segunda-feira, 12 de maio de 2008

SANTA, PROMETIDA, DE NINGUÉM

Dois leitores me pediram para eu me estender um pouco mais em minha opinião sobre Israel, provavelmente para saber se me aplaudem ou me apedrejam. Pois bem: minha opinião é complexa. É claro que é fácil criticar hoje a criação do estado de Israel, quando sabemos que ele foi a causa de inúmeras guerras e de uma situação permanente de crise no Oriente Médio. Mas em 1948, com o mundo boquiaberto com os horrores do holocausto, negar um estado aos judeus soaria totalmente anti-semita. E as potências européias ainda dispunham de muitas de suas colônias, portanto perguntar aos palestinos se eles topavam se mudar parecia absolutamente dispensável. Teve gente que foi expulsa de suas casas antes da hora do almoço, com a comida sendo feita no fogão – uma violência inaceitável nos dias de hoje. E imagine se todo povo expulso de sua terra original exigisse o direito de se reinstalar: poucos países atuais sobreviveriam a uma imposição dessas.

Mas existe um outro fator, que é a Lei do Mais Forte – e, merecidamente ou não, os judeus reconquistaram a Palestina. Revogar essa lei também redesenharia o mapa-mundi. E Israel floresceu rapidamente: é a única democracia de uma região dominada por déspotas, o único país com padrão de vida “de Primeiro Mundo” cercado por miseráveis por todos os lados. E com o tempo, alguns líderes árabes perceberam que era mais negócio fazer a paz com Israel do que lutar uma guerra “inganhável”. O egípcio Anwar Sadat foi o primeiro, e pagou sua coragem com a vida. Mas outros regimes, como o da Síria, precisam de um bicho-papão para manter-se no poder, e permaneceram beligerantes. O tratamento dado por Israel aos palestinos também não ajudou a conquistar fãs no mundo árabe, e logo eclodiu a “intifadah”, uma revolta justa, e coisas muito piores, como o Hamas e o Hizbollah. Aliás, acho que o Oriente Médio estaria em crise mesmo sem a presença de Israel, vide as barafundas reinantes no Líbano, na Arábia Saudita, no Irã… todas elas independentes da existência do estado judeu.

Sou absolutamente contra a criação de um estado palestino. Este estado tem que ser Israel, pois as duas populações estão entranhadas no mesmo território. Muitos israelenses – a esquerda, os liberais – concordam comigo, e acham que este é o único caminho para uma paz realmente duradoura. A alternativa é transformar Israel num bunker e armar a população judia até os dentes.

A minoria ortodoxa é quem mais se recusa a devolver qualquer pedacinho de território aos palestinos – aliás, eles defendem a implantação de cada vez mais colônias judias em áreas que teoricamente já são dos palestinos. O irônico é que são justamente os ortodoxos os que mais escapam ao serviço militar obrigatório, alegando razões religiosas. E na bunada, não vai dinha?

Este assunto é interminável, e este post já está quase lá. Não sou especialista em geopolítica, só um cara que se pretende bem-informado, e estou mais do que disposto a ouvir outras opiniões. Afinal, que terra é essa?

8 comentários:

  1. Eu daria leeenda pra um grupo japonês administrar e transformar toda essa bagunça num parque temático religioso para cristãos, judeus e mulçumanos. Como eles são budistas, veriam essa zorra toda sem os "óculos" da religião e botariam esse puteiro pra fazer din-din. E viva a roda gigante de Alah, a montanha russa de Moisés e vamos todas leeendas andar sobre as águas do mar morto. E não se esqueçam de comprar as garrafinhas de água do rio jordão, que refrescam como um milagre!! E o algodão doce Manah, é tuuuudo!! Hot-dogs maomé e por aí vai!! E viva o capitalismo!!

    ResponderExcluir
  2. Gostei da sua posição, é clara e firme, mas se a diplomacia tomasse esse rumo, viveriamos em guerra eterna. (e já não é quase isso?)

    Sempre tive a sensação de que Israel foi um erro da humanidade, consequência de um erro ainda maior.
    Depois subi em cima do muro e fiquei olhando como a situação é delicada ao extremo. Foi uma transferencia de problemas e atenção.

    Os horrores do Holocausto justificam a criação de um Estado? Se for assim, vamos criar um estado para Darfur!

    A Palestina como Estado não seria a solução para o problema (quem fica com Jerusalém?) mas serviria para remodelar o problema.

    Enfim.. dá para ficar pior? Dá, certamente...Eu ainda acho que a terceira guerra vai começar por alí.. hehehe

    ResponderExcluir
  3. E não se esqueça, esse povos todos estão brigando desde o velho testamento. Não vão parar agora, né?

    ResponderExcluir
  4. Animado pelo seu post fui rever "The Bubble". É animador ver que tem um monte de gente jovem em Israel que só quer a paz e que está lutando por ela, e que já se cansou dos conflitos. Eu já tinha visto o filme e já tinha me emocionado com a história, e desta vez fiquei tocado na cena em que o Golan pega o violão e canta "Song To The Siren" do Tim Buckley para o namorado. Desta vez, já conhecendo o final da história, as palavras cortaram fundo... "I am puzzled as the newborn child/ I am troubled at the tide:/ Should I stand amid the breakers? Should I lie with Death, my bride? Hear me sing, "Swim to me, Swim to me, Let me enfold you:
    Here I am, Here I am, Waiting to hold you..."
    Recomendo o filme para quem ainda não viu.

    ResponderExcluir
  5. concordo com o comentário acima.. o filme The Bubble é realmente bom

    sobre a questão Israel x Palestina não tenho uma opinião completamente formada, sei que enquanto este estado de beligerância persistir civis palestinos e judeus (todos israelenses) vão morrer, por um conflito cujos motivos já nem se tem concreto, e virou apenas intolerância

    ResponderExcluir
  6. Israel, como o Iraque, foi uma idéia de gênio. Colocar gente que se odeia no mesmo lugar. Acho que deveríamos recriar o Estado da Guanabara e doar o Rio de Janeiro (Estado) para uma nova Israel =)

    ResponderExcluir
  7. Alexandre Lucas, eu sugeri há uns dias a doação de parte da Zona Oeste do Rio aos judeus. Com eles aqui dentro, a gente pediria logo a emancipação do resto do Brasil e faria a linha Esparta. Ou Vaticano, como preferirem. :D

    Quanto a Jerusalém, eu adorei a proposta da moça lá de cima. Eu sempre pensei em acabar com o pivô-mor da disputa (leia-se "implodir"), mas acho que entregar para os japas administrarem seria bem mais lucrativo. Aposto que os judeus iriam topar, hehe.

    Falando sério, eu não acho que a criação do Estado de Israel seja O problema do Oriente Médio. Mesmo se tirassem os judeus de lá, a coisa iria continuar em guerra, pois muçulmano fanático (com o perdão do pleonasmo) adora se explodir e levar o vizinho sunita consigo. Um exemplo bem claro disso são as guerras entre facções internas palestinas (parece CV vs TC!) e a guerra entre Irã e Iraque. Por isso tudo, continuo achando mais jogo que os judeus venham para cá. :P

    ResponderExcluir
  8. OBRIGADO ( EU FUI UM DOS LEITORES QUE PEDIU) BEIJOS

    ResponderExcluir