quinta-feira, 29 de outubro de 2009

LATINOS NA ESTICA

Quando um país escolhe um filme para representá-lo no Oscar, lembra uma pessoa escolhendo roupa de festa. Ela quer parecer moderna e elegante, mas quem prestar atenção vai descobrir muito sobre sua personalidade. Digo isto porque vi dois filmes na Mostra que me pareceram bastante fiéis a seus países. O uruguaio “Mal Día para Pescar” tem aquele doce pessimismo dos nossos vizinhos do sul. Demorei para perceber que se trata de um filme de época (a história se passa nos anos 60). Afinal, basta ligar a câmera que o Uruguai inteiro parece de época, é quase tudo tão velho por lá. “Mal Día…” não tem nada a ver com pesca, e sim com um príncipe fajuto que empresaria as lutas de um campeão envelhecido. Tem ótimos momentos, algumas risadas e um pouquinho de barriga. Mas, como disse a Marta em seu blog, o final é mesmo imprevisível, e saímos do cinema satisfeitos.

“Backyard” tem este título porque a mexicana Ciudad Juárez é o quintal de El Paso, no Texas, com quem faz fronteira. É um filme tenso, sobre o estupro e assassinato em série de mulheres. Também é um bom retrato do México atual (apesar da trama se passar há 10 anos), que luta para sair da sombra dos EUA e controlar os demônios do crime e da corrupção. Não quero soar ufanista, mas os bandidos deles parecem ainda mais cruéis e selvagens que os nossos. Ou pelo menos não aparecem na tela com aquela desculpa de serem “frutos do meio”, nem o pseudo-romantismo das favelas. “Backyard” é bem feito e violento, e assim como “Mal Día...”, não deve ter muitas chances no Oscar. Mas quem sabe o que se passa na cabeça da Academia?

2 comentários:

  1. Sempre que penso em Uruguai me vem uma idéia de Irlanda da América do Sul, nao sei porque... Acho que é muita planície, muito "campos verdejantes cheio de vaquinhas e bois"... Kinda boring, mas kinda cool. :)

    Saudades de ir ao cinema e ver filmes legendados. :(

    ResponderExcluir
  2. O filme não se passa no Uruguai, descobri que Santa Maria é na Argentina. Bem que achei aquela namorada gritona do fortão pouco uruguaia... uma coisa neurótica daquela só podia ser argentina...

    ResponderExcluir