sexta-feira, 31 de julho de 2009

VENHA SER GAY VOCÊ TAMBÉM

“Todo mundo é gay em Amsterdam”. Tem que ser muito macho para aprovar uma campanha turística como esta. Mas o fato é que ela está no ar, assinada pela própria cidade e pela companhias aéreas KLM, Air France e Delta. Claro que é gay latu sensu: gay no sentido original da palavra, alegre. Tanto que a primeira imagem do site é um casal hétero pedalando todo alegrinho. Bom, Amsterdam é mesmo o lugar mais tolerante do mundo, e é legal que os marqueteiros tentem associar “ser gay” com “ser cool”. Agora, como disse o Luciano de SJC, que me mandou essa dica: já pensou uma campanha que dissesse “Todo mundo é viado em São Paulo”?

RUIVA GELADA

O synthpop é que nem barata, não morre nunca. O gênero que veio ao mundo no começo dos anos 80 pelas mãos de bandas como Yazoo e Human League teve um primeiro revival no começo dessa década, rebatizado de electroclash. Fez sucesso com Miss Kittin e Tiga, sumiu por uns tempos e este ano voltou como se nada. A bola da vez é a dupla inglesa La Roux, esquisita no nome ("a ruivo") e na formação. Porque no palco e nos vídeos só se vê a cantora e tecladista Elly Jackson - o outro membro, Ben Langmaid, é apenas compostior e produtor, e raramente dá as caras. O disco deles poderia tranquilamente ter sido gravado em 1982, mas isto não quer dizer que seja ruim. É pop no úrtimo, pegajoso e contagiante. No começo estranhei um pouco a vozinha aguda de Elly, mas depois me acostumei e agora ouço sem parar. Ouça você também: aqui dá para baixar "Bulletproof", a melhor do CD. E quem se inscrever no site da banda ainda recebe um link para baixar mais duas faixas. Os arranjos do La Roux são gelados, mas essa ruiva pega fogo.

MY BABY'S GOT A SECRET

Ontem preenchi uma lacuna no meu currículo de baladeiro: finalmente conheci o Secreto, o clube mais comentado de São Paulo. Aquele onde Madonna viu a Luz, etc. etc. E que aliás nem nome tem - Secreto é como o povo chama, afinal não dá para dizer "vamos hoje no ...?" O lugar fica numa ruazinha em Pinheiros, mas a entrada não é discreta não: tem serviço de manobrista e um monte de gente na porta implorando para entrar. A hostess não dá nem boa noite, vai logo perguntando: "você está com o nome na lista?" (será que ela fez essa pergunta pra Madonna?). Sim, meu amorrr, eu tenho, hoje é meu primo que tá tocando, tsah? Vic Meirelles, o maiorrr florista de SP, é meu primo irmão, e ontem ele comandava as pick-ups ao lado de seu alter ego, a indescritível Bianca Exótica. O repertório dos dois é à prova de bala: Cerrone, Pet Shop Boys, "Disco Inferno". Como é bom de vez em quando dançar essas musiquinhas, sem se preocupar se o que está tocando é psycho-trance ou se as passagens estão perfeitas. Não estavam: Vic e Bianca não têm a menor técnica. As músicas acabavam de repente, davam trambolhões, deixavam segundos de silêncio. Ninguém nem aí, lógico. Faz falta uma pistinha assim na TW. Ah, e ao lado da pista tem um poste - não de rua, mas aquele pra fazer dancinha. De vez em quando uma das dasluzetes presentes não resistia e dava uma abaixadinha básica. Aliás, tinha um pouco de patricinha e mauriçola demais pro meu gosto, mas zuzo bem. E zero de clima de pegação: não vi beijo, não vi paquera, nada. O lugar é mínimo, não tem cantinhos discretos. Não carece: me diverti muito, dei muita risada, enchi a cara. Burn baby burn.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

JULIÃÃÃNA, 25 ÃÃÃNOS

Acho a maior graça no Marcelo Adnet, nos dois sentidos. Sexta passada peguei o final de sua entrevista no "Programa do Jô", e passei a semana falando tudo nos vários sotaques paulistas que ele identificou. Marcelo tem uma das vozes mais elásticas que eu já ouvi: já se tornaram lendários seu Sílvio Santos cantando "Sweet Child O'Mine", ou seu José Wilker cantando "A Dança do Créu". E pelo jeito não sou só eu que acho graça no rapaz: repare só como o Jô se derrete todo no fim da entrevista, e consegue arrancar um beijinho do Marcelo. Também quero!

CHUMBO NELES

Deus me livre e guarde do fundamentalismo, qualquer um. Do dia em que eu achar que minhas ideias são tão corretas que vale a pena matar por elas. Foi nessa espiral de loucura que embarcaram os membros do "Grupo Baader-Meinhof", que aterrorizaram a Alemanha nos anos 70 e meio que abriram o caminho das pedras para as dúzias de organizações violentas que vieram depois. O filme de Uli Edel - que dirigiu bobagens como "Corpo em Evidência", com Madonna - foi indicado ao Oscar de língua estrangeira este ano, e busca ser imparcial: mostra tanto a ferocidade dos "guerrilheiros urbanos" como a brutalidade com que foram reprimidos. Mesmo assim, torci descaradamente contra os caras. "Anos de chumbo"? Chumbo neles! Na remotíssima hipótese de uma vitória do Baader-Meinhof, a Alemanha teria se tornado uma ditadura totalitária. Muita gente inocente morreu à toa, e hoje esse ideário alucinado, pós-queda do Muro de Berlim e pós-11 de setembro, não seduz mais ninguém. Ainda bem.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

JACINTO ÁGUA AQUINO RÊGO

De todos os esportes competitivos, a natação masculina talvez seja o único que me dá vontade de assistir: aqueles corpões másculos, cinzelados e molhadinhos... Pensando bem, a natação feminina também tem corpões másculos, mas em termos fashion ainda está muitas braçadas atrás. Olha só que escââândalo esse maiô do nadador americano Ricky Berens, que causou furor no Mundial de Roma. A desculpa oficial é que ele rasgou sem querer. Sei, sei. Ricky perdeu a prova, e o resto do mundo ganhou.

(Recebi esta dica por um e-mail do Alexandre Lucas, o diabo-mor do RH do Inferno, que provavelmente achou o assunto muito vulgar para seu blog tão elegante)

OURO SOBRE AZUL

Semana passada postei um link para baixar uns remixes da nova música do Mika, "We Are Golden", mas admitia que não tinha gostado muito. Agora surge o clip com a versão original, e respiro aliviado: Mika continua ótimo. E em mais de um sentido, como se pode perceber por sua desfrutabilidade no vídeo. Só espero que ele não venha com aquele papinho de "não aceito rótulos", que coisa mais antiga.

(mais uma dica da Patricia, que deve ser presidente do fã-clube ou divulgadora da gravadora do Mika)

terça-feira, 28 de julho de 2009

PIMBA NA GORDUCHINHA

Não sou muito fã do Kibeloco, mas de vez em quando eles até que acertam. Principalmente quando chupam ideia dos outros. Como esta photoshopada clássica, que vários sites estrangeiros já fizeram: como seriam as celebridades, se não tivessem se tornado famosas? Se não tivessem acesso a esteticistas, nutricionistas e personal stylists? Aqui vão algumas das mulheres mais famosas do Brasil, em versão bem mais rechonchuda.
Ivete Sangalo, feliz porque abriu crediário na Marabráz.A professora Angélica, que dá aulas particulares de Matemática e Álgebra.A sra. Luiza B. Montecattini, uma das locomotivas da sociedade de Três Lagoas, MS.Fátima Bernardes, que ajuda o marido Manoel na padaria "Flor do Minho", em Brás de Pina.Juliana, quanto você quer pra trabalhar lá em casa?

BAI BAI

A crise tá pegando feio em Dubai. O arquipélago artificial The World, um conjunto de ilhotas que reporduzem o mapa-múndi, é um fracasso de vendas. O nababesco hotel Atalntis, recém inaugurado, já está com infiltrações e goteiras. Enquanto isto, os operários que imigraram do sul da Ásia são tratados como escravos, e os expatriados que fazem maus negócios não podem pedir falência - vão direto para a cadeia. Tudo isto e muitas outras histórias horripilantes estão neste artigo do jornalista inglês Jonathan Hari, que escreve para o jornal de esquerda "The Independent" e teve uma versão condensada publicada na revista "Piauí". É o que dá, construir uma megalópole num lugar onde não tem água potável.

GUENTA, ELE GUEEENTA

Sarkozy capotou, e adivinha de quem é a culpa? Da Carla Bruni, claro. Não sabemos se ela está exigindo muito dele na cama, mas no resto está. Desde que se casaram, Carla mudou radicalmente a dieta do marido - menos queijo e chocolate, mais fibras e verduras - e o obrigou a malhar com seu personal trainer. Também está promovendo um intensivão cultural: Sarkozy, que nunca tinha visto um filme sequer de Fellini, agora tem que frequentar os saraus organizados por sua mulher, com gente que ele não faz a menor ideia quem seja, como David Lynch e Marianne Faithful. Mata o véio, mata.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

DIVAS EM GUERRA

Kelly Clarkson está puta da vida. Ryan Tedder, membro da banda OneRepublic e compositor de aluguel, mandou para ela uma melodia. Kelly escreveu a letra e gravou a canção "Already Gone" para seu novo álbum. Depois descobriu que Tedder havia mandado a mesma música para Beyoncé, que a transformou na já manjada "Halo". "Todo mundo vai achar que fui eu que copiei", choraminga a 1a. vencedora do "American Idol". Mas a verdade é que nem ficaram tão parecidas assim. Baixe "Halo" aqui, "Already Gone" ali e compare você mesmo. Quem mandou melhor? Eu voto na Beyonça.

VISTA A CAMISA

Marc Jacobs está lançando uma linha de camisetas pela igualdade de direitos para os gays. Todas têm o slogan "Eu pago meus impostos, eu quero meus direitos". Além de chiquérrimas e politizadas, as t-shirts ainda são baratinhas: apenas 24 dólares cada. Ou seja, mais uma razão para a gente se apaixonar pelo Marc - pena que ele já seja casado... Mas, pelo menos, gosta de brasileiros.

TIRO DE RASPÃO

O diretor Michael Mann merece aplausos por ter filmado “Inimigos Públicos” inteiramente com câmeras digitais, sem a utilização de película. É dessa forma que se avança a tecnologia. E merece vaiais também, porque a tecnologia digital ainda não encara uma obra com as pretensões de “Inimigos Públicos”. Pode funcionar bem em pequenos dramas independentes, mas aqui, numa superprodução de época, em vários momentos ela deixa a desejar. E não é só a fotografia que não funciona direito: o roteiro também não empolga. É um pena, porque os atores estão bem – especialmente minha queridinha Marion Cotillard – e cenários e figurinos reconstróem a atmosfera dos anos 30. Adoro filme de gângster, mas esse “Inimigos” não passa nem perto de clássicos do gênero como “Os Intocáveis”.

domingo, 26 de julho de 2009

CELEBRAÇÃO NO BALNEÁRIO

Foi por causa da inauguração da The Week Rio, em julho de 2007, que meu blog deu seu primeiro pico de audiência. O longo post que eu fiz sobre as duas festas de abertura foi o primeiro a ter 10 comentários, e graças a ele conheci outros blogueiros que viraram grandes amigos, como o Gui, o Clebs ou a Lindi. Virei habitué da casa, passei os últimos réveillons e carnavais lá dentro, e claro que não faltei à festa do 2o. aniversário. Foi uma delícia: a casa encheu na medida certa, sem tumulto nem aglomeração. O DJ francês Ben Manson mandou bem, mas a verdade é que ele não tem um som característico, que o distinga dos demais; pouca gente reparou quando ele entrou ou saiu. Mas o clima da noite foi ótimo, leve, e o nível de beleza dos presentes estava bem mais alto que o normal. Muita gente conhecida, claro, mas menos paulistas que o esperado: acho que a previsão de tempo feio no balneário assustou alguns. No meio da pista encontrei Rosane Amaral, que me intimou a comparecer a suas festas no fim de semana da Parada carioca, 10 e 11 de outubro - uma noturna, outra diurna, ferveção garantida. Saímos às 7 da manhã, sem energia para encarar nenhum after. Mas felizes e saciados: a TW Rio continua linda.

O INDEFENSÁVEL

Uma das melhores campanhas que a propaganda já fez foi para ela mesma. A maioria das pessoas acha que a propaganda é infalível, e que basta um bom anúncio para qualquer coisa vender muito. Se isto fosse verdade, produto nenhum jamais sairia do mercado. Mesmo assim, a aura da propaganda continua intocada. Veja só o caso do senador José Sarney, que reuniu em Brasília um gabinete de crise" formado por publicitários, marqueteiros e especialistas em relações públicas. Eles estudam uma maneira de mudar a imagem do presidente do Senado, atualmente mais suja do que pau de galinheiro. Vão até mandar uma breve biografia de Sarney para um seleto grupo de formadores de opinião. Tudo perda de tempo: a biografia do cara é uma vergonha, uma coletânea de oportunidades desperdiçadas e farras com o dinheiro público. A presidência de Sarney foi pífia, com um escândalo atrás do outro e uma inflação tão descontrolada que ultrapassou os 1000 por cento ao ano. E seu domínio sobre o Maranhão? O estado continua tão pobre quanto sempre foi, enquanto a família Sarney acumula bens e nomes em edifícios públicos (que começaram a ser retirados às pressas esta semana). Sarney é um produto podre, que não deveria mais ter espaço no Brasil. Não há propaganda que o salve.

sábado, 25 de julho de 2009

A ANTI-LINDINALVA

Quase caí pra trás quando descobri o blog da Cleycianne, seguindo uma dica do Celso Dossi. Quem é essa maluca que se intitula "serva do Senhor" e que vê o diabo em toda parte? Absolutamente tudo está comandado pelo demônio: Madonna, Mickey Rourke, "Alice no País das Maravilhas"... As únicas pessoas que se salvam são Kaká e sua mulher Caroline. Fiquei tão revoltado que cheguei a mandar dois comentários mal-criados. Mas aí percebi uma coisa... Todos os outro blogueiros que eu conheço que são antenados como ela no mundo das celebridades - Perez Hilton, o Phelippe do Papel Pop, o Estefanio do Glamaddict, euzinho - têm alguma coisa em comum, e não é a vontade de cortar a nicotina e o alcatrão do cigarro. E, para uma evangélica fundamentalista, até que a Cley aceita um monte de comentários desaforados. É claro, gente: Cleycianne é mais um personagem da internet, o oposto da Lindinalva. E seu blog é um dos mais engraçados de todos os tempos. Já favoritei.

DIREITO DE RESPOSTA

Todo grande sucesso gera filhotes: continuações, paródias, "respostas". Foi assim com "O Código Da Vinci", e já começou com o best-seller do momento, "Comer Rezar Viver". Saiu a versão masculina do livro. "Beber Jogar F@#er" segue a mesma premissa do original - pessoa desiludida com o amor,o trabalho, a vida - mas do ponto de vista de um homem. Andrew Gottlieb larga o emprego numa agência de propaganda e vai atrás de mé na Irlanda, jogatina em Las Vegas e fodelança na Tailândia. Já está causando celeuma, e eu fico pensando como seria a versão gay. "Comprar Colocar Ferver"?

sexta-feira, 24 de julho de 2009

O MUNDO PELO AVESSO

Imagine que você nasceu hétero num mundo gay. Sua família só tem lésbicas e viados, e a cultura à sua volta é esmagadoramente homossexual. Nos filmes, nos anúncios, nas ruas, só se vêem gays, só se fala em amor gay. Você cresce pensando que é uma aberração. Mais tarde, descobre outros como você, mas passa a viver uma vida clandestina, constantemente ameaçada. Este é o exercício que o terapeuta do vídeo acima propõe para sua plateia, provavelmente formada por pais de gays que querem entender melhor os filhos (também é o tema do trailer abaixo, de uma comédia independente de 2006 que já saiu em DVD). A família é o primeiro e maior obstáculo que todo gay deve conquistar. Depois que ela está do nosso lado, todo o resto parece mais fácil. E ganhamos aliados poderosos na luta contra a homofobia.

(Contribuição semanal do Luciano de SJC)

BUT THE KID IS NOT MY SON

Já começaram a aparecer os bastardos de Michael Jackson. O primeiro candidato é Omer Bhatti, ou O-Bee, um norueguês de 25 anos que seria o fruto de uma rapidinha. O rapaz imita o suposto papai desde criancinha: veja aqui um vídeo dele na TV italiana, que fofo. Mais tarde tentou se lançar como rapper, e de alguma maneira conseguiu se aproximar de Jacko. Ele esteve no funeral em Los Angeles, e agora vai fazer teste de DNA. É engraçado: um filho renegado, fora do casamento, costuma ser no mínimo um constrangimento. Mas no caso de Michael vai lhe fazer bem para a imagem, deixando-o um teco mais humano.

GRÃ- MONGOL

Sou fascinado pela história do império mongol desde que li um ótimo livro sobre o assunto, no final de 2007. Por isto corri pra ver uma pré-estréia de “O Guerreiro Genghis Khan”, que entra hoje em cartaz no Brasil. É uma super-produção eurasiana: o diretor é russo, o ator principal, japonês, é falado em mongol e foi indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro representando o Cazaquistão. Claro que o filme que eu fiz na minha cabeça quando li o livro era melhor, mas esse “Guerreiro” vale a pena. Tem paisagens incríveis e cenas de batalha realistas, sem chineses voadores. E é só o começo da história: acaba quando Temudjin unifica os mongóis. Só depois é que ele conquistaria o maior império de todos os tempos e o título de Genghis Khan. Mas isto é assunto para a continuação, que vai ser filmada no ano que vem.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

FIRANGHI ESTRANGEIRO


Você já criou algum comercial que foi exibido na Índia? Eu já. Lide com isto.

ULTIMATO IMPLACÁVEL

O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, fez uma ameça terrível ao governo golpista. Ele vai contar até cinco milhões, de trás pra frente e bem devagarinho. Se, quando terminar, ainda não estiver de volta ao cargo, aí o pau vai comer. Cinco milhões... quatro milhões, novecentos e noventa e nove mil, novecentos e noventa e nove...

IS HE BIG, BROTHER?

Às vezes tenho a sensação de que vivemos na Arábia Saudita. Olha só o que rolou no "Big Brother" inglês esta semana: dois participantes gays se beijaram, para tristeza de um terceiro. Um dos vértices desse triângulo amoroso é o brasileiro Rodrigo, que pelo jeito parece pão de queijo recém-saído do forno - todo mundo quer comer. O mais legal é o tratamento quase respeitoso que a imprensa britânica vem dando ao caso, sem grosserias à la Kibeloco. Enquanto isto, aqui no Brasil, imperam as popozudas e os pit-boys nos reality shows, e os poucos gays das novelas logo se recuperam de suas "fases". Fuck you very much pra essa corja toda.

(Anderson Moço, valeu pela dica)

quarta-feira, 22 de julho de 2009

DISCO NAP

Moby ficou ainda mais parecido com seu sósia, o Introspective: ele acaba de lançar um disco todo "pra dentro". "Wait for Me" é lento, contemplativo, um pouco melancólico. É um contraste absoluto com "Last Night", do ano passado, que era todo saltitante. O novo CD parece mais uma coleção de lados B da época de "Play", ainda a melhor coisa que o techno-careca já fez. Baixe aqui um remix mais animado de "Pale Horses", porque a original é triste demais - "all my family died", que tal? Mas ouvir "Wait for Me" sem prestar atenção nas (poucas) letras pode ser relaxante. É a trilha perfeita para engatar no disco nap, aquele soninho pré-balada dos sábados à tarde.

PEQUENO POST AMOROSO

Sempre gostei da Andréa Beltrão, desde os tempos de “Armação Ilimitada”. Mas só agora é que a ficha está caindo: ela é uma das mais enormes atrizes brasileiras, e pertence ao mesmo panteão rarefeito onde vivem Fernanda Montenegro e Marília Pêra. Digo mais, ela é a melhor de sua geração – e olha que é uma geração fenomenal, que tem, entre outras, Glória Pires, Fernanda Torres e Débora Bloch (aliás, curioso como a geração seguinte é cheia de ótimos atores – Wagner Moura, Lázaro Ramos, Selton Mello, Matheus Nachtergaele… – mas bem mais pobrinha em atrizes. Mas isto é assunto pra outro dia). Andréa está simplesmente perfeita em “Som e Fúria”, e fazendo um ótimo par com Felipe Camargo. O resto da série, sei não – o tom farsesco dos últimos capítulos acentua ainda mais a implausibilidade da adaptação brasileira, com atores over e situações forçadas. Só Andréa me faz acreditar naquilo tudo. Depois de me maravilhar com ela em “As Centenárias”, agora estou perdidamente apaixonado.

OS DESINTERESSADOS

A morte de Michael Jackson gerou alguma especulação sobre a suposta assexualidade do cantor. Pessoalmente, não acredito nisto – Jacko rebolava muito para alguém que não tivesse desejo por nada. Mas os assexuais existem, e nos EUA eles já têm até uma associação: a AVEN, que defende que o não-desejo é uma orientação sexual como qualquer outra, e que não deve ser incluído no rol das doenças pisiquiátricas. É estranho pensar na ausência absoluta de tesão, não é? Mas estas pessoas insistem que não são doentes, e que estão perfeitamente felizes assim. Muitas delas namoram e até se casam, e gostam de contato físico como beijos e abraços. Existem até “gays” e “héteros” entre os assexuais, sem nunca ir às vias de fato. E existem também “arromânticos” – aqueles que não se interessam em namorar com ninguém, e não sofrem com isto. Êita mundo véio sem porteira.

terça-feira, 21 de julho de 2009

FODA-SE MUITO

Um dos fenômenos mais saudáveis do movimento gay no mundo todo é essa perda de paciência, essa vontade de mandar todos os reaças tomarem no cu. Sim, dialogar é importante, engajar, blábláblá, já disse isto algumas vezes aqui no blog. Mas debate tem limite. Chega uma hora em que só mesmo partindo pra ignorância, seja ela física ou verbal – pois, afinal, estamos lidando com ignorantes. A música “Fuck You” da Lily Allen já se tornou um hino dessa tendência. E estão surgindo aos montes os vídeos, mais ou menos caseiros, com pessoas das mais diversas orientações dublando a canção. Aqui no Brasil apareceu primeiro a versão do blog Stonewall, e agora temos mais esta, editada pelo Bruno Marques. Não existe competição: quanto mais gente mandando os homófobos se foderem, melhor.

CAN'T READ MY, CAN'T READ MY

Sabe porque Lady GaGa chegou pra ficar? Porque ela compõe suas próprias músicas, e bem. Chris Daughtry, o roqueiro gostosão que ficou em 3o. lugar na 5a. edição do "American Idol" (e depois se vingou tendo o disco mais vendido de 2007 nos EUA), tocou uma versão acústica de "Poker Face" num programa de rádio na Alemanha. Baixe aqui e ouça como ficou bonito.

O ANO EM QUE MEUS PAIS ME DECEPCIONARAM

Existe um momento chave no processo de amadurecimento, que é aquele em que o adolescente percebe que seus pais não perfeitos. Muitas vezes é um momento doloroso, pois a decepção é grande: “como assim, vocês não são as pessoas mais sensacionais do mundo? Buáááá.” É disso que se trata “À Deriva”, o novo filme de Heitor Dhalia. Só entra em cartaz no dia 31, mas a Marta Matui, que vai a pré-estreias toda semana, ontem me chamou para acompanhá-la ao Frei Caneca. Adoooro esses programinhas, ainda mais porque geralmente têm a presença do elenco: consegui ver o Vincent Cassel em pessoa, e ele é mesmo um charme. Na tela nem tanto – o cara faz um esforço super simpático de atuar em português, mas suas falas soam muito decoradas e pouco naturais. Quem está bem mesmo é Débora Bloch, e Laura Neiva, que faz a garota que sofre com as imperfeições dos pais e a entrada no mundo adulto, é uma grande revelação. “À Deriva” ainda tem uma fotografia esplendorosa e uma linda trilha à la “O Piano” de Antonio Pinto, que compensam o ritmo um pouco lento. Dei umas bocejadas, mas saí contente do cinema.

(leia aqui o que a Marta achou do filme. Mulheres...)

segunda-feira, 20 de julho de 2009

MIKARETA

Preciso lembrar mais de visitar o blog de música Arjanwrites. O tal do Arjan tem um gosto super parecido com o meu, e sempre rolam uns downloads legais de músicas idem. Hoje, por exemplo, tem três remixes de "We Are Golden", a faixa-título do novo CD do Mika, assinados pelo DJ holandês Don Diablo. Tá bom, vai, eu admito que não gostei tanto assim desses remixes. Mas Mika rules e eu não vejo a hora de setembro chegar, que é quando sai o novo disco.

(Patti Sousa, você também é de ouro!)

VAMPIROS REACIONÁRIOS

Ontem estreou no Brasil a 2a. temporada de “True Blood”, a série de TV que as bichas modernas mais gostam. O elenco é recheado de atores bonitões (meu favorito é o dono do bar, que se transforma em cachorro de vez em quando), mas a razão desse sucesso todo é o óbvio paralelismo entre vampiros e gays. No programa, os chupadores de sangue estão “saindo do caixão” e reclamando seus direitos; afinal, desde a invenção do sangue sintético pelos japoneses, eles não precisam matar mais ninguém para se alimentar. Acontece que nem todos os vampiros ficaram bonzinhos. A maioria nem quer saber de se integrar ao resto da sociedade, e prefere continuar aprontando. Essa atitude gerou um artigo interessante no “Daily Beast” (leia aqui, em inglês): a escritora e jornalista Michelle Goldberg alega que “True Blood” acaba sendo nocivo à causa homossexual, pois mostra os vampiros/gays como uma ameaça constante ao bem-estar comum. É a encarnação de uma fantasia recorrente da direita conservadora, que acha que os gays vão destruir a humanidade. O criador do programa, Alan Ball, é gay assumido, e provavelmente responderia que ninguém se interessaria por vampiros politicamente corretos e cumpridores da lei. A série já tem um que faz coleta ecológica (sério!), e é justamente um dos personagens mais chatos.

SALADA DE FRUTAS

Acho estranho a música eletrônica não ter se firmado pra valer no Brasil. Argentina e México, só para ficarmos na vizinhança, têm coisas no gênero muito mais interessantes que as nossas. Brasileiro nunca teve pudor de misturar influências. Fico intrigado com esse purismo todo; talvez seja reflexo do marasmo geral da nossa música, que passa pelo momento mais sem graça desde os anos 20. Por isto acho bacanas os remixes do DJ Zé Pedro, que pegam monstros sagrados da MPB e lhes tascam uma batida house por cima, sem a menor cerimônia. Seu novo CD, "Essa Moça Tá Diferente", só traz cantoras, das famosérrimas (Marisa Monte, Alcione) às que hoje estão meio esquecidas (Maria Alcina, Célia). Ouvindo o disco de uma vez, chega-se fácil à conclusão de que Elis Regina ainda é a melhor de todas. Essa mesma ouvida também é um tiquinho monótona: Zé Pedro podia ter variado mais os arranjos. Claro que nem tudo funciona bem, mas quando funciona é sensacional. Difícil dizer qual minha faixa favorita: talvez seja o "Canto de Ossanha" com Maysa, pela ousadia de trazer para as pistas de dança a cantora mais dramática que tivemos. Aliás, quando é que Zé Pedro e Preta Gil vêm para São Paulo com a "Noite Preta"? Estou louco para dançar com eles novamente.

domingo, 19 de julho de 2009

JOGO DE DAMAS

Carla Bruni havia prometido não fazer shows enquanto fosse primeira-dama da França, mas ontem ela quebrou a promessa - e com total aprovação do marido. Foi por uma boa causa: mme. Sarkozy se apresentou em Nova York num concerto em homenagem a Nelson Mandela, com renda revertida a pesquisas pela cura da AIDS (ela teve um irmão que morreu da doença). Enquanto isto, no Brasil, d. Marisa Letícia escolhia um novo tom de louro acobreado para seus cabelos... OK, eu sei que não é justo comparar primeiras-damas, ainda mais porque elas não chegam a esta posição por seus próprios méritos. Aliás, a própria função de primeira-dama é meio boba, uma invenção dos americanos carentes de rainhas. Mas dá uma certa invejinha dos franceses, não dá?

sábado, 18 de julho de 2009

SORTE LÍQUIDA

Eu já era um adulto muggle quando começaram a sair os livros do Harry Potter, e não me interessei em lê-los. Mas meu marido Oscar, que é the chosen one, leu todos e adorou. Por isto foi uma mão na roda ir com ele assistir “Harry Potter e o Enigma do Príncipe”. Apesar de ter visto todos os anteriores, eu não me lembro de muitos detalhes, e fico a toda hora perguntando quem é quem. Achei este o filme mais sombrio e lento da série; é o único que não tem final feliz. Mas é sempre um prazer ver os maiores atores ingleses contemporâneos se esbaldando ao fazer aqueles bruxos todos. Jim Broadbent e Helena Bonham-Carter estão deliciosos, mas meu favorito de longe é Alan Rickman, como o sinistro Severus Snape. Tirando a feitiçaria, o resto da história parece um episódio de “Malhação”: um bando de adolescentes ficando uns com os outros e experimentando poções mágicas. Impossível não lembrar de E e G quando os vemos consumindo bombons que provocam o amor instantâneo - ou bebendo Felix Felicis, a “sorte líquida”, que deixa o sujeito todo alegrinho e auto-confiante. Talvez o fime devesse se chamar “Harry Potter e as Drogas Sintéticas”.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

BURACO BRASIL

Todo mundo reclama do Sarney e do Senado. Da cara de pau dos nossos políticos, que comprometem a democracia com práticas feudais como o clientelismo e o nepotismo. Mas acontece que a democracia está longe de ter se firmado na cultura e na consciência do brasileiro. Dois exemplinhos singelos:

1) Zé Simão está proibido de tocar no nome de Juliana Paes. A atriz ganhou um processo que moveu contra a “Folha de São Paulo” e o colunista. Ela está irritada com os trocadilhos que Simão faz com ela e seu personagem na novela, tipo “Juliana não é casta”. OK, a piadinha é infame e sem graça, mas vamos combinar que alguém que mostra a perereca na “Playboy” não é exatamente uma vestal. Mas isto nem vem ao caso: este é mais um atentado flagrante à liberdade de imprensa, equivalente ao veto à biografia de Roberto Carlos. E é um sintoma da mesma cultura patrimonialista, do “você sabe com quem está falando?”, da – perdão – casta “superior” que gerou Sarney, ACM e outros tantos.

2) Outro sintoma: se um jogador negro é xingado de “macaco”, o mundo vem abaixo, e com razão. Agora, todas as torcidas se sentem perfeitamente autorizadas a chamar Richarlysson de “bicha” em tom hostil, para desconcentrá-lo em campo, e ninguém acha isso ruim. O blog de futebol “Mala Preta” publicou um post excelente, “Racismo é crime, mas homofobia pode”. Saindo da bolha protetora dos bairros melhorzinhos das grandes cidades, os gays são os dalits do Brasil – não são nem cidadãos de 2a. ou 3a. classe, porque nem cidadãos são. E é por isto que o próprio Richarlysson processou o comentarista que o tirou do armário, há dois anos. Devia era processar os torcedores que não o respeitam, inclusive os são-paulinos.

Pois é assim, cerceando a imprensa e discriminando pelo menos 5% da população, que o Brasil acha que pode ser chamado de democracia. Sim, o senado é um nojo, uma reforma política é urgente, mas isto é só o começo. O buraco nas nossas mentalidades é tão mais em baixo, tão mais fundo, que chega ao século 15.

(Não, não comecei a acompanhar o noticiário esportivo. A dica do "Mala Preta" me foi passada por uma leitora, a Daniela Fonseca)

JANE AUSTEN 2 - A MISSÃO


Uns meses atrás, falei aqui no blog do lançamento de "Orgulho e Preconceito e Zumbis", que "remixava" o clássico de Jane Austen com um ataque de mortos-vivos. O sucesso do livro foi tão grande nos EUA que já repetiram a fórmula: sai em setembro "Razão e Sensibilidade e Monstros Marinhos". O mercado editorial de lá é tão forte que até foi feito um trailer para o livro, com uma cena de um filme (ainda) inexistente. Pena que o nosso mercado editorial seja tão pequeno, e que o brasileiro leia tão pouco. Continuo sonhando com mash-ups nacionais, como "Gabriela Cravo e Canela e Serra Elétrica".

quinta-feira, 16 de julho de 2009

A MAIS DE CEM MÃOS

Aparentemente, "Live Music" é um desenho animado normal - lembra o estilo da Pixar, ou seja, para os padrões de hoje é normal. Acontece que ele foi feito por 51 animadores espalhados pelo mundo, de 14 a 48 anos, que nunca se encontraram ao vivo - só pelo Facebook. É um projeto de uma produtora nova, a Mass Animation, e patrocinado pela Intel. Teve até participação do público leigo, que foi votando nas cenas que deveriam compor o resultado final. Ou seja, um verdadeiro reality show de computação gráfica. E não é que ficou bem legal? Tanto que a Sony vai exibi-los nos cinemas americanos. Que coisa, hein? Às vezes o futuro chega tão depressa que me deixa atordoado.

O DIA DA NOIVA

Os filmes ditos “de arte” passam maus bocados em julho, quando a maioria das telas brasileiras está ocupada pelos blockbusters americanos. Eles mal conseguem chamar a atenção no meio de tanto esquilo pré-histórico, e são logo jogados para os horários alternativos. É o caso de “Casamento Silencioso”, uma pequena jóia que vem da Romênia – país que hoje em dia, em termos cinematográficos, ocupa o lugar que o Irã ocupava há uns dez anos. Se bem que com muito mais liberdade de expressão, sem precisar recorrer a metáforas. “Casamento” é assumidamente um acerto de contas com o passado comunista. A história se passa numa aldeia minúscula, onde a vida prossegue igual há séculos. Até que uma festa de casamento é proibida pelos russos, pois deu o azar de cair no mesmo dia da morte de Stálin. O filme combina elementos cômicos e trágicos, e me lembrou “A Vida É Bela” – mas sem a pieguice deste. E saí do cinema com raiva do Niemeyer, hahaha, que até hoje acha lindo o stalinismo.

NEM ÀS PAREDES CONFESSO

Queria ser fadista. Certa vez, na casa de fados Senhor Vinho, em Lisboa, me mandaram calar a boca: eu estava cantando alto demais, e não deixava os profissionais serem ouvidos. É justamente no Senhor Vinho onde um dos atuais “residentes” é António Zambujo, um jovem fadista que tem agora seu primeiro disco lançado no Brasil. “Outro Sentido” saiu em Portugal em 2007, e é o 3o. CD da carreira de António. Ao atravessar o mar-oceano, ganhou três faixas extras, com a participação de artistas brasileiros como Ivan Lins e Roberta Sá. O resto do álbum é composto por fados clássicos e modernos, com arranjos minimalistas que destacam uma voz límpida como deve ser – o fado, assim como o sertanejo ou o country, não admite truques. Não tem essa de Pro-Tools: ou o sujeito canta bem, ou até mais ver. Oiça aqui “Amor de Mel, Amor de Fel”, do repertório da Amália. A letra até permite uma leitura gay (“tenho um amor que não posso confessar...”) e me deixa com minhoca na cabeça, pois António até que é bem apanhado.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

BIFITOS A BORDO

Quando soube da existência da Pet Air – uma nova aerolinha americana que só transporta animais de estimação – imaginei os bichinhos todos sentadinhos nas poltronas, degustando Bifitos e assistindo “Lassie” nos monitores individuais. Qual o quê: eles vão acomodados nas mesmas gaiolas em que são obrigados a viajar nas areolinhas humanas, tadinhos. A diferença é que na Pet Air eles vão na cabine, não num porão gelado. E sim, há uma aeromoça, que verifica o bem estar dos passageiros a cada 15 minutos. Olhaí, Libanesa: esta é sua chance de trabalhar com tipos muito mais simpáticos que aqueles sauditas mal-educados.

A FOGUEIRA DAS VAIDADES

Dizem que o vício de Michael Jackson por analgésicos começou por causa daquele acidente bizarro durante a gravação de um comercial para a Pepsi, em 1984. Uns fogos de artifício explodiram antes da hora, e uma faísca ralou no cabelo de MJ - que estava ensopado de gel à base de petróleo... O cantor se transformou numa tocha humana, e sofreu queimaduras de segundo e terceiro grau no couro cabeludo. Ao longo desses anos todos, as únicas imagens disponíveis do acidente eram desfocadas e tremidas. Mas hoje a revista americana "US Weekly" revelou uma sequência inédita, e especialmente dramática. Dá para ver direitinho como MJ nem se toca que seu picumã está em chamas: ele continua dançando como se nada, possuído que era. E não consigo deixar de pensar: será que ele estaria vivo hoje se os fogos tivessem estourado na hora certa?

PIADA INTERNA

É impressionante a entrada que Fernando Meirelles tem na Globo. O cara conseguiu convencer a maior emissora do país, que se obriga a liderar a audiência em todos os horários, a produzir um remake de uma obscura série canadense, "Slings and Arrows". O tema do programa não é extamente do gosto do povão: os bastidores de uma companhia teatral. Fala-se em Shakespeare como se os brasileiros conhecessem suas obras de cor e salteado. E quantas pessoas entenderam que o personagem "Oswald Thomas" era uma sátira? O resultado é que "Som & Fúria" está indo mal de Ibope. Claro que isto não quer dizer que o programa seja ruim: é excelente, ouso dizer que até melhor que o original (que é facilmente encontrável no Youtube). O ritmo está ágil e os atores vêm dando um banho. Alguns são veteranos dos comerciais da O2, a produtora de Meirelles, e nunca tinham feito dramaturgia na TV. Só não estou gostando muito da Regina Casé. É uma atriz fantástica, mas de um personagem só. Toda hora tenho a sensação que ela vai dizer que o Hamlet vem com tudo.

terça-feira, 14 de julho de 2009

O DIA DA CASSA

31 de julho pode ser um dia importante para a causa gay no Brasil, e não só por causa da estreia de “Brüno”. É neste dia que o Conselho Federal de Psicologia vai decidir se cassa a licença de Rozângela Alves Justino, uma psicóloga carioca que garante “curar o homossexualismo" através de terapia. A mulher é evangélica, dããã, e está mobilizando seus comparsas numa campanha contra a cassação. Que parece certa - foi pedida por nada menos que 71 psicólogos diferentes. Além disto, cerca de 100 entidades gays de todo o Brasil prometem levar um manifesto a Brasília no dia do julgamento. Claro que os argumentos que a cambada pró-Rozângela está usando são comoventes: “querem calar esta mulher”, “atentado contra a liberdade de expressão”, “abaixo a ditadura gay”, e outras empulhações do gênero. Bobagem. O que está em questão é apenas se Rozângela merece continuar usando o título de psicóloga. Ela continuará livre para oferecer seus serviços “terapêuticos”, já que ainda existem muitos incautos e incultos dispostos a cair nessa esparrela. Só não poderá mais se amparar em Freud e na ciência. Aqui vai uma sugestão para a futura ex-doutora: ofereça também a amarração do amor, que traz de volta o ser amado em sete dias. O índice de sucesso é maior.

(Leia mais sobre o caso aqui. E aqui, mais um obrigado pela dica ao Luciano de SJC)

AWUUUUH

Uma dúvida me corrói: qual a melhor versão da nova música da Shakira? "She-Wolf", em inglês, ou "Loba", em espanhol? Ambas têm arranjos idênticos de Pharrell Williams, que trabalhou com Madonna ano passado. Acho beyond cafona a ideia de mulher-loba que sai para caçar, e os uivos ao luar que Shaki solta me dão vontade de uivar também - de vergonha alheia. Talvez por isto prefira ela cantando en castellano, a cafonice fica engraçada. De qualquer forma, já é uma das melhores canções do ano.

NICOLEWOOD

E continua a marcha inexorável de Bollywood rumo à conquista do universo. Um exemplo recente é esse comercial francês da Schweppes, filmado em Udaipur e estrelado por Nicole Kidman. Os coadjuvantes também são de luxo: o galã é Arjun Rampal, um dos maiores astros da Índia no momento, e a garotinha é uma das que fez Latika quando criança no filme "Quem Quer Ser um Milionário?". O final é engraçadinho, mas seria ainda melhor se Nicole soltasse um arrotão.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

VESTIDOS PARA MATAR

Rufus Wainwright adora se fantasiar. Ele já se vestiu de Judy Garland no palco, no show que fez em homenagem à cantora. Para a estreia de sua primeira ópera, não fez por menos: foi, modéstia às favas, de Giuseppe Verdi (e seu namorado Jorn Weisbrodt foi de Puccini). "Prima Donna" debutou neste final de semana durante o festival de Manchester, sob aplausos do público e apupos da crítica. O tema da ópera não podia ser mais viado - a crise existencial de uma diva lírica, mistura de Maria Callas com Marlene Dietrich e Norma Desmond. Não deve ter sobrado um único hétero na plateia. Depois dessa overdose de bichice, ou sucumbiram, ou se converteram todos.

(tem fotos do espetáculo aqui, ó)

TIRA, TIRA, TIRA

Ryan Reynolds combina uma carinha de anjo com um corpalhaço, e é a única boa razão para se assistir “A Proposta”. Eu me dexei levar pelo trailer, e quase todas as boas piadas estavam lá: o filme em si não escapa daquele moralismo rasteiro que os americanos adoram. Sandra Bullock ainda tem um timing cômico excelente, mas, aos 45 anos, passou do prazo de validade para estrelar comédias românticas. “A Proposta” também conta com lindas locações e a veterana Betty White, lenda viva da TV. Mas nada disto é melhor do que Ryan, que ainda faz uma brevíssima cena pelado – não pisque o o olho nessa hora! Depois de anos gramando em papéis sem importância, agora vamos vê-lo bastante: o rapaz vai estrelar “Deadpool”, mais uma extensão da série “X-Men”, e “O Lanterna Verde”. Hmm, dois super-heróis que usam malhas justinhas ao corpo. Tomara que em algum momento ele as tire.

PASSEIO RUSSO

O começo do século 20 foi sensacional para a arte da Rússia. O país fervilhava de ideias e inquietação, e isto se refletiu numa explosão de novos estilos na pintura e na escultura. Abstracionismo, cubismo, surrealismo: várias escolas importantes tiveram pelo menos algumas de suas raízes plantadas em solo russo. A exposição "Virada Russa" fica em cartaz até 23 de agosto no Centro Cultural do Banco do Brasil, no Rio de Janeiro, e dá uma amostra da variedade e da influência que esses artistas tiveram. Tem obras que remetem aos muralistas mexicanos, outras que são inequivocamente russas - como as peças de propaganda pós-revolucionária (aliás, a revolução se encarregou de sufocar a vanguarda do país, sob o manto pesado do realismo socialista). Como se não bastasse, no meio de tudo ainda está um quadro que eu adoro, e que nunca tinha visto ao vivo: "Passeio", ou "Promenade", de Marc Chagall. Saí do CCBB levitando feito a moça da tela.

domingo, 12 de julho de 2009

ESTRELAS MUDAM DE LUGAR

Roberto Carlos está comemorando 50 anos de carreira, mas poderiam ser 2.000. Digo isto porque tenho a sensação de que suas músicas sempre estiveram entre nós. Fazem parte da paisagem, mas não desaparecem: são magníficas, como o Corcovado ou o Pão de Açúcar. Tirando os primeiros sucessos, dos tempos da Jovem Guarda, o resto é atemporal - são canções que não marcaram nenhuma época específica, simplesmente porque marcaram TODAS as épocas. Alguém aí se lembra em que ano saiu "Detalhes"? Ou "Emoções"? Não importa, porque elas se incorporaram à trilha sonora oficial do Brasil. Tenho uma vaga noção de que o grosso do repertório "clássico" de RC saiu entre o comecinho dos anos 70 e meados dos 80. Acho muita coisa intragável, mas tenho um fraco pela safra "de motel" - "O Seu Corpo", "Os Botões da Blusa", "Café da Manhã" e, principalmente, "Cavalgada". Vendo o show de ontem pela TV, me dei conta de que nenhuma música ali deve ter menos de 20 anos. Faz tempo que o Rei não emplaca um novo hit, ainda mais porque seus discos escassearam na última década, depois da morte da esposa Maria Rita. Mais uma vez, não importa: estrelas vão e vêm o tempo todo, mas Roberto Carlos continua sendo o astro-rei da música brasileira.

sábado, 11 de julho de 2009

LULA-LASKA

Sarah Palin é o Lula americano. Assim como ele, a futura ex-governadora do Alaska se gaba de ter pouco estudo, e por isto a plebe ignara se identifica com ambos. Assim como ele antes de ser presidente, não importam seus feitos, aliás inexistentes: importa o que ela é, ou melhor, não é. Sarah não é “elitista”, não é uma política “tradicional”, não tem experiência nem bagagem. Mas enquanto Lula é um politico hábil, preocupado em formar coalizões, Sarah é polarizadora, do tipo “dividir para conquistar”. Nisto ela se parece com, veja só, Hugo Chávez. Sua renúncia ao governo do Alaska deveria ser o fim de sua carreira: se eu tivesse votado nela, ficaria furioso com esse abandono meio gratuito do cargo, um ano e meio antes do final do termo. Mas a direita americana defende esse gesto irresponsável, porque a vê como um novo George W. Bush: uma palerma carismática, que, uma vez no poder, seria facilmente manipulada, tal como Bush o foi por Cheney. Se Obama não estiver no auge da popularidade em 2012, tenho medo que Sarah Palin venha com tudo. Mais medo do que a Regina Duarte tinha do Lula.

AMANTE BANDIDO

“O Inimigo Público No. 1 – O Instinto de Morte” destrói com uma rajada de metralhadora a noção de que todo filme francês é um falatório cabeça. A história de Jacques Mesrine, bandido-galã que aterrorizou a França e o Canadá nos anos 60 e 70, é contada só por episódios cheios de ação e violência. Nada de psicologia: jamais ficamos sabendo “por quê” Mesrine age assim, se teve uma infância triste ou coisa que o valha. Ainda bem. Vincet Cassel ganhou o César de melhor ator, e está mesmo apavorante: Mesrine era um sociopata cruel, e em nenhum momento torcemos por ele. Como “Kill Bill” e “Che”, o filme tem duas partes, e esta é só a primeira. Só que o distribuidor brasileiro não avisou, e muita gente no cinema levou um susto quando, ao final, surgiu o letreiro “Continua…”. Quero só ver que nome vão dar para o segundo capítulo. Na França, o primeiro se chamava “O Instinto de Morte”, e o segundo, “O Inimigo Público no. 1”. Aqui no Brasil já queimaram os dois de uma vez.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

RATED "F" FOR FABULOUS

Sacha Baron Cohen foi ao programa do David Letterman fantasiado como Brüno, para apresentar a “Top 10 List”. Puro merchandising, óbvio: o tema escolhido era “10 razões para assistir o filme”. Muito carão e muito cabelão, e pelo menos três frases que eu quero incorporar ao repertório:
- “Ponha essa roupa de volta no meu armário quando você acabar”
- “Desculpe, estou tão delicioso que me distraí”
- “Classificação etária “F” – de fabuloso”
Ai meu Deus. "Brüno" estreia no Brasil dia 31 de julho, e eu aqui tão sem roupa.

AMIGOS DA FACUL


Dois colegas de faculdade se reencontram, anos depois de formados. Um está casado, o outro continua livin’ la vida loca. Numas de reviver os antigos dias de glória, os caras, durante uma bebedeira, se inscrevem num concurso de vídeos pornôs amadores. O que fazer para ganhar? Tem que ser algo inesperado, chocante, corajoso. Claro, eles vão trepar um com o outro – mesmo sendo héteros e não muito atraentes. Este é o plot de “Humpday”, uma comédia independente que fez sucesso nos festivais de Sundance e Cannes, e que estreia hoje nos EUA embalada por críticas entusiasmadas. Já estou assanhado para ver, ainda mais porque o filme parece confirmar uma teoria que os gays adoram: tem hétero que inventa os pretextos mais absurdos para transar com outro homem.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

CAMINHÃO DE MUDANÇAS

Uma boate consegue mudar de endereço e continuar fazendo sucesso? Pode, mas nunca mais é a mesma coisa. Em São Paulo tivemos o Ultralounge, que dominou a cena gay nos anos de 2001 e 2002. Em 2003 a casa foi enxotada pela vizinhança, que reclamava do barulho. Mas não foi muito longe: transferiu-se para o outro lado da rua, quase em frente ao lugar original. O novo espaço era lindo e bem maior, e permaneceu lotado por muitos anos, mas as pessoas reclamavam: não tinha mais o mesmo clima de antes. Ontem recebi um e-flyer da Living, o maior antro maricón da Cidade do México. A boate já está indo para sua terceira encarnação. Começou num casarão no bairro da Condesa, o mais agitado da capital. Depois se instalou numa mansão gótica em pleno Paseo de la Reforma, a avenida Paulista de lá. Foi um dos clubes que mais lindos que já conheci, com lustres, escadarias e vitrais (pena que a frequência não ajudava). Agora o Living vai para o coração da Zona Rosa, o antigo centro de entretenimento do DF, que estava decadente mas de uns tempos para cá foi invadido pela bicharada. Enquanto isto, por aqui, aumentam os rumores de que a TW SP também está de mudança. Já ouvi os endereços mais disparatados, do Pico do Jaraguá à região da Cracolândia. Pode ser que fique melhor ou pior, mas uma coisa é certa: igual não vai ficar.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

JOGADO PRA ESCANTEIO

Não dá para entender a estratégia de distribuição da Universal. Os caras têm na mão um filme fantástico, o mexicano "Rudo y Cursi", que foi sucesso de bilheteria em toda a América Latina. Os atores são conhecidos dos brasileiros: Gael García Bernal e Diego Luna. A estreia por aqui chegou a ser programada para março, mas não vingou. Agora o filme sai direto em DVD, e por enquanto só para locação. É uma pena, porque "Rudo y Cursi" tinha tudo para arrebentar no Brasil. Consegui ver o filme ontem, em película, dentro da programação do Festival de Cinema latino-Americano de SP. Cheguei cedo ao Museu da Imagem do Som, com medo de ficar de fora - os ingressos eram grátis. Só que o festival foi mal divulgado, e a sala nem chegou a encher. Mas quem foi se divertiu muito: o roteiro é ótimo, os atores idem, e a direção de Carlos Cuarón não deixa a peteca cair (ou a bola, porque tudo se passa no mundo do futebol). A trama poderia perfeitamente ser adaptada para o Brasil, só mudando a língua e a música (o personagem de Gael sonha em ser cantor). Quem sabe não rola um remake? Que raiva da Universal. Enquanto isto, as porcarias dos blockbusters americanos entopem os nossos cinemas.

BRILHO E LÁGRIMAS

O funeral de Michael Jackson foi perfeito. Vulgar e emocionante. Um fecho totalmente adequado para uma vida repleta de contradições. Nunca uma celebridade teve algo parecido. Lembro do concerto em homenagem a Freddie Mercury, mas que aconteceu seis meses depois de sua morte, e com renda revertida para a caridade. Pelo menos a família de Jacko não cobrou pelos ingressos, mas estes chegaram a ser negociados por 10 mil dólares na internet. Ontem a televisão mostrou pessoas radiantes chegando ao Staples Center em Los Angeles, como se estivessem entrando num show disputadíssimo – e apenas isto. Depois surgiram fotos dos famosos nos bastidores, todos sorridentes como numa pré-estreia. Mas no palco havia um detalhe mórbido: estava lá o caixão, MJ de corpo presente. O Zé Simão disse que, em dado momento, o cadáver se levantaria e dançaria “Thriller”. Mas o caldo não chegou a entornar: o público se comportou direitinho, e os discursos e números musicais foram na medida, sem muita apelação. E no final aconteceu o momento que vai entrar para a história, o depoimento de Paris Jackson. Tá na cara que ela não é filha natural de Michael, mas os filhos são de quem cria. E Michael, pelo jeito, estava criando bem os seus.

terça-feira, 7 de julho de 2009

GIGANTE PELA PRÓPRIA NATUREZA

Tamanho de pau ainda é relevante? Faço esta pergunta porque acaba de estrear uma nova série na HBO americana, “Hung” – literalmente, “O Bem Dotado”. É sobre um quarentão semi-empregado, que tem que pagar pensão para ex-mulher e filhos. Sem ter mais onde recorrer, ele resolve por para trabalhar sua imensa mala. O papel foi para o bonitão Thomas Jane, mas não se anime muito: o personagem é hétero, e é óbvio que não veremos cenas explícitas. De qualquer forma, é interessante um programa que se baseia num tema considerado tabu até hoje. Pergunte para um HT - homem ou mulher – se o tamanho do bilau aumenta o prazer na cama. A resposta será, com uns 90% de chance, “não”. “O que importa é a performance”, reza o mantra. O curioso é que os homens nunca deixaram de medir as mulheres por todos os lados. Nos concursos de miss, as medidas das candidatas são trombeteadas: tanto de busto, tanto de cintura, tanto de quadril. Agora, aproxime a régua da única parte da anatomia masculina que interessa ser medida… “Não, não interessa, o que importa é a performance!!”. Pelo menos os gays não são hipócritas, e nunca esconderam sua preferência pelos king size. Se bem que nem isto é unanimidade: já vi bibas iniciantes dizerem preferir os chiquititos, porque “dóem menos”. E, de uns tempos para cá, sinto que o foco do desejo se deslocou do meio das pernas para o torso e os braços. Um corpo perfeito tem sido mais valorizado que um pênis gigante – talvez porque seja mais “democrático”, mais ao alcance de todos. Quem nasceu magrinho pode malhar ou tomar bomba. Quem nasceu curtinho…