segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

PARECE DEZEMBRO DE UM ANO DOURADO

Este é o último post de 2007. Que foi um ano pra lá de especial para mim, e tudo por causa deste blog. Descobri coisas de mim mesmo que eu nem desconfiava, me diverti à pampa e, principalmente, fiz um montão de novos amigos. Desejo a todos eles - todos vocês! - um réveillon do CARALHO e um 2008 melhor ainda. E agora dá licença que meu make-up artist tá tocando a campainha...

ARQUIVEI A X

É o tal negócio: festas demais, noites de menos, something's gotta give. Não fomos à mais tradicional "label party" do réveillon carioca, a X-Demente da Fundição Progresso. Até tentei comprar ingresso antecipado: fui duas vezes à Foch em SP, mas só tinha pra The Week. Aí um filme de terror começou a rodar na minha cabeça: aquela fila imensa pra comprar na hora, choro, ranger de dentes... Juntou-se a isso o pouco entusiasmo das pessoas com a festa, e acabamos desistindo. Ontem foi o tradicional "dia livre para compras". Descansamos, fomos ao cinema (o novo Estação Gávea é formidável) e acabamos no Londra do Hotel Fasano, onde nossa conta deve ter saído mais cara que todos os ingressos para festas juntos.

REVOLUÇÃO CARIOCA

Estávamos na dúvida sobre qual festa ir no sábado: The Week ou R:evolution? Num impulso, comprei ingressos para a TW, na certeza de ser bem tratado. Mas aí todos os amigos e blogs começaram a falar da edição "Open Air" da Zámaral, que a locação era mesmo maravilhosa e blá-blá-blá, que eu não resisti. Comprei ingressos para lá também. Libriano é assim: quando não consegue escolher entre duas coisas, fica com ambas. E lá fomos nós... Depois de um agitado esquenta lá em casa, rumamos ao Estádio de Remo da Lagoa. O visu realmente era de deixar gringo abobalhado: a lagoa, o Cristo, a árvore iluminada. Mas o calor... Rosane teve que colocar um toldo por causa da possibilidade de chuva. Mas não choveu, e o resultado foi um bafo em torno da cabine do DJ. Mesmo à beira d'água estava difícil - afinal, tem feito 30 graus à noite. Mas o povo estava animado, e a coisa pegou fogo quando entrou a escola de samba. A Zámaral rebolava feliz com o sucesso de mais uma festa. Então, às 4 da manhã, tomamos um táxi que tocava trance (!) e zarpamos pra TW. Chegando lá, que delícia... A casa estava abarrotada, mas o ar condicionado no talo era um alívio. E a nova pista, a nova ala VIP - que estava totalmente liberada, tamanha a lotação - e a piscina são de deixar brasileiro abobalhado. Chris Cox mandou muitíssimo bem, e pela primeira vez senti a tal da eletricidade no ar. Saímos às 8 da manhã, quebrados e felizes, e cientes que a noite carioca passou mesmo por um golpe de estado. A R:evolution foi legal, mas um pouco provinciana (fazer xixi em chuveiro, francamente). E a The Week fez jus ao nome de "cosmopolitan": André Almada já está acima dos rótulos "gay", "hétero", "paulista" ou "carioca". É o rei da noite do Brasil, period.

sábado, 29 de dezembro de 2007

ALEGRIA, MA NON TROPPO

Foi boa a segunda edição carioca da festa Alegria? Foi... média. Ninguém saiu com o tênis tingido de verde como no ano passado e Abel estava absolutamente sen-sa-cio-nal, mas faltou alguma coisa. Público? Bom, estava cheio, mas não abarrotado. Decoração? Ah, isso faltou mesmo. Eu até que achava bonitinho o tal armazém do cais do porto, palco da lendária ¨festa do tiro" há dois anos atrás, mas dessa vez achei um HORROR. Deve ser culpa da TW Rio, que elevou geral o nosso padrão de exigência. E acima de tudo faltou eletricidade - aquela vibração misteriosa capaz de transformar um reles pic-nic numa entrega do Oscar. Vai ver que as pessoas estão se guardando, mas o fato é que, numa noite sem concorrentes à altura, a Alegria foi legalzinha - e não mais do que isso.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

TO INFINITY... AND BEYOND!!

Chega de tanta retrospectiva. Está na hora de olhar para a frente, mais precisamente para a via Dutra que me espera agora à tarde. Hoje tem Alegria, amanhã tem TW e Zámaral, domingo tem X, e eu não tenho vigor pra tanta festa. A partir de amanhã, esse blog só vai falar do que realmente interessa: jogação, quem-ficou-com- quem e ressaca. Muita ressaca.

OS MICOS DE 2007

Todo mundo paga um mico de vez em quando. Faz parrrte. Mas o que faz um mico se transformar num gorila, quiçá num King Kong, e entrar para a história? Quando ele assume proporções mesopotâmicas, capaz de destruir reputações e envergonhar famílias por gerações a fio. Essa espécie de mico não está em extinção, muito pelo contrário. Aqui vão os grandes pagadores do ano:

FERRÉZ
Badalado pelas ilustradas da vida como “a voz da periferia”, o troglodita Ferréz revelou ter um arcabouço mental pré-estado de direito, onde a única lei que vale para todos é a do mais forte. Assumiu o “ponto de vista” dos assaltantes que levaram o Rolex do Luciano Huck e acabou defendendo o assassinato como modo de vida – e deu um tiro no próprio pé.

MÔNICA VELOSO
A puta do ano. Suas denúncias pelo menos serviram para tirar Renan Canalheiros da presidência do Senado, o que diminui muito o poder nefasto do vampiro alagoano. Mas sua “Playboy” vendeu menos que o esperado, seu livro flopou e seu sonho de virar apresentadora de TV pode desembocar no impagável “Fantasia” do SBT.

MARCO AURÉLIO GARCIA
Flagrado fazendo “top top” para a TAM num momento de comoção nacional, quase fudeu a si mesmo. Pena que não perdeu o cargo: é o mentor da estabanada política externa do governo, que permite que Evo Morales nos passe a mão na bunda à vontade.

RICHARLYSSON
Acho que ninguém deve ser arrancado à força do armário. Mas o jogador do São Paulo, bichona reconhecida em cartório, perdeu a chance de manifestar grandeza ao meter (hum…) os pés pelas mãos numa defesa tão confusa que não convenceu absolutamente ninguém. Como diria o Ronaldo Ciambroni, ele não tem nível para ser gay.

HUGO CHÁVEZ
Huguinho achou que estava abafando e que viraria ditador da Venezuela carregado nos braços do povo. Menas, menas: dizem que o placar da eleição pendeu muito mais para o “não” do que foi oficialmente anunciado, e que Chávez só aceitou a derrota porque foi peitado por um setor do exército. Mas ele já está de volta à ativa, tentando extrair o maior ganho politico possível do calvário dos reféns da FARC. Eca.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

AS NOITES DE 2007

Ainda falta a maratona do réveillon, com umas 27 festas se espremendo em apenas (apenas?) cinco dias. Mas acho que já dá para fazer um balanço da noite gay das duas cidades onde eu circulo.

SÃO PAULO
Paulista adora reclamar que não tem opção, mas a verdade é que a cidade oferece lugares para todos os gostos, todos os corpos, todos os bolsos. Não me venham falar em Buenos Aires: a noite portenha pode até ser mais transada, mas nenhuma outra capital da América Latina tem tanto tudo quanto SP. E isso apesar do enrustidaço do Kassab ter carcado a mão e conseguido fechar o Ultralounge, o Glória e a Bubu (essas duas, felizmente, já reabriram). A The Week continua dominando a cena, e acredito que ainda por muito tempo. A Flexx é uma boa novidade, e ficou ainda mais bacana com a segunda pista. A Ultradiesel (eita nominho "róim", hein?) parece que chegou natimorta, mostrando que o jogo agora é só pra cachorro grande. Já circulam mil boatos sobre o que vem por aí em 2008: reformas, casas novas e até demolições. Veremos.

RIO DE JANEIRO
Nunca antes nesta cidade houve uma boate como a The Week, gay ou HT. Apesar de uns (poucos) precalços, a Universal-sur-Mer deu uma baita profissionalizada na noite carioca, ainda funcionando na base dos maus-tratos e do desrespeito ao público. Dizem que até a retirada das pias do meio da pista do Dama de Ferro foi uma reação à chegada da Malvada. As "label parties", uma tradição local, estão em fase de transição: algumas se deram bem frente à nova concorrente, outras estão correndo atrás do preju e se adaptando aos novos tempos. De resto, o Redondo voltou a ser um esquenta simpaticíssimo, o The Copa misteriosamente fechou e o Galleria continua abarrotado. Há mais de dois anos jurei que nunca mais pisaria no chiqueiro da Le Boy, e continuo invicto.

Que mais? Se os neurônios que me restam não falham:

MELHOR DJ: Felipe Lira, que desabrochou e floriu na TW Rio.

MELHOR DRINK: Absolut Ruby Red (grapefruit) on the rocks. Sem soda. Sem energético. That's all.

MELHORES MÚSICAS, APESAR DE TEREM TOCADO À EXAUSTÃO: "Don't Stop the Music" da Rihanna e "Heater" do Samim (mais conhecida como "aquela da sanfona"), em trocentos remixes diferentes.

MELHOR PULSEIRINHA: roxa.

MELHOR DEALER: Você acha que eu sou trouxa? Ha!

OS FILMES DE 2007

Fui 143 vezes ao cinema em 2007. Não sei como ainda arranjo tempo para comer, trabalhar, dormir e escovar os dentes, mas o fato é que o cinema é meu spa. Nada me relaxa tanto. E não foi nada fácil chegar na lista dos meus 10 filmes favoritos, mas vamos lá:

AZUR E ASMAR
Uma animação francesa translumbrante. Um verdadeiro caleidoscópio de cores e padrões, perfeito para ser assistido em estado ligeiramente alterado. E o tom de fábula infantil embala um tema atual e pertinente: a convivência pacífica entre ocidentais e muçulmanos.

BORAT
Tenho uma irmã que trabalha na embaixada brasileira do Cazaquistão. Imagine a quantidade de piadinhas que ela teve que agüentar por causa deste filme. Sacha Baron Cohen é o ator mais cara-de-pau do mundo – e, sem maquiagem, é um gostoso.

CONFIDENCIAL
O “outro” filme sobre Truman Capote passou meio batido, apesar do elenco estelar, do roteiro afiado e do banho de interpretação de Toby Jones – muito melhor que o premiadíssimo Philip Seymour Hoffman, by the way. Destaque para os figurinos couture vintage, e para Juliet Stevenson como a papisa da moda Diana Vreeland.

DO OUTRO LADO
O turco-alemão Fatih Akin já estreou arrebentando há três anos atrás, como “Contra a Parede”. Dessa vez ele foi ainda mais longe, numa trama intrincada que envolve terrorismo, imigração e laços de família. Vi na Mostra de SP, mas aposto que entra logo em cartaz.

DREAMGIRLS
Era um dos favoritos ao Oscar, mas acabou ficando de fora dos indicados a melhor filme. Acho que a Academia só gosta de glamour quando as peles são brancas. Jennifer Hudson e Eddie Murphy estraçalham. Uma vez estava ouvindo “And I’m Telling You I’m Not Going” no meu iPod, e comecei a chorar no meio da rua.

MARIA ANTONIETA
A crítica não gostou: Sofia Coppola conseguiu dar um final feliz à história da rainha mais fashion da França, que parece escapar ilesa da revolução. Mas o filme é gostoso feito uma bavaroise com crème anglaise, e o visual em tons pastéis é um sonho de puta. E a trilha ainda mistura clássicos do setecento com rock dos anos 80. Um luxo.

PERSÉPOLIS

Já torrei o saco dos leitores de tanto que falei dessa animação francesa (mais uma), sobre a infância e a adolescência de uma garota no Irã dos aiatolás. Não “perda”: estréia no Brasil em janeiro.

PIAF
A ordem não-cronológica deixa o espectador um pouco confuso, mas a total imersão no papel-título de Marion Cotillard - que é uma beldade na vida real - quase me converteu ao espiritismo.

A RAINHA
Teve gente que achou com cara de especial de TV. Mas what’s not to like num filme que mostra os bastidores da monarquia britânica? Helen Mirren ganhou um container de prêmios e mostrou o lado humano de Elizabeth II, que saiu fortalecida do episódio. Melhor cena: basta um olhar feio de sua majestade, e seus barulhentos corgis emudecem em pânico.

TROPA DE ELITE
A esquerdinha, que acha que todo bandido é uma vítima do sistema, torceu o nariz. Mas o público adorou (eu inclusive). Era para ter sido a maior bilheteria de todos os tempos do cinema brasileiro, mas o DVD pirata não deixou. Parece que tem mesmo bandido por toda parte (sim, esta é uma indireta pra você, kkkkkkk).

Tô deixando tanta coisa boa de fora… “CIDADE DOS HOMENS”, “HAIRSPRAY”, “O ÚLTIMO REI DA ESCÓCIA”, “CONDUTA DE RISCO”, “NOTAS SOBRE UM ESCÂNDALO”, “PLANETA TERROR”, “RATATOUILLE”, “OS SIMPSONS”, “A DESCONHECIDA”… E agora dá licença, que eu vou tentar pegar mais um filme antes o ano acabe.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

AMADA AMANTE

Interrompemos a programação deste blog para uma notícia urgente. Uma certa apresentadora-barra-vereadora da cidade de São Paulo está de cacho com um determinado governador do estado do mesmo nome. Continue agora com a Retrospectiva 2007. O Plantão do Tony Goes volta a qualquer momento, em edição extraordinária.

AS MÚSICAS DE 2007

Sou tão ante-diluviano que comprei quase 200 CDs em 2007. Claro que baixo muita coisa da internet sem pagar, tralalala, mas devo ser uma das cinco pessoas em todo o mundo que ainda mantêm viva a indústria fonográfica. Também adoro fazer listas, sintoma do meu ascendente em Virgem. Juntei as duas obsessões e cheguei na lista dos meus CDs favoritos deste ano (em ordem alfabética):

“BACK TO BLACK”,
AMY WINEHOUSE

São só dez músicas curtas, mas todas ótimas. A produção retro-soul de Mark Ronson caiu como uma luva na voz e nas composições da Wino, que já vinha de um disco muito bom (“Frank”, que eu também recomendo). É a musa de 2007.

“EL DISCO DE TU CORAZÓN”, MIRANDA!

Cada vez mais gente no Brasil está fissurada nesse pop grudento e descaradamente viadinho que vem da Argentina. Implore para quem for a Buenos Aires. Melhor do que uma caixa de Havannets.

"DISKO PARTIZANI", SHANTEL
O cara é um alemão de origem romena, e misturou rock e dance com tempero balcânico. Sucesso garantido em qualquer festinha, pois é a deixa pra todo mundo mostrar o que sabe da dança do ventre.

“GRIME SILK THUNDER”, ULTRA NATÉ
Ela cantou na The Week Rio e passou meio em brancas nuvens, mas o novo CD é tão bom que parece ter sido feito no auge da disco music.

“LIFE IN CARTOON MOTION”, MIKA
A voz masculina (?) do ano. Mika é um bombom de tão fofo, e como seu mentor Freddie Mercury, também tem raízes no Oriente Médio. Pop desavergonhado e saltitante, pra dançar com as mãozinhas pra cima, iupiiii.

"MAR DULCE", BAJOFONDO

Não é bem uma banda, mas um coletivo meio fluido comandado pelo mega-produtor Gustavo Santaolalla. Fizeram shows no Brasil em maio e lançaram esse CD em setembro, ampliando as fronteiras do tango eletrônico. Arrebatador do começo ao fim.

"OMAR", OMAR
Uma dupla surpeendente de DJs e produtores uruguaios, que vai do bate-cabelo ao folclore sem perder a elegância, passando por Paulinho Moska. O remix de "Eco" do Jorge Drexler é de arrepiar. Implore para quem for a Buenos Aires, mas um aviso: não é fácil de encontrar.

"PAPITO", MIGUEL BOSÉ
Ele já foi o homem mais bonito do mundo. Hoje é apenas o melhor cantor da Espanha. Para celebrar 30 anos de carreira, Miguelito regravou seus maiores sucessos com um verdadeiro “who’s who” do pop latino: Shakira, Ricky Martin, Juanes, Paulina Rubio e até mesmo a onipresente Ivete Sangalo. ¡Que vengan más 30, olé!

“TO ALL NEW ARRIVALS", FAITHLESS

Denso, intimista e emocionante – coisa que não se costuma dizer de uma banda eletrônica, que já veio pro Skol Beats há três anos atrás e fez um show incrível. A crítica malhou e o público ignorou, mas eu caguei pra essa laia.

“TRASH YÉYÉ", BENJAMIN BIOLAY

Meu noivo secreto continua sendo o maior nome do pop francês, e esse é seu melhor CD. Não posso falar mais, senão começo a chorar.

Peraí, ainda tem a leeesteeenha das minhas 10 músicas favoritas de 2007. Sem mais delongas, e também em ordem alfabética:

D.A.N.C.E., Justice
GIMME MORE, Britney Spears
GRACE KELLY, Mika
HOLA, Miranda!
OPEN YOUR EYES, Snow Patrol
REHAB, Amy Winehouse
ROSAS, Ana Carolina
TODOS ME MIRAN, Gloria Trevi
TROPA DE ELITE, Tihuana
UMBRELLA, Rihanna

AS FRASES DE 2007

Hoje começa a pomposa Retrospectiva 2007 aqui no meu blog. Não vou listar meus 700 melhores amigos como alguns colegas blogueiros, hahaha: prefiro temas mais transcendentais, como política, religião e cortes de cabelo. Para levantar com o pé esquerdo, aqui vão as cinco frases que mais marcaram o meu ano. Não são gotas de sabedoria, mas todas entraram para o vocabulário corrente – ainda que por pouco tempo. Lá vão elas, em ordem crescente de esplendor:

5) IT'S BRITNEY, BITCH
Drogada, irresponsável, precisando tomar banho: falem o que quiserem, mas Nonô ainda tem atitude à pampa. A frase é aquilo que em propaganda chamamos de “attention-getter”: agarra os incautos pelo ouvido e não larga nunca mais.


4) DI CATIGURIA

A Bebel da novela, apesar de puta e mau-caráter, seduziu o país com seu alpinismo social sincerinho. É dela também essa outra pérola, que pode ser usada toda vez que mingua o assunto: “Que boa idéia, esse casamento primaveril em pleno outono!”


3) RELAXA E GOZA
Numa fração de segundo, veio à tona a arrogância da ministra e o descaso do governo com a crise aérea. Gerou zilhões de paródias, mas perdeu toda a graça quando explodiu o avião da TAM.

2) PEDE PRA SAIR!
O capitão Nascimento entrou na corrente sanguínea do Brasil, e muitas de suas expressões caíram, literalmente, na boca do povo. Essa é a minha favorita, tanto pela sutileza como pela versatilidade.

1) ¿POR QUÉ NO TE CALLAS?
O rompante do rei Juan Carlos acabou por ofuscar a lição de democracia que o Zapatero estava dando no brucutu do Chávez. Mas virou o slogan da oposição venezuelana e ajudou a derrubar o projeto da ditadura bolivariana algumas semanas depois. Também se tornou o ringtone do ano.

terça-feira, 25 de dezembro de 2007

SOL INVICTUS

Fico um pouco sem saco toda vez que ouço alguém - geralmente um religioso - dizer que as pessoas só se preocupam em gastar e comer nessa época, e que ninguém mais lembra o verdadeiro significado do Natal. Ora, o verdadeiro significado é o solstício de inverno (no hemisfério norte). Povos antigos já celebravam a noite mais longa do ano, porque daí para frente elas iam se tornando pouco a pouco mais curtas. Os romanos celebravam no dia 25 de dezembro o "Natal Sol Invictus", o aniversário do sol invicto (no calendário juliano, o solstício de inverno caía no dia 25; hoje, sob o calendário gregoriano, cai no dia 21). A festa era tão popular que a Igreja acabou por transformá-la no aniversário de Jesus, após o paganismo ser colocado fora da lei no século IV. Para mantermos a tradição ao pé da letra, deveríamos portanto celebrar o Natal em junho, no dia do solstício de inverno no hemisfério sul. Mas nada contra o tão falado espírito do Natal: amor e solidariedade deveriam ser consumidos o ano inteiro (e rabanadas também, é óbvio).

segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

O PERU ENCAIXOTADO

Deu um certo trabalho, mas até que enfim encontrei a versão original de "Dick in a Box", o sketch mais engraçado do "Saturday Night Live" dos últimos dez anos. Saiu no Natal do ano passado e foi visto trilhões de vezes no YouTube, mas aí veio a rede NBC e o removeu de quase todos os lugares - inclusive do próprio site do programa. Não adiantou nada, ho ho ho. Aqui está ele em toda sua glória, lembrando-nos mais uma vez qual é o presente que todo mundo sempre quer ganhar.

OUVINDO AS FONTES MURMURANTES

São Paulo está coalhada de árvores de natal "sustentáveis", numa iniciativa patrocinada pela Caixa Econômica Federal. Só que o tiro saiu pela culatra: elas não foram erguidas com material reciclado, mas sim com lixo puro e simples. Pneus velhos, sacos plásticos, ripas de madeira... O efeito é tão feio que dá vontade de jogar todas no Tietê e poluir ainda mais o meio ambiente. Que inveja dessas aí na foto, que ficam no Japão e são feitas de taças de champagne.

SURRADA PELO BOM VELHINHO

Difícil haver um filme menos apropriado para os festejos natalinos que o barra-pesadíssima "A Desconhecida", candidato da Itália ao Oscar do ano que vem. Para dar uma idéia, tem uma cena em que a protagonista, uma ex-escrava sexual, apanha barbaramente de um bando de Papais Noéis. Sempre achei o Giuseppe Tornatore ("Cinema Paradiso") um diretor muito piegas, mas com este thriller moralmente ambíguo ele mais do que se redimiu. Dark e sentimental ao mesmo tempo, tomara que esteja entre os cinco indicados a melhor filme estrangeiro.

domingo, 23 de dezembro de 2007

GO FUSAKO YOURSELF

Em outubro fiz um post sobre um disco inacreditável da Fusako Amachi que ganhei de aniversário. Dois leitores me pediram para disponibilizar alguma coisa da diva oriental, e eu, imbuído do espírito natalino, superei minha ignorância tecnológica e consegui uploadar duas faixas dela no Z-Share. A primeira pode ser baixada aqui e é um jingle todo saltitante chamado パンシロンの歌 (alguém sabe o que isso quer dizer? Shoichi? Socorro! Cartas para a redação). A outra se chama イパネマの娘, mas é na verdade uma versão nipônica de "Manhã de Carnaval", o clássico bossa-nova do Luiz Bonfá, e está dando sopa aqui. Bom proveito e, como me disse ontem um mendigo na rua, bom feliz natal!

MORO NUM PAÍS TROPICAL

Sou viciado no "The Onion", aquele jornal humorístico americano que pode ser lido também na internet. Eles já tinham lançado um livro contando a história do século 20 pela perspectiva onionesca, e agora está saindo um atlas que não deixa pedra sobre pedra. O Brasil é definido como o país com as pessoas mais bonitas, mas também onde a humanidade é mais feia. Somos a terra das vítimas mais sexy de assaltos e crimes violentos do mundo... "Our Dumb World" pode ser conferido aqui, e a cada semana um país diferente ganha destaque (atualmente é a Holanda, "onde tudo é permitido").

PANTONE COM CHAMPAGNE

Quem trabalha com artes gráficas conhece bem o Pantone, aquele catálogo gigantesco que dá a proporção exata de cada cor básica para se conseguir os tons mais improváveis. Pois bem: desde 2000 que o Pantone anuncia, às vésperas do réveillon, qual vai ser "a" cor do ano seguinte. Claro que é um mero golpe publicitário, pois eles não têm o poder nem a pretensão de ditar moda (se bem que a primeira Color of the Year foi justamente o "cerulean blue", que acabou sendo muito citado no "Diabo Veste Prada"). E a cor de 2008 é essa aí do lado, o "blue iris". O pessoal do Pantone alega que é uma cor "tranquilizadora", pois o mundo anda meio tenso e precisando relaxar. Já eu achei triiiste...

sábado, 22 de dezembro de 2007

SE JOGA, BEE

O fim de semana antes do Natal significa lojas cheias e boates vazias. Acho que ninguém está muito no clima de jogação, ainda mais porque o próximo finde vai ser uma overdose. Aqui em casa meu marido Oscar virou o seletor totalmente para o modo "família", com a chegada de sua mãe e sua filha. Pra não deixar a peteca cair, nada como baixar os dois novos sets do DJ Guto Rodrigues, um de tribal e outro de house, já disponíveis no site do rapaz. E depois, claro, cair de boca na rabanada.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

LADRÕES DE GALINHA

Acho que o Pedro Corrêa do Lago tem razão em dizer que os ladrões do MASP são pés-de-chinelo. Eles não roubaram as obras mais valiosas, mas sim os quadros dos autores mais manjados pelos brasileiros. Digamos que, se fosse música clássica, teriam roubado o “Danúbio Azul”. Claro que isso não livra a cara do Julio Neves, que em suas gestões como presidente da instituição conseguiu deixar na lona o “museu mais importante da América Latina” (e desconfio que nem é mais – o Malba de Buenos Aires passou na frente). Um amigo que trabalhou lá presenciou coisas do arco da velha… Mas sabe quem é mesmo o grande culpado? A nossa elite de merda, que investe em apartamento em Miami mas está cagando para a arte e a cultura. As doações aos museus eram a maneira como os novos-ricos americanos compravam ingresso para a alta sociedade. Aqui, comprar a revista “Caras” para cobrir o début da filha dá retorno mais rápido.

ESCADA PARA O CÉU

Sempre gostei mais do Queen, com seus arranjos meticulosos e sua bichice transbordante. Mas confesso que também ouvi muito Led Zeppelin na adolescência. Sim, leitores, tive uma ligeira fase metaleira – se bem que, diga-se a meu favor, jamais usei camiseta de monstro nem toquei “air guitar”. Essa fase está sendo revivida agora, graças à volta caça-níqueis do Led Zep. Eles estão fazendo shows na Europa e lançaram o CD duplo “Mothership”, com um som tão uncool, mas tão uncool, que o círculo se fechou e virou cool de novo. E nesses dias em que tenho trabalhado até tarde, é um rush de adrenalina guiar para casa ouvindo os dez minutos de “Achille’s Last Stand”.

CHATTERLEY DE GALOCHAS

Como é que conseguiram transformar um dos romances mais polêmicos do século 20 num filme tão chato? "O Amante de Lady Chatterley" foi proibido durante décadas, talvez por ser a primeira obra da literatura ocidental onde uma mulher goza pelas orelhas. O filme francês que está em cartaz no Rio e em SP tirou o amante do título e praticamente toda a graça da história. Mesmo assim, levou uma batelada de Césars: melhor filme, melhor atriz, melhor banheiro, melhor pipoca... Levou também três intermináveis horas da minha vida.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

J'AI DEUX AMOURS

Josephine Baker foi a primeira superstar negra, mais por seu borogodó do que por qualquer grande talento vocal. A bem da verdade, ela não se pretendia cantora, e sim vedete do teatro rebolado. Era americana, mas reinou durante décadas em Paris. Hoje quase não se fala mais dela, por isto minha surpresa foi grande ao ver a nova campanha da joalheria Dryzun. As fotos são do Paulo Vainer, a modelo é a Patrícia de Jesus, e o resultado é sublime.

URU-GAY

O Uruguai acaba de aprovar a união civil para casais homossexuais com mais de cinco anos de relacionamento, justificando sua antiga fama de país mais civilizado da América Latina. Enquanto isso, no Brasil que se acha tão prafrentex, todas as propostas do gênero são torpedeadas pelos escrotos da bancada evangélica e da Igreja Católica. Vale dizer que nossos hermanos do sul também justificaram um antigo episódio dos Simpsons, onde Homer examina um mapa e diz: "Look at the name of this country!! You... are... gay!!"

QUELQU'UN M'A DIT

Podem acusar o Nicholas Sarkozy de muita coisa, mas não de ser um homem de mau-gosto. A atual namorada do recém-divorciado presidente francês é ninguém menos que a ravissante Carla Bruni, ex-top model, ex-namorada de Mick Jagger e atual chanteuse
de grande sucesso. Não está ligando o nome à p'ssoa? O primeiro hit de Carla, a baladinha "Quelqu'un m'a Dit", foi lançado em 2002, mas tocou recentemente numa dessas novelas das 8, não lembro qual. Pra refrescar ainda mais a memória, embedei aí embaixo um lindo comercial argentino que a usa como trilha. Já pensou se os pombinhos se casam? Alguém me disse que a França teria então a primeira-dama mais bacana ever.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

O NASCIMENTO DE VÊNUS

Já contei aqui no blog que encontrei meu filho Duda numa cestinha na porta da The Week São Paulo, todo peladinho mas já desse tamanhão, e com um bilhete nas mãos: "você quer ser meu papai?" Eu o adotei na hora, porque, afinal, não posso ter filhos - a ciência ainda não chegou nesse ponto. Mas sempre me perguntei de onde teria vindo aquele homenzarrão. Até que hoje, vasculhando as fotos da inauguração da piscina da TW Rio no Cena Carioca, finalmente fez-se a luz: Duda é a encarnação masculina da deusa Vênus. Compare só a semelhança entre os dois, e afrodite se quiser.

A EUROPA É UM PAÍS

Um leitor assíduo, o Daniel Silva, ficou muito impressionado com o vídeo da Miss Teen South Carolina (post "Miss-tééério", aí embaixo), e garimpou mais duas pérolas do YouTube. Uma delas está aqui: é uma cena do quiz show "Are You Smarter than a 5th Grader", onde a concorrente é tão estereotipada que parece até uma atriz contratada. Gracias pela dica, Daniel, e boa diversão pra todo mundo.

FESTA DA FIRRRMA

Quem trabalha em firrrma (favorrr forçarrr o r, como no interiorrr) sabe bem como é: começa dezembro e as secretárias vão ficando todas assanhadas, na expectativa de mais uma festinha de final de ano. Ontem foi a festa da minha. Fui me arrastando, pois estava no bagaço - mas como quero chegar um dia a CEO do universo, tenho que me submeter a essas patacoadas. Depois de um ano de "label parties" e jogación, é esquisito estar numa pista onde imperam o chope e o samba-rock. Só que, para muitos dos casados-com-filhos, esta é A festa do ano, mais estrondosa que qualquer White Party, e a chance de se embebedar e beijar aquela gostosa da contabilidade. Mas aos poucos minhas resistências foram caindo... Depois da terceira caiproska lá estava eu, feliz como um office-boy e sambando miudinho com uma gorda cujo nome eu nem sei. Faz parrrte.

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

ESTA É SUA MELHOR FOTO

Ando muito nervoso, e não é só por causa das duas enormes apresentações ao cliente que eu terei que fazer amanhã. É que na noite dessa quarta também rola a final do “Brazil’s Next Top Model”, que eu acompanho com fervor desde o início de outubro. Geralmente tenho horror a “reality shows”, mas esse me pegou de jeito. O original americano foi muito bem adaptado, as pessoas envolvidas são todas do ramo, e nada se compara a ver uma concorrente que você ODEIA ser humilhada em cadeia nacional. Agora só sobraram três garotas, e a verdade é que eu gosto de todas. Ana Paula Bertola fotografa um mulherão e aprendeu a controlar seus beiços proeminentes, mas quando abre a boca ainda revela a caipira que de fato é. A santista Mariana Velho é a provável vencedora: é a única menina que escapou de todos os “paredões”, e tem uma segurança impressionante para seus tenros 19 anos. Mas minha favorita é mesmo a Lívia, a barraqueira carioca, que salvou o programa do marasmo ao puxar briga com Deus e o mundo. Lívia tem atitude e carisma, mas também tem tatuagens demais, o que limita muito seu potencial. Independente do resultado, tomara que as três emplaquem suas carreiras (aliás, alguém sabe me dizer o que aconteceu com as vencedoras nos EUA?). E tomara que a Sony faça algum dia o “Brazil’s Next MALE Model” – já pensou, que tuuudo?

O EVANGELHO SEGUNDO HERGÉ

Muita gente acredita na Bíblia, outros seguem o Alcorão. Pois para mim Hergé é meu pastor e nada me faltará. As aventuras de Tintin (prefiro escrever com "n" no fim, esnobe que sou) são meu "roman de formation", e tudo o que sei do mundo foi lá que eu aprendi - do signo de Kih-Oskh aos jardins de Moulinsart. E é por isto que estou me coçando por não estar em Londres neste exato momento: termina em janeiro a curta temporada de "Hergé's Adventures of Tintin", uma adaptação para o teatro de "Tintin no Tibet". É uma escolha curiosa: acho que seria muito mais fácil verter "As Jóias da Casatafiore" (meu favorito pessoal) para o palco, com sua ação concentrada num só lugar e seu jogo de espelhos e tapeações. Mas a crítica está elogiando muito a montagem, que consegue encenar um desastre aéreo no Himalaia, e onde o cachorro Milu é interpretado por um homem. Com mil raios e trovões, porque é que eu não estou na platéia?

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

NAS FOLHAS

Antigamente, quando alguém saía na coluna do Zé Tavares ou na do Ibrahim, dizia-se que "fulano está nas folhas". Foi o que aconteceu comigo neste fim de semana. Saí no site Glamurama da Joyce Pascovitch, num momento ainda sóbrio no Panetone com Champagne do Zeca Camargo. Não reproduzo a foto aqui porque ela deixa ver claramente que não estou mais no esplendor dos meus 46 anos, mas quem quiser se assustar pode clicar aqui - depois não diga que eu não avisei. Muito mais gratificante foi ser citado na matéria sobre blogs da revista Odyssey, ao lado de ícones e amigos como o Cena Carioca, o Carioca Virtual, o Ítalo, o Introspecthive, o Que Pressão É Essa?!, a Lindinalva, o Ah! Tá Bom Então, o Grão Mogol, o Quarenta Graus Celsius, o Renateenho, o Uomini e o Sérgio Ripardo. Aliás, a Odyssey tomou um banho de loja (parabéns, Estevão!), mostrando que nossa imprensa gay passou mesmo da classe turística para a executiva.