sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

MATANDO-ME SUAVEMENTE

Todo dia o Celso Dossi nos importuna, a mim e a muitos outros blogueiros, com idéias zil para posts os mais variados. Tem comercial de bicicleta com motorzinho, gay causando terremoto em Israel, o escambau. Todos assuntos de sumo interesse, mas aparentemente sem pedigree para freqüentar o próprio blog do rapaz, que tem altas pretensões literárias. Bom, hoje eu estou de bom humor porque é 29 de fevereiro, então vou aceitar a sugestão de pauta e publicar até as próprias palavras do Celso: "O que tá melhor: a boca de piranha, a sombra branca nos olhos, o Miojo Galinha Caipira cobrindo a cabeça, o título separado em duas frases, o nome do maior sucesso dela escrito de maneira errada ou o desespero do tal Elieser para que contratem o “SUPERSHOW”? Ídolo tem que morrer cedo mesmo? HAHAHAHAHA" Mas é só dessa vez, hein, Celsito? Senão acostuma.

BRAHMEIRO É A MÃE

Sou publicitário, e Deus é testemunha que já fiz muita porcaria ao longo da minha carreira. Por isto, me sinto perfeitamente à vontade para descer o sarrafo nos anúncios que não gosto. Ainda mais quando o cliente tem dinheiro, é líder de mercado e poderia fazer algo realmente inovador. Mas, não: mais fácil apelar para a patriotada, cantar uma musiquinha chinfrim e tentar desesperadamente “cair na boca do povo”. Nizan Guanaes é mestre nisto, e ataca novamente com esses horrendos “Brahmeiros”. Era para ser propaganda de cerveja, mas tem a maior cara de campanha política. E as frases nas peças de mídia exterior, como “Sou Brahmeiro e tenho fé na vida”? Francamente – que coisa mais cafona. A melodia do jingle até que é gostosinha, mas é duro ouvir o Zeca Pagodinho, esse paradigma da moral, cantar sobre seu “nome limpo”. Lembra quando ele rompeu o contrato com a Schin e voltou aos braços da Brahma? Se isto é ser brahmeiro, me inclua fora disso.

VIGGO-ROSO

Nunca fui muito com a cara do Viggo Mortensen, mas vou dar o braço a torcer e admitir que ele está muito bem no thriller “Senhores do Crime”, do esquisitão David Cronenberg. Não só como ator (foi indicado ao Oscar), mas também no quesito corpitcho: com quase 50 anos, ele ostenta um físico incrivelmente bem esculpido. E faz bom uso dele na já antológica seqüência em que, completamente nu, é atacado por dois assassinos em plena sauna. No cinema não dá para ver muita coisa, mas o que vai ter de biba alugando o DVD e examinando a cena quadro a quadro…

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

ELAS QUEREM PRENDER VOCÊ

Enquanto que nos Estados Unidos a HBO já produziu sitcoms divertidas como "Entourage" e "Sex and the City", na América Latina o canal só quer saber de desgraça. Vejamos: da Argentina veio a lúgubre "Epitafios", sobre um serial killer que torturava barbaramente suas vítimas. E do Brasil vieram "Mandrake" e "Filhos do Carnaval", que torturavam barbaramente os espectadores. Neste domingo estréia a série mexicana "Capadócia", sobre uma prisão de mulheres. O elenco é ridiculamente bonito, cheio de atrizes magras, pele boa e cabelo tratado - exatamente o que você espera encontrar numa cadeia no México. Às vezes bate uma saudade das "Presidiárias" da TV Pirata...

ON THE COVER OF A MAGAZINE

Adivinha quem vai estar nas capas da "Vanity Fair" e da "Elle" americana em abril, e também num monte de outras revistas planeta afora...

MUSIQUE MAISON

Já sabe dançar tektonik? Essa dancinha de merda é o maior sucesso na Europa, e parece uma mistura de vogue com créu. E já tem um monte de bandas francesas especializadas na nova onda, como TTC, Yelle ou essa do clip aí de cima, Mondotek. Pois é, pra dancar tektonik tem que ter disposição. E viva la bad french house music!

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

LOJINHA DE DOCES

O Futuro Grande Homem pediu, e é com enorme satisfação que eu disponibilizo os baixotildes de "Candy Shop" da Madonna. A versão "oficial", com a participação do Pharrell, pode ser encontrada aqui. E a versão mais legal, com a participação do Freedom Williams, está dando sopa aqui. Ou então vá direto ao blog Madonnamp3 e caia de boca nos docinhos. Cuidado com a indigestão, e buen provecho.

SÓ NO CAVALINHO

Há alguns anos atrás meu marido Oscar e eu estávamos em Milão, hospedados num hotel boutique de nome sugestivo, o Spadari al Duomo. Pedimos uma dica de restaurante para a linda concierge alemã, e ela nos recomendou, numa mistura de inglês e italiano, o Just Cavalli Café. Saímos encafifados: será que ela estava nos mandando para o restaurante da Hípica, todo decorado com motivos eqüestres? Claro que chegando lá percebemos que o lugar era do estilista Roberto Cavalli, dada a profusão de estampas de zebra e oncinha, e a-do-ra-mos. Agora o Cavalli vai abrir sua primeira boate, e adivinha onde - Dubai! Mais um motivo para ir visitar a Libanesa.

CAFÉ REQUENTADO

Não tenho a menor simpatia pela rede Starbucks. Acho um acinte cobrarem cinco dólares por um espresso servido em copo de papel, e uns babacas a brasileirada que vem lotando as filiais daqui. Mas, felizmente, parece que a Starbucks bateu no teto: no último ano eles fecharam mais de 100 pontos de venda nos EUA, e ontem todos os funcionários americanos pararam de trabalhar por três horas para dar uma "reciclada". Os clientes bateram com os narizes nas portas das lojas, enquanto lá dentro os baristas discutiam como recuperar o "romance do café". É fácil, gente: preço baixo, bom produto e bom serviço. Caso contrário, vocês continuarão a passos largos pelo mesmo caminho que está tragando o McDonald's.

DOCE DURO

Acabam de ser anunciados o título oficial e a data de lançamento do novo CD da Madonna: "Hard Candy" (e não "Licorice", como chegou a ser ventilado) vem ao mundo no dia 29 de abril. Ah, e o primeiro single vai ser "Four Minutes", e não "Candy Shop", que já circula pela rede há alguns meses. Baixei a versão "oficial" desta última, com produção do Timbaland, e não achei grande coisa; depois encontrei um mash-up com uma faixa antiga do C+C Music Factory que ficou sensacional. Como será o resto do disco? Ao longo de 25 anos, Madonna me decepcionou pouquíssimas vezes, e está sempre afinada com as novidades. Mas a cara dela está começando a ficar esquisita, com tanta plástica que (dizem) tem feito. E logo recomeça a novela: será que dessa vez ela fará shows no Brasil?

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

VAZANDO SEXO

Estou há dias caçando este trailer na internet. Recebi a dica na semana passada, mas ele logo desapareceu do iKlipz, e não aparecia nunca no YouTube. Deve ter vazado irregularmente para a internet, e os produtores estão pedindo para os sites tirarem do ar. Então clica logo aí em cima se você quer ver o trailer oficial de "Sex and the City"! Por enquanto gostei de tudo: as meninas, as roupas, a Jennifer Hudson, e principalmente a música-tema em versão "orquestra de Hollywood". O filme tem estréia prometida por aqui para 4 de julho. Agüenta, coração: faltam só 4 meses, 7 dias, 5 horas e 20 minutos.

MUDANDO DE ASSUNTO...

E chega de falar do Oscar 2008! Ninguém mais tem saco, esgotou-se o assunto, já deu. Tá na hora de falar de outras coisas, como por exemplo... o Oscar 2009. Sim, já foi dada a largada para a premiação do ano que vem, e eu já sei até quem vai ser indicada para melhor atriz. Confira:
- Emily Blunt, por "Young Victoria"
- Julianne Moore, por "Blindness"
- Meryl Streep, por "Doubt"
- Rachel Weisz, por "The Lovely Bones"
- Kate Winslet, por "Revolutionary Road"
E mais uma vez vai ser uma disputa acirrada. Mas eu aposto em Julianne Moore, que aliás terá um dos vários prêmios que o filme de Fernando Meirelles vai levar. Pode anotar e me cobrar depois!

AOS CÉSARS O QUE É DOS CÉSARS

Neste fim de semana em que os Oscars dominaram o noticiário, os Césars, seus primos franceses, passaram meio batidos pelos jornais brasileiros. O curioso é que, com três títulos concorrendo em Hollywood - "Piaf", "O Escafandro e a Borboleta" e Persépolis" - a Academia francesa deu seu prêmio máximo a "O Segredo do Grão", um drama de orçamento modesto sobre imigrantes árabes em Paris. Mas todo mundo levou alguma coisa, principalmente "Piaf", incluindo o inevitável troféu de melhor atriz para Marion Cotillard. Ela está mesmo livin' la vida loca: na sexta ganha o César, no sábado voa para Los Angeles, no domingo ganha o Oscar... ainda bem que os Nobel são só em outubro.

ONDE OS URSOS NÃO TÊM VEZ

Passou desapercebido pela mídia brasileira, mas o produtor Scott Rudin - esse fofo da foto aí ao lado - agradeceu ao namorado John Barlow quando foi receber o Oscar de melhor filme por "Onde os Fracos Não Têm Vez". Talvez porque já fosse tarde e todo mundo estava cansado, ou talvez porque Rudin seja um legítimo urso, longe do padrão quaquá / barbie a que a imprensa está mais acostumada. Enquanto isto, nos EUA, já está rolando até um mini-escândalo: na transcrição dos agradecimentos distribuída pela rede ABC após a cerimônia, a menção de Rudin ao maridón foi convenientemente esquecida. Então vamos por a boca no trombone: afinal, não é todo dia que uma bichona ganha o maior prêmio da indústria do cinema e ainda tem os cojones de dedicá-lo ao bofe. You go, bear!

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

ELE É SENSACIONAL

E a festa do Oscar continua. Não, não o de Hollywood, mas o meu, o maior prêmio que ganhei na vida. Hoje é o aniversário do meu marido Oscar. O que você dá para o homem que já tem tudo? Mais do mesmo! Enquanto isto, dedico a ele a letra de "You're Sensational", do Cole Porter. Esta música faz parte da trilha do filme "Alta Sociedade", que assistimos em DVD neste fim de semana, e, tirando a parte da "Miss Frigid Air", descreve Oscar à perfeição:

I'm no proof
When people say you're more or less aloof,
But you're sensational.
I don't care
If you are called "The Fair Miss Frigid Air,"
'Cause you're sensational.
Making love is quite an art,
What you require is the proper squire
To fire your heart,
And if you say
That one fine day you'll let me come to call,
We'll have a ball,
'Cause you're sensational,
Sensational,
That's all, that's all, that's all.

O GOSTO DA VITÓRIA, AAAHHH

Então, sou pé quente ou não sou? Acendi uma vela mental pelas minhas favoritas e deu certo: Tilda Swinton e Marion Cotillard desbancaram a concorrência e faturaram seus merecidos Oscars. Não por acaso, confirmaram meu bom-gosto e também eram as mais elegantes da noite. Marion estava praticamente de sereia, num vestido de Jean-Paul Gaultier cheio de escamas, e Tilda arrasou numa toga preta de uma manga só. Javier Bardem também estava um tesão, num blazer de botão alto e com a barba por fazer. O mesmo não pode ser dito de Daniel Day-Lewis, com um corte de cabelo infeliz digno de Anton Chigurh. Eu teria gostado mais se Johnny Depp tivesse sido premiado, mas aí era zebra demais. O resto da cerimônia foi o auge da sem-gracice. Números musicais que oscilaram entre o pífio e o patético, e um Jon Stewart meio sem assunto - a greve dos roteiristas não deixou tempo para criarem piadas melhores. Mesmo assim, fui dormir satisfeito com meus poderes parapsicológicos. O que vou desejar agora? Obama presidente? A paz mundial?

domingo, 24 de fevereiro de 2008

MULHER SOLTEIRA PROCURA

Ao lado do aquecimento global e dos conflitos étnicos, as mulheres encalhadas são um dos grandes problemas que assolam o mundo moderno. É o que leva a acreditar a enorme quantidade de filmes e séries de TV dedicadas ao tema, que vão do sublime ("Sex and the City") ao atroz ("Avassaladoras", escrito por yours truly). Mas uma coisa todas essas obras têm em comum: não são críveis, pois as protagonistas são invariavelmente bonitas e, na vida real, jamais seriam solteironas. Na verdade, este é o menor dos problemas de "Vestida para Casar", comédia boba que ousou ser lançada em plena semana do Oscar e estrelada pela luminosa Katherine Hiegl. Não perca seu tempo. Quer ver algo leve e divertido? Vai ver "Juno".

sábado, 23 de fevereiro de 2008

YOU MAKE A GROWN MAN CRY

Finalmente fui ver "Juno", e o começo do filme confirmou minhas piores suspeitas: over-written, com tantas piadinhas que o problema da gravidez adolescente parece tão sério quanto uma indigestão. Mas os atores estão todos ótimos, e o ritmo do filme é tão envolvente que eu não olhei nenhuma vez para o relógio (coisa rara). E no final não me contive: o roteiro espalha pistas falsas, e não me deixou preparado para o desfecho, bonitinho, tocante, verdadeiro. Chorei sim, e saí do cinema me sentindo um adolescente.

GRAZI TANTISSIME

Rodrigo Rosner, estilista fabuloso e amigo idem, lançou sua primeira coleção em janeiro e já está causando rebuliço. Grazi Massafera foi ao show da Ivete Sangalo anteontem a bordo de um de seus modelitos, e o moço está nas nuvens. Não importa que a roupitcha escolhida era um tiquinho quente para dançar axé: la Massafera provou que é uma autêntica fashionista, sempre disposta a sacrificar o conforto em prol da verdadeira elegância.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

MAS EU DARIA PARA...

Neste domingo acontece a cerimônia de entrega dos Oscars mais nas coxas de todos os tempos. Os produtores tiveram menos de duas semanas para levantar um show de quase quatro horas de duração, com a presença de milhares de astros do cinema e assistido por uma platéia de duzentos bilhões de pessoas em mais de setecentos países (quem não tem raiva dessas estatísticas absurdas que o Oscar adora proclamar?). Tudo culpa da arrastadíssima greve dos roteiristas, que acabou faz dez dias. Mas vamos ao que interessa: quem será a mais elegante? Isto não dá para prever. Em compensação, as previsões sobre os ganhadores abundam na internet, e claro que eu também quero abundar. Então lá vai:

MELHOR FILME
VAI GANHAR:
"Onde os Fracos Não Têm Vez". A crítica americana está de joelhos por este filme, e a bilheteria considerável também ajuda. Ganhou TODOS os prêmios precursores.
MAS EU DARIA PARA... "Tropa de Elite". O quê? Nem foi indicado? Hmm, não sei. "Michael Clayton" é muito bom. Ainda não vi "Juno". Whatever.

MELHOR DIRETOR
VÃO GANHAR:
Os irmãos Coen. Paul Thomas Anderson corre por fora, mas ele ainda é jovem e pode esperar mais umas décadas.
MAS EU DARIA PARA... Os irmãos Coen, mais pelo conjunto da obra do que por "Fracos", que eu achei idem.

MELHOR ATOR
VAI GANHAR:
Daniel Day-Lewis por "Sangue Negro". Mó barbada. Será que só eu na face da Terra acho esse cara um tremendo canastrão?
MAS EU DARIA PARA... Johnny Depp. Nunca ganhou, continua liiindo e canta muito bem em "Sweeney Todd". Mas o filme é grand guignol demais para o gosto da Academia. Sem chance.

MELHOR ATRIZ
VAI GANHAR:
A favorita era Julie Christie por "Longe Dela", mas os sites especializados agora estão apostando numa vitória apertada de Marion Cotillard, por "Piaf". Tomara.
MAS EU DARIA PARA... Marion Cotillard. A única razão que pode fazê-la perder o prêmio é o singelo fato de ser francesa. Se o filme fosse falado em inglês (e Piaf mais conhecida nos EUA) o Oscar já estaria em seu bolso. Malditos xenófobos.

MELHOR ATOR COAJUVANTE
VAI GANHAR:
Javier Bardem, por "Onde Os Fracos..." Seu Anton Chigurh já entrou para o incosciente coletivo, friendo.
MAS EU DARIA PARA... Javier Bardem, além do mais porque ele é liiindo. Agora, o papel não é de coadjuvante, alguém percebeu? Se Bardem fosse americano, teria sido indicado como ator principal.

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
VAI GANHAR:
Esta é a categoria mais embolada. Cate Blanchett era a faovrita por "Não Estou Lá". Aí Amy Ryan ganhou muitos prêmios da crítica por "Medo da Verdade", e Ruby Dee levou o SAG Award por "O Gângster". Agora os sites especializados estão dizendo que essa confusão toda vai favorecer a divina Tilda Swinton. Tomara.
MAS EU DARIA PARA... Tilda Swinton, que está soberba em "Michael Clayton", e merecia ter sido indicada trocentas outras vezes.

E agora com licença que eu tenho que passar na Madame Rosita e tirar as peles da geladeira, e depois dar um pulo no banco para buscar a tiara no cofre. Mesmo sem sair de casa, eu sempre assisto ao Oscar devidamente paramentado. Ah, e uma última previsão: "Os Falsifcadores", da Áustria, vai ganhar como Melhor Filme em Língua Estrangeira. Mas eu daria para... "Tropa de Elite"!

MUITO PELO CONTRÁRIO

Já tem programa para depois do Oscar? A "Vanity Fair" cancelou sua festa, a mais badalada de todas, apostando que este ano não ia rolar a cerimônia. Pois é, rolará, e quem correu para preencher o vácuo deixado pela revista foi ninguém menos que Madonna. Ela, mais sua culega Demi Moore e seu empresário Guy Oseary, alugaram uma casa nas Hollywood Hills para um rega-bofes pós-prêmio, e os convites já estão sendo disputados a unhada. Se você ganhar um Oscar, não esqueça de levá-lo na mão: muito mais chic que qualquer bolsa Gucci. Ah, e a pergunta que não quer calar: será que a Lourdes Maria, apesar de ainda nem ter menstruado, vai tirar a monocelha?

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

K.D. ZZZZZ

k.d. lang é a maior cantora branca viva. Sua interpetação de "So in Love" de Cole Porter é definitiva. Seu álbum "Ingénue", de 1992, conta todas as etapas de um caso de amor - do flerte à superação - através de canções deliciosas, como "Miss Chatelaine" ou "Constant Craving". Mas verdade seja dita: ela vem perdendo o humor, e está ficando chatinha... Às vezes tenho a sensação que isto acontece com todas as lésbicas, mas convém não generalizar. O fato é que seu novo CD, "Watershed", só tem composições próprias, e nenhuma delas é grande coisa. Sua voz soa límpida como nunca, e emotiva na medida certa. Mas os arranjos são monótonos, e a volta às raízes country é mesmo de lascar. Ontem ouvi o disco no carro, e quase dormi ao volante.

PURO LUJO

Já tem programa para a Semana Santa? Hoje recebi um e-mail do Grupo Habita, dono dos hotéis mais irados do México, como o Condesa DF na capital e o Deseo em Playa del Carmen. Eles acabam de inaugurar o La Purificadora em Puebla, e a mistura de design clean com arquitetura colonial é de fazer o Niemeyer revirar na cova. Mas já sei o que vão dizer: de que adianta o lugar ser bonito se os mexicanos são feeeios?

SHAKE IT LIKE A POLAROID PICTURE

A Polaroid parou de fabricar as câmeras instantâneas que viraram sinônimo da marca. Quem tem mais de 30 anos deve lembrar que uma câmera Polaroid animava uma festinha mais do que qualquer show de strip-tease. E quem tem menos não deve ter a menor idéia do que eu estou falando: esse generation gap pode prejudicar até o filme do Miguel Fallabella que estréia semana que vem, que se chama justamente "Polaróides Urbanas". Agora essas maquininhas vão para o grande ferro-velho lá do céu, onde já estão o gramofone, a vitrola e o vídeo-cassete. Com suas imagens pouco nítidas (ainda não se falava em "resolução") e que desapareciam depois de alguns anos (o horror! o horror!), as Polaroids até que duraram muito na era digital. Aliás, as vendas das câmeras digitais já começaram a cair - e por culpa dos celulares, que estão tirando fotos cada vez melhores.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

BAZAAR ONLINE

Não, não é o Harper's: é o equivalente online do Grand Bazaar de Istanbul. Sim, agora você pode comprar all things turkish sem sair do conforto do seu lar. O site Tulumba oferece coisas de deixar babando os turcófilos como eu, de pães e biscoitos até os novos CDs de Tarkan e Mercan Dede. Sem falar em toda uma seção voltada à evil eye jewelry, aquele olho azul que tira o mau-olhado e é tão obrigatório para quem visita a Turquia como o berimbau para quem vai à Bahia. O must é uma árvore de Natal enfeitada com esses olhinhos, capaz de espantar até Papai Noel - e que aliás também é turco!

A FILIAL DO PARAÍSO

Sinto a maior dó dos paulistanos quando, naquele concurso da Vejinha, todo ano ganha a Haagen-Däsz como o melhor sorvete. Como é possível que uma cidade do tamanho de São Paulo, com todos os imigrantes que têm, não tenha conseguido criar uma marca forte de sorvete premium? Buenos Aires tem o Freddo e o Persicco, com seus bilhões de variantes de dulce de leche (a melhor de todas: dulce de leche COBERTO com dulce de leche). E o Rio tem um pedaço do céu na terra, o Mil Frutas, com lojas no Jardim Botânico, em Ipanema e no Fashion Mall. Às favas o regime e a malhação: não há bofe-escândalo capaz de proporcionar prazer maior que sabores como água-de-flor-de- laranjeira ou mosaico, uma mistura improvável de chocolate branco com balas de goma de cachaça. E agora no site deles acabei de descobrir que estão lançando o sabor marmelada. Dá vontade de ir correndo para o Rio, porque, misteriosamente, o Mil Frutas nunca abriu nada em SP.

AMIGO É PRA ESSAS COISAS

Tô achando esses "Queridos Amigos" uns chatos, todos. Com uma honrosa exceção: o Benny, a bicha mardita que veio entornar o caldo de todo mundo. É o único personagem interessante, feito pelo único ator interessante do elenco, o Guilherme Weber - ou vai dizer que alguém aí fazia o Nachtergaele? O texto da série me soa como um amontoado de frases feitas, e a trilha, recheada de Elis e Milton, parou nos anos 70. Em 1989 o que se ouvia era Marisa Monte, Neneh Cherry e Liza Minnelli produzida pelos Pet Shop Boys, hellooooo!

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

LIBERA ESSA CUBA AÍ

Sabe o que muda em Cuba com a "renúncia" de Fidel Castro? Xongas. Porque ditador não renuncia: ou morre, ou é deposto. Tudo bem que o véio está meio aposentado há mais de um ano e meio, mas o regime vai bem, gracias. Fidel conseguiu formar uma elite grande o suficiente para defender o status quo, formada basicamente por oficiais do exército e diretores de estatais - que muitas vezes são as mesmas pessoas. Rolei de rir vendo o Lula elogiando a "transição tranqüila", como se Cuba não tivesse acabado de se tornar a segunda monarquia comunista do mundo (a primeira é a gloriosa Coréia do Norte). E rolo mais ainda quando vejo os defensores da revolución dizendo que Cuba pode não ter liberdade política nem comida nos supermercados, mas "pelo menos" tem saúde e educação para todos. Esses tolinhos esquecem que Porto Rico, bem ali do lado, com clima, geografia e cultura parecidas, tem tudo isso e muito, mas muuuito mais, graças a uma confortável situação de estado-associado aos famigerados EUA. Pergunta pros porto-riquenhos se eles querem trocar de lugar com os cubanos. Depois inverte a pergunta...

DIME LA VERDAD

Fala a verdade: tem música boa rolando por aí? Começo de ano é sempre assim. Depois da tsunami de lançamentos do Natal, o hit parade dá uma certa estagnada. OK, os superstars de 2008 podem surgir a qualquer momento - afinal, foi mais ou menos nessa época no ano passado que estouraram o Mika e a Amy Winehouse. Mas enquanto isto, não tem nada melhor que “I Need a Miracle” tocando por aí. Ou os sempre animadérrimos sets do DJ Guto Rodrigues, disponíveis aqui. Onde estão os guilty pleasures como esse aí de cima, que pouca gente conhece no Brasil, mas que foi um enorme sucesso na Espanha em 1995? É a cara da Aparecida Marinho, mas na verdade é a Marta Sánchez, que até já gravou com o saudoso Paulo Ricardo. Repare no cabelo de boneca Susi passado a ferro, na coreografia expressionista, na batida à la Soul II Soul. Um clássico. Adoooro.

OS VENDILHÕES DO TEMPLO

Está em curso uma campanha da Igreja Universal do Reino de Deus para intimidar seus críticos. É óbvio que o que está por trás de tudo isto é uma disputa feroz entre os grandes atores da mídia brasileira, envolvendo a Globo, a Record, a “Folha de São Paulo” e milhões de consumidores em potencial. Ninguém é santo nessa turma, mas não dá para defender a IURD. Alegando que sofrem de “preconceito religioso”, alguns fiéis mais exaltados – e obviamente manipulados pelos dirigentes da seita – estão disparando processos contra veículos e jornalistas que ousaram criticar as práticas sombrias e inescrupulosas da Universal. Chega de usar a fé como escudo, e de se aproveitar dela para atacar homossexuais e qualquer um que não se junte ao rebanho. E nesse imbroglio todo é triste ver o Paulo Henrique Amorim, que já foi um jornalista respeitado, deslizar mais alguns degraus rumo a um inferno em dose dupla: a falta de integridade e a de credibilidade.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

O FILHO MAIS BONITO DO MUNDO

Tem coisa mais difícil do que ser o filho feio de uma celebridade bonita? Que o digam a Rafaela Fischer, ou aquela filha gordota da Cristiana de Oliveira (que foi gorda na adolescência). Agora, quando seus dois pais são considerados translumbrantes, seria muita sacanagem nascer feiusco, né não? Ainda bem que o Kim Riccelli escapou dessa. Hoje à noite vou ver "O Signo da Cidade", dirigido por seu papai e escrito e estrelado por sua mamãe, e confesso que estou mais interessado nele do que no roteiro ou na direção, hahaha. Além do mais porque, de acordo com essa foto aí do lado, o moço tem uma coisa ainda mais atraente do que beleza: tem atitude.

A PIADA MAIS SUJA DO MUNDO

Um ator de vaudeville vai oferecer seus talentos a um agente teatral. "Então, como é esse número que você faz?" O ator então chama sua família, e ali mesmo, como se nada, todos começam a praticar os atos mais obscenos possíveis, entre si e uns nos outros. Rola incesto, pedofilia, zoofilia, necrofilia, coprofagia, you name it. Terminada a lambança, o agente pergunta: "Qual é o nome deste número?" E o ator responde... "Os Aristocratas!". Achou graça? Eu também não. Mas lida não tem graça mesmo: considerada a "mais suja do mundo", esta piada é para ser contada em voz alta, e recheada de cacos por quem estiver contando. É como uma peça de jazz, que se presta a inúmeras interpretações e improvisos. E rendeu um documentário interessante, que passa hoje às 23:45 na HBO. Gente do calibre de Whoopi Goldberg e Jason Alexander compete para ver quem deixa a piada ainda mais suja (tem até um feto que, ainda dentro do útero, consegue comer a própria mãe). De quebra, também dá para comparar os estilos de vários dos mais importantes cômicos americanos. Vou ter que dormir tarde esta noite.

Update: Perdi quase tudo, pois a HBO começou a exibição de "Os Aristocratas" uma hora antes, graças ao final do horário de verão. Mas consegui ver os bonequinhos do "South Park" contando a piada, e morri de rir. Eles conseguiram torná-la ainda mais ofensiva ao acrescentar, no final, uma sátira aos mártires mais sagrados da América, as VÍTIMAS DO 11 DE SETEMBRO. Wu-huu!

O PAÍS MAIS HORRÍVEL DO MUNDO

Impossível não comparar com "Persépolis": "Pyongyang", do quadrinista e animador canadense Guy Delisle narra, em primeira pessoa e em preto-e-branco, uma experência num país fechado e ditatorial (ah, e também foi escrito em francês). Mas, ao contrário de Marjane Satrapi, que nasceu no Irã e sentiu de perto todo o desvario da revolução islâmica, Delisle passou só dois meses na Coréia do Norte, e obviamente nunca perdeu seu olhar de estrangeiro. Não faz mal: o livro é fascinante, e revela um lugar ainda mais terrível do que temíamos. Em breve, o filme?

domingo, 17 de fevereiro de 2008

SEE THAT GIRL, WATCH THAT SCENE

Claro que o filme que eu estou mais desesperado para ver este ano é “Sex and the City”. Mas num segundo lugar bem próximo vem “Mamma Mia!”, a filmagem do musical da Broadway só com músicas do Abba. O trailer já está passando por aí, e foi a melhor coisa que me aconteceu no cinema quando fui ver “Elizabeth”. Olha só que começo cafona, com o mar da Grécia brilhando sob o luar, e olha como a Meryl Streep ficou bonita de hiponga envelhecida. Ela também canta e dança; não há nada que essa mulher não saiba fazer?

sábado, 16 de fevereiro de 2008

PEDE PRA SAIR

Acho que ninguém esperava a vitória de “Tropa de Elite” no festival de Berlim, ainda mais depois que a crítica lá de fora se dividiu do mesmo jeito que a daqui. Isto eu tenho que admitir: o filme é mesmo polarizador. Mas como faço parte da tropa dos fãs, claro que fiquei radiante. Só não entendi o modelito tenebroso do diretor José Padilha ao receber o Urso de Ouro: onde já se viu usar smoking com GORRO? Nem na favela do Chapéu Mangueira. Graças a esse faux-pas, Padilha já é franco favorito ao prêmio de mais mal-vestido do ano.

I DRINK YOUR MILK-SHAKE

Estava louco para ver “Sangue Negro”, mas apesar de alguns bons momentos aqui e ali, achei chato até a penúltima cena. Não entendo essa onda toda em volta do Daniel Day-Lewis: o cara está over o tempo todo, falando numa voz empostada digna do Grande Teatro Tupi. Mas a trilha eletrônica, a cargo de um dos membros do Radiohead, é inquietante e realmente inovadora, e merecia o Oscar (não foi sequer indicada). Agora, o final do filme… é de lavar a alma de quem, como eu, odeia os charlatães religiosos, sejam eles evangélicos, muçulmanos ou do raio que os parta. Há uma fala do Day-Lewis que, fora do contexto, parece piada – “I drink your milk-shake” – mas de tanto sucesso que já tem até paródia no YouTube. Saí do cinema como se tivesse recebido uma epifania.

"ELIZABETH" JÁ ERA

No final de “Elizabeth: a Era de Ouro”, enquanto os navios ingleses afundam a “Invencível Armada”, o rei Felipe II reza no palácio do Escorial. A câmera então dá um close numa vela acesa. Tapei os olhos e rezei também: Deus, por favor impeça o diretor Shekar Khapur de fazer uma coisa tão óbvia. Mas não deu outra: no final da batalha a vela se apaga sozinha, e o filme afunda junto com o império espanhol. Difícil acreditar que é do mesmo responsável pelo “Elizabeth” de nove anos atrás, que revelou Cate Blanchett e foi indicado a uma penca de Oscars. Cate continua esplêndida e os figurinos são de babar, mas o roteiro maniqueísta transforma os ingleses nos cavaleiros jedis e os espanhóis nas forças do Senhor dos Anéis. Quem quiser ter uma visão muito mais realista do que foi esse período deve procurar a mini-série “Elizabeth I”, que, apesar de co-produzida pela HBO, passou por aqui meio escondida no canal Hallmark. Ainda mais porque no papel-título está a verdadeira rainha das atrizes britânicas, sua majestade Helen Mirren.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

ESCRAVO DO AMOR

Estou me sentindo a própria esposa muçulmana, reprimida e submissa. Eu queria ficar em São Paulo neste fim de semana. No sábado tem a festa de lançamento da “Dom” no. 2 na Flexx, e eu fui convidado por causa do blog, olha só que consagração. E no domingo tem a festa de aniversário do André Almada em Maresias – o e-mail do convite é tão fino que inclui até as coordenadas do heliponto do Sirena. Mas vou ter que perder esses dois eventos, e tudo porque meu marido Oscar insiste em ir para o Rio. É que no sábado rola o aniversário de uma velha amiga dele, que vai reunir toda a turma que fumava maconha nos anos 70 (quer dizer, os que sobreviveram). Oscar quer mostrar como está bem para os amigos carecas e safenados, e eu vou sobrar num canto da sala porque não conheço ninguém. Ah, the things you have to do for love...

CRÉDITO RECUSADO

Alguém ainda tem saco para mais uma CPI? Ainda mais uma CPI fajuta como essa dos cartões, que, como bem disse o Zé Simão, vai dar em “mezzo Visa, mezzo MasterCard”. O lado bom desses escândalos é que eles sempre geram coisas engraçadas, como esse vídeo aí em cima: legendas “atualizadas” sobre uma cena do filme “A Queda”, que conta a história dos últimos dias de Hitler.
(Deco, valeu pela dica!)

MIOLO MOLE

Muito boa essa campanha da agência de propaganda Ruf Lanz, de Zurich, para vender capacetes de ciclista da loja Sport Factory Outlet. São três cartazes, todos com frases inacreditavelmente autênticas do abominável presidente dos EUA: “Sandy é uma garota do Texas, assim como eu”, “Uma das coisas legais sobre os livros é que às vezes tem um desenhos fantásticos” e “Se isto fosse uma ditadura, seria mais fácil pacas. Desde que eu fosse o ditador”. Aí vem a mensagem do patrocinador: “George W. Bush já caiu da bicicleta mais de uma vez. Proteja sua cabeça com um capacete”.

NO FRIGIR DO KOSOVO

Acho tããão século 19 essa coisa de cada povinho, cada suposta “nação”, achar que tem um direito sagrado ao seu próprio paiseco independente. Essa gente não tem informação de moda, e não sabe que a tendêêência hoje são as confederações, a versão muderna dos antigos impérios. Veja só o caso do Kosovo: esta província da Sérvia, de maioria albanesa, vai se tornar independente no próximo domingo. É bem feito para os sérvios, que, sob o comando do carniceiro Slobodan Milosevic, cometeram atrocidades por toda a antiga Iugoslávia. Mas faço a mesma pergunta que fiz em relação ao Timor Leste: é viável um país tão insignificante? E por que será que em nenhum momento os kosovares pensaram em se juntar a seus conterrâneos e fazer parte da Albânia? Talvez porque a Albânia continue sendo uma merda, mesmo depois do comunismo.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

DA RÚSSIA COM AMOR

Compro qualquer revista que tenha dois homens se beijando na capa, mesmo se for “Família Cristã” (aliás, especialmente se for “Família Cristã”). Mas, no caso dessa aí ao lado, até o jornaleiro se confundiu, e a misturou entre as “Attitude” e as “Playguy” da vida. O fato é que “Russia!” é de outra enfermaria: uma espécie de “Wallpaper” sobre todas as coisas russas e bacanas – e eu juro que não achava que fossem tantas. A edição que eu comprei tem arte polêmica, clássicos da literatura, fotos da cadela Laika e nenhuma menção ao Vladmir Putin. Tudo isto numa embalagem atraente, e com textos em inglês. Já pensou se fizessem uma revista parecida sobre um país realmente cool, como, digamos, o Brasil? “Russia!” já se encontra em algumas bancas de SP, e também pode ser folheada aqui.

MY FUNNY VALENTINE

Sabia que só no Brasil o Dia dos Namorados é celebrado em 12 de junho? É porque é a véspera do dia de Santo Antonio, o santo casamenteiro na tradição portuguesa. Nos EUA e em muitos outros países ele é comemorado hoje, 14 de fevereiro, o dia de São Valentim. A associação deste mártir romano com o amor romântico é totalmente fictícia, e atribuída ao poeta ingles Geoffrey Chaucer, do século 12. O fato é que a moda se espalhou pelo mundo e chegou a ser proibida na Arábia Saudita – o que, evidentemente, gerou um mercado negro para cartões e caixas de bombons. Mas é um dia cruel para os solteiros. Tenho muitos amigos que detestam ver a data se aproximando e eles, mais uma vez, não têm o quê / com quem comemorar. O Valentine’s Day americano é mais generoso, apesar do apelido politicamente correto (e malvado) de “Dia da Consciência Solteira”. Nos EUA não só os apaixonados trocam cartões e presentes, mas também amigos, pais, filhos, chega a ser incestuoso. Então vou dar uma de Rosana Hermann e dedicar este valentine ao querido leitor: sem você eu não sou nada!

SALVADOR DE LA PATRIE

Justo na semana em que o Lula vai visitar o Sarkozy na Guiana Francesa, morre o único franco-guianense de fama mundial: o divino Henri Salvador, precursor da bossa nova e showman completo. Nos últimos anos de vida ele gravou discos antológicos, com produção de Jacques Morelenbaum ou meu amado Benjamin Biolay. E criou um verdadeiro cafuné sonoro, para se ouvir deitado numa rede. Mas teve de tudo em sua longa carreira: rock, twist, iê-iê-iê, e até coisas inclassificáveis como “Juanita Banana”, uma das primeiras músicas de que gostei na vida (é de 1966!). Olha só o clip aí em cima: modernérrimo, e uma influência nítida no trabalho de Jean-Paul Goude com Grace Jones duas décadas mais tarde. Fora que é sempre divertido ver um artista famoso vestido de mulher.

VEM PRA CAIXA VOCÊ TAMBÉM

A versão americana de “Queer as Folk” passava no Cinemax aqui no Brasil, um canal que pouca gente tinha naquele longínquo ano de 2001. Nós tínhamos, e foi assim que começaram os esquentas lá em casa: toda sexta à noite um bando de bibas se juntava para assistir um episódio, e depois nos jogávamos no velho Ultralounge. O final da segunda temporada teve até flyer desenhado pelo Leo Gross, com uma chamada instigante: “Quem vai ficar com Justin?” Tenho todas as temporadas em DVD, mas agora saiu nos EUA (e já chegou na Banana Music, em SP) uma caixa com a série completa, só para me deixar com vontade de comprar tudo de novo. O presente perfeito para o dia de hoje.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

ESSES ROMANOS SÃO UNS NEURÓTICOS

Caí no caldeirão das historinhas do Asterix quando eu era pequeno, então estou doente para ver o novo filme baseado na série. “Asterix nos Jogos Olímpicos” estreou há duas semanas na Europa, e já é um fenômeno de bilheteria. O elenco tem algumas curiosidades, como Alain Delon interpretando Julio César e Clovis Cornillac substituindo Christian Clavier no papel-título. Gisele Bündchen chegou a ter sua pariticpação anunciada, mas não vingou, hélàs. Ainda bem que Gérard Depardieu continua como Obelix: por Tutatis, poucas vezes se viu tamanha adequação entre ator e personagem.

PUTTIN' ON THE RITZ

Outro dia fui jantar no Ritz com um amigo e levei um susto: quase todos os outros clientes regulavam com a minha idade. Tudo bem que já era tarde (por volta da meia-noite), mas é justamente o público mais jovem que não vai cedo para a cama – e que costumava lotar até a calçada do restaurante friendly mais tradicional de SP. Será que, depois de quase 27 anos em cartaz, finalmente o Ritz está deixando de conquistar uma nova geração de consumidores? Este pensamento me deixou triste: a casa da alameda Franca é um cenário fundamental da minha vida (foi lá que conheci meu marido Oscar), e também de centenas de paulistanos. Mas talvez seja cedo para chorar as pitangas. Hoje fiquei sabendo que o Ritz vai inaugurar uma filial no Shopping Iguatemi. Provavelmente terá ainda mais mauricinhos (e menos gays) que a filial do Itaim, mas a marca sobrevive.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

DÁ UM CLOSE NELA

Hoje é noite de vigília em frente à TV. Estréia a série "Damages" no canal AXN, às 21 horas, com Glenn Close - simplesmente a atriz que eu mais amo em todo o sistema solar. Glenn é uma das grandes injustiçadas da história do Oscar, e anda meio sumida das telas de cinema. Mas vem fazendo uma bela carreira na televisão: depois de uma temporada como estrela convidada no seriado "The Shield", ela ganhou seu próprio programa, e com ele vem ganhando prêmios e indicações. Li que "Damages" é super violenta, e La Close faz uma advogada barra pesada - ou seja, é disto que são feito os sonhos. Antes ainda tem a estréia de "Dirty Sexy Money", e só esse nome já me deixa todo assanhado; como se não bastasse, o astro é o husband material do Peter Krause, de "Six Feet Under". Por favor não me liguem hoje à noite.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

GRAMMY-AMY-AMY

Amy Winehouse levou cinco dos seis Grammys a que estava indicada: canção, gravação, álbum pop, cantora pop e revelação do ano. Só perdeu álbum do ano para o Herbie Hancock, uma zebra absoluta. E o fato de não ter conseguido visto para os EUA ajudou em sua performance: foi muito melhor vê-la num clubinho intimista em Londres do que no palco gigantesco do Staples Center. O Grammy até que teve outros bons momentos, como Rihanna cantando "Don't Stop the Music" ou Tina Turner ensinando para Beyoncé como é que se faz. Mas esta edição do prêmio vai mesmo entrar para a história como o ano de Amy, que nem esperava tanto e se emocionou de verdade. Quem sabe agora ela se anime e não só largue as drogas, como também reponha aquele dente que está faltando?

VEM CÁ, TE CONHEÇO?

Devo ter sido uma das quatro pessoas que assistiram o filme chileno "Sexo com Amor" em sua passagem meteórica pelos cinemas brasileiros. Estava curioso para ver a maior bilheteria da história do Chile, mas achei tudo uma joça. Agora esta joça ganha uma versão nacional e um ponto de interrogação no título, mas continua tão ruim quanto. A direção de Wolf Maya é inexistente, e os atores estão péssimos - de José Wilker, que tenta encarnar o Jack Nicholson e não consegue, a Malu Mader, que não convence nem quando sua personagem está dormindo. Só Maria Clara Gueiros se salva, pois tem timing de comédia sem ser over como o Eri Johnson. Ela merece ser mais conhecida.

AGRADECEMOS A PREFERÊNCIA

A semana mal começou e eu já estou completamente Sissi - "si sintindo" o máximo - graças a essa notinha que o Tiago Snake postou lá no PixParties. O Ítalo e o Ailton Botelho também foram citados, e eu fico que nem os indicados ao Oscar: honrado por estar em tão distinta companhia. Obrigado, Tiago, e volte sempre.

domingo, 10 de fevereiro de 2008

DEFENDER LA ALEGRÍA


O Raul Juste Lores mal chegou a Beijing e já está cumprindo com galhardia a função de correspondente deste blog. Tudo bem que a primeira dica enviada por ele não tem nada a ver com a China: é o clip que diversos artistas espanhóis gravaram em apoio ao Zapatero, o político que mais admiro no mundo. Zapatero é tudo be bom: retirou as tropas da Espanha do Iraque, aprovou o casamento gay, peitou o Hugo Chávez, e ainda é lindo de morrer. Deve ser reeleito primeiro-ministro daqui a um mês, mas não custa dar uma forcinha. O clip tem a participação dos dois cantores ibéricos que eu mais gosto, o Miguel Bosé e a Sole Gimenez, da banda Presuntos Implicados. E ainda tem pesos pesados como Joaquín Sabina, Juan Manuel Serrat, Ana Belén... Gracias, Raulito, ¡y dále, Zapatero!

sábado, 9 de fevereiro de 2008

NAVALHA NA CARNE

Tim Burton fala diretamente com aquela criança que gostava de torturar brinquedos que existe dentro de cada um de nós (pelo menos dentro de mim existe, hehehe). É evidente o prazer que ele sente em filmar o sangue jorrando, o osso partindo, o cabelo pegando fogo. Nem sempre isso se traduz em prazer para a platéia: achei que eu ia vibrar com "Sweeney Todd", mas teve horas em que não consegui olhar para a tela. E isto apesar da direção de arte esplendorosa e de um Johnny Depp que não fica atrás. Aliás, tinha certeza que este ano o Oscar ia ser dele, mas parece que vai dar Daniel Day-Lewis de novo. E olha que Johnny até que canta muito bem as difíceis músicas de Stephen Sondheim. Agora, hilário mesmo está o Sacha Baron Cohen como o barbeiro fake-italiano Signor Pirelli. Na cena da briga entre ele e Depp, não pude deixar de imaginar que os dois estavam disputando o papel de Freddie Mercury naquele filme a ser produzido pelo Robert De Niro. E juro que não sei por quem eu torço.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

WE ARE THE OBAMA

A esta altura todo mundo já viu pelo menos um trechinho na TV, mas aqui está em toda sua glória o vídeo de "Yes We Can", que o will.i.am dos Black Eyed Peas fez em cima de um discurso do Barack Obama. É óbvia a intenção de criar uma catchphrase tão poderosa quanto o "I have a dream" de Martin Luther King. As estrelas reunidas nem são tão famosas assim: só reconheci a Scarlett Johansson, o John Legend, a Nicole das Pussycat Dolls, o Harold Perrineau do "Lost", aquela mulher do "Grey's Anatomy" e olhe lá. Mas é a ilustração perfeita para um artigo de que saiu no "New York Times", comparando a disputa Hillary x Obama a outras, como PC x Mac ou Holiday Inn x W Hotels: os primeiros até que fornecem uma boa mercadoria, mas os segundos oferecem um sonho. É por isto que eu continuo obamando.

ATRIZES MODELO

O Celso Dossi deu a dica num comentário sobre o post aí embaixo, e eu fui correndo pro site da "Vanity Fair" ver se era mesmo verdade (claro que era). Olha só a foto da capa da edição de março, o tradicional "Hollywood Issue", só com estrelas em ascensão: da esquerda para a direita, temos Emily Blunt, Amy Adams, Jessica Biel, Anne Hathaway, Alice Braga (BRASIL! BRASIL!!!), Ellen Page, Zoë Saldana, Elizabeth Banks, Ginnifer Goodwin e America Ferrera. Apesar de não sair na primeira dobra, Ms. Braga está super bem colocada, à frente da indicada ao Oscar por "Juno" e da protagonista de "Ugly Betty". Tô dizendo que essa menina vai longe.

ALICE MARAVILHA

Já tinha visto Alice Braga em "Cidade de Deus" e "Cidade Baixa", mas ela só me chamou mesmo a atenção em "Solo Diós Sabe", um péssimo filme mexicano que passou batido por aqui. A sobrinha de Sônia não é só bonita e boa atriz: ela tem star quality, e Hollywood já percebeu. Alice está em cartaz com "Eu Sou a Lenda", a ficção científica com Will Smith que reúne uma premissa interessante (o último homem sobre a Terra) com outra nojenta (vampiros zumbis!). E já tem mais um monte de filmes engatilhados, onde vai contracenar com Julianne Moore, Rodrigo Santoro, Harrison Ford, Sean Penn e Jude Law. Como fala inglês e espanhol muito bem, está fazendo a carreira que a tia jamais conseguiu fazer.

ILEGALMENTE LOURA

A cerimônia de entrega dos Grammy, que acontece no próximo domingo, acaba de perder toda a graça: Amy Winehouse não conseguiu visto de trabalho para os Estados Unidos. La Wino também foi convidada para compor a música-tema do novo filme de James Bond, "Quantum of Solace", mas os produtores impuseram uma condição: ela tem que estar sóbria até abril. Tadinha dela e tadinhos de nós, que já estamos em plena crise de abstinência. Amy vive nos pregando sustos, como sua recente fase loura-burra. Ainda bem que ela já está back to black.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

JUVENTUDE TRANSVIADA

Deu na "Ilustrada" de ontem: "Novela da Record denuncia droga em rave". "Chamas da Vida" (de onde eles tiram esses nomes genéricos e intercambiáveis?) vai ter um personagem chamado "Antônio, jovem desajustado, que tira racha e se envolve com ecstasy, a droga das raves", a ser "interpretado" pelo Dado Dolabella. A autora Cristianne Fridman deve ter feito uma pesquisa profunda para encontrar um cara que tira racha E toma bala, né não? Vai ser sensacional quando mostrarem a subjetiva dele, com a câmera tremendo e as coisas saindo de foco, como costuma fazer a Globo em suas reportagens sobre "a droga das raves". E quero só ver quando o Dolinha, este sim um desajustado na vida real, faltar logo no primeiro dia de gravação. A pergunta que não quer calar: TV Record, te dou um Dado?