segunda-feira, 9 de novembro de 2009

AS RUÍNAS DO MURO

Os soviéticos esperavam que a proverbial eficiência germânica transformasse a Alemanha Oriental no melhor exemplo de estado socialista bem-sucedido. O que os alemães conseguiram foi criar um aparelho repressivo ainda pior que o da URSS. A República “Democrática” da Alemanha era uma prisão a céu aberto, e o Muro de Berlim era seu logo: a cristalização perfeita de um sistema cruel e desumano, e um pararraios do descontentamento ao seu redor. Neste sentido, talvez falte um símbolo como ele para apressar o fim do regime cubano, por exemplo.

Hoje se comemoram os 20 anos da queda do Muro. Foi só o evento mais emblemático do furacão que varreu a Europa no final de 1989. A perestroika de Gorbachev saiu pela culatra, e, ao invés de renovar o comunismo, conseguiu enterrá-lo mais rápido. Para mim o ponto alto desse processo foi o fuzilamento sumário do infame Ceausescu, o sanguinário ditador da Romênia. Mas Berlim, por sua história e importância, concentra a maior carga simbólica.

A integração da Alemanha ainda não terminou, o que serve de pretexto para duas linhas diferentes de críticas babacas: a que prega que as coisas eram melhores durante o comunismo, e a que se queixa que os orientais não atingiram o paraíso material num piscar de olhos. Tudo bobagem. Ninguém em sã consciência pode ter saudade do Muro de Berlim, não importa sua filiação política. Hoje é um dia para se celebrar. E também para lembrar que ainda faltam cair o muro que separa palestinos e israelenses, as cercas eletrificadas da Coreia do Norte, o apartheid informal que vigora no Brasil, e assim por diante.

(Tenho dois pedaços do Muro de Berlim em casa. Meu marido Oscar passou o Natal de 89 na cidade, e conseguiu arrancar uma lasca e um vergalhão das ruínas. Devem valer uma fortuna no eBay.)

7 comentários:

  1. Eu tinha 9 meses de vida quando isso aconteceu...rs

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  2. E o que seria da gente sem esse momento histórico do David Hasselhoff cantando junto ao muro?

    http://www.youtube.com/watch?v=0zXiClnK8oE

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  3. So cuidado Tony pra lnao te levarem como fizeram com o celular, lembra? rs

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  4. Gente, Joao, vc tinha 9 meses de vida? Ai minha crise! rsrs

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  5. como avaliar a autenticidade de um pedaço de muro??? hehehe

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  6. Indiscutivelmente, ha motivos para comemorar, os atuais orientais, nem de longe desejam voltar a viver num regime repressivo onde faltava de tudo. Tinha-se emprego garantido, mas faltava o principal... liberdade

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  7. Tony,

    Muito bom o post! O "Goodbye Lenin" levou para o mundo o sentimento de "ostalgie" de alguns alemaes, mas eles diferenciam muito bem as saudades do dia-a-dia na DDR das saudades da própria DDR. Alguns relembram que a vida era menos estressante, focada mais em família do que em dinheiro... mas em nenhum momento trocam a liberdade de um regime democrático por aquela realidade controlada e vigiada.

    @Daniel: Voce é MUITO bem informado, cara. :) Tá tocando David Hasselhof direto aqui. :D

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