sábado, 31 de outubro de 2009

CORTANDO CHANEL

Para o teatro e o cinema, não existe outro estilista. Nunca vi um filme sobre Dior ou uma peça sobre Balenciaga. Só dá Chanel, Chanel, Chanel. Claro que sua maison tem algo a ver com isto: interessa para os negócios vender Chanel como a grande inventora da mulher moderna (não foi a única). Nos últimos anos ela foi vivida no palco por Maríia Pêra e na TV por Shirley MacLaine. Agora estreiam ao mesmo tempo dois filmes sobre a Mademoiselle, e nenhum dos dois é grande coisa. Talvez por focarem em cortes específicos da carreira dela, e não se arriscarem num painel ambicioso à la "Piaf", do berço ao túmulo.

"Coco Antes de Chanel" tem Audrey Tautou no papel-título. Aqui ela faz uma espécie de anti-Amélie: sua Coco é antipática, mal-humorada, respondona. No começo do filme ela tem todo o charme e a allure de uma Marina Silva; sua transformação na muher mais elegante do mundo perde espaço para seus casos com nobres e ricaços. Já "Coco Chanel & Igor Stravinsky" (em cartaz na Mostra de SP) é um filme mais bonito, mas também mais chato. O breve affair da costureira com o compositor simplesmente não rende assunto para um longa. Anna Mouglalis faz uma Chanel refinada (e bem mais alta que a verdadeira); de alguns ângulos, ela lembra uma Marília Pêra mais jovem e melhor acabada. A sequência mais interessante rola logo na abertura: a estreia da "Sagração da Primavera" em Paris, com o público vaiando e abandonando o teatro. Daí pra frente, é muito carão e pouco conflito. Ainda se está por fazer o filme definitivo sobre Coco Chanel.

6 comentários:

  1. Como perdi no festival daqui, acabamos de ver o "Coco antes..." via torrent. Achei bem irregular, mas a cena final, uma homenagem deslocada da narrativa, faz a gente terminar com uma impressão simpática.
    Eu tenho uma certa birra com a Tatou, dai outro agravante....

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  2. Um estilista cuja história renderia um bom filme, é o Yves Saint Laurent. Lindo e afeminado na juventude, soldado de guerra(dizem que aí foi sua ruína pessoal), criador do lindíssimo guarda-roupa de Catherine Deneuve em A Bela da Tarde.Mais parece um personagem tirado da obra de PROUST.

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  3. Assisti "Coco Chanel & Igor Stravinsky" aqui no Rio e me decepcionei pelo que tinha lido antes. Não achei tão chato assim, talvez porque tenha ficado impressionado com a semelhança do Stravisnky com Fred Mercury e da Chanel com a Simone. Que não dá linga, né!! Além daquela inacreditável peruca usada pelo ator. Mas hoje saiu uma matéria interessante no Suplemeto Feminino (tá, meu bem! ) do Estadão, sobre o envolvimento de Chanel com os nazistas.
    Você sabia dessa parte da vida dela? Eu fiquei surpreso! " Chanel passou toda a Ocupação no famoso hotel Ritz, quartel general dos nazistas em Paris e bem pertinho de sua loja, na Rue Cambon. Sua compahia permanente? Hans Gunther Von Dincklage (arrasou!!), um misto de playboy, oficial e espião enviado à França para preparar a invasão nazista.". " Ao fim da guerra, 6091 mulheres (que tiveram casos com nazistas e de certa forma foram colaboracionistas) foram presas, tiveram suas cabeças raspadas e desnudas, foram exibidas em praça pública ...Chanel foi capturada e escapou por pouco.. atribuem às suas relações com o Duque de Westminster sua rápida libertação... Teve que se esconder na }Suiça, de onde só regressou em 1956 quando os jornais arrasaram sua coleção... contudo, as mulheres americaas se apaixoaram por suas bolsas e "pretinhos básicos".

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  4. Tony,
    Acabei de ver o filme "Coco Avant Chanel" e realmente senti que teve um corte no filme, por isso o nome Coco antes de Chanel.
    Poderiam fazer um filme Coco après de Chanel (Coco depois de Chanel), pois acho sua fase mais interessante, uma mulher independente, não mais uma demi-mondaine dependente dos seus amantes.
    Mesmo assim vale a pena ver o filme.
    Besos,
    Rico E

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  5. ANÔNIMO já existe um filme de Yves Saint Laurent. Quanto a CHANEL, cobrérrima, adooooro. Apesar de nunca ter sido a grande costureira do século, era uma rocha, sou fã - Apesar de achar o filme chatérrimo.Outra coisa, Saint Lurent nunca foi "afeminado". Sempre foi o que foi, e está acima dessas definições chulas e cafonas!!!

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  6. Como disse meu amigo, que estudou Chanel de ponta cabeça porque era trabalho final dele na faculdade: só vão retartá-la bem quando deixarem de mostrar a lenda que foi criada pela mídia... e quando optarem por atrizes que conseguem encarnar personagens grandiosos.

    Audrey Tatou e Anna Mouglais, de fato, estão longe de serem Marion Cotillard. La Tatou, aliás, está bem longe de ser algo além de Amélie.

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