sexta-feira, 30 de outubro de 2009

A IMPERATRIZ E SEU PAÍS

Maria Bethânia está acima do bem e do mal. Nossa diva assoluta é mais que uma cantora, é uma entidade (quem já a viu no palco sabe do que eu estou falando). Bethânia é tão única que, ao contrário de sua amiga Gal Costa, não tem seguidoras. Não existem mini-Bethânias na nova geração; sintomaticamente, quem mais se aproximou disto foi a transexual Lívia do "Ídolos".

A irmã de Caetano ocupa um lugar bem no alto da pirâmide da música brasileira, mas não no centro. Porque foi-se o tempo em que ela vendia milhões de discos e tocava no rádio. Hoje Bethânia é cult, e se dá o direito de não abrir concessões. Mesmo sendo ultra-prolífica: não passa um ano sem que ela lance algum disco, às vezes dois de uma vez. É o que acontece agora, com os simultâneos "Tua" e "Encanteria". O primeiro só tem canções de amor e é lento como um garçom de Salvador. O segundo é mais animado, tem percussão e samba de roda, e fala de fé e baianidades. Não há covers, não há clássicos: todas as faixas são inéditas, e nenhuma tem cheiro de hit.

A crítica adora saudar Bethânia como a intérprete de um Brasil profundo, longe dos modismos das capitais, mas a verdade é que esse país que ela canta não existe mais, ou sequer existiu um dia. É um lugar rural, tranquilo, extremamente simples e incrivelmente sofisticado, a léguas dos sertanejos e calypsos da vida real. Não importa: Bethânia (ou Maria, para os íntimos) é a imperatriz desse Brasil, e eu sou seu súdito.

17 comentários:

  1. Não deixe de assistir ao novo show de Dona Maria, estará no Tearto Abril em 11/12 e 13 de Dezembro.

    No novo show, MB canta uma música devastadoramente linda do português Pedro Abrunhosa, "Balada de Gisberta". A música foi composta em homenagem a uma transexual brasileiro que foi assassinada no Porto (Portugal) em fevereiro de 2006.

    Veja o vídeo em

    http://mariabethaniareverso.blogspot.com/

    O blog é para fãs da "Imperatriz", e é maravilhoso.

    Abçs.

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  2. Bethânia tem a carreira mais sólida e consistente da música brasileira. Os álbuns são de um primor técnico ímpar, com arranjos incríveis do maestro Jaime Alen.
    Adoro. Não existe nenhuma cantora mais viada do que ela...

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  3. Tony,
    Concordo com tudo que escreveu, exceto que este Brasil que ela canta não existe ou nunca existiu... seja figurativamente ou não, este Brasil existe e quem já teve a oportunidade de estar em Santo Amaro (da Purificação), terra natal da Imperatriz, pode entender a "caboclisse" e o interior a que ela se refere. E existem milhares de Santo Amaros pelo Brasil... mesmo num Estado como São Paulo que é "tido" como mais desenvolvido. Ela canta um Sertão e um Recôncavo que ela bem conhece... na pele. Memórias da Pele... ;-)
    Abraço e parabéns!

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  4. Lindo o amor de um fã pelo seu ídolo! Lindo mesmo!
    Marco

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  5. Não sabia que tínhamos esse gosto em comum =D

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  6. Tô contigo e não abro.
    Ela é uma entidade no palco e tá acima do bem e do mal.

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  7. Falou e disse tudo! Sempre tive um altar aqui em casa dedicado a ela... "A Absoluta!"

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  8. Engraçado. 2 discos tão diferentes, mas ela consegue ter o mesmo olhar nas 2 capas.

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  9. Daniel, o mesmo olhar não seria por ser a mesma pessoa???
    (risos)

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  10. Minha religião!!! Salve Maricotinha e sua(Bethãnia's) "Senhora" Dona Canô.
    Não percam o show em SP!

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  11. Minha religião. O palco é seu altar. Como um dia o palco foi a morada sagrada da "Diva" Piaf. Salve, Salve, Salve.

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