segunda-feira, 26 de outubro de 2009

COMO NASCEM OS NAZISTAS

Nunca me diverti num filme de Michael Haneke. “Funny Games” foi uma sessão de tortura. Não entendi as motivações da “Professora de Piano”. Não achei as revelações de “Caché” tão chocantes assim. E “A Fita Branca”, que eu vi na Mostra, me pareceu árido e pomposo. Mesmo assim, uma coisa curiosa aconteceu: quando dei por mim, as duas horas e vinte já haviam passado. Pode um filme ser chato e interessante ao mesmo tempo? “A Fita Branca” ganhou a Palma de Ouro em Cannes este ano, e é o indicado da Alemanha para o Oscar de filme estrangeiro. E é austero como um sermão protestante. Não tem trilha sonora, nem momentos descontraídos. Mas a fotografia em preto e branco é primorosa, e os enquadramentos lembram quadros, de tão bonitos. E os atores nem parecem atores – você simplesmente acredita que está vendo pessoas reais, numa aldeia alemã do começo do século passado. A trama é um whodunit: quem está por trás dos misteriosos atentados que sacodem a pacata vida da comunidade? O médico sofre um acidente a cavalo, o filho do barão é espancado, um garoto com síndrome de Down tem os olhos quase arrancados. A resposta surge aos poucos, e serve como uma alegoria das origens do nazismo. Acabou rendendo um bom debate com meu marido Oscar, que é alemão por parte de pai. Aliás, “A Fita Branca” parece uma versão animada de seus álbuns de família.

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