domingo, 31 de agosto de 2008

PAVÃO MYSTERIOZO

Outro dia comentei aqui no blog como era ridículo Fidel Castro se dar ao trabalho de responder a uma letra de Caetano Veloso que criticava Cuba. Hoje vou falar do Caetano: como é ridículo ele se dar ao trabalho de responder as críticas negativas que seu show com Roberto Carlos teve na "Folha" e no "Estado de S. Paulo" (leia aqui, em seu blog Obra em Progresso). Caetano tenta desqualificá-las pela forma, pois seriam "mal-escritas", cheias de erros de português. E vai além: imbuído de espírito público, diz que quer "alertar" os editores dos jornais, para não permitir a publicação de textos tão ruins. Só faltou chamar a polícia, talvez a mesma que o prendeu nos anos 60.

Entendo que Caetano esteja apaixonado pela idéia do show, pela honra de cantar com Roberto - o melhor cantor brasileiro - o repertório de Tom Jobim - o melhor compositor brasileiro. Mas o que as críticas diziam é que o resultado saiu muito aquém do que o projeto prometia. Além disso, os espetáculos foram praticamente fechados, pois ao patrocinador interessava mais que Grazi e Cauã fossem vistos na platéia do que vender ingressos para o público. Parece que os próprios idealizadores não se deram conta da importância da coisa, da grandiosidade envolvida, e preferiram apostar nas páginas da "Caras" que na história da MPB.

A vaidade de Caetano é notória, e faz parte do personagem. Quando destilada em gotas pode ser divertida, até folclórica. Mas quando explode assim, sem superego, em todo seu esplendor e arrogância, é de dar pena, porque diminui a estatura do artista. Caetano também parece se esquecer quem é. E, por isto mesmo, o grau de expectativa por qualquer coisa que ele faça é sempre imenso, porque ele próprio se impôs um padrão altíssimo de qualidade. Menos pavonice, Caetano. Você é um dos maiores, mas não é perfeito.

sábado, 30 de agosto de 2008

TURQUINHO MACIO

Esse comercial engraçado parece turco - a música usada é aquela manjadíssima do Tarkan, a do beijinho. Mas na verdade é para a lâmina de barbear Lynx, que é como a marca Axe se chama na Inglaterra (por aqui só temos o desodorante). Ia dedicar pra Libanesa, mas capaz dela bronquear por causa do final...

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

PAU NA PALIN

Não se deixe enganar pela fachada simpática de Sarah Palin, a governadora do Alaska escolhida por John McCain para ser sua companheira de chapa. A bitch é homofóbica, anti-aborto e a favor do livre porte de armas. Sua indicação foi espertinha: McCain tenta atrair os eleitores de Hillary Clinton (que, em comum com Palin, só tem o fato de ser mulher) e compensar sua imagem antiquada. Mas agora ele não tem mais cacife para acusar de Obama de "jovem demais" ou "inexperiente", porque sua vice também prima nesses quesitos. E para quem achar que eu estou sendo injusto com a moça: tenho tanta pinimba dos republicanos, que eles podiam ter escolhido o divino Espírito Santo, e eu ia continuar metendo o pau.

WACKO JACKO

Há menos de duas semanas, Madonna completou 50 anos e a algazarra foi tremenda. Tem festa rolando até agora pelas boates do planeta. Hoje Michael Jackson faz a mesma idade e... (grilos). Um destino cruel para alguém que fez tanto sucesso nos anos 80, mas tanto, que acabou batizando inúmeros bebês pobres no Brasil - é por causa dele que temos tantos "Maicon" por aí. Mas a triste verdade é que Michael cagou na própria carreira pelo menos três vezes. Cagada no. 1: as plásticas, o branqueamento da pele, as manias, as esquisitices sem fim. No. 2: a absoluta decadência musical. Enquanto sua colega de geração tenta, bem ou mal, sempre se renovar, o cara lançou seu último disco decente em 1991. E, last but not least: a fama de pedófilo. Michael é que nem O.J. Simpson: a justiça o inocentou, mas todo mundo sabe que foi ele. E assim foi dada a descarga num dos maiores talentos de todos os tempos. Feliz aniversário, Jacko, e vê se não abusa do "Jesus Juice" (que era como ele chamava o vinho que oferecia a seus amiguinhos).

EMBARQUE NESSA

Com "apenas" dois anos de atraso, estréia hoje em São Paulo o filme "Shortbus", que causou furor na Mostra de SP e no Festival do Rio. A proposta do diretor John Cameron Mitchell é muito simples: contar várias histórias de relacionamentos, sem ocultar nada - e isto significa mostrar as cenas de sexo em toda sua miséria e esplendor. Não é uma obra pornográfica, mas Mitchell não finge que não está interessado em excitar o espectador. Sexo explícito no cinema mainstream não é novidade: desde "O Império dos Sentidos" que volta e meia surge algum filme "sério" que ousa mostrar uma trepada pra valer, ou pelo menos um pau duro. Mas é sempre com uma proposta "artística", meio torturada, incrivelmente encucada. Os personagens de "Shortbus" também são encucados, mas o sexo aparece como na vida real - gostoso, imperfeito, visceral. Como se não bastasse, as piadas são ótimas. Não perca este ônibus. Ah, e quem quiser ver o trailer sem cortes (ou seja, todo mundo), deve clicar aqui.

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

SÍ, ¡ERES PARA MÍ!

Este blog só me traz alegrias. Já conheci um monte de gente bacana através dele, surgiram oportunidades profissionais, e hoje consegui ver o show da Julieta Venegas. Pois é! Uns amigos leram o post abaixo, se condoeram da minha situação, e gentilmente me cederam seus ingressos, já que não poderiam ir. Eu também não poderia, pois estava numa filmagem que entraria noite adentro. Mas quando meu celular tocou, pouco mais de uma hora antes do espetáculo, não quis nem saber. Larguei tudo, atravessei a cidade voando, e quando a cortina subiu lá estava eu na platéia. E na quarta fileira!!
Julieta é um encanto em pessoa. Bonita não é: parece Betty la Fea depois de um banho de loja. Mas é um alívio ver uma cantora que não tem a menor pretensão de ser sexy, ao contrário de 90% de suas colegas americanas. A voz também não é grande coisa, mas ela toca absolutamente todos os instrumentos - inclusive o mais difícil de todos, o acordeon - e compõe que é uma maravilha, além de ter uma empatia com o público que poucas vezes vi na vida. As músicas são deliciosas, e ela se surpreendeu com a reação calorosa das pessoas. Não, não estava lotado: muitos lugares vazios, provavelmente de convidados que não deram as caras, mas pelo menos quem tentou comprar na hora conseguiu entrar. Quem não foi pode conferir o vídeo acima, onde ela canta "Eres Para Mí" com a rapper espanhola La Mala Rodríguez (onde elas arranjam esses nomes?) E eu quero agradecer à Virgen de Guadalupe, protetora da blogosfera, e aos meus amigos, que me proporcionaram uma noite padríssima.

(NO) ERES PARA MÍ

Como assim, hoje tem show da Julieta Venegas aqui em São Paulo e eu não estava sabendo?? E os ingressos estão ESGOTADOS! Claro, vai ser no Auditório do Ibirapuera, o templo dos espetáculos inacessíveis. Ainda bem que eu tenho o DVD, com todos os convidados que não estarão lá esta noite - inclusive Marisa Monte, nhé nhé nhé. Mas bem que podiam ter previsto um show extra, né? Ou que então ela volte logo, e seja melhor divulgado. Qué rabia.

DE PERDER A CABEÇA

Hoje começa a 2a. temporada da série "Os Tudors", às 22 horas no canal People + Arts. O foco desta vez é o tumultuado casamento de Henrique 8o. com Ana Bolena, e todo mundo está careca de saber como acaba esta história. Aliás, a obsessão dos ingleses por este período - quando o país passou de obscuro reino medieval para potência global, e cujos efeitos são sentidos até hoje - vive rendendo frutos, como o recente filme "A Outra". Alguém ainda tem saco para ver tudo de novo (ou cabeça, hahaha)? Eu tenho. Elenco sexy, figurinos luxuosos, trilha eletrônica, tô dentro.

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

DIVA ASSOLUTA

Existe esterótipo maior que o da bicha velha que gosta de ópera? Só mesmo o da cacura que ouve Judy Garland e Billie Holliday. Neste estágio terminal eu ainda não cheguei, mas do bel canto eu gosto faz tempo. Acabo de comprar "Maria", o CD da mezzo-soprano Cecilia Bartoli inteiramente dedicado ao repertório de Maria Malibran, a primeira superstar do gênero. Maria não chegou a gravar - viveu muito antes da invenção do gramofone - mas seus greatest hits resistem até hoje. Como é o caso de Casta Diva, que foi um dos carros-chefe de Maria Callas e parece entoada por anjos. E chega de chamar de "diva" qualquer neguinha que se esgoela em cima de uma batida tribal.

RODANDO A BAIANA

O Thiago, um leitor baiano, me mandou este vídeo de um candidato(a) a vereador(a) de Salvador, a drag Leo Kret, que ao que parece é bem conhecida por lá. Honrando a tradição literária do estado-natal de Castro Alves e Ruy Barbosa, Leo manda seu recado todo em versinhos, realçados por um faniquito no final. Repare que o partido é o DEM, antigo PFL, um bastião do conservadorismo que ultimamente tem saído um pouco do armário (mas só um pouco). Nada contra um travesti se candidatar: são cidadãos plenos, e muitas vezes mais conscientes dos problemas do que o resto da população. O que me incomoda é o tom folclórico, semi-carnavalesco, que prenuncia um novo Clodovil - o cara se elege prometendo "abalar", só para desaparecer dentro de uma engrenagem que não conhece.

QUEM SABE O MAL QUE SE ESCONDE NOS CORAÇÕES HUMANOS?

Nem o Sombra sabe, porque a maldade não tem limites. Esta é a moral da história de "Um Crime Americano", onde uma mulher desequilibrada prende e tortura uma garota que estava sob seus cuidados. Em pouco tempo grande parte da vizinhança adere à "brincadeira", sob o pretexto cada vez mais esgarçado de que a menina "merece ser castigada". O filme pode ser lido como uma crítica à sociedade dos EUA, que muitas vezes se une para cometer atrocidades como a guerra do Iraque, crente que está do lado do bem. Ou como um retrato da alma humana, não apenas americana: afinal, aqui no Brasil também abundam exemplos de crueldade explícita e coletiva, como se de repente todo mundo concordasse em suspender as regras mais elementares. "Um Crime Americano" é difícil de ser visto, mas vale a pena principalmente por causa de suas atrizes - a gloriosa Catherine Keener e a revelação de "Juno", Ellen Page. Quem tiver estômago que assista.

terça-feira, 26 de agosto de 2008

LIVIN' LA VIDA LOCA

O cardeal de Honduras, sem ter mais o que fazer, resolveu criticar o Ricky Martin. Sua Eminência (parda?) disse que o cantor "atentou contra a dignidade humana" ao ter dois gêmeos por inseminação articial com uma amiga (e, dizem, prima). E os padres pedófilos, não atentam? Fico furioso com essas coisas. A Igreja já não admitia o sexo sem procriação; agora também investe contra a procriação sem sexo. Engraçado que por aqui o Gugu fez a mesma coisa, e nem o padre Marcelo teve coragem de chiar. Talvez porque o Gugu seja carola, e certa vez teve a cara-de-pau de ler no palco uma mensagem que Nossa Senhora teria enviado para ele. Isto não é blasfêmia? Deixem a loca do Ricky em paz, porque aposto que ele será um bom pai. E aposto que seus filhos serão guapísimos.
(Não, não são os filhos dele nesta foto: são bebês cambojanos, fotografados num dia em que Ricky estava se sentindo meio jolie.)

CANDIDATO ONLINE

Gente, cadê os outros candidatos gay a vereador de São Paulo? Ainda não encontrei nenhum outro além do Marcos Fernandes. Confesso que também não tenho procurado: a verdade é que estou contente com as propostas do Marcos, que finalmente podem ser lidas em detalhe em seu site, recém-estreado na rede. Vale a pena dar uma olhada, nem que seja para discordar. O que importa é votarmos conscientes: cansei de ver bicha se achando engraçada porque votou no Enéas, sem nem ter se dado ao trabalho de descobrir que o falecido era um fascistão homofóbico. Lembrem-se que a Câmara de Vereadores está cheia de inimigos nossos. Está mais que na hora de termos um representante gay assumido, e eu acho que o Marcos é esse cara.

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

MIAU

"O Cavaleiro das Trevas" ainda nem saiu dos cinemas, mas claro que já começou a produção do próximo filme do Batman. Dessa vez a vilã será a Mulher-Gato, e o diretor Chris Nolan tem uma proposta interessante. Ao invés de contratar uma atriz no auge da beleza, como foram Michelle Pfeiffer e Halle Berry, Nolan prefere uma veterana, uma vamp em final de carreira. Em outras palavras: ele quer a Cher no papel! Meu, ia ser tuuudo, não ia? Ainda mais se ela gravar a música-tema (que os filmes do Batman não têm, mas porque não?). Já pensou, ela peitando o Homem-Morcego assim: "are you strong enough..."

SOUTH AMERICAN WAY

Kylie Minogue vem aí! Aí na Argentina, aí no Chile e aí no Peru, mas não aqui no Brasil. Pois é: a popstar australiana anunciou shows em novembro em todos esses países, mas Brasil que é bom, nada. De fato, Kylie não é mega-famosa por estas plagas, talvez por também não sê-lo nos Estados Unidos - como disse um comentário sobre meu post do Miranda!, estamos muito atrelados ao hit parade americano. E assim, astros europeus às vezes cantam para platéias vazias por aqui, como foi o caso de Robbie Williams no Rio de Janeiro, dois anos atrás. É uma pena, pois o show de Ms. Minogue só perde em brilho para o de sua amiga Madonna, e ia ser fabuloso ter as duas no Brasil na mesma época. E caro para caralho, claro.

NEM TÃO DIVINA ASSIM

O Brasil já tem uma tradição em musicais homenageando grandes nomes da MPB. Os últimos anos foram pródigos para o gênero, com ótimos espetáculos sobre Carmen Miranda, Cauby Peixoto, Chiquinha Gonzaga, Isaurinha Garcia, as irmãs Batista e muitos outros. Sinto dizer que "Divina Elizeth", que já apssou por São Paulo e está em cartaz no Rio, não pertence a esta turma. Elizeth Cardoso foi a mais elegante cantora brasileira, no figurino e no repertório, e esta peça faz um excelente trabalho em relembrar ambos. Mas sua vida não teve os precalços necessários para gerar um drama envolvente. Talvez para tornar as coisas mais interessantes, o autor e diretor João Falcão tenha optado por colocar cinco atrizes fazendo a personagem. Acontece que não há um critério claro: nem de idade, nem de aspectos da personalidade (e Elizeth nem era tão multifacetada assim). Às vezes todas aparecem juntas no palco, num efeito lindo, porém algo gratuito. E o melhor são mesmo as canções: algumas clássicas, outras esquecidas, todas divinas.

domingo, 24 de agosto de 2008

CHIQUI-CHIQUI-CHIQUITITO

Não me conformo: porque é que o Miranda!, a banda mais bacana da América Latina, não é conhecido no Brasil? Só porque eles cantam em espanhol? Acaba de sair na Argentina a primeira compilação do grupo, "El Templo del Pop", com todos os sucessos de cinco anos de carreira, duas músicas novas e um "megamix" assinado pelo DJ Dero, que usa como base o "Bad Girls" da Donna Summer (adoooro). Baixe esta faixa-monstro aqui (são quase 11 gloriosos minutos). E a nova "Chicas" é nada menos que uma cumbia, a música das favelas de Buenos Aires, brega a mais não poder. Ainda mais com uma letra que diz assim, "eso se baila suave-suave-suavecito, con un pasito chiqui-chiqui-chiquitito..." Baixe aqui e baile usted también.

(Oficialmente, este é o post número 1.000 deste blog, viva. Mas extra-oficialmente é o 1.001 - precisei apagar um post antigo, para evitar possíveis problemas. Um brinde para quem acertar qual foi.)

sábado, 23 de agosto de 2008

O SAMBA DO VENEZUELANO DOIDO

No ano passado Hugo Chávez tirou do ar o canal privado RCTV e colocou no lugar mais uma emissora estatal, a Teves. Uma prova irrefutável do padrão bolivariano de qualidade é esta genial narração de uma prova de natação nas Olimpíadas de Pequim, onde o locutor revela, num furo de reportagem, que Michael Phelps ganhou 8 medalhas de ouro nos jogos de Munique, em 1972 - mas não as recebeu porque Hitler se recusou a entregá-las. Chévere!

O NÚMERO DA BESTA

Todo mundo está reclamando da porra da taxa de (in) conveniência na compra dos ingressos para os shows da Madonna, e com toda a razão. Mas além da ganância desmesurada das empresas de tickets está um problema-jabuticaba, desses que só dão no Brasil: a meia-entrada. Em 2001 o governo quebrou o monopólio da UNE de emitir carteririnhas de estudante, no que fez muito bem - a garotada era obrigada a se filiar a uma entidade com uma agenda política controversa, e a sustentá-la com seu parco dinheirinho. Mas isto provocou um derrame de carteirinhas falsas no mercado, muitas vezes emitidas por cursos de araque na internet, por módicos 30 reais. Devo ser uma das poucas pessoas que não têm a sua, e acabo pagando o pato (laqueado, de tão caro) para muita gente. Porque, acossados pela legislação, cinemas, teatros e outros exibidores se viram obigados a aumentar o valor dos ingressos. Hoje o Brasil ostenta alguns dos preços mais caros do mundo nestas áreas, para compensar a farra da meia-entrada. E lá vai o idiota aqui pagar 720 reais para ver a Madonna. Meia-meia-meia: o número da besta.

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

O ARCO-ÍRIS DE OBAMA

Meu post de ontem sobre o Manhunt gerou um pequeno debate nos comentários: um gay tem o "direito" de ser conservador? Claro que tem: se somos a favor da diversidade, temos que aceitá-la também no espectro político. Mas a doação de Jonathan Crutchley à campanha de McCain fica ainda mais chocante quando comparamos as posições dos dois candidatos em relação aos assuntos de interesse aos homossexuais. O Emiliano Rocha, amigo e leitor assíduo, me mandou o link para um blog interessante, o LGBT for Obama, que traz uma tabela detalhada onde se vê claramente como cada postulante encara a questão. McCain adora posar de rebelde dentro do partido Republicano, mas a triste verdade é que ele é tão reaça quando seus comparsas - e merece levar um cacete (no mau sentido) nas urnas.

LUZ DIVINA

Acho que Claude Chabrol está ficando gagá. Seus últimos filmes têm algo de fake, de empostado, e parecem mesmo a visão de um velhinho sobre o mundo de hoje, onde ele já não se encaixa muito bem. "A Garota Dividida em Dois" tem situações forçadas, personagens pouco críveis e uma certa formalidade francesa que nos soa meio estranha. Quem se salva é Ludivine Sagnier, que beirando os 30 anos ainda passa por adolescente travessa. Ludivine é tão luminosa que, apesar de, a rigor, ser feia, consegue ficar bonita e sedutora em tudo que faz. E é disso que são feitas as estrelas de verdade.

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

HEY MR. DJ

Com uma semana de atraso, descobri que um dos meus DJs favoritos, o Felipe Lira, está com um blog no ar. Conheci o Felipe na inauguração da TW Rio, no ano passado, e desde então viciei em seu som alegre, porém elaboradíssimo - Felipe é como um costureiro que faz uma roupa incrível, na qual não se vêem as costuras. O blog é uma espécie de diário de bordo, onde ele conta suas aventuras pelas cabines de várias boates Brasil afora. E o melhor é que está cheio de musiquinhas para baixar, muitas delas produções exclusivas do rapaz. Tomara que ele poste logo um mash-up que me encantou: uma mistura sensacional de "Be Without You" da Mary J. Blige com "Open Your Eyes" do Snow Patrol. Eu sei, eu sei, as músicas já estão velhas, mas o que é bom é para sempre.

O DIA DA CAÇA

Recapitulando: Jonathan Crutchley, co-fundador e presidente do site Manhunt, renunciou ao cargo depois da gritaria que se seguiu à revelação dele ter doado 2.300 dólares para a campanha de John McCain (não é mixaria não, como alguns desdenharam por aí - é o máximo permitido pela lei americana). Muitos membros (hmmm...) do Manhunt ficaram revoltados ao saber que parte de seu rico dinheirinho estava financiando o partido que barra os avanços dos homossexuais nos EUA, e surgiu até mesmo um site de boicote, o StopManhunt.net. Como se não bastasse, McCain recusou a doação de Crutchley, que imediatamente obamou e mandou a grana para o candidato rival. Confesso que fiquei feliz com essa história toda, porque, depois de ler a excelente a matéria sobre o Manhunt na revista "Out" deste mês (ela pode ser lida aqui, em inglês), estava com a nítida sensação de que o maior site de pegação do planeta era mesmo a arma secreta dos conservadores para controlar os gays. Porque o Manhunt é desconhecido entre os héteros - é uma rede anônima e imperceptível, o maior armário do mundo, a anti-parada do orgulho gay. Como se cobertos pelo manto da invisibilidade do Harry Potter, a bicharada ali se satisfaz em foder à vontade. E, garantido este direito supremo, quem precisa se casar, adotar, não ser discriminado e não apanhar no meio da rua? Mas parece que a "Out" e eu estávamos ligeiramente equivocados. Pelo menos uma parcela dos sócios do Manhunt está mesmo disposta a fazer barulho e lutar pelos seus direitos. Bom pra eles, e melhor pra todo mundo.

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

MANDANDO CHUVA

Meu protégé Andrea Libardi tem inúmeros dotes, como se vê na foto aí ao lado. Outros não se vêem: se ouvem, pois Andrea tem um vozeirão e está com um disco saindo do forno. Enquanto isto, ele manda uma palhinha que pode ser baixada aqui: é o remix tribal de "Bring Me the Rain Again", o carro-chefe do CD (que foi todo gravado em inglês). Cuidado pra não ficar molhadinho.

CABIDEIRO NACIONAL

Confirmado: Lula vai mesmo criar uma estatal para explorar as recém-descobertas reservas de petróleo na camada de pré-sal, nos subsolos mais profundos do oceano Atlântico. As justificativas são as de sempre: esta riqueza "pertence ao povo brasileiro", e seus rendimentos "construirão escolas e hospitais". E foda-se a Petrobrás, que bancou a exploração até aqui, porque afinal grande parte dela hoje está em "mãos privadas" - as milhares de pessoas que apostaram em ações da empresa, e agora se vêem traídas. O que Lula quer mesmo é criar mais um imenso cabide de empregos para apaniguados e afins, como fez recentemente com a invenção do Ministério da Pesca. Igualzinho à Venezuela, que vem estatizando quase todos os setores da economia com os memsos objetivos e o mesmo discurso populista. Mas adivinha quais foram os dois países da América Latina onde os ricos ficaram ainda mais ricos nos últimos anos?

terça-feira, 19 de agosto de 2008

O PALHAÇO DOIDÃO

Alguns anos atrás, no documentário "Super Size Me" (que passou no Brasil como "A Dieta do Palhaço"), o diretor Morgan Spurlock mostrou as conseqüências de se comer, durante um mês inteiro, só o cardápio do McDonald's. O filme fez muito sucesso, foi indicado ao Oscar e assustou muita gente - eu, por exemplo, nunca mais comi fast food (a não ser quando é uma ocasião realmente especial, como por exemplo... o menu Shrek, só com coisas verdes). Está saindo em DVD nos EUA a versão maconheira do experimento. Durante um mês, o comediante Doug Benson fumou baseados o dia inteiro, sem parar. E para não mascarar os efeitos do gererê no organismo, ele não bebeu álcool durante todo esse tempo e nem deu uns tapas no mês anterior. Tudo com acompanhamento médico. E adivinha... a saúde do cara MELHOROU. Tudo bem que ele engordou oito quilos, mas todo seu metabolismo permaneceu inalterado. Ele até melhorou seus resultados num teste de paranormalidade!! Pois é: detesto maconha, mas pelo jeito ela faz bem até para a aura.

UM DITADOR BEM TRAPALHÃO

Finalmente caiu o Musharraf, o abilolado ditador do Paquistão. Sempre torcendo pelo time que estava ganhando, fosse ele o Taliban ou os Estados Unidos, Musha conseguiu se manter no poder por quase 10 anos. Mas, como diriam as chamadas da "Sessão da Tarde", "causando a maior confusão entre essa galera muito louca". Nos últimos tempos, então, ele deu um show de incompetência. Conseguiu explodir a Benazir, é fato, mas os estilhaços acabaram por atingir e ferir de morte seu reinado. Já vai tarde, mas a coisa pode ficar ainda pior sem ele. Todas as alternativas disponíveis no momento são péssimas. E nunca é demais lembrar que o Paquistão é o único país islâmico que possui a bomba atômica, além de servir de esconderijo para a cúpula da al-Qaeda. Brrr.

CHARMANT PETIT MONSTRE

E por falar em "biopic", os franceses finalmente aderiram ao gênero, há até pouco tempo meio raro por lá. Depois do sucesso internacional de "Piaf", outro mito do século XX ressuscita nas telas: Françoise Sagan, "enfant terrible" da literatura. Quem ganhou o papel foi Sylvie Testud, que fazia a melhor amiga de Piaf no outro filme, e pra variar a semelhança é impressionante. Apelidada de "monstrinho encantador", Françoise ficou famosa aos 18 anos logo com seu primeiro livro, "Bom Dia, Tristeza", vagamente autobiográfico - ela era uma espécie de Clara Averbuck que escrevia bem. Sua vida foi um turbilhão de cigarros, acidentes e amantes (incluindo algumas mulheres), e sua morte foi na mais completa pindaíba, depois do governo da França praticamente arruiná-la por causa de alguns impostos que ela "se esqueceu" de pagar. "Sagan" já estreou na Europa; j'espère que venha ao menos para a Mostra de SP.

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

AMÁLIA, QUIS DEUS QUE FOSSE O TEU NOME

Nem de longe a vida de Amália Rodrigues se compara em drama e sofrimento à de sua amiga e contemporânea Edith Piaf. Amália morreu velhinha e consagrada, e ao que consta sua droga favorita era mesmo o fado. Mas, como sua colega francesa, ela também merece um "biopic" contando seus amores e aventuras. Este filme, o mais caro de todos os tempos em Portugal, está sendo rodado sob a direção de Carlos Coelho da Silva, e com Sandra Barata Belo no papel-título (a semelhança entre as duas é impressionante, como se vê na foto acima). "Amália" estréia por lá em novembro, e queira Deus que não demore muito para chegar por aqui. Senão vou ter que dar de beber à dor, já dizia a Mariquinhas.

COMENDO O RIO DE JANEIRO

Lembra do e-mail sobre os cinemas antigos do Rio de Janeiro? Elisabeth de Mattos Dias, a autora, descobriu que eu falei dele aqui no blog e me mandou um e-mail muito simpático. Junto veio o arquivo que ela preparou para este mês, sobre as delícias tipicamente cariocas. Ela incluiu todos os sabores que me lembram minha terra natal: o mate da praia, misturado com limão; o misto quente do Bob's, que eu lambuzo de mostarda e catchup; os inevitáveis biscoitos Globo, verdadeiros ícones da cidade; e muitos outros mais. Tem também fotos de vários lugares que não existem mais, como a sorveteria Morais em Ipanema, que marcou a minha infância (os sorvetes em si ainda são fabricados!) ou as barraquinhas do Angu do Gomes (este eu nunca tive coragem). Elisabeth me lembra que esta corrente tem nome, "Rio que Mora no Mar", e que quem quiser receber esta e as próximas edições pode pedir diretamente a ela, através de rioquemoranomar@oi.com.br. É pra cair de boca.

O TRUQUEIRO ESTÁ DE VOLTA

Quando o Tricky surgiu em meados dos anos 90, a crítica se degladiou para ver quem fazia os elogios mais rasgados. "Gênio", "moderno", "pós-tudo"... Pena que o público não concordou, e as vendas do cara nunca foram espetaculares. E nem era para menos: seu som é denso, meio pretensioso, sem refrões fáceis. Depois de anos quietinho, Tricky acaba de lançar um novo CD, "Knowle West Boy". A única faixa que me deixou curioso foi um cover de "Slow" da Kylie Mingogue, cheio de guitarras e fumaça (ficou curioso também? Então baixa aqui). Mas não sei se tenho saco para ouvir o disco todo. Esse truqueiro me dá uma certa preguiça.

domingo, 17 de agosto de 2008

VAZIO DE IDÉIAS

Adoro os filmes argentinos, mas quando eles dão pra ser chatos, sai de baixo. "El Nido Vacío" ("O Ninho Vazio") é o novo do diretor Daniel Burman, que fez o excelente "O Abraço Partido". Era para ser a história de um casal de meia-idade em crise depois que os filhos deixam o lar, mas Burman erra a mão ao focar apenas no marido. Assim ele reconta uma história da qual já estamos fartos (o homem que não sabe envelhecer), e desperdiça uma atriz do naipe de Cecilia Roth. Menos, pelotudo.

JÁ COMEU CHAJÁ?

A postrería uruguaia é famosa. A culinária do país não vai muito além da parrilla e do matambre, mas é nas sobremesas que nuestros hermanos extravasam. E de todos os doces cisplatinos, o mais famoso é o chajá, uma combinação absurda de bolo, suspiro, creme e pedaços de pêssego. O nome (pronuncia-se "charrá") se deve à semelhança do prato com a ave homônima, uma espécie de marreco com muita pluma e pouca carne. Ah, e claro que tem pouquíssimas calorias, jajaja.
(este post é dedicado ao Introspective, que adora doces e acaba de voltar de suas férias na Europa. Wilkommen, bienvenue, welcome...)

PENSATA CISPLATINA

O Uruguai não faz mais muito sentido como país independente. É pequeno, pouco povoado - três milhões e pouco de habitantes, menos que a cidade do Rio de Janeiro - e não produz muita coisa. Vive da carne, do turismo e olhe lá. A cultura, a comida e até o sotaque lembram a Argentina. Mas porque então este paisinho não é uma província argentina? Por causa do que eles chamam de "Guerra del Brasil", que não recebe muita atenção nas escolas brasileiras. O resumo do imbroglio é que, na década de 1820, o Império do Brasil e as Províncias Unidas do Rio da Prata disputavam o que se chamava então de Banda (margem) Oriental del (rio) Uruguay. A escaramuça acabou mais ou menos empatada, e nenhuma das partes levou o território em questão. A solução salomônica foi a criação da República Oriental do Uruguai, um estado-tampão entre os dois gigantes da América do Sul. Livre das amarras, o Uruguai prosperou durante muito tempo. Rico e liberal, foi o primeiro país latino-americano a aprovar o divórcio, em 1907 (!). Mas não desenvolveu a indústria, e decaiu muito desde os anos 60. Visitar Montevidéu parece viajar na máquina do tempo: prédios caindo aos pedaços, carros idem, poucos jovens (a maioria se manda assim que possível). Mas também é deliciosa a sensação de se estar num universo paralelo, tão perto e tão diferente de nós.

sábado, 16 de agosto de 2008

AÍ PASSIVONA

Hoje filmei o dia inteiro aqui em Montevidéu, então não tenho muito para contar. O ponto alto foi uma voltinha pela Cidade Velha, onde reencontrei um conhecido. Toda vez que venho ao Uruguai (esta é a quinta) fico rindo que nem Beavis & Butthead quando passo na frente de algum restaurante da cadeia La Pasiva. Isto mesmo, La Pasiva - se bem que, pelo logo, o nome devia ser La Gulosa. Hehehehehe.

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

MONTE SEXTO DE DEUS

¿Hola que tal? Les escribo desde Montevideo, capital de Uruguay. Cheguei aqui no final da tarde desta sexta e fico até segunda de manhã. Vim acompanhar a filmagem de uma campanha para o México. Se ficar legal, prometo que posto os resultados. Vim filmar aqui porque os preços uruguaios não têm concorrência. Estes comerciais sairão pela metade do que custariam no Brasil, incluindo minha passagem e estadia. Vai ser um fim-de-semana de muito trabalho, mas sempre dá para dar umas voltinhas. Ainda mais porque Oscar veio comigo, eeeee (antes que me acusem de nepotismo, ele está pagando sua própria passagem). Montevidéu é uma gracinha, super tranqüila e civilizada. O estranho nome da cidade tem várias explicações: uma dela é que teria sido construída no sexto monte monte de leste a oeste, contado a partir da foz do Rio da Prata (monte-VI-d-E-O). Outra diz que seria homenagem a santo Ovidio, e por aí vai. Minha favorita não deve ser verddadeira: é o sexto monte de Deus. Quais seriam os outros cinco?

O VÔO DO FALCÃO

Filhinho Duda chegou de Nova York e trouxe dois presentinhos pro papai. O primeiro foi encomendado: a trilha sonora do "Mamma Mia!", tão animada que a gente já fica exausto na terceira faixa. O outro foi surpresaaaa: nada menos que a caixa comemorativa dos 35 anos da produtora Falcon, a Rolls- Royce da pornografia gay. São cinco DVDs com um quaquilhão de cenas, que vão desde os primórdios nos anos 70 até os dias de hoje. As cenas antigas são especialmente engraçadas, com caras bigodudos, pouco bombados e, claro, nenhuma camisinha à vista. E as trilhas daquela época, então, com uma ligeira levada funk? Mas o melhor é a empolgação dos bofes de antanho, muito mais palpável - hehehe - que os pneumáticos atuais, que parecem mais preocupados em não borrar a maquiagem. Haja mão.

HOT VOODOO

Quem for chegado num cafuçu diliça vai adorar "Going On", o novo clip do Gnarls Barkley. Foi filmado na Jamaica, e sem a presença da banda - ainda bem, porque o vocalista Cee-Lo parece uma rolha de poço. Gosto especialmente do clima de cerimônia de vudu no começo do vídeo. Entra nesse corpo que ele te pertence!

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

A COISA TÁ PRETA

Sabe quem é esse negão aí do lado? Robert Downey Jr.! Ele está em “Tropic Thunder”, sátira aos filmes sobre a Guerra do Vietnã que estréia amanhã nos EUA. Seu personagem é um ator australiano premiadíssimo (Russell Crowe?) que, para provar versatilidade, aceita o papel de um soldado negro. Já tem uns chatos reclamando, claro – mas preto fazendo branco pode, né? Vide os irmãos Wayans em “As Branquelas”. E a polêmica não pára por aí: no mesmo filme, Ben Stiller faz um astro de ação decadente que, para concorrer ao Oscar, interpreta um deficiente mental (que ele ainda faz questão de chamar de "retardado"). Para completar, tem Tom Cruise numa ponta como um executivo judeu. A gritaria tá grande, porque pouca gente entendeu que o verdadeiro alvo dessa tiração de sarro é a própria Hollywood.

ONDE VOCÊ ESTAVA NOS ANOS 90?

O Marcelo Argento está enviando aos amigos um breve questionário sobre a década passada e publicando as respostas em seu blog, com direito a fotos vintage dos questionandos. Pois é, já começou a onda de nostalgia: daqui a pouco teremos o Trash 90, o revival do britpop e a reprise da novela "Panta..." - ooops.

CIAO BAMBINO

Pareço uma menina de 16 anos: toda semana me apaixono por um ator diferente. O felizardo desta vez é Elio Germano, que eu já tinha visto num punhado de filmes italianos, mas que só agora me chamou a atenção. Ele está tipo incredibile em "Meu Irmão é Filho Único". E não é que seja lindo de morrer, mas tem uma coisa muito mais atraente que a beleza: tem atitude. Seu personagem é um fio desencapado, a ponto de explodir de tanta raiva e tesão acumulados, e torna memorável um filminho bem mediano. Elio, come ti amo.

REGRESSO A SODOMA

Houve um tempo em que a SoGo era a boate gay no. 1 de São Paulo. Foi na época de sua inauguração, há uns 8 anos atrás, quando a noite paulistana andava meio caidaça. O sucesso foi imediato e o escândalo razoável, por causa do célebre "Dungeon" no terceiro andar – o maior dark room jamais visto até então. Mas logo a concorrência se acirrou com a chegada do Ultralounge na vizinhança, e depois ainda vieram Level, Bubu, The Week, Flexx… A freqüência diminuiu muito, e enfeiou mais ainda. Mas já faz mais de um ano que a SoGo vem reagindo, investindo em promotores e DJs. Foi lá que a Grá Ferreira se lançou nas pick-ups, e até hoje, já consagrada, continua agitando as noites de sexta. A última novidade é a festa Good Fellas, promovida pelo urso-mor Rogério Munhoz toda quinta. Estreou semana passada, e hoje já apresenta um convidado peso-pesado: ninguém menos que o Pachecão, num long set daqueles (o set, gente, o set!). Nada mau para um lugar que se pretende uma versão atual de Sodoma e Gomorra (esta é a origem do nome, sabia?).

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

TUTÉ KAÔÔÔ...

Quase ninguém conhece Mylène Farmer no Brasil. Seus discos repercutem por aqui ainda menos que os de sua colega Patricia Kaas. Mas em sua França adotiva (ela é canadense), Mylène é praticamente Madonna. Só para dar uma idéia, os ingressos para seus dois concertos no gigantesco Stade de France se esgotaram em poucas horas - e olha que eles só acontecerão em setembro do ano que vem. Bem antes disto, no fim de agosto, Mylène lança um novo CD, "Point de Suture", apenas o sétimo com inéditas em mais de 20 anos de carreira. Como descrever seu som? É um dance melancólico, com letras pretensiosas, às vezes bem chatinho. Mas quando é bom... Seu hit de 91, "Desenchantée", talvez seja um dos meus top 10 EVER. E há poucos anos ganhou cover da belga Kate Ryan, que está se especializando em regravar tubes françaises da virada dos 80 para os 90. Baixe aqui o remix para as pistas, e tente resistir ao refrão, grudento feito um marron glacé: tout est chaos, abimé...

MINHA SULTANA

Hiam Abbass é uma das minhas atrizes favoritas. Hiam quem? Para quem nunca ouviu falar, ela é palestina, e tem virado presença constante em filmes que se passam no Oriente Médio. Caí de amores por essa bonita quarentona desde que assisti "A Noiva Síria" há uns anos atrás. Desde então a vi em "Free Zone", "Paradise Now" e até mesmo "Munique", de Steven Spielberg. Agora ela está de volta em "Lemon Tree", do mesmo diretor da "Noiva". Essa nova obra não é tão boa quanto a anterior, mas Hiam está soberba como uma viúva que vê seu pomar de limoeiros ameaçado pela chegada de um novo vizinho - ninguém menos que o ministro da Defesa de Israel. Quem gosta de cinema político não deve perder. Quem gosta de divas, não importa de onde venham, também não.

terça-feira, 12 de agosto de 2008

NEW WAVE DE NOVO

Todo ano surge pelo menos uma banda que a crítica inglesa se apressa em incensar como "uma das melhores de todos os tempos". Esses jornalistas geralmente têm 20 e poucos anos, e para eles o Oasis tocou no casamento da rainha Vitória. Os eleitos de 2008 são os Ting Tings, que fazem um rockinho bem new wave circa 1979. Até as capas dos discos remetem àquela época. Não é ruim, veja bem, só não tem absolutamente nada de novo. A não ser que se considere como "nova" a coreografia que eles fazem no clip de "Great DJ", talvez a mais canhestra - e engraçada - de todos os tempos.

PERSEGUIÇÃO IMPLACÁVEL

Preciso parar de ler “chick lit”, que é como os americanos chamam essas versões pós-modernas de “Sabrina”, “Branca” e “Julia”. Como seu equivalente cinematográfico, a comédia romântica, só muito de vez em quando esse gênero produz alguma coisa que preste. Como por exemplo... hmmm... “O Diabo Veste Prada”? OK, não é nenhuma obra-prima, mas dava pra distrair. Agora estou lendo “Chasing Harry Winston”, o novo romance da mesma autora, Lauren Weisberger. A editora não quis arriscar: colocou um scarpin na capa que remete ao pôster do filme do “Diabo”, e exigiu o nome de uma grife no título (Harry Winston é uma famosa joalheria americana). A trama é o de sempre: três belas mulheres beirando os 30 e correndo atrás de seus relógios biológicos e do homem perfeito, tendo como cenário – obviamente – Nova York. A única novidade é que uma das três protagonistas é uma brasileira deslumbrante, "Adriana". Lauren já declarou que, na adaptação para o cinema, gostaria de ver Gisele Bündchen no papel. Tsk, tsk: Alice Braga ficaria muito melhor. Ela pode não ser deslumbrante, mas é uma atriz de verdade.

CABO ELEITORAL

Minha fama de caçador de votos está crescendo. Olha só quem apareceu lá em casa outro dia, em busca do meu precioso apoio: Edson Lopes, o Mr. Gay São Paulo 2008. Ele é de fato muito bem feitinho de cara e de corpo, além de simpaticíssimo e - sinto desapontar - comprometido. A finalíssima do Mr. Gay Brasil acontece dia 6 de setembro, no Auditório Elis Regina, aqui em SP. Depois tem festança na The Week, uêbaaa.

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

PINTOU A FOMINHA

video
Quase nunca falo do meu trabalho aqui no blog. Mas hoje, pela primeira vez, resolvi postar um comercial de minha própria "larva". É para Meu Instante, a sopa instantânea da Maggi, e entrou no ar ontem à noite, durante o "Fantástico". Não acho que seja digno de prêmios, mas ficou bonitinho. Bom apetite.

SESSÃO DA TARDE

Minha sogra tem 81 anos de idade, e o gosto cinematográfico de um menino de 14. Romances lacrimosos não são com ela: seus filmes têm que ter muita pancadaria. Por isto, quando fomos levá-la ao cinema no sábado, a escolha natural foi "A Múmia - A Tumba do Imperador Dragão", bobagem colossal que nem estava na minha lista. Mas o bom de esperar pelo pior é que o que vier, é lucro. E assim acabei me divertindo, porque os efeitos são realmente incríveis, e ainda tem meu "rival" Brendan Fraser numa rápida cena sem camisa. Minha sogra, então, vibrou como uma criança no parque de diversões.

NEGÓCIO DA CHINA

Recebi um e-mail de um certo mr. Chen Guangyuan, a quem nunca tive o prazer de conhecer e que se identifica como funcionário do Bank of China. Ele me propõe um negócio mirabolante: um cliente do banco chamado Hamadi Hashem faleceu recentemente, sem deixar herdeiros para sua conta de mais de 17 milhões (de quê? o e-mail não especifica). Se eu quiser entrar nessa bolada, basta enviar meus dados bancários, que mr. Guangyuan faz a transferência - tudo perfeitamente dentro dos trâmites legais. Depois, só preciso devolver a ele 70% do valor; os outros 30 ficam comigo. Será possível que tem gente que cai nessas maracutaias? Deve ter, é só lembrar do misterioso nigeriano que alvoroçou a internet há alguns anos com propostas parecidas. Ou dos sensacionais esquemas de pirâmide, que tanta alegria trouxeram nos anos 80.

domingo, 10 de agosto de 2008

O PAI DOS OUTROS

Meu pai morreu há pouco mais de três anos. Ele morava no Rio, e fingia não se importar quando eu não vinha passar o Dia dos Pais com ele. Tínhamos uma relação curiosa: brigamos muito até minha adolescência, mas no final de sua vida eu era o mais próximo de seus cinco filhos. Hoje é estranho ver os anúncios de presentes para o Dia dos Pais e pensar que eu não tenho mais quem presentear. O dia só não passa totalmente em branco porque almoço com meu sogro, Oscar senior. O clube é outro, as pessoas são outras, mas a verdade é que esse almoço me faz bem. Pai é tudo igual, só muda de endereço.

sábado, 9 de agosto de 2008

OLHOS DE GORILA

Gorilas não gostam de manter contato visual com humanos. O gorila Bokito, do zoológico de Rotterdam, atacou uma mulher que o visitou quatro dias seguidos. Foi o que bastou para a agência DDB criar estes óculos, patrocinados pela seguradora FBTO, para que Bokito seja observado numa boa. Desnecessário dizer que este acessório também seria muito útil para quem gosta de fazer carão nas boates.

OLHOS DE PANDA

Meu oftalmologista disse que o colírio anti-glaucoma que venho pingando há dois meses deixaria meus cílios mais longos e espessos. Pois bem: meus cílios continuam fininhos como sempre. "Em compensação", manchas roxas apareceram ao redor dos meus olhos, dando a impressão que eu me meti numa briga, ou então que tenho dormido realmente muito mal. A explicação científica é que o colírio reduz a pressão sanguínea na região do globo ocular, que por causa disso fica melhor irrigado. Não vou perder a visão para o glaucoma, mas talvez tenha que carregar no concealer para não ficar parecido com um panda. Ou, pior ainda, com Tim Maia! Tim Maia!

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

PROGRAMA LEGAL

Achei uma maldade terem expulsado o Diego Braga do programa da Ana Maria Braga, onde ele participava do quadro "Agora Vai", só porque surgiram umas fotos do moçoilo au naturel num site de garotos de programa. É puro machismo: se fosse uma garota, aposto que isto não aconteceria. Afinal, ninguém daria a mínima se descobrissem que a Mulher-Melancia ou qualquer uma dessas hortifrutis é ou foi prostituta. Peraí, já descobriram?

WE WON'T ROCK YOU

Queen sem Freddie Mercury é pior que Buchecha sem Claudinho. Mas Brian May e Roger Taylor insistem em estragar o legado daquela que foi a banda que eu mais amei em toda a minha vida (John Deacon, sabiamente, prefere curtir sua rica aposentadoria). Há uns anos atrás eles recrutaram Paul Rodgers, ex-vocalista do Bad Company, para uma turnê pela Europa. Agora os caras voltam com um CD só com músicas novas, "The Cosmos Rocks", e têm a coragem de chamar essa joça de Queen. Freddie merecia um substituto como George Michael ou Robbie Williams, que têm muito de sua bichice e presença no palco. Paul Rodgers, roqueiro das antigas, não tem nada. Qualquer bandinha cover é melhor que esses três cacuras achando que ainda vão chacoalhar o universo. (Não tive a coragem de postar o vídeo da nova "C-lebrity", mas quem quiser sofrer pode clicar aqui.)

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

RETRATO, RETRATO MEU

Não tive o menor saco de assistir o segundo episódio das "Crônicas de Nárnia". Não gosto do gênero "fantasia épica", e ainda menos com subtexto cristão. Assim não fiquei conhecendo Ben Barnes, o ator inglês que faz o Príncipe Caspian. Hoje fiquei sabendo que ele faz o papel-título em "Dorian Gray", que chega aos cinemas no ano que vem. Já estou me coçando para ver, e não só porque esta nova versão também traz Colin Firth e a novata Rebecca Hall, que - dizem - rouba a cena em "Vicky Cristina Barcelona", o último de Woody Allen. Mas, principalmente, porque o livro de Oscar Wilde conta a que talvez seja a maior história gay de todos os tempos: a do amor de um cara por si mesmo.