, que os assinantes do UOL podem ler aqui. Quis o destino que a vítima fosse justamente “Do Começo ao Fim”, o filme mais badalado pela viadagem brasileira neste ano que vai findando. Repito lá mais ou menos o que disse no blog: não há conflito, os irmãos que se amam são duas criançonas e o ingresso só vale pelas cenas de sexo. Mesmo assim, não calquei a mão até o fim e dei “regular” como cotação. Porque o filme tem inegáveis qualidades técnicas, bons atores e, principalmente, coragem e boas intenções. Mas, como todo mundo sabe, de boas intenções o inferno…

(Marta, a sua comparação do filme com a coleção "Sabrina" é tão boa que eu tive que chupar. No jornal não pude dar o crédito a você, mas aqui eu posso.)

18 comentários:

  1. "Talvez porque o incesto homossexual não produza filhos tortinhos. "
    AHHAHAHAHAHAHAHA AMEY!

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  2. Mas essa foto do post, não é da Gloria Menezes novinha(e já plastificada)?

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  3. todo mundo sabe q vc nao e´Marcia e sim ANTONIAAAAAAA....

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  4. A crítica do Globo de hoje foi idêntica à sua e também ficou só num "bonequinho sentado olhando".

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  5. Sim, anônimo, era mesmo a Glória Menezes. Maldito Google Images! Mas já consertei. Agora quem aparece é a verdadeira Márcia de Windsor.

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  6. Nesse video [ http://www.youtube.com/watch?v=tA48ySEdNP8] tem a Marcia como jurada do Flavio (dando nota 10), ao lado da Marisa Gata Mansa, Dener e Alvaro Valle! Não se faz mais jurados como antigamente!

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  7. Bom, hoje em dia temos a Cyz do Astros que só gonga o calouro se os 3 colegas também gongarem.

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  8. Tony, saiu uma nota citando a sua crítica aqui:

    http://www.clicrbs.com.br/blog/jsp/default.jsp?source=DYNAMIC,blog.BlogDataServer,getBlog&pg=1&template=3948.dwt&uf=2&local=18&blog=689&post=251617&tipo=1&coldir=1&topo=4254.dwt&espname=jsc

    do Jornal de Santa Catarina. ;)

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  9. Olha só que surpresa boa.
    Amei sua passadinha lá pelo blog.
    Eu que fiquei honrado.
    Sou seu leitor há tempos.
    Um beijo!

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  10. Adorei! Tudo. Chega de ser Márcia mesmo. Agora é a tua vez, a Folha de SPaulo quer o Tony do blog: mordaz, engraçado, culto e sem papas na língua. Abaixo o muro! Quem sai do muro, ao mesmo tempo que desagrada também agrada na mesma proporção inversa. Quem é amigo de todo mundo não é amigo de ninguém. E o filme é isso tudo mesmo que você escreveu. O fato de citar minha metáfora só me enche de prazer. Parabéns pelo texto.

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  11. imho, acho q qdo se analisa um filme, assim como qquer outra obra de arte, deve-se levar em consideração a época em que foi feita a tal obra e o momento histórico no qual ela se insere. atualmente, os gays são considerados cidadãos de segunda classe, que sequer têm o direito no brasil de ver sua união reconhecida.

    entidades como a glaad dos eua mostram estatisticamente que na esmagadora maioria de representações de homossexuais em filmes ou novelas essas pessoas são caricatas, ou infelizes, ou têm um final trágico.

    em vista dessas circunstâncias, quando um filme gay tem um final sabrina, é uma obra que quebra com o padrão heterocêntrico da sociedade e propõem um novo destino para um casal homossexual. um casal feliz, ajustado, com amor correspondido e com final feliz.

    o abranches foi muito feliz em realizar o mais lindo comercial de doriana versão gay em longa metragem, incluindo pessoas e uma situação aspiracionais (casa design, mãe médica e independente, pai arquiteto, o outro rico) e mostrar uma situação hipotética, mas que seria maravilhosa se existisse. que bom se filhos não fossem expulsos de casa por serem gays, que bom se o fato de ser gay não gerasse um conflito enorme.

    o filme, como obra de arte, colocou na tela o que seria desejado: você poder viver um amor gay sem conflitos. o golpe de mestre do abranches foi colocar meio-irmãos para aumentar a polêmica, e levar mais gente ao cine.

    o filme foi bem sacado não perdendo tempo com conflitos por causa da sexualidade ou da situação de incesto e mostrando o amor que os protagonistas tinham um pelo outro. a atuação do ator de barba foi maravilhosa. criou empatia e emocionou a platéia. ele sentiu muito fundo a falta que o irmão fez quando viajou. desta forma, grandes platéias podem finalmente entender que existe amor entre gays sim, não é só sexo, pegação e colocação.

    não se perdeu tempo com conflito. usou-se o tempo do filme para mostrar que o amor homossexual também existe e é válido, assim como o amor hetero.

    isso é muito diferente de qualquer romance sabrina, que acho improvável que alguma vez tenha trazido um romance homossexual.

    tudo bem, os diálogos na fase infantil são bem ruinzinhos e soam no mínimo falsos. mas isso não estraga o comercial de doriana.

    o filme merece ser assistido. sinto muito que o tony tenha diminuído a quantidade de espectadores do “do começo ao fim” fazendo uma avaliação tão baixa num veículo de alcance como a folha.

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  12. Interessante a confusão das fotos! Realmente há uma semelhança entre as duas! Física é claro, pois todo mundo sabe que La Menezes é de um mal humor cão!
    E por falar em foto, vcs virão que a Marta (a amiga "de ovo virado" do Tony) trocou de foto? Obaaa. Emagreceu, tá mais "bunita", tá menos sapatão... mas continua com a cara emburrada e incentivando o amigo a ser mordaz! Aqui, Marta, deixa pra gente esse papel, fofa!Liberte-se do rancor! hehe
    Cláudio

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  13. Quanto mais se fala desse filme menos vontade tenho de vê-lo. Um Copo de Cólera foi uma das piores coisas que já vi no cinema nacional. O trailer desse Começo & Fim me desperta uma coisa Charles Bronson (Desejo de Matar 1, 2 e 3). Mil vezes a versão pornochanchada de Las Bibas: "Esse apartamento parece um centro espírita". E como diria aquele sociólogo do Piada em Debate: "Senti falta da presença do negro. Onde está o negro?"

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  14. Eu estava curiosíssimo como todo mundo , mas ainda não vi o filme. Assim como sua crítica, todas as outras batem na mesma tecla (mas nenhuma com sua sagacidade)... Mas o que me incomodou mesmo foi outra matéria da Folha (http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq2711200915.htm). Acho profundamente irritante e de certa forma emblemático a necessidade de dizer que os atores são héteros. Toda obra que aborda o tema de forma não caricata tem que dar essa "explicação" (inclusive na TV). É o preconceito camuflado que reafirma a heterossexualidade como norma, onde os envolvidos são pessoas esclarecidas, corajosas , mas "normais". O John Walters (Pink Flamingo) foi muito feliz quando disse que os atores que assumem sua homossexualidade e fazem ótimos personagens gays é que mereceriam o Oscar por isso.

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  15. Tambem concordo com o R5 e sinto muitíssimo "que o tony tenha diminuído a quantidade de espectadores do “do começo ao fim” fazendo uma avaliação tão baixa num veículo de alcance como a folha". Pedro

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  16. Pedro e r5, vocês estão exagerando o meu poder. Soube que as sessões de "Do Começo ao Fim" neste final de semana estiveram lotadas em SP. Ninguém deixou de ir pela minha crítica... Aliás, acho que todo mundo tem mais é que ir mesmo, o filme é importante (o que não é a mesma coisa que ser bom).

    Agora, quase todo mundo com quem eu conversei concorda comigo: o filme não tem conflito. Vamos ver o que acontece agora com o boca-a-boca, este sim poderosíssimo.

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  17. Vcs estão muito amargos, além de ter escolhido uma péssima hora pra mandar Marcia de Windsor embora.

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  18. 6ª maior bilheteria no findi passado.

    http://epipoca.uol.com.br/bilheterias.php

    para um filme brasileiro e gay, tá muito bem na fita.

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