terça-feira, 25 de setembro de 2018

CÁ, NADA

Existem algumas teorias sobre a origem do nome "Canadá". A mais aceita é que seria uma variante de "khanata", que signifcia aldeia na língua dos índios iroquois. O problema é que os iroquois viviam no interior, e o nome já aparece sobre o litoral do que viria a ser o país em alguns mapas bem antigos. Claro que a minha explicação favorita é a de que "Canadá" nada mais é do que o português "Cá, Nada". Faz sentido: imagina a decepção do pobre navegador lusitano, em busca de ouro e especiarias, ao dar num lugar gélido e desabitado.

O Canadá é um país curioso. É rico, mas não tem lá muito "soft power". Sua influência na cultura ocidental está sempre a reboque dos EUA e da Grã-Bretanha. Até a pequena Irlanda já produziu uma banda de rock de sucesso global como o U2. Não que o Canadá seja um deserto em termos musicais, é claro: tem Leonard Cohen, Joni Mitchell, k. d. lang, Oscar Peterson. E Céline Dion. E Justin Bieber... Acontece que o país todo ainda é meio caipira. Não admira que o prato mais popular seja a poutine, uma mistureba de batata frita com queijo derretido e molho barbecue. Tem mil variações, todas indigestas.

Por outro lado, em muitos aspectos, o Canadá é o país mais avançado do mundo. Além do primeiro-ministro gato e das leis ultraliberais, os canadenses também contam na política com figuras como a senhora aí ao lado, Manon Massé, deputada que concorre à reeleição pelo Québec. Sim, você leu direito: senhora. Manon é uma mulher cis homossexual, que cultiva um suave bigode como forma de desafiar os padrões de beleza e o próprio conceito do que seja feminilidade.  Já quero votar nela, é óbvio. Mais uma razão para me mudar para cá. Só não vai ser dessa vez, porque já estou no aeroporto esperando minha conexão para Toronto. Farewell, à tout à l'heure, ilaanilu.

segunda-feira, 24 de setembro de 2018

FUGIR COM O CIRCO

Eu sou trapezista. Nunca contei isto aqui no blog, mas há anos que eu pratico o trapézio em segredo. Também faz anos que eu mando vídeos e faço audições por aí. E agora, depois de muitas tentativas, finalmente fui chamado pelo Cirque du Soleil. Vim para Montreal para isto: estão tirando minhas medidas e criando meu look para o próximo espeteaculo, "L'Âge d'Or", só artistas da terceira idade. Claro que nada disso é verdade, mas como eu queria que fosse. Porque estou totalmente bouleversé pelo Cirque du Soleil. Hoje visitei os headquarters da companhia, que está rapidamente se tornando em um conglomerado poderoso no mundo do entretenimento. Sabia que o Blue Man Group faz parte do Cirque du Soleil? Pois é, eu só soube hoje. Além das dezenas de espetáculos em turnê permanente pelo mundo, eles também estão entrando em outras mídias. E a primeira série de TV coproduzida pelo Cirque está terminando de filmar aqui em Montréal: também fomos visitar o set e conversar com o elenco (em breve, mais detalhes na Folha). Como eles estão à procura de outros projetos, acho que vou pensar em alguma coisa. O prédio deles é legal demais, quero trabalhar lá. Quero fugir! Confira no FB as fotos que eu tirei e veja se não te dá vontade também.

domingo, 23 de setembro de 2018

A PRIMEIRA VOZ DO QUÉBEC


Para já ir entrando no clima, assisti a um filme franco-canadense no avião, pouco antes de aterrissar em Toronto. "La Bolduc" fala de uma figura histórica da cultura québecoise: a cantora Anne-Marie Travers Bolduc, que fez um enorme sucesso na década de 1930. Eu estava esperando uma espécie de Piaf do Canadá, mas o som da Bolduc é muito mais antigo. São canções rurais, com letras simples que falam do dia-a-dia, acompanhadas por gaita, violino, piano e palmas - e todas parecidíssimas entre si. Mas o filme vai além do showbiz. Há uma discussão pertinente no fundo: o papel da mulher da sociedade. Os tempos eram tão machistas que a cantora usava, como nome artítsitco, madame Édouard Balduc, para deixar bem claro que era casada. Mais tarde, quando uma filha adolescente quis seguir carreira artística, a Bolduc não deixou. Era, enfim, uma mulher de seu tempo - e este tempo está bem recriado na produção, bastante esmerada para um longa que não irá para longe do Québec.

LUIZ A., QUE ESTÁ NO CANADÁ

Para quem ainda não sabe: meu nome de batismo é Luiz Antonio. Por isto não resisti a requentar esse meme de seis anos atrás: cheguei hoje de manhã a Montréal, no Canadá. Vim para um "press junket" do Cirque du Soleil, olha só que aborrecido. Fico só até terça, mas vou ter um tempinho para redescobrir a cidade. Estive aqui só uma vez, em 1994 e no auge do inverno. Também vou pesquisar as normas para a imigração, emprego, lugar para morar, essas coisinhas. Do jeito que a coisa vai no Brasil, quero mais é morar um país onde o casamento gay é legalizado há mais de dez anos,  o aborto idem e a maconha o será até o final de outubro. A única desvantagem é o frio de 500 graus abaixo de zero, mas o Justin Trudeau é um gato, né? Por isto, hoje meu coração canta a mais bela canção canadense de todos os tempos: I can't explain how I became Miss Chatelaine...

sábado, 22 de setembro de 2018

NAZISTA FILHO DA PUTA

É feio chamar alguém de nazista filho da puta? É contraproducente usar a expressão nazista filho da puta? Alguns defendem que, se empregado em excesso o termo nazista filho da puta, então nazista filho da puta pode perder um pouco de sua força enquanto nazista filho da puta. O nazista fica um pouco menos nazista? Ou será que fica ainda mais nazista, à custa de tanto nazismo? O filho da puta provavelmente continua o mesmo filho da puta, porque filhos da puta raramente deixam de ser filhos da puta. De qualquer maneira, aprecie com moderação o seu nazista filho da puta. Talvez seja não ficar repetindo nazista filho da puta, nazista filho da puta, nazista filho da puta, nazista filho da puta, nazista filho da puta, nazista filho da puta, nazista filho da puta, nazista filho da puta, nazista filho da puta, nazista filho da puta, nazista filho da puta...

sexta-feira, 21 de setembro de 2018

INSTITUTO MÉDICO ILEGAL


O escolhido pelo Irã para disputar o próximo Oscar de filme estrangeiro mal parece iraniano. Não fosse pela língua e pelos véus nas cabeças das mulheres, a história poderia se passar em qualquer país do mundo - especialmente, nos do terceiro mundo. Um médico esbarra seu carro, sem querer, em uma moto onde ia toda uma família - pai, mãe, filho de oito anos e uma bebê de colo. O fato de ninguém usar capacete é o de menos. Vai todo mundo ao chão, mas só o garoto parece ter se arranhado um pouco. O doutor insiste em levá-lo ao hospital, mas o pai se recusa. No dia seguinte, ao chegar para trabalhar, esse médico descobre que sua pequena vítima chegou a ser internada de madrugada, mas morreu. Só que a autópsia indica que a provável causa da morte foi botulismo. A partir daí se desenrola um drama pesado, que resulta em mais um morto e em um dilema de consciência para o doutor. Afinal, o moleque morreu por causa do acidente ou não? Não tem nada de muito entertaining neste longa de Vahid Jalilvand. A fotografia é acinzentada, as locações são feiosas e não há uma nota sequer de música. Mas as questões levantadas são interessantes - e, na melhor tradição do cinema iraniano, quem tem que chegar a uma conclusão é o espectador.

THE ECOMMUNIST

Uma das poucas alegrias que nos restaram nesses dias sombrios é ver a extrema-direita passar vergonha. Outro dia tinha um moleque no Twitter jurando que Martin Luther King era do partido Republicano e que, se vivo fosse, estaria apoiando o Trump. A galera bronca continua insistindo que o nazismo era de esquerda, mesmo depois do jornal "The Guardian" desencavar uma entrevista de Hilter repudiando o marxismo. E ontem os brazucas "do bem" caíram sobre a revista "The Economist", o órgão oficial do Foro de São Paulo, muito lida em toda a Ursal. Fora os que atacaram Monica Bergamo, por ela ter revelado na Folha que Paulo Guedes pretende ressuscitar a CPMF... Seria tudo muito engraçado, se também não fosse perigoso. Trump foi tratado como um palhaço e deu no que deu: hoje ele é um palhaço na Casa Branca. Bostanazi é uma ameaça real, inclusive porque não tem planos consistentes e está pessimamente assessorado. Se sua própria campanha já um caos, sem um comando firme, imagine o que seria seu governo? Bom, não vem faltando aviso.

quinta-feira, 20 de setembro de 2018

ÀS NOSSAS DIVAS MAL-FORMADAS

Sim, eu sou um disco riscado, mas não posso deixar de postar este vídeo do Põe na Roda - inclusive porque o fofo do Pedro HMC cita o meu nome e uma frase do meu post de terça, que hitou. Na verdade, foi lendo uns tuítes dele que eu me dei conta da situação. E o assunto continua na minha coluna de hoje no F5.

AOS NOSSOS AMIGOS MAL-INFORMADOS

Todos nós temos amigos gays que declaram voto no inominável. Já quebrei o pau com alguns nas redes sociais e até desfiz uma amizade de anos. Como estou cansado de bater na mesma tecla, hoje vou deixar que o Vítor diCastro fale por mim. Assista ao vídeo acima, compartilhe nos seus perfis e mostre para aquele tolinho que acha que ser antipetista é mais importante do que reconhecer nossa cidadania. Nunca corremos maior perigo do que agora. Conscientização é vida.

(obrigado pela dica, Marcelo Luz Natel)

quarta-feira, 19 de setembro de 2018

NEM UM, NEM OUTRO

Ontem à noite eu postei este meme aí do lado nas minhas redes sociais, e o céu me caiu sobre a cabeça. Como que eu ouso comparar o "Andrade", que tem tanto preparo e refinamento, ao brucutu do Bostanazi? Só que eu não estou dizendo que os dois são equivalentes. Apenas não quero ter que escolher entre ambos no segundo turno. Se tiver que, nem pisco: voto no Haddad. Claro que é cedo demais para o PT votar ao poder - ainda mais agora, com o partido está clamando por vingança. Mas, apesar de umas ameaças de vez em quando, já sabemos que os petistas não impõem censura aos meios de comunicação, não persegume os gays e outras minorias, não dizem que vão fechar o Congresso e escrever outra constituição. O Bozo periga fazer tudo isso. E ainda tem um agravante: seus eleitores estarão empoderados para bater em bichas e mulheres, já que se sentirão donos do país (algo parecido aconteceu nos EUA depois da eleição do Trump). Fora os evanjas controlando ministérios ou o ultraliberalismo de Paulo Guedes, que vai deixar Temer com cara de Lênin. Ah, e tem mais: qualquer um dos dois que for eleito, provavelmente o será por bem pouco. O lado derrotado não vai se conformar, e fará tudo para sabotar o novo governo. Mas o Brasil merece mais do que isso. Por isto, nem um, nem outro no segundo turno. Vamos combinar direitinho esse voto, que ainda dá tempo.

terça-feira, 18 de setembro de 2018

DONA DA PORRA NENHUMA

Vários artistas já aderiram à campanha #EleNão. Na música, contamos com o apoio de militantes históricas da causa LGBT como Marina Lima ou Daniela Mercury. Mas também tem algumas cantoras que preferem não se posicionar. É o caso de Anitta, Ludmila e Valesca Popozuda. Direito delas: no Brasil que eu quero para o futuro, o voto é facultativo. Só que tem uma coisa. Todas as três citadas têm um enorme público gay, e volta e meia são coroadas como rainhas de paradas e similares. Devemos deixar claro para elas que só isto não basta. Rainha de verdade defende os súditos e lidera as tropas contra o inimigo. Não fica só batendo cabelo em cima do trio elétrico. TEM QUE DAR A CARA PARA BATER, SIM. Se não, não é rainha de nada. Devolve a coroa e o cetro, e volta para o limbo de onde você nunca saiu.

TUDO RESOLVIDO

Não vou me alongar muito aqui sobre a entrega dos Emmys, que aconteceu na noite de ontem. Ela é o assunto da minha coluna de hoje no F5. Só quero compartilhar o número de abertura, muito mais comedido do que o de outros anos. Mas a mensagem é da hora: a televisão precisa espelhar a sociedade. Nos Estados Unidos isto está quase resolvido (e não tudo, como a própria canção admite mais para o fim). Aqui no Brasil, depois do barulho em torno do elenco quase todo branco de "Segundo Sol", esperamos novidades em breve. Ou não?

segunda-feira, 17 de setembro de 2018

SOON-YI OR LATER

Já defendi tantas vezes o Woody Allen, aqui no blog e na minha coluna no F5, que não vou ficar me repetindo. Só um pouquinho: nunca acreditei que ele teria abusado de sua filha adotiva Dylan quando esta tinha apenas sete anos. Muito mais plausível é Mia Farrow ter plantado uma lembrança falsa na cabecinha da garota, machucada que estava por ter sido trocada por outra filha, Soon-Yi. Esta semana a sempre discreta coreana finalmente abriu a boca, em uma longa entrevista para o site Vulture. Leia, se você entende inglês. Só acrescento que concordo com tudo. E que estou puto com a Amazon, que cancelou o lançamento do novo filme de Woody, "A Rainy Day in New York". Que, para aumentar minha dor, tem Timothée Chalamet no elenco.

FREMDSCHÄMEN

Pelo menos há um lado engraçado nos ataques que a extrema-direita vem promovendo na internet: eles sempre são pegos de calças curtas, feito crianças que passam trotes fingindo que são adultas. Sofreram um vexame coletivo ao implicar com o vídeo produzido pela embaixada da Alemanha, onde se explica que o nazismo é, sim, de direita - como se um bando de toscos brasileiros entendesse mais da história alemã do que os próprios alemães. Foi, sim, um enorme fremdschämen (vergonha alheia), como bem disse o site brasileiro do jornal "El País". Outro fiasco foram as fake news de que o grupo Mulheres Unidas Contra Bolsonaro era uma fraude, o que foi espalhado até por um dos filhos genéricos do Bostonaro. Fraude para valer foi o que fizeram alguns dos apoiadores do inominável, ao hackear o grupo, mudar seu nome e até ameaçar suas administradoras. Mas essa turma não tem escrúpulo, haja vista o áudio em que alguém imita o padre Marcelo dizendo que apoia o Bozo. O próprio padre precisou vir a público esclarecer que não é ele. Golpes como esses só pregam aos convertidos e não ajudam a diminuir a rejeição recorde do protofascista. Mas servem para tumultuar ainda mais esta eleição. Que vergonha, mein Gott.

domingo, 16 de setembro de 2018

IRMÃZINHA QUERIDA


Uma das irmãs é uma estrela de cinema, dada a pirraças de diva. A outra também é atriz, mas só consegue trabalhos de dublagem. Com dificuldade para decorar textos, a famosa contrata a anônima para ser sua "coach" em um set de filmagem. É assim que começa "Carnívoras", um bom trhiller psicológico e mais uma variação do plot sobre inveja e puxadas de tapete que consagrou "A Malvada". Um dado interessante é que tanto as personagens quanto as atrizes que as interpretam são de origem árabe, mas isto não tem a menor importância no roteiro. Outra curiosidade é que os diretores também são irmãos - um é um ator conhecido, Jérémie Rennier (de "Cloclo"), e o outro, Yannick, não. Então só digo uma coisa: fica esperto, Jérémie.

sábado, 15 de setembro de 2018

RECONECTADO

Quase seis anos depois de ter saído de agência, eis-me de volta à propaganda. E de um jeito mais contemporâneo: fazendo storytelling no YouTube (e também sem carteira assinada, hehe - foi um freela, mas outros já estão vindo). Trabalhei na campanha "Reconectados" da Samsung junto com o pessoal da filial brasileira do The Story Lab, a mais importante agência de storytelling do mundo, e foi um dos jobs mais prazerosos de toda a minha carreira. Dos três episódios da série, este é o mais "meu", mas meti o bedelho em todos. Agora só falta voltar a ganhar bem.

sexta-feira, 14 de setembro de 2018

NENHUMA RAZÃO POR QUÊ


Não está sendo um bom ano para o cinema brasileiro,. O melhor filme que eu vi até agora foi "Benzinho", que é muito bem feitinho, mas não é nenhuma obra-prima. E mesmo assim devia ter ganho o Festival de Gramado, de onde saiu com vários prêmios - menos o principal. Essa glória foi para "Ferrugem", que trata de um dos temas da moda: o bullying por causa de um vídeo vazado, que resulta em um suicídio. Sim, é meio a trama de "13 Reasons Why", mas feita de um jeito leeento, com looongos silêncios e nenhuma música (outra moda que me dá nos nervos). Nenhum ator está bem - nem o geralmente ótimo Chico Diaz - e os adolescentes são uns poços de inexpressividade. Pelo menos não há maniqueísmo no roteiro, mas isto ainda é pouco. E por que o título "Ferrugem"?

QUEM QUE ELES PENSAM QUE ENGANAM?

A campanha do Bostonazi está adotando uma tática manjada, muito usada pelos evangélicos do mal: o clima de rolo compressor, de vitória inevitável, de já-ganhou. Divulgam pesquisas falsas, como a de que o Bozo já teria 45% das intenções de voto, e espalham que alguns gays estariam recebendo dinheiro para fazer campanha pelo Ciro Gomes - sim, porque o certo seria não apoiarmos quem nos apoia e votar em quem nos odeia, não é mesmo? 

Mas a realidade insiste em se impor. Nos últimos dias, cresceu uma tsunami de rejeição ao Bonoro na internet, com grupos de repúdio pipocando no Facebook e manifestações sendo convocadas para a semana que vem. A reação dos minions é a de sempre: andam mentindo por aí que o Mulheres Unidas Contra Bolsonaro, por exemplo, seria a página Gina Indelicada (ou a Gina Sincera, segundo outra versão) que teria mudado de nome - um truque sujo que diversos grupos de extrema-direita já fizeram outras vezes. É mentira, é claro, como mostra o Catraca Livre. No mais, para quem quiser sair de qualquer grupo, basta clicar em sair. E esses grupos antifascistas só crescem.

Um sintoma do desespero que começa a bater no lado de lá é o vídeo divulgado hoje, em que o Boçalnaro aparece abraçando o folclórico Amin Khader. Isto "provaria" que o candidato não é homofóbico... Mas o próprio Amin derruba sem querer a prova, ao dizer que o Bonoro "só não gosta daquela cartilha que inventaram". Isto é homofobia, é óbvio. Nenhum simpatizante da causa dos direitos igualitários vai se deixar enganar. Mas não é com eles que este vídeo está falando: é com os minions que precisam se convencer de que o candidato deles não é machista, racista, homofóbico e totalmente despreparado. Solonorabo precisa segurar os apoiadores que já tem, porque não está conquistando novos.

Temos que aguentar firmes. Resistir aos memes que desqualificam as pesquisas sérias, porque é isto o que os protofascistas querem nos fazer acreditar. Aderir ao maior número de grupos possíveis, para mostrar força numérica. E comparecer aos atos programados, SIM. Já vi gente boa dizendo que a presença nessas manifestações só daria mais visibilidade ao inominável. Pois eu já acho o contrário: dá visibilidade à rejeição que ele tem, tão negada por seus bajuladores. Bora pras ruas, bora pras urnas, bora nos unir contra os inimigos da democracia.

quinta-feira, 13 de setembro de 2018

OL-VI-DÉ CAN-CE-LAR EL MA-RIA-CHI

Quem estiver vendo "La Casa de las Flores" já tem uma nova paixão: Paulina de la Mora, a socialite de fala arrastada. No México, então, ela é a nova rainha dos memes. A série da Netflix é uma sátira impiedosa às telenovelas de lá, mas o curioso dialeto de Paulina não estava no roteiro original. Foi só no segundo episódio que a atriz Cecilia Suárez deu essa característica à personagem - e o diretor Manolo Caro gostou tanto que tiveram que dublar todas as cenas já gravadas. Mas por que Pau-li-na fa-la as-sim? Este vídeo aqui tem uma boa explicação: é porque ela toma Alprazolam, um medicamento contra ataques de ansiedade. Só que isto nunca é visto em cena. En-ten-de-do-res en-ten-de-rão.

DIAS DE TOFFOLI

Como será a gestão de Dias Toffoli à frente do Supremo? Dada a ligação histórica dele com o PT, não espero muita coisa. Por isto mesmo, acho que não vou me decepcionar como aconteceu com Cármen Lúcia. A ministra deixa a presidência do STF tendo comido um frango monumental, que, caso defendido, poderia ter mudado o curso da história do Brasil: ela pegou leve com Aécio Neves, e tudo segue como dantes no quartel de Abrantes. Não acho que Toffoli irá soltar Lula no primeiro dia, mas, ao lado de Gilmar Mendes e Ricardo Lewandowski, ele é um garantista no momento em que o Brasil mais precisa de rigor contra os poderosos. Vamos ver como se comporta.

quarta-feira, 12 de setembro de 2018

UNIDOS VENCEREMOS

Vamos precisar de disciplina e determinação inéditas para derrotarmos o fascismo nessas eleições. Está ficando cada vez mais claro que o voto útil será necessário já no primeiro turno. Em português claro: Fernando Haddad é, dos quatro candidatos competitivos, o que tem mais chance de ser baitdo pelo Bostonazi no segundo turno, dado o antipetismo de boa parte da população. Mas, para a gente combinar o voto, antes é preciso conversar. Por isto, acho essencial se unir a um ou mais grupos que vêm brotando no Facebook. O mais vistoso é o Mulheres Unidas Contra Bolsonaro, que só ontem ganhou  meio milhão de adeptas.

Na esteira desse grupo surgiu o LGBTS contra Bolsonaro, que ressuscistou o S de simpatizante: não é preciso ser LGBT para aderir. Neste eu já me inscrevi, e quase adicionei amigos sem consultá-los. Mas me contive a tempo: odeio quando fazem isto comigo, então não farei com os outros. Fica aqui o convite.

terça-feira, 11 de setembro de 2018

BYE BYE BIBI

Vi mais Bibi Ferreira de 2013 para cá do que em toda a minha vida anterior. Todo ano ela lançava um novo show, esbanjando vitalidade no palco. Cheguei a pensar que ela se alimentasse do sangue de virgens; cheguei a pensar que ela iria me enterrar. Talvez até enterre, mas não a verei mais em cena. Bibi anunciou ontem sua aposentadoria, aos 96 anos de idade. Depois de algumas internações, ela decidiu que está na hora de parar, mesmo não tendo nenhuma doença grave. Eu só tenho a agradecer por ela ter nos aturado tanto tempo. E fico feliz de viver num tempo em que muita gente trabalha à toda até quase fazer 100 anos. Além da Bibi, lembro do Tony Bennett (que está com 92) e do Charles Aznavour (94), ambos ainda em atividade. Quero chegar lá. E quero que a Bbi me enterre.

FACADA NA CARNE

Então a facada que o Bolsonazi levou na quinta passada foi só isto mesmo: uma facada. Não foi um atentado contra a democracia, não serviu de impulso para ele disparar nas pesquisas, não o transformou em um mártir. Funcionou, no máximo, para que o voto envergonhado nele saísse à luz do dia. Segundo o Datafolha, o candidato do PSL cresceu só dois pontos desde 20 de agosto, dentro da margem de erro. Ao que tudo indica, bateu no teto: seus seguidores são fiéis, mas também são antigos. Ele não está conquistando novos adeptos. Também, pudera: as declarações belicosas de seu entorno e, principalmente, a foto de sábado na cama do hospital, só confirmaram que o Bozo não tem ideias para além do discurso de ódio. Mesmo assim, é provável que ele passe ao segundo turno. O que pode gerar uma briga feia no pelotão de trás: não duvido que o Haddad, por exemplo, agora pegue beeem pesado com o Ciro, numa daquelas campanhas elegantes que o PT sabe tão bem fazer. Mas, por enquanto, vou me refestelar na boa notícia. O Bonoro perde para todos no segundo turno. Isso deve doer muito.