domingo, 30 de novembro de 2008

AMANTE À MODA ANTIGA

Mary Del Priore ataca novamente. Ano passado ela lançou "O Príncipe Maldito", a biografia definitiva do neto desequilibrado de D. Pedro II. Outra figura importante do segundo reinado é a protagonista de "Condessa de Barral - a Paixão do Imperador". Luiza Margarida de Barros Portugal foi uma mulher bonita, refinada e muito à frente de seu tempo - o oposto de d. Teresa Cristina, a imperatriz, que era carola, coxa e feia de dar medo. Não é de se admirar que D. Pedro tenha caído de amores por ela, e o caso entre os dois durou 35 anos, até o fim da vida (morreram no mesmo ano, 1891). O livro é recheado de detalhes, e a autora mais uma vez consegue transportar o leitor direto para o século 19. E como sempre acontece quando leio um livro bom, fico sonhando com o filme.

sábado, 29 de novembro de 2008

QUEIME-SE DEPOIS DE VER

Brad Pitt era pouco mais que um corpinho bonito quando chamou a atenção do mundo pela primeira vez, com um pequeno papel em "Thelma & Louise". As revistas da época diziam que ele era péssimo ator, e que suas performances nasciam na sala de montagem, com os pobres editores picotando takes diferentes para chegar num resultado assistível. Mas aos poucos ele foi melhorando, e conseguiu até mesmo ser indicado ao Oscar de coadjuvante em 95. Hoje, ainda deslumbrante aos 45 anos, ele é simplesmente a melhor coisa de "Queime Depois de Ler" - e olha que o elenco dessa ótima comédia negra tem gente como George Clooney, Tilda Swinton e Frances McDormand. Seu personagem deve ter uns 20 e poucos anos, e Pitt está hilário, over na medida exata e com a expressão corporal de um garotão dessa idade. Saí ardendo do cinema.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

I'M READY TO GO RIGHT NOW

Tô indo pro Rio daqui a pouco. Pensei em seguir mais uma vez o exemplo de minha mestra Lindinalva e colocar uma música bem róim aqui procêis baixar, como ela fez hoje em seu blog. Mas tenho uma reputação a zelar, e, por mais que o Trio Cova da Beira me tente, deixo aqui o link para "Green Light" do John Legend, perfeita para começar o fim-de-semana. Fui!

ANTI-TOP DE MARKETING

Essa vai ganhar o prêmio de cagada do ano. Num rompante desastrado, a marca de refrigerante Dr. Pepper prometeu dar uma latinha grátis para "everyone in America" se o Guns'n'Roses lançasse o CD "Chinese Democracy" até o final de 2008. A direção da empresa, assim como o resto da humanidade, duvidava que o tal disco realmente saísse algum dia - afinal, ele vinha sendo prometido há 14 anos. Só que "Chinese..." chegou às lojas semana passada, e a Dr. Pepper se viu metida num imbroglio de dar inveja à Time4Fun. O site da bebida disponibilizou um cupom por 24 horas, mas claro que tombou de cara. Uma hotline foi criada às pressas para dar satisfações, mas também caiu em segundos, tamanha a procura. E agora a companhia pode enfrentar uma enxurrada de processos, vindos de Axl Rose - que não gostou nadinha dessa promoção não-autorizada - e de milhões de consumidores enfurecidos. Tá feia a crise, hein? Povo se degladiando por uma latinha de refri, e justo de Dr. Pepper...

SOMOS IRMÃOS

Meu irmão Zico trabalhou muitos anos como diretor de programação da MTV, e, modéstia às favas, é uma das pessoas que mais entende de televisão neste país. Agora ele compartilha um pouco dessa sabedoria num blog que acaba de entrar no ar. Por enquanto só tem 3 posts, e está naquela fase de ajustes - por exemplo, Ziquinho ainda não resolveu se deve escrever tv ou TV. Mas, como em qualquer mídia, o que importa é o conteúdo, e isto a família tem de sobra, hehehe. Bem-vindo à blogosfera, hermanito.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

OBRIGADO SENHOR

Hoje é Dia de Ação de Graças nos Estados Unidos. Longe de mim querer implantar esse feriado ultra-americano por aqui - não sou colonizado a esse ponto - mas a idéia de agradecer pelo que temos me agrada. A minha lista é longa: preciso dar graças pelo meu marido, minha família, meus amigos, meu cachorro, e por aí vai. Mas se eu fizer isto aqui no blog vai ficar muito piegas, então vou agradecer por coisinhas menores que também são importantes para mim. Lá vai:

- Obrigado pelo gazpacho. Acho que, se eu pudesse, tomaria todo dia essa sopa fria espanhola. Já sei o que pedir para a minha última ceia, antes de ser executado.

- Obrigado por "The Office". Estou assistindo a 2a. temporada em DVD, e é um primor de bem escrito e bem atuado. Que inveja desses roteiristas, meu.

- Obrigado por "Hurricane", o novo disco da Grace Jones (e mais uma vez obrigado ao Luciano de SJC, que me deu a dica). Do nível de "Nightclubbing", que ela fez no longínquo 1981 e está na minha lista da ilha deserta.

- Obrigado pelo YouTube. Não sei como conseguimos viver tanto tempo sem ele. Tudo o que eu quero ver está lá, de comerciais antigos dos cobertores Parahyba à constrangedora entrevista que Nicole Kidman deu anteontem ao David Letterman.

- Obrigado pelo suco de grapefruit. Pouca gente gosta, então sobra mais para mim.

- Obrigado pelo Tintin, por "Xanadu", pelo Queen dos velhos tempos, pelas cerimônias de entrega do Oscar, pelo tango eletrônico, pelos sorvetes do Mil Frutas, pelo Edilson Nascimento, pelo cartão black...

Agora me deu vontade de fazer uma lista de "desagradecimentos" pelas coisas que detesto, mas ia ficar enorme e hoje não é dia para isto.

E você, agradeceria pelo quê?

DUAS SEM TIRAR

É uma prática cada vez mais comum na combalida indústria fonográfica: o lançamento do "volume 2" de trilhas sonoras de sucesso, recheado de músicas que passaram longe do filme em questão. Acaba de sair a segunda parte da trilha de "Sex and the City", e só a canção que abre o CD foi usada na tela. "Click Flash", da cantora Ciara (pronuncia-se "sierra", sabe-se lá por quê) serviu de fundo para a cena em que Carrie posa para a "Vogue" com vestidos de noiva de alta-costura, e pode ser baixada aqui. O resto do disco é bonitinho, com participações de Janet Jackson, Goldfrapp e até mesmo Amy Winehouse. Lógico que eu comprei.

POR QUÊ AS IGREJAS TEMEM OS GAYS?

Fiquei encafifado quando soube que a Igreja Mórmon foi a maior força dentro da coalizão maldita que ajudou a passar a Propostion 8 na Califórnia, tanto em termos de dinheiro quando de “horas-homem”. Afinal, quem são os mórmons para defender que o casamento só pode ser realizado entre um homem e uma mulher? É bom lembrar que esta facção extrema do cristianismo surgiu pregando a poligamia, e que algumas de suas seitas dissidentes ainda a praticam em segredo. Mas depois tudo ficou claro para mim: a poligamia é uma instituição machista, e TODAS as religiões abrâmicas – cristãos, judeus e muçulmanos – são machistas até a medula. Deus é sempre homem nestas religiões, e, com exceções pontuais, também o clero. Por isto, a luta pelos direitos dos homossexuais se insere numa outra muito maior, que é a guerra contra a sociedade patriarcal. E as maiores vítimas desta estrutura perversa de poder nem são as bichas, são as mulheres. Ontem li uma entrevista muito esclarecedora do escritor e ativista americano Richard Rodrigues; quem se interessar e entender inglês deve clicar aqui. Pois é: somente aliados com as mulheres – das nossas próprias mães até as feministas mais radicais – é que os gays conseguirão alguma coisa.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

BI-LLYWOOD

Não gosto de copiar posts de outros blogs, mas de vez em quando uma chupadinha não faz mal. E como resistir ao trailer de "Dostana", o primeiro filme de temática mais ou menos gay produzido em Bollywood? Saiu ontem no Lambe-Lambe, do Tiozinho da Foto, e hoje tô dando aqui (hmmm...). Quando vi o trailer pela primeira vez, meu queixo caiu: como é que Bollywood, que não mostra nem beijo hétero em seus filmes, me apronta uma coisa dessas? Mas aí fui ler a sinopse no IMDb, e vi que não é bem assim. A história de "Dostana" é no máximo gay-friendly: dois caras se fingem de namorados para dividir um apartamento com uma gostosona, e acabam os dois se apaixonando por... ela. Ou seja, nem bi o filme é. Tudo bem, continuo com vontade de ver.

(Update: o Paquistão, aquela graça de país, proibiu a exibição de "Dostana" em todo seu território. Pois é: por lá não pode gay nem de mentirinha...)

GUINADA DE 360º

Estou hipnotizado com estes sites: são panoramas de entortar a cabeça das cidades chinesas de Hong Kong (aqui) e Macau (aqui). Roda mundo, roda gigante, roda moinho, roda pião...(mais uma dica da minha cunhada Celina - grazie mille!)

terça-feira, 25 de novembro de 2008

ELEGÂNCIA SUPREMA

Vou tentar fugir mais cedo do trabalho e correr para a Bienal de SP, onde hoje e quinta rola uma performance da dupla Los Super Elegantes. A mexicana Milena Muzquiz e o argentino Martiniano Lopez-Crozet são baseados em Los Angeles, e fazem um pop que consegue ser conceitual sem deixar de ser divertido. Mas acho que não vou chegar a tempo: raramente largo o lápis antes das 8 da noite, hora em que começa a apresentação. Vou ter que me consolar com a faixa "16", que parece uma releitura pós-tudo da Jovem Guarda. Baixe aqui, e console-se você também.

OM SHANTI OM

Sei que não é politicamente correto, mas tenho problemas com a maioria das religiões organizadas. E, apesar do meu pet peeve pelo papa Adolf I, meu alvo preferencial é mesmo o islamismo (e olha que eu adoro a arte islâmica, como se vê no post abaixo). OK, existem mlihões de muçulmanos bacaninhas, blábláblá. Mas então, porque é que eles não se revoltam contra atitudes asquerosas como a de Hazar Khan Bijarani, o novo ministro da Educação do Paquistão? Numa das conturbadas regiões tribais do país, três meninas e duas mulheres mais velhas foram enterradas até o pescoço e apedrejadas até a morte. O crime delas? As garotas (de 10 a 12 anos!!) queriam escolher seus próprios maridos, e as coroas tentaram defendê-las. O sr. ministro (da Educação!!!) disse que isto é uma “tradição milenar”, e se recusou a prender os assassinos.

Outras “islamices” são francamente ridículas. O Conselho Islâmico da Malásia baixou uma fatwa (espécie de regra sagrada) proibindo os muçulmanos do país de praticar ioga, porquê ela incorpora cânticos do hinduísmo e é “uma maneira blasfema de comungar com Deus”. Gentem, ioga só faz bem (apesar de que, só de pensar em fazer, me dá uma priguiiiiça...). Menas, né? E mais shanti (paz) pra todo mundo.

VAI TE QATAR

Esta dica é pra Libanesa, que mora ali pertinho, em Dubai: Lib, na próxima vez que você voar para Doha, a capital do Qatar, não deixe de dar um pulinho no Museu de Arte Islâmica, que abre esta semana. É uma coleção preciosa, abrigada num prédio assinado por I.M. Pei - o mesmo arquiteto que criou a pirâmide do Louvre, em Paris. Pei estava preocupado que o boom imobiliário deste pequeno emirado no Golfo Pérsico fizesse com que o museu - provavelmente sua última grande obra, já que ele está com 91 anos - fosse soterrado por arranha-céus dentro de poucos anos. Então ele fez ao emir um pedido bastante razoável: que fosse construída uma ilha artificial, exclusiva para a instituição. Como é bom nadar em dinheiro, não é mesmo? E assim os países do Golfo vão se enchendo de atrações; a próxima deve ser uma filial do Louvre em Abu Dhabi. Libêêê, me consegue uma passagem baratinha aí na Emirates?

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

ADIVINHÃO

Lembra daqueles joguinhos de adivinhação de um personagem? Aqueles em que alguém fazia perguntas do tipo "é homem ou mulher?", "ainda está vivo?" e "dança na boquinha da garrafa?", e você ia respondendo sim ou não? Agora dá pra jogar online. O site Akinator funciona assim: você pensa em alguém, real ou imaginário, e um gênio da lâmpada vai fazendo perguntas, até descobrir quem é. Joguei várias vezes, e o gênio acertou quase todas: Tintin, Zeca Camargo, Freddie Mercury, Lukas Ridgestone, Lourdes Maria Ciccone Leon. Seu único erro? Jeff Stryker, apesar do nome do astro pornô aposentado constar da data-base do site. Pois é: para chegar nas respostas corretas, até os gênios têm que fazer as perguntas certas.
(Obrigado à Laura Florence pela graça concedida)

O DECLÍNIO DO IMPÉRIO BOLIVARIANO

Mesmo ameaçando jogar tanques contra a oposição, Hugo Chávez não conseguiu a vitória consagradora que precisava nas eleições de ontem. Ganhou em 17 estados, mas perdeu em 5 - e justamente em alguns dos mais importantes, como Zulia (onde se concentra a produção de petróleo), ou emblemáticos, como Táchira (sua terra natal). E o proto-ditador, que falava grosso como de costume até a véspera, de repente afinou o discurso após o resultado. Não era para menos: a Venezuela sofre com uma inflação de dois dígitos, carestia generalizada e altos índices de violência urbana. Agora, com a queda do preço do petróleo, Chávez pode perder o rebolado de vez. Claro que ele vai espernear, mas pelo menos, no momento, não conseguiu cacife para convocar novo referendo sobre a re-eleição indefinida (e se o convocasse, aposto que perderia novamente). Estamos vendo o começo da erosão do poder do mais nefasto líder latino-americano, um administrador incompetente e um político polarizador. Já vai tarde.

FACA NA BARRIGA

Fui ver "Romance" esperando uma sátira ao showbiz brasileiro. O filme, produzido por Paula Lavigne, tem Andrea Beltrão fazendo a própria Paula Lavigne; José Wilker fazendo Daniel Filho; Marco Nanini fazendo José Wilker, e assim por diante. Mas a sátira é tangencial ao tema principal, que é mesmo o amor romântico. O começo é encantador, e acreditamos mesmo na paixão entre os personagens de Wagner Moura (ótimo como sempre) e Letícia Sabatella (com sua vozinha miada, chata como sempre). Mas então o diretor Guel Arraes repete a cena final de "Tristão e Isolda" tantas vezes que senti vontade de enfiar uma faca na minha barriga (ou na dele). Os diálogos são cheios de frases feitas e incrívelmente fracos, quando se sabe que foram assinados por Arraes e Jorge Furtado. E o filme, que se pretende uma ode à integridade artística, esquece que, antes de ser íntegra, uma obra de arte precisa ser boa. "Romance" não é.

domingo, 23 de novembro de 2008

BAZUCA À SOLTA

O que será que Carlos Bazuca, astro do pornô hétero nacional, estava fazendo ontem à noite na The Week de São Paulo? Laboratório? Bazucão ficou famoso depois de ter comido a Leila Lopes em frente às câmeras, e disse numa entrevista que anda pensando em fazer um filme gay. Calma, pessoal: ele só se deixaria... saborear, digamos assim. De qualquer forma, ele parecia estar se divertindo muito.

sábado, 22 de novembro de 2008

CRÍA CUERVOS...

...que te sacarán los ojos. Este velho ditado espanhol se encaixa perfeitamente à situação que o Brasil enfrenta agora com o Equador. O paiseco andino, qual criança desobediente, faz uma má-criação atrás da outra, como que testando o limite dos maiores. Tomara que este limite tenha chegado: o Brasil, sempre querendo ser amiguinho dos governos de esquerda vizinhos, faz tempo que deixa todo mundo lhe passar a mão na bunda. Lula parece não perceber que esta turma de progressista não tem nada - são todos uns demagogos, que querem se perpetuar no poder à custa da divisão de suas próprias sociedades. Mas nem tudo está perdido: desta vez parece que o Itamaraty vai reagir à altura. E amanhã tem eleições na Venezuela, com Chávez rebolando para não perder o comando de alguns estados importantes. Dias melhores virão.

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

MAÍRA OU NÃO MAÍRA

Assim que começou a segunda temporada do "Brazil's Next Top Model", eu tive certeza que a vencedora seria Priscilla Mallman, a gaúcha de cabelão, por ela ser a mais parecida com Gisele Bündchen - afinal, é disso do que o povo gosta. Mas Priscilla foi eliminada no penúltimo programa, e três azaronas foram para a final: Malana, a negra de visual majestoso e agressivo; Maíra, a mineira apagada que deu uma "acendida" nas últimas edições; e a minha favorita, a mato-grossense Élly Rosa. Élly é um tipo brasileiro super comum, dessas moças que passam desapercebidas nas caixas dos supermercados. Mas mostrou uma maturidade incrível para seus 19 anos, e uma sofisticação surpreendente para alguém de origem tão humilde. Ela crescia diante das câmeras, virava um mulherão, uma... top model. Torci por ela até o fim, mas como sou um habitual pé-frio, Maíra ganhou. Parece que a decisão dos jurados foi difícil, e Fernanda Motta, traindo todo o script de bitch que Tyra Banks consagrou na versão americana do programa, anunciou a vencedora debulhando-se em lágrimas, como que a pedir desculpas pelo resultado. Não faz mal: as três finalistas me parecem prontas para encarar o mercado, cada uma em seu estilo. E tomara que não sigam os passos de Mariana Velho, a campeã do ano passado, que se recusou a assinar o contrato com a Ford Models e acabou desistindo da carreira de modelo.

KEIRA OU NÃO KEIRA

Keira Knightley é uma canastrona. Quando o papel é ligeiro, como em "Piratas do Caribe" ou "Orgulho e Preconceito", ela se sai bem e pode até ser indicada ao Oscar. Mas quando requer uma certa carga dramática, como em "Desejo e Reparação", ela não vai além das caras e bocas de uma novela da Televisa. É o que acontece em "A Duquesa", que mesmo assim consegue ser um flme muito bom. A história de Georgiana Spencer prenuncia a de sua descendente Diana, mas desconfio que as semelhanças foram algo forçadas pela produção. Georgiana chega a ter paparazzi em seu encalço, em pleno século 18: desenhistas que a seguiam com lápis e papel na mão, rabsicando retratos instantâneos. Ralph Fiennes, como o poderoso Duque de Devonshire, está frígido e - por que não dizer - canastrérrimo como sempre. Mas nada que tire o brilho do roteiro, dos cenários e, principalmente, dos figurinos, que ajudam a esconder a magreza anoréxica de Keira. "A Duquesa" é um programa suntuoso.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

NEGRITUDE SÊNIOR

Hoje eu acordei com a consciência negra... e nada melhor para comemorar este dia do que saudar a volta de uma veterana, uma das cantoras negras mais originais de todos os tempos. Grace Jones acaba de lançar "Hurricane", seu primeiro CD em quase 20 anos. O climão todo é bem Massive Attack, como se pode conferir no clip de "Corporate Cannibal" aí em cima (e que pode ser baixada aqui). Sou fascinado por ms. Jones: os vídeos que ela fez om seu então marido Jean-Paul Goude nos anos 80 estão na minha Capela Sistina pessoal. E também tenho um pouco de medo - Grace sempre me dá a impressão de que, se irritada, é capaz de morder e arrancar pedaço.
(Luciano de SJC, Deus lhe pague por mais esta dica!)

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

SOLTEIRAS À SOLTA

O programa "Saturday Night Live" é uma fonte inesgotável de assuntos para os meus posts. O difícil é achar os vídeos certos: eles duram pouco no YouTube, porque a rede NBC, num marketing canhestro, corre para tirá-los do site. Mas quem procura acha, e aqui vai uma palhinha do que foi a participação do Justin Timberlake no número que a Beyoncé fez no último "SNL". Não precisa assistir o vídeo até o fim: ele só aparece no começo, depois é o clip normal de "Single Ladies" da Bionça misturado com o "Beautiful Liar" que ela fez com a Shakira. Justin e outros atores do programa, de collant preto e bracinhos ao alto, estão praticamente umas cachorras do funk - rola até mesmo um chão, chão, chão.

BOLLE COMIGO

Costumo dizer que gosto muito mais de um rosto bonito do que de um corpo malhado. Ao contrário de muita bi por aí, concordo com Vinícius e acho que beleza é fundamental. Mas quando aparece um pacote completo... É o caso do bailarino italiano Roberto Bolle, que eu descobri esta semana na "Vanity Fair" e é um verdadeiro superstar em seu país, com fã-clube e fã-blogs. A cara é linda; o corpo ("de bolle", rs), uma escultura; e nenhuminha tatuagem à vista. Parece que ele também dança muito bem, mas who cares? Êêê lá em casa!

terça-feira, 18 de novembro de 2008

JUJUBA, BANANADA, PIPOCA

Adoooro a música da Marisa Monte, mas a imagem que ela me passa "enquanto" pessoa é meio antipática. Marisa parece estar sempre num pedestal, esperando a adulação incondicional de seus milhões de fãs. O documentário "Infinito ao Meu Redor", que ela está lançando em DVD esta semana, me ajudou a mudar de idéia. Nele Marisa aparece lavando roupa no banheiro do hotel, esquecendo letras em pleno show e sendo extremamente acessível em entrevistas e contatos com o público. A única coisa que ela preserva totalmente é sua vida pessoal: igualzinho ao prefeito Kassab, nunca ficamos sabendo se é casada e tem filhos (agora tem dois - Helena nasceu semana passada). "Infinito..." acompanha a última turnê de Marisa, que durou quase dois anos e passou por cinco continentes. Lá pelas tantas, sentimos o mesmo tédio que ela deve ter sentido, porque o esquemão básico não muda: chega-se a uma cidade nova, faz-se o show, volta-se pro hotel, bocejo... Apesar de muito bem-feito, o documentário não faz nenhuma grande revelação, nem é divertido como o "Truth or Dare" da Madonna. Mas Marisa se mostra uma artista íntegra e generosa. E o pacote ainda inclui um CD gravado ao vivo, que traz o novo e delicioso iê-iê-iê "Não é Proibido", e que pode ser baixado aqui em versão remix assinada pelo DJ Deeplick - talvez a canção mais engordativa de todos os tempos.

ARRANCOU O SISO E FOI AO CINEMA

Fiquei duas horas e meia de boca aberta no dentista para extrair o siso inferior direito. O dente era um verdadeiro iceberg: a base era três vezes maior do que a ponta que estava para fora. Foi preciso quebrá-lo em três partes... Mas mais incomodou do que doeu. Terminada a cirurgia, o doutor me disse que eu deveria relaxar. Como nada me relaxa mais do que ir ao cinema, toquei pro Cinesesc e fui assistir "Another Gay Sequel", que estava passando no Festival Mix Brasil. O filme é ainda mais escatológico do que o primeiro, e tem momentos praticamente pornográficos. Se cair em mãos erradas, pode dar munição aos nossos inimigos: os gays são mostrados como seres grotescos que só pensam em dar a bunda. Mas também é muito engraçado. Ri tanto que quase abri os pontos.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

ENTREGUE A BARCELONA

Tenho um leitor chamado Raphael que diz que eu não me "entrego" aos filmes e shows que assisto, e que por isto não vejo a hora de tudo acabar. Pois bem, Rapahel: eu me entreguei a "Vicky Cristina Barcelona", o novo do Woody Allen. Não olhei para o relógio uma única vez, e fiquei com vontade de pegar o próximo avião para a Espanha. O filme é um banquete para os sentidos e um desafio ao intelecto, pois Woody faz uma pergunta que assola a humanidade desde sempre: o que vale mais a pena, largar tudo por um sonho ou se acomodar à realidade? Claro que ele não se preocupa em responder, e, com um elenco desses, nem faz falta. Scarlett Johansson parece uma bomba de creme, pronta para ser saboreada, e Penélope Cruz parece uma bomba-relógio, na melhor interpretação de sua carreira. A novata Rebecca Hall (a verdadeira protagonista do filme) também se sai muito bem. Mas saí do cinema querendo me entregar de novo, e dessa vez para o Javier Bardem.

BLOGS QUE MARCAM ÉPOCA

A grande imprensa não costuma badalar muito os blogs, mesmo quando estes são ligados a revistas ou jornais famosos. Deve ser por medo da concorrência: muitos blogs trazem opiniões mais interessantes e são melhor escritos que muita revistinha por aí. Mas a blogosfera é como o Assolan, não pára de crescer, e já estava na hora de surgir uma matéria como a que ilustra a capa da "Época" desta semana. Foram escolhidos 80 blogs "imperdíveis": 50 nacionais, 20 internacionais e 10 da própria revista, sobre os mais variados assuntos. Tem muita gente manjada na lista (Rosana Hermann, Ricardo Noblat, Te Dou um Dado?, Perez Hilton...), algumas surpresas (Bichinhos de Jardim) e, claro, muitas omissões. Zuzo bem: este tipo de lista é feito para se discordar dela, e serve de guia para páginas nunca dantes navegadas. Mas óbvio que eu fiquei magoado com a ausência de qualquer blog escancaradamente gay. Mais um sinal de que nós somos menos importantes que os bichinhos de jardim.

É UM OFÍCIO LENTO, FUGIDIO

Meu marido Oscar, quando não está gerindo seu império financeiro ou me cobrindo de jóias, gosta de se dedicar às artes cênicas. Tem muitos amigos no meio, e de vez em quando comete uma participação num filme ou uma letra de música. É o caso de "Viajante das Almas", que ele escreveu a partir de uma entrevista da Fernanda Montenegro onde ela descrevia a dor e a delícia de ser atriz. Depois Francis Hime musicou, e chamou Bibi Ferreira para gravar. O resultado saiu no último CD do Francis, "Álbum Musical 2", onde ele convida diversos cantores da MPB para interpretar composições suas. No final de "Viajante", esses convidados todos entram no coro: gente do calibre de Adriana Calcanhoto, Lenine, Ivete Sangalo e muitos outros. Nada mau, hein? Então baixe aqui essa faixa luxuosa, e entre no coro você também.

domingo, 16 de novembro de 2008

IF IT'S A CAMERA UP IN HERE...

Isto é bom demais pra ser verdade. Tão bom, aliás, que eu precisei postar dois clipes, gravados de ângulos diferentes: Aretha Franklin num show em Washington, cantando "Touch My Body" da Mariah Carey. A platéia vem abaixo com ela, dona das maiores tetas do mundo, tirando sarro da colega e de si mesma. Melhor parte: quando Aretha canta "I will hunt you down" em tom de ameaça. She's burning!

sábado, 15 de novembro de 2008

O BUNKER DE IPANEMA

Cheguei ao Rio ontem à noite, e já fui ver como o Galeria ficou depois da reforma. A boatezinha de Ipanema passou por uma repaginada daquelas, a começar pelo nome - perdeu o segundo e desnecessário "L" (faltou perder o igualmente inútil "Café"). A parede que divida os dois ambientes veio abaixo, os bares mudaram de posição e o lugar inteiro ganhou um acabamento em concreto, o que lhe deu um ligeiro ar de bunker nazista (não confundir com a casa do mesmo nome que acabou de fechar em Copacabana). O espaço melhorou muito, embora tenha gente sentindo falta do "circuito das águas": o footing que existia antes, com as pessoas circulando de lá pra cá. Mas continua abarrotado como sempre, e eu continuo incomodado. E olha que estão barrando muita gente: quando saímos, a fila para entrar continuava gigantesca. Pois é, a folclórica carência das noites de sexta cariocas continua.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

QUEM PRECISA DE HERÓI?

Pelo jeito, os gays precisam. Porquê o super-herói é um tema recorrente na cultura gay. Lembra do Rage, a beee vingadora criada por Michael e Justin no "Queer as Folk"? Na série, o personagem fazia tanto sucesso nos quadrinhos que uma produtora de Hollywood propunha transformá-lo em filme, só para desistir na última hora - porque "o mundo ainda não está preparado". Parece que agora o mundo está. O canal a cabo Showtime (o mesmo de "QasF" e outras séries moderninhas, como "Weeds" e "The L Word") vai adapatar o livro "Hero" para uma série de TV. "Hero" foi escrito por Perry Moore, que além de assumido é gostosón, e traz a história de um adolescente que descobre duas coisas ao mesmo tempo: tem super-poderes de cura e é homossexual. Os poderes fazem com que ele seja aceito numa espécie de Liga da Justiça que reúne heróis de várias idades, mas sua orientação sexual faz com que até lá ele também seja discriminado. Geralmente tenho horreur de qualquer coisa do gênero, mas claro que este "Hero" me deixou curioso. Pena que só estréie em 2010.

CYNDI PAUPER

Mais uma semana, mais uma diva da música pop tocando em SP. Desta vez foi Cyndi Lauper, que ressurgiu das cinzas este ano com o excelente álbum "Bring Ya to the Brink". Mas o público que lotou o Via Funchal - surpreendentemente hétero, e de todas as idades - só queria saber dos sucessos antigos. Cyndi, aos 55 anos, tem energia suficiente para iluminar uma pequena cidade, mas o espetáculo é pobre de marré de si. Talvez fosse demais exigir os painéis de LED que embelezaram o show da Kylie (talvez não: os preços dos ingressos não eram tão diferentes assim). Mas até Maria Bethânia tem um paninho atrás fazendo de cenário; no caso de Cyndi, nada, zero, a escuridão absoluta. E, com apenas uma hora de show, todo mundo sai do palco. Acabou? Não, deve ter ido trocar de roupa... Qual o quê: Cyndi reaparece com o MESMO pretinho básico. Ela deve viajar só com uma mala de mão, sem nécessaire, e usar os shampoos do hotel. Mas os hits estavam todos lá, claro, se bem que empastelados pelo notório som abafado do Via Funchal. Entre uma música e outra, Cyndi insistia em abrir um livro de frases em português e falar alguma gracinha para o público. Ninguém entendia nada, e, lá pela 5a. vez, a brincadeira já não tinha a menor graça. Não importa: as pessoas adoraram, e ela saiu aclamada do palco. E eu fui embora de mau humor: esperava algo à altura do disco novo, e não um live P.A. que qualquer boatezinha faz melhor. Vou me consolar ouvindo "Grab a Hold" (baixe aqui), e torcer para que a Kylie volte logo.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

REMEMBER MY NAME

Fame! I'm gonna live forever... Eu bem que gostaria de viver para sempre, mas sei que estou ficando velho porque os filmes que me marcaram quando jovem já estão ganhando remakes. É o caso de "Fame", que eu vi incontáveis vezes no cinema e em vídeo. Meu medo é que, nesta era de "High School Musical", a história de um grupo de alunos da New York School for the Performing Arts - que não acabava bem para todos - vire uma bobajada sem fim. Algumas coisas podem se manter iguaizinhas. O "Fame" original tinha um personagem que se descobria gay, um assombro absoluto em 1980 (infelizmente, sair do armário nos dias de hoje continua sendo uma barra). E tinha, claro, músicas que entraram para o repertório universal, como a faixa-título ou "Out Here on My Own". Parece que estas vão ganhar novas versões, ao lado de outras totalmente inéditas. Medooo... Bom, pior do que a nefanda série para a TV não pode ficar. Ah, e vem aí outro musical dos anos 80 em nova roupagem: "Footloose", estrelado por Zac Effron. Este aí tudo bem, eu nunca gostei mesmo.

POUCO RISO E MUITO SISO

Ainda tenho os quatro dentes do siso; dois deles nunca se manifestaram. Mas os outros dois teimaram em florescer, e, na próxima segunda, um deles será cortado pela raiz. O dentista já me proibiu de trabalhar depois da cirurgia (iupiii! tarde livre para compras) e de malhar durante dois dias (duplo iupiii!). Mas aí os colegas de firma começaram suas histórias de terror: fulana sangrou até quase morrer, beltrano bateu o carro de tanta dor, sicrano precisou ser sacrificado. Nada disso me assustou. Se o dente for de bom tamanho, vou banhar em ouro e fazer um pendant. Se não, vai pra baixo do travesseiro, e peço o pendant para a fada dos dentes.

JEW AS FOLK

Nossa Senhora das Bibas atendeu às minhas preces, e o filme escalado para a abertura do Festival Mix Brasil era mesmo sobre gays masculinos. Só que eu esqueci de pedir que o filme também fosse bom. O israelense "Antarctica" começa suuuper bem, com uma colagem de cenas onde um moreno gostosão traz rapazes de vários estilos para o abatedouro em seu apartamento. Mas em seguida descobrimos que ele não é o protagonista da história: na verdade, todos aqueles rapazes se relacionam entre si, e "Antarctica" se pretende um painel da moderna vida gay em Tel-Aviv. O resultado é um filme sem foco, que fica pulando de um personagem para outro sem se aprofundar em ninguém. Sub-tramas envolvendo extra-terrestres e uma mãe travesti só contribuem para confundir ainda mais esta versão judaica de "Queer as Folk". Se este foi o filme de abertura, de repente me deu uma priguiiiça de ver o resto do festival...

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

COMENDO DE TUDO

André Fischer e toda a equipe que organiza o Festival Mix Brasil são uns heróis. Há anos eles lutam contra a falta de patrocínio, a burocracia e a má vontade generalizada, e conseguem por de pé (hmm...) um evento que já está entre os mais importantes do cinema GLBTXYZ mundial. Hoje à noite estarei no Memorial da América Latina, aqui em SP, para a festa de abertura, e torcendo para que o filme escolhido seja sobre gays masculinos. Sei que isto faz de mim uma pessoa mesquinha, mas não tenho saco para filmes sobre lésbicas/transexuais/transgêneros /o caralho a quatro (literalmente). Mas festival é pra isto mesmo: é um grande bufê, ninguém é obrigado a comer de tudo. Bom apetite.

YOU MUST USE THE FORCE

Então a moda esta semana é cantar accapella, sem nenhum instrumento acompanhando. Começou com a Kylie mandando todo mundo entrar no mundo dela, e agora atinge o ápice com este vídeo, o mais visto do YouTube nos últimos dias. Um nerd bonitinho chamado Corey Vidal gravou sozinho as quatro partes do complicado arranjo vocal criado pelo grupo Moosebutter para "Star Wars" - na verdade, uma colagem de temas de John Williams, o compositor favorito do Spielberg, com uma letra narrando toda a primeira trilogia de "Guerra nas Estrelas". Ainda não cheguei à conclusão se é genial ou uma pentelhação. Talvez ambos.

SALÃO DE BELEZA POMBO

Amy Winehouse consegue fazer bobagem mesmo quando está sóbria. Ela confiou as mechas ao renomado coiffeur Pombo, aquele que caga na sua cabeça. Vai ver que foi atraída pela promoção "corte o cabelo e ganhe um sanduíche".

SANTA GANÂNCIA, BATMAN

Tudo tem limites, menos a cobiça do ser humano. O prefeito da cidade de Batman, no sudeste da Turquia, está processando a Warner Bros. e o diretor Christopher Nolan por "uso indevido da marca". O cara-de-pau quer uma fatia dos lucros de "O Cavaleiro das Trevas", a segunda maior bilheteria da história do cinema. Claro que qualquer criancinha sabe que "bat man" quer dizer homem-morcego, e a maioria das pessoas jamais ouviu falar deste longínquo rincão do Curdistão turco. Mas o intrépido bat-prefeito alega que seus conterrâneos são "motivo de chacota" quando viajam ao exterior, e chega a culpar o filme pelos altos índices de suicídio entre os habitantes da bat-cidade. Agora, pelo menos, parece que Batman conquistou um motivo de chacota válido. Why so serious?

terça-feira, 11 de novembro de 2008

OS HÉTEROS TAMBÉM CHORAM

Filmes de ação são fantasias masculinas. Comédias românticas são fantasias femininas. Mas "Cashback" é uma comédia romântica contada de um ponto de vista não só masculino, como também hétero - uma raridade absoluta. Este filme inglês é baseado num curta do mesmo nome que foi indicado ao Oscar em 2004, e traz a história de um rapaz sensível, estudante de artes plásticas, que leva um pé homérico da namorada. Como não consegue mais dormir, resolve aproveitar suas noites de insônia para faturar uns trocados trabalhando num supermercado. Apesar de sua aparência delicada, a heterossexualidade do protagonista é reiterada diversas vezes, como se o diretor Sean Ellis tivesse medo da platéia pensar o contrário. Assim, dá-lhe mulher pelada, algumas completamente gratuitas. Mesmo com uma enorme barriga no meio, "Cashback" tem momentos divertidos, e um final enternecedor. Destaque para a bela Emilia Fox, que lembra muito Gwyneth Paltrow (aliás, se parece mais com Blythe Danner, a mãe de Gwyneth, do que a própria).

NA TRAVE

Nunca um país latino-americano chegou tão perto da liberalização do aborto: o Senado uruguaio aprovou hoje uma lei que descriminaliza a prática nas primeiras 12 semanas de gravidez. Apesar disto, é mias uma bola na trave. O presidente Tabaré Vasquez, católico fervoroso, deve vetar o projeto. Essa gente gosta de se imaginar “pró-vida”, mas na verdade só colaboram para manter a repressão milenar à mulher. Porque não há verdadeira emancipação feminina enquanto ela não puder dispor de seu próprio corpo. Como disse certa vez uma feminista, “se os homens engravidassem, o aborto seria um sacramento”.

TÁ COM PULGA NA CUECA

Mais uma semana, mais uma diva exótica que se vai. Desta vez foi a sul- africana Miriam Makeba, ativista política, musa da luta contra o apartheid, deusa do afro-jazz. E que, apesar de tantas conquistas, será por todo o sempre lembrada por uma única música: a sensacional "Pata Pata", que nos anos 60 batizou até boates e lojas de jeans no Brasil. Ah, você é novinho e nunca ouviu? Então baixe aqui, alargue seus horizontes e entenda o nome deste post.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

COXA SUJA DE AREIA

Primeiro a Lindinalva descobriu minha carreira paralela de mariachi na América Latina, e fez o favor de trombetear para os quatro cantos do planeta. Hoje foi a vez do Celso Dossi desencavar uma parte do meu passado que eu preferia esquecer. Eu era jovem, puro e inocente, e meu nome na época era um anagrama do atual. Morava em San Juan de Puerto Rico. Cantava em programas de calouros, e fui descoberto por uma gravadora. O resultado foi este compacto simples, "Por Primera Vez" (e última), onde eu já ensaiava o carão que mais tarde se tornaria famoso. A produção era pobrezinha, e não havia photoshop naquela época para limpar a areia da minha coxa (areia sim, seus pervertidos). Mas atire a primeira pedra aquele que nunca caiu na conversa de um empresário que prometia um teste para o Menudo. Depois descobri que o teste era para uma coisa que de menudo não tinha nada...

SE O MUNDO FOSSE MEU

O que você faria se conseguisse a poção do amor? Timothy, o herói de "Were the World Mine", primeiro a usa como 11 entre 10 bis adolescentes usariam: para fazer com que um bofe hétero da escola se apaixonasse por ele. Mas claro que logo ele perde o controle de sua arma secreta, e em pouco tempo grande parte da cidade troca de time. Ah, e claro que o filme é um musical. Vem causando furor e arrebatando prêmios em festivais mundo afora; por aqui, nenhuma previsão. Nem mesmo na programação do Mix Brasil ele está, snif snif. A idéia do roteiro me parece ótima, e o elenco melhor ainda. O protagonista Tanner Cohen nem precisaria de poção alguma para me conquistar: só uma olhada em sua carinha de anjo, e eu já sou seu.

ME CHAMA ME CHAMA

Estou em plena campanha para popularizar Mylène Farmer no Brasil. Acho absurdo todo mundo a-do-rar Madonna, Kylie e Britney e ignorar a pobre Mylène, só porque ela canta em francês. Seu último disco, "Point de Suture", é uma gourmandise, alternando momentos dance sombrios com verdadeiros merengues sonoros, como a baladinha "Appele Mon Numéro". O vídeo não podia ser mais fofo, bem distante do clima de terror pornô de "Dégénération", que eu postei aqui em setembro. Baixe a primeira aqui, a segunda aqui, e bienvenu ao mundo maravilhoso de mlle. Farmer.

BOURNE. JAMES BOURNE.

James Bond não existe mais. Não o James Bond com quem eu convivo desde pequenininho: o agente secreto sofisticado, irônico, mulherengo e bon vivant. Ah, e moreno - pode parecer bobagem, mas para mim os cabelos escuros são essenciais para compor o personagem. Sua nova encarnação não é nada disto. O louro Daniel Craig vive um Bond absolutamente plebeu, que parece nunca ter visto um talher de peixe na vida. E "Quantum of Solace", o novo filme da série, é totalmente desprovido de glamour e humor. A história - absurda, como sempre - se passa em lugares tão desprovidos de charme como Port-au-Prince, no Haiti, ou La Paz, na Bolívia. E não há uma única piadinha no filme inteiro: Bond agora é um cara torturado, em crise existencial, tão chato quanto Jason Bourne. Se continuar assim, o próximo filme não me pega mais.

domingo, 9 de novembro de 2008

REALLY BLEW MY MIND

A The Week costuma ter uma porcentagem maior de mulheres do que a presente ontem ao show da Kylie Minogue. Tô falando sério. Tinha tanta bicha, mas TANTA bicha, que um pouco antes de começar, alguém levantou um cartaz perto do palco: "Só tem passiva"! Quando Kylie entrou em cena, foi um deus-nos-acuda. Todas se acotovelavam, pulavam de alegria e levantavam os bracinhos para filmar too-do. Como o palco do Credicard Hall é baixo e La Minogue faz o gênero mignon, precisamos ir para o fundo da pista para conseguir ver alguma coisa (e olha que somos altos). E ver nós vimos: o show não tem cenários, só telões gigantescos que mostram imagens diferentes a cada música. É todo dividido em blocos temáticos, com trocas de roupa e climas. As músicas novas estavam idênticas às versões do CD "X"; as antigas, em novos arranjos, às vezes bem diferentes. Adorei "Wow", "Step Back in Time", "On a Night Like This"... Kylie se surpreendeu com o público cantando todas as letras em alto e bom som. Simpática e cheia de energia, soltou os "obrigada" e "tudo bem?" obrigatórios, além de enxugar o suor do rosto com uma bandeira do Brasil (isto não dá cadeia?). No final, o povo berrou tanto que ela teve que cantar "The One", que não estava prevista. E foi além: também mandou um "Come Into My World" accapella, que a banda nunca tinha ensaiado, de tanto que o público pediu. Britney jamais faria isto, porque só faz playback em seus espetáculos (a voz de Kylie é incrivelmente poderosa); Madonna ia mandar a platéia tomar no cu e revidar com "vocês sabem com quem estão falando?". Enfim - foi um show glorioso, divertido do começo ao fim. Para comemorar o sucesso, aqui vai o remix do Fuck Me I'm Famous para "Wow". Wowowowowowow...

sábado, 8 de novembro de 2008

PARTIU KYLIE

De hoje até segunda, este blog não vai ter outro assunto: Kylie Minogue!! Hoje ela se apresenta aqui em São Paulo, depois de ter sido assaltada na Colômbia, seqüestrada na Venezuela e oferecida em sacrifício ao deus-sol no Peru. Bem-vinda ao Brasil! Já provou caipirinha? Comeu feijoada? O que você acha do charme e do veneno da mulher brasileira? Os seus bailarinos, eu sei que não acham nada: estão sendo todos esperados mais tarde na The Week. A senhora mesmo, eu duvido que vá - aposto que vai estar exaaaausta depois do show. Mas se for, eu só espero estar no domínio das minhas faculdades mentais, para não agarrá-la aos berros de "Kylie!! EU TE AAAMO!" E vamos nos aquecer para logo mais com o formidável remix de "Love at First Sight", que marcou as noites do antigo Ultralounge. The music you were playing really blew my mind...

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

O QUE HÁ DE ERRADO COM ESTA FOTO?

As tatuagens. Sei que o mundo inteiro vai discordar de mim, mas eu acho tatuagem uó. Ainda mais do jeito que muitos brasileiros usam, sujando seus corpos com manchas horrendas que mais parecem tumores e problemas de pele. Ainda bem que as tatoos nesta foto do Sakis Rouvas são fake. Sakis é uma espécie de Ricky Martin da Grécia: grava musiquinhas sacolejantes, leva menininhas ao delírio, e todo mundo tem certeza que é gay. Ganhou recentemente um concurso de "homem mais bonito do mundo", e, como muitas cantoras mas pouquíssimos cantores, não tem vergonha de usar o corpinho para vender seus discos. Então vamos aceitar seu convite e fazer a contagem regressiva para o fim de semana: dez... nove... oito...

COMÉDIA DE COSTUMES

Então a Proposition 8 passou, assim como outras medidas que proíbem o casamento gay em diversos estados americanos. É o que dá submeter os direitos das minorias ao voto popular: como disse o leitor r5 num comentário, já pensou se, nos anos 60, os direitos dos negros tivessem ido a plebiscito? Isto se chama "democratice", e os efeitos são sempre perversos. Mas, enquanto a felicidade total não chega, a gente pode se divertir com bobagens como "Another Gay Sequel", a continuação inveitável de "Another Gay Movie". Mais uma vez, celebridades do mundinho fazem suas pontas: RuPaul, Amanda Lepore, Lady Bunny, Perez Hilton e o astro pornô Colton Ford, um dos favoritos do meu amigo Porn Expert. O filme sai em DVD no começo de dezembro: encomende para aquela amiga feeena que vai fazer Christmas shopping em Nova York.

A CORPORAÇÃO DA ROUBALHEIRA

Ontem eu reclamei que o Guy Ritchie faz sempre o mesmo filme. Hoje vou reclamar que a dupla americana Thievery Corporation faz sempre o mesmo disco. "Radio Retaliation" tem os mesmíssimos ingredientes dos trabalhos anteriores: batidas reggae, cítaras indianas, vocais em francês e português, e aquele climão lounge que foi muito cool em 2002. O resultado é sempre agradável - como em "La Femme Parallel" - mas o prazo de validade está começando a vencer. Se os caras se propõem a "roubar" influências musicais do mundo inteiro, está na hora de variar um pouco as vítimas.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

O PREÇO DA FAMA

Por quê se contentar com os 15 minutos de fama previstos por Andy Warhol para todo mundo, quando você pode ter até três horas? Esta é a duração do pacote “deluxe” do Celeb4aday, e inclui uma limusine com chofer, um “publicist” e três paparazzi, que seguem você a qualquer lugar, enquanto fazem perguntas do tipo “é verdade que você está grávida?”. O serviço começou a ser oferecido no final do ano passado em várias cidades americanas, e faz tanto sucesso que já tem um monte de imitadores – mesmo com preços salgadinhos, que vão de 500 a 3.000 dólares. O fato é que os transeuntes na rua, meio confusos, reagem como se vissem uma celebridade para valer, e restaurantes e boates dão tratamento VIP aos felizardos. Que tal, seu "personal paparazzo"? Não saia de casa sem ele.

CHUPANDO A "ROLLA"

Acho que sei por quê a Madonna enjoou do Guy Ritchie. Enquanto Madge se reinventa todo ano - nem que seja só mudando o penteado - seu ex faz sempre a mesma coisa. “RocknRolla” é mais um filme de gangsters londrinos, com trama confusa e edição nervosinha, assim como foram “Snatch” e “Lock, Stock and Two Smoking Barrels”. O próprio Tarantino jamais repetiu a fórmula de “Pulp Fiction”, que Ritchie esgarça à exaustão. Parece que ele não tem o menor pudor de ficar conhecido como o cineasta de uma idéia só – e olha que essa idéia é chupada.

AS PERSONAS DE MARINA

Meu irmão só me chama para almoçar. Domingas, a irmã da Marina Person, a chamou para dirigir uma peça de teatro. E isto mesmo sem Marina jamais ter feito teatro na vida - OK, OK, ela já dirigiu vários curtas e um longa sobre seu pai, "Person". O fato é que parece não haver nada que Marina não consiga fazer: cinema, teatro, TV, engenharia hidráulica, you name it. "Ménage", o espetáculo onde ela dirigiu a irmã Domingas e o cunhado Ivo Müller, terminou ontem uma rápida temporada no SESC Avenida Paulista, mas deve voltar logo ao cartaz. É uma colagem de três textos curtos, todos sobre a vida de casal, e todos engraçados. E Marina se sai bem: sem grandes arroubos, mas com segurança e precisão, arranca aplausos e risadas da platéia. Fora que ela é um amor de pessoa, ótima companheira de viagem e uma autêntica femme du monde, à vontade em qualquer situação. Ah, se eu fosse hétero...

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

PASSOU, MAS VAI PASSAR

Pois é, a famigerada Proposition 8 passou. O casamento gay voltou a ser proibido na Califórnia, e minha sina de pé-frio eleitoral se confirmou (um pouquinho). O placar final foi de 52% a 48%: apertado, mas nem tanto. E a que se deve o sucesso dos reacionários? A uma estratégia bem-feita, que assustou pessoas que “até” toleram a bicharada, mas não querem que seus filhos cresçam para ser um “deles”. A campanha pró-8 pregou que a homossexualidade seria ensinada nas escolas, e que as criancas aprenderiam desde cedo a encarar esta “opção” (ai, ai…) como moralmente aceitável. Como, infelizmente, a miaoria da população pensa como a Isabelli Fontana – “tenho muitos amigos gays, adóóóro de paixão, mas pro meu filho NÃO” – as forças do mal venceram. E quando digo “forças do mal”, não estou brincando. Entre os grupos que apoiaram a 8 estão religiosos radicais que pregam o estabelecimento de uma teocracia nos EUA pior do que a do Irã, onde não só homossexuais seriam condenado à morte, mas até mesmo… crianças desobedientes. Tudo com autorização da Bíblia, claro. Mas esta foi só uma, mais uma, batalha perdida. A vitória fatalmente será nossa. Dentre as muitas mudanças em curso na sociedade, tem uma que vai eclodir na próxima década: as primeiras crianças criadas por casais gays atingirão a idade adulta. E serão pessoas “normais”, héteros ou não, mas bem-quistas e respeitadas. E algumas delas se candidatarão a cargos públicos e defenderão suas famílias... Ah, seus conservadores de merda, a batata docêis tá quentando.