terça-feira, 13 de outubro de 2009

MARCHANDO E PARANDO

O movimento gay promove marchas, paradas, caminhadas, e às vezes parece que nada sai do lugar. Anteontem aconteceu em Washington uma marcha chamada Equality Across America (Igualdade por Toda a América), clamando pelo casamento gay e outros direitos em todos os 50 estados americanos. Juntou menos de 200.000 pessoas, uma fração do milhão que compareceu a uma marcha semelhante há 9 anos atrás. As lideranças se dividiram: Barney Frank, um deputado abertamente homossexual, disse que a marcha era uma perda de tempo, e que a única coisa que ela iria pressionar seria a grama. Ele faz parte da velha guarda do movimento, que apóia Obama e pede paciência à militância. Mas a garotada tem pressa: eles querem todos os direitos já, sem mais delongas – afinal, gay rights are human rights. Essa geração gosta de ser chamada de Stonewall 2.0.

Por aqui não chegamos nem ao pré-Stonewall. No mesmo domingo iria acontecer a 4a. Parada Gay de Duque de Caxias, cidade vizinha ao Rio de Janeiro. Tudo pronto, bandeirona estendida, drags montadas, e eis que o senhor prefeito não deixa ligarem os carros de som, alegando “documentação incompleta”. A organização da parada esbravejou, dizendo que entregou tudo a tempo e nos trinques. Mas o som não foi mesmo ligado, e o que era para ser uma festa virou uma procissão desanimada. Depois, interpelado pela TV Globo, o prefeito José Camilo Zito, do PSDB, admitiu que a parada “incomoda muitas famílias e igrejas”. Bom, hoje em dia acredito que as paradas gays servem mais para emporcalhar a cidade e chocar os homófobos do que propiciar qualquer avanço real à causa. Mas este prefeito já entrou para o rol dos vilões do ano, ao lado da bruxa Rozângela Justino.

3 comentários:

  1. Micareta disfarçada de manifestação.

    Pressionar a grama foi genial

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  2. Parece que o Zito voltou atrás...

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