sábado, 28 de março de 2020

A CAMPANHA QUE NUNCA EXISTIU


Durou pouco mais de 24 horas. Começou na quinta à noite, com o Zero-Um divulgando a hashtag em suas redes sociais. Era a senha para o gado fazer o mesmo. Ontem a Secretaria da Comunicação divulgou o vídeo acima, feito com cenas de bancos de imagem. Reparou que quase todos os trabalhadores que aparecem no filme são negros? O troço não paasou na televisão e só circulou nos perfis dos minions, mas a repercussão foi terrível. Logo surgiu uma versão com a mesma locução, mas mostrando o Justus tomando champagne e o Véio da Havan andando de helicóptero. Hoje a Secom apagou todas as postagens com #OBrasil NãoPodeParar e está jurando de pé junto que essa campanha nunca existiu. Existiu sim: taí a prova neste post, e por toda a internet. Mais um vai-que-cola desse governo que não sabe o que fazer.

CONTIGO EN LA DISTANCIA

Já é consenso global de que Biroliro é o pior de todos os chefes de estado no combate ao coronavírus. Mas López Obrador, o presidente do México, está pelo menos entre os Top 5. O esquerdista AMLO, como é mais conhecido, continua beijando bebês e se esfregando na multidão, numa prova cabal de que a estupidez não é privilégio da extrema-direita (mas talvez seja dos populistas). Pelo menos os mexicanos já contam com uma super-heroína no combate à covid-19: Susana Distancia, cujo nome quer dizer "sua distância saudável" (su sana distancia). A personagem caiu no gosto do povo e é claro que já rendeu centenas de memes e paródias. Enquanto isto, aqui no Brasil, o governo faz campanha para os pobres (e só eles) voltarem a trabalhar. Só que nem os mais necessitados estão dispostos a morrer por alguns trocados. Todos os líderes de favelas e comunidades carentes estão incentivando os moradores a ficar em casa. No Rio, áreas controladas por milícias têm toque de recolher. Sim, você leu direito: até os milicianos estão preocupados com a pandemia. Menos um, é claro.

sexta-feira, 27 de março de 2020

MILANO È FOTTUTA

Milão se fodeu. A cidade italiana ocupa um lugar especial no meu coração, depois que eu fui para lá dois anos seguidos a convite de uma marca de bebidas. Mas hoje eu sinto pena dela: os milaneses embarcaram na ridícula campanha do governo, "Milão não fecha", e o resultado está aí. O número de mortes por covid-19 voltou a subir na Itália, chegando a 919 nesta quinta. E o prefeito de Milão diz agora que se arrepende amargamente do filme acima, que traz sandices do tipo "não estamos com medo". Os italianos ainda tinham a ligeira desculpa de não saber direito o tamanho da encrenca, mas nós não temos. No entanto, as ruas de São Paulo voltaram a se encher depois que Coronaro foi à TV dizer que gripezinha não é problema. Balneário Camboriú teve até carreata comemorando do fim da quarentena. Sinto muito, mas parece que o Brasil também vai se foder.

quinta-feira, 26 de março de 2020

I DIDN'T MEAN TO MAKE THEM DIE

Meu WhatsApp, como o de todo mundo, está coalhado de memes sobre o cornavírus. Áudios engraçadinhos, figurinhas do Biroliro e, de uns dias para cá, paródias musicais. Achei que nada superaria "I Wanna Wash My Hands", mas eis que surgem the champions. Afinal, o Queen sempre foi melhor que os Beatles.

A GLÓRIA DE DORIA

Precisamos falar sobre João Doria. Sim, sim, o governador paulista é um conhecido oportunista. Assim como o Alexandre Frota, ele é sempre um dos primeiros a correr para o lado onde o vento sopra. Por isto mesmo, é bastante significativa sua postura durante a pandemia da Covid-19. Doria deixou de lado o histrionismo e as fantasias de gari com que nos brindava no começo de seu mandato como prefeito de São Paulo. De repente, virou um estadista - ainda mais quando contrastado com o Despreparado que infectou o Planalto. Tem tratado esta crise com muita seriedade e responsabilidade. Também está se esforçando, é claro, para se mostrar muito mais confiável do que Coronaro. Fez questão de publicar na internet seu exame do coronavírus, coisa que Mijair jamais fará, porque todo mundo sabe que ele e Micheque deram positivo. Ontem ele peitou o ex-presidente em exercício durante a famosa reunião com os governadores do Sudeste, e depois divulgou o vídeo para todos os canais de TV. "Ãin, mas ele só pensa em se eleger presidente em 2022", dirá o gado. Não: Doria já deu provas cabais de que se preocupa valer com a economia e com a saúde da população. Mas claro que ele tem ambições presidenciais, e não há nada de errado com isto. Só o Bozo acha ruim, porque sabe que Doria será seu pior adversário. Para começar, não dá para colar nele a pecha de petista ou esquerdista. Para completar, há a possibilidade concreta da pandemia causar menos estrago em São Paulo do que no resto do Brasil, tanto no PIB como no número de mortes. Aí, baubau, Bostonazi já era. Quero ressaltar que João Doria nunca foi o candidato dos meus sonhos e que eu sigo com dois pés atrás em relação a ele. Mas, se a escolha for entre ele e o Biroliro, não será nada difícil.

quarta-feira, 25 de março de 2020

DISQUE PA' MATAR LA TUSA

Estou fazendo um esforço de reportagem para não falar nem do coronavírus nem do Coronaro, seu maior difusor. Não aguento mais esses dois assuntos, e acho que você também. Portanto, vamos dar um respiro. Lá vai o vídeo da musiquinha de maior sucesso na América Latina neste momento, que me infernizou nessa viagem ao México. Faz só três semanas, mas parece que foi no século passado...

SEMPRE GABRIELA

A CNN Brasil entrou no ar com muitas gafes e inúmeras passadas de pano no Biroliro. Mas, talvez sem querer, lançou uma musa para os críticos desse governo: a advogada Gabriela Prioli, que participa do quadro "O Grande Debate" no telejornal "Novo Dia". Logo na estreia, a moça jantou Caio Coppolla, até então desacostumado a enfrentar um oponente munido de dados, calma e bom senso. O baque foi tão grande que Caio imediatamente produziu um atestado e não voltou mais ao programa. Foi substituído por Tomé Abduch, porta-voz do movimento Nas Ruas: um cara que comete um erro de concordância atrás do outro e, apesar de sempre pedir para ninguém se deixar levar por preferências pessoais, nunca consegue esconder sua babação por Coronaro. Consegue ser ainda mais frágil que seu antecessor. Tem sido divertido ver Gabriela enrabá-lo todas as manhãs (aliás, já se diz nas redes sociais que "O Grande Debate" deveria ser transmitido pelo Pornhub). Hoje Tomé se deu ao trabalho de reler só as partes menos polêmicas do desastroso discurso de ontem do Mijair, na vã tentativa de provar que o ex-presidente em exercício diz alguma coisa com coisa. Com o sorriso doce que lhe é peculiar, Gabriela Prioli desmontou cada um dos argumentos e ainda expôs o puxa-saquismo de seu adversário. Protegida dos ataques machistas dos minions por causa de sua beleza, ela destila firmeza, educação e simpatia. Além de um ar de superioridade plenamente justificado.

terça-feira, 24 de março de 2020

TOKYO 2021

Antes que algum engraçadinho me avise: claro que eu sei que a Olimpíada de Tóquio não mudou de nome. Mesmo transferida para o ano que vem, ela continuará se chamando 2020. Era o último grande evento que ainda faltava ser adiado ou cancelado, e eu entendo a hesitação. Os Jogos são o maior evento do planeta: movimentam bilhões de dólares e milhares de pessoas, e levam anos para ficarem prontos. Agora os japoneses têm um ano a mais para nos embasbacar com a cerimônia de abertura, e os atletas também treinarão mais. Miraitowa e Someity agradecem.

POR TUTATIS, BELENOS E BELISAMA

Quem acompanha este blog talvez saiba que o grande personagem da minha infância é o Tintin, por quem eu sou obcecado até hoje. Mas Asterix ocupa um mais que honroso segundo lugar. Hoje morreu seu desenhista, Albert Uderzo, aos 92 anos de idade. O fato é que as aventuras de Asterix e Obelix perderam qualidade depois que o roteirista René Goscinny se foi, em 1977, e Uderzo tomou para si a tarefa de também escrever as histórias. Mas isto não diminui o brilho de seus álbuns, que conseguem ensinar história antiga e fazer rir ao mesmo tempo. Como muita gente, comecei a entender o que era o Império Romano nas páginas de Asterix. Agora preciso comprar "Asterix e a TransItálica", de autoria dos sucessores de Uderzo e Goscinny: o roteirista Jean-Yves Ferri e o ilustrador Didier Conrad. Lançado em 2017, é o tal que tem um personagem chamado Coronavírus.

segunda-feira, 23 de março de 2020

OS RUINS SÃO AINDA PIORES

A pandemia do coronavírus tem revelado que alguns líderes mundiais são de fato grandiosos, com a alemã Angela Merkel. Também mostrou que Doria e Witzel, com todo o oportunismo que lhes é peculiar, também são capazes de agir com seriedade quando o momento exige. Quem se afunda mais a cada dia que passa é a corja da extrema-direita, que não tem o menor estofo - intelectual, emocional, espiritual - para enfrentar um problema de verdade, e não uma quimera nascida de suas entranhas. Olavo de Carvalho passou atestado de que é, de fato, um dos piores seres humanos vivos, ao divulgar um vídeo jurando que ninguém morreu de covid-19 e que é tudo manipulação da mídia. O YouTube removeu o original do ar, mas eu reproduzo aí acima a versão do canal Poder 360, dirigido a um público adulto e não-influenciável. Enquanto isso, Biroliro gravou um vídeo caseiro dando a entender que é ele qume vai trazer a cura da doença, a miraculosa cloroquina, desenvolvida pelo hospital "Alberto" Einstein. Seu filho Zero-Um e Ricardo Salles, o ministro da Destruição, tentaram difamar o dr. Drauzio Varella e, ao mesmo tempo, convencer os incautos de que a quarentena é um exagero, em tuítes que o próprio Twitter cuidou de apagar. Aí surgiu a tal da MP que substitui o salário, durante quatro meses, por um curso online... Essa barbaridade já foi cancelada, mas só ter sido promulgada já prova que poucos prestam neste governo. Paulo Guedes não tem um pingo de sensibilidade social e o Despreparado só pensa na própria reeleição, mas parece incapaz de entender que ninguém se reelege matando pobre. Pois é, nós já sabíamos que eram ruins, mas são piores ainda.

ATUALIZAÇÃO: Quem viu, viu. O YouTube removeu definitivamente o vídeo do Olavo de Carvalho duvidando do coronavírus, até do canal do Poder 360o.  Para o post não ficar sem ilustração, catei essa linda foto do ex-astrólogo dodói, padecendo de dores horríveis e sem dinheiro para pagar o hospital. Ô dó.

domingo, 22 de março de 2020

MORDIDO POR DENTRO

Estou chocado com a morte do Bruno Lima Penido. Trabalhamos juntos no "Video Show", entre 2013 e 2014. Ele já estava na Globo há muito mais tempo do que eu e lá continuou, participando das equipes que escreveram "Malhação - Viva a Diferença", "Verdades Secretas" e "A Cara do Pai". Também publicou um livro de poemas em 2018, "Mordidas por Dentro". É como eu me sinto agora: dilacerado, sem entender porque um cara tão talentoso se foi aos 41 anos. Nós nos falamos pela última vez em outubro passado (travamos uma guerra de figurinhas pelo WhatsApp, ele tinha umas ótimas) e agora me arrependo de não termos falado mais. É a velha história: converse com as pessoas, aproxime-se mais delas, mesmo nesses tempos de distanciamento social. Quem está aqui hoje, pode não estar mais amanhã.

sábado, 21 de março de 2020

GOLPE NO SÍTIO

A revista Crusoe e o site O Antagonista avisam que Biroliro anda pensando em declarar estado de sítio, usando a pandemia como desculpa. Acontece que o sítio só deve ser decretado quando um estado anterior, o de defesa, não surtiu resultados. Por que o Despreparado quer pular etapas? Para criar um impasse com o Congresso e torcer que suja clima para um golpe. Por que o estado de defesa não depende de aprovação parlamentat. Era só Mijair dar uma canetada. O de sítio, por outro lado, tem que passar pela Câmara e pelo Senado. E alguém acha que as duas casas irão aprovar um estado que suspende garantias constitucionais, como o direito à reunião e à livre expressão? Ainda mais com a proposta vinda de um golpista confesso? Aí, quando levar um "não" na fuça, o Bozo se sentiria empoderado para chamar os milicos e dar um autogolpe. Acontece que a chance disso acontecer se esvai um pouco mais a cada dia que passa, porque os minions estão diminuindo a olhos vistos. Depois da defecção de Janaína Paschoal, ontem foi a vez do Grupo Bandeirantes - que, como todas as emissoras abertas que não se chamam Globo, vinha apoiando Coronaro de maneira explícita. A Band, muito ligada ao agronegócio, não perdoou a patacoada do Dudu Bananinha e do Ernesto Capachildo, que pode prejudicar nossas exportações para a China. Mas o gabinete do ódio parece interessado em manter apenas o apoio dos 10% mais radicais, e danem-se os demais. Em breve, adivinha quem é que vai estar sitiado?

sexta-feira, 20 de março de 2020

MALA FÉ

Que Silas Malafaia é um ser desprezível, não é novidade para ninguém. Mas, em plena calamidade pública, o pastor faz questão de amplificar sua fama de mau. A decisão de manter os cultos em suas igrejas, sem nenhum controle da lotação ou respeito às normas sanitárias, rebaixa o biltre a um novo patamar de vilania. O ganancioso Malafaia jura por seu falso deus que não faz isto por ganância. Então, só nos resta uma explicação: ele ainda está buscando, em meio ao seu rebanho, a rola que o Boechat mandou procurar.

HONEY, I'M HOME

Estou me divertindo com o desespero de algumas pessoas, subitamente forçadas ao home office. Eu trabalho direto em casa há quase três anos, e tive outras experiências do gênero ao longo da minha carreira. É bom? É óóótemo. Para começar, não é preciso se embelezar, ou sequer se vestir, para trabalhar em casa. Eu não tenho um mumu havaiano como o que o Homer Simpson desfilou quando encarou um escritório caseiro, mas, neste exato momento, estou usando calças tailandesas esvoaçantes. Também é maravilhoso não ter que enfrentar o trânsito, e poder parar de repente para ver televisão. Há perrengues? Sim, claro. Quem tem criança em casa deve estar procurando um método para eliminá-las sem muita dor. Eu tenho minha mãe de 83 anos, que não entende muito bem o conceito de home office e vem de 15 em 15 minutos me pedir para mudar o canal da TV do quarto dela, pois não sabe usar o controle remoto. De vez em quando, também sinto falta dos colegas, dos almoços, das rodinhas de café para falar mal da chefia. Mas minha vida normal tem muito evento, muita cabine, muita visita a sets de filmagem, muita viagem. Na pandemia, claro, não tem mais nada disso, mas não posso dizer que a minha rotina mudou radicalmente. Na prática, meu dia de trabalho é até mais longo que o da maioria da população: não é raro eu pegar no batente antes das 9 da manhã e só largar depois das 8 da noite. Vocês, que trabalham fora, vão ver só como será duro voltar para o esquema habitual. Aproveitem enquanto é tempo.

quinta-feira, 19 de março de 2020

CANNES-CELADO

Agora a coisa ficou feia. A ponte-aérea entre o Rio e São Paulo vai ser interrompida, pela primeira vez em meus quase 60 anos de vida. O festival de Cannes, que aconteceria em maio, foi cancelado. Num laivo de otimismo, os organizadores falam em realizá-lo já no final de junho, comecinho de julho, mas quem acredita nisto? Ah, e o mais grave de tudo: NÃO VAI TER EUROVISION. As músicas já estão todas prontas e disponíveis nas plataformas, mas será que sobrevivem até o ano que vem? Sim, porque a ideia é realizar o festival na mesma cidade de Rotterdam, na Holanda, mas em maio de 2021. Quer dizer então que começou o apocalipse zumbi? Porque, num mundo sem Eurovision, não vale a pena viver.

VARA CURTA CHUCHANDO O DRAGÃO

O populismo não sobrevive se não tiver muitos inimigos, quase sempre imaginários. É preciso galvanizar a massa ignorante contra o comunismo, os estrangeiros, os gays, a mídia. Nos EUA, Donald Trump foi aconselhado por um âncora da Fox News a se referir ao coronavírus como "o vírus chinês" - uma maneira de jogar para um país distante toda a culpa por uma crise que ele não tem competência para enfrentar. Por aqui, Zero-Três não tardou a copiar a tática, e ainda chuchou a China num dia em que seu pai pagou de trapalhão em rede nacional, lutando contra uma máscara (e perdendo feio). Distraiu a atenção de parte do público? Sim! Energizou os seguidores que ainda lhe restam? Sim! Criou um problema desnecessário com nosso maior parceiro comercial! Sim, sim, sim! Analistas alegam que a embaixada da China não tinha nada que responder, para não validar a provocação do Vara Curta. Acontece que uma ditadura não tem como ignorar os ataques, sob o risco de parecer frouxa diante de seus vassalos. Como sempre, a família Biroliro mostrou que não está nem aí para os interesses do Brasil ou o bem-estar da população. Só pensam em seu projeto de poder. Mas eu me pergunto: essa estratégia de governar só para os 10% (ou menos) que os apoiam cegamente, enquanto irritam os outros 90%, vai durar até quando?

quarta-feira, 18 de março de 2020

QUE BONITO É...

...as panelas estourando, o povo se esgoelando e o Bozo a se cagar...

É HOJE QUE ELE PAGA TODO O MAL QUE ELE NOS FEZ

Foi totalmente inesperado. Lá pelas 10h30 da noite de ontem, começaram a pipocar nas minhas timelines notícias de panelaço em diferentes bairros de São Paulo. Inclusive no meu - mas, naquele momento, eu não escutava nada. Não demorou: feito uma onda sísmica, minha vizinhança acordou e foi gritar e bater caçarolas na janela. Meu marido quase estragou uma frigideira do Jamie Oliver que ganhamos com selinhos no Pão de Açúcar. Foi estrondoso, foi ensurdecedor? Não. Mas logo ficamos sabendo que panelaços-flashmob tinham acontecido em várias capitais brasileiras, a maioria em bairros de classe média alta. E tudo isso sem convocação, sem hashtag, só com as artes que circulam nas redes sociais conclamando para o panelaço de hoje (e até os minions hão de convir que elas estão muito melhores do que a tosqueira do "agora é guerra!").

Alguma coisa mudou no clima político do país. Claro que sabemos por quê: Biroliro exagerou na dose. Março mal começou e já tinha um comediante na porta do Alvorada provocando a imprensa, o que só aumentou o impacto do PIB pequenino. Depois o Despreparado chamou abertamente para as manifestações a seu favor e contra a Constituição. Já na Flórida, disse ter provas de que o primeiro turno da eleição presidencial de 2018 foi fraudado, mas não apresentou nenhuma até agora. Mas o que realmente incendiou a população foi sua participação no CoronaFest 2020, quando devia estar quietinho no palácio, em quarentena. Enquanto isso, o coronavírus se espalha pelo Brasil e as primeiras mortes já ocorrem. As perspectivas para a economia são sombrias. Aliados de primeira hora estão caindo fora. Por fim, um haitiano peitou Mijair com elegância. Isso fez com que o medo de reclamar se dissipasse. Janela tá OK. Apito tá OK. Panela tá OK. Um Brasilzão desses nunca mais ele vai ter.

terça-feira, 17 de março de 2020

PRESIDENTE MANDETTA

Vamos tirar logo da frente: Luiz Henrique Mandetta está sendo investigado por fraude em licitação, tráfico de influência e caixa dois, por causa de sua atuação como secretário da Saúde do Mato Grosso do Sul. Mas tudo isso vira péché mignon perto do cruzamento de asilo de loucos com escritório do crime que é o governo federal. A sobriedade que o ministro vem demonstrando já incomoda Biroliro, que morre de ciúmes até da sombra. Mandetta não faz parte do gabinete de crise que Mijair inventou, o que talvez seja bom. Assim ele fica livre para exercer a função de presidente de facto do Brasil, já que o cargo está vago.

EU TÔ FALANDO BRASILEIRO

Foi preciso que um imigrante haitiano se imiscuísse no cercadinho na porta do Alvorada para dizer umas verdades na cara do Biroliro, coisa que nenhum brasileiro nato ainda teve a coragem de fazer. Com calma e voz baixa, o rapaz afirma que o Despreparado "teve escolha" ao se refestelar na manifestação de domingo, e reitera várias vezes que ele não é mais presidente. Petrificado e desacostumado a ouvir críticas naquele lugar, Mijair não esboça reação e se manda, antes mesmo de ouvir a oração que um pobre ignorante ainda queria fazer. O que o haitiano disse diante das câmeras vem sendo sussurrado em corredores e redações: o Bozo deu um tiro de bazuca no próprio pé, e pode ter ferido de morte o próprio mandato. Não vai ser para já, mas o vento está virando. Neste momento, eu temo mais é pelo rapaz: vingativos e mesquinhos como são, os minions já devem estar revirando mundos e fundos para descobrir sua identidade e infernizar sua vida, com visitinhas da Polícia Federal ou coisa pior.

segunda-feira, 16 de março de 2020

CSI BELLE ÉPOQUE


Digam o que quiserem: Roman Polanski continua em plena forma. "O Oficial e o Espião" é um baita filme. Classicão, sem nenhum atrevimento narrativo, nenhuma invencionice. Só com todo o primeiro pelotão de atores franceses na faixa dos 40 e 50 anos, direção de artee figurinos impecáveis e, acima de tudo, uma história que precisa ser mais conhecida. A belle époque, quando ela se passa, não era tão bonita assim. O antissemitismo já era uma realidade inclusive na França, que ninguém se preocupava em esconder. Eu achava que o caso Dreyfuss havia sido muito mais simples do que de fato foi, e que o famoso "J'Accuse" de Émile Zola tinha dado cabo da prisão do oficial judeu injustamente condenado por espionagem. O roteiro é uma espécie de "CSI" melhorado: as provas da inocência do prisioneiro são reunidas aos poucos, com muitas reviravoltas e alguns bons momentos de ação. Tem crítico associando a perseguição a Dreyfus à que Polanski sofre hoje, e pode até ser que o diretor quisesse mesmo esta comparação. Mas "O Oficial e o Espião" sobrevive por si mesmo. Ainda bem que eu vi antes dos cinemas fecharem.

A CURA DO POPULISMO

A pandemia do coronavírus tem um único efeito colateral positivo: a tremedeira, o suor frio e a febre alta de que foram subitamente acometidos os líderes populistas. Estão todos em pânico, porque esta crise real pode desmascarar a incompetência e despreparo que eles conseguiram esconder. Trump, Biroliro e similares foram eleitos insistindo que eram figuras "de fora" do sistema, e que isto bastaria. Claro que não são: nasceram e e cresceram no mesmo sistema que fingem combater, com o agravante de terem chegado ao cargo mais alto de seus países sem experiência em gestão pública. Todos eles achincalharam a ciência e a educação; todos preferiram queimar pontes do que forjar alianças. O Bebê Alaranjado desperdiçou três semanas em que os EUA poderiam ter contido para valer o vírus. Sofreu uma intervenção branca de seu próprio partido e, no exato momento em que escrevo este post, ele está na TV pedindo calma e contenção aos americanos. Nada como uma eleição em novembro para fazer o cara andar na linha. Aqui no Brasil, Mijair só dá sinais de desespero. O que ele fez ontem, ao contrário do que pensa o gado, foi um tremendo sinal de fraqueza. Está perdendo apoio por todos os lados: hoje foi a Janaína Paschoal, quem diria? Também foi patética a entrevista que o Bozo deu à CNN Brasil, tentando justificar o injustificável e jogando a culpa em Lula (!) e Obama (!!!). A seu favor, os populistas têm a estupidez de quem não acredita no perigo e continuar a lotar praias e manifestações. Vamos ver quanto desse apoio sobra quando começarem a faltar leitos e a morrer criancinhas.

domingo, 15 de março de 2020

A PANDEMIA DA BURRICE

Está ficando monótono. A cada semana, Biroliro desce mais alguns degraus na escala da decência. Hoje ele se superou, ao comparecer à manifestação para a qual ele mesmo desconvocou seus seguidores. E compareceu sem máscara, contrariando seu pronunciamento de sexta à noite e as recomendações do Ministério da Saúde. Mas o recorde negativo não deve durar muito tempo, claro. Até porque o Bozo encontra respaldo na estupidez dos brasileiros, que estão lotando praias e bares neste fim de semana de sol. Vamos ver se, daqui a duas semanas, não nos transformamos numa gigantesca Itália. A burrice é contagiosa.

ONT FORGÉ LA TRAME DU HASARD


Houve um tempo em que eu fui obcecado por Claude Lelouch. O diretor francês me conquistou com "Les Uns et Les Autres" (ou "Retratos da Vida"), que eu vi umas 300 vezes no cinema, depois em vídeo, depois em DVD. Passei a catar seus filmes antigos e me apaixonei pelo melhor de todos: "Um Homem e uma Mulher", de 1966, até hoje talvez o mais belo romance do cinema de todos os tempos. Mas a obra de Lelouch, no geral, não é das mais consistentes. Ele tem muitos trabalhos fracos, autoindulgentes, sem nada a dizer, e faz tempo que seus longas não chegam ao Brasil. Mas agora vem um por aí: "Os Melhores Anos de uma Vida", a segunda continuação de "Um Homem e uma Mulher", agora com os atores beirando os 90 anos (!). Já vi o trailer e já baixei a trilha, que não paro de ouvir. Porque ela ficou a cargo apenas do melhor nome da música francesa de hoje, Calogero (sim, melhor que o Biolay). Calogero compôs apenas duas novas canções, cujos arranjos se entremeiam à música original de Francis Lai, e ainda chamou a octogenária Nicole Croisille, que cantou o badabadaba lá atrás, para dividir os vocais com ele. A estreia de "Os Melhores Anos de uma Vida" no Brasil está marcada para o dia 9 de abril. Espero que essa quarentena do coronavírus já tenha acabado até lá.

sábado, 14 de março de 2020

MORRERAM O BEBIANNO

Eu sou a última pessoa a embarcar em teorias da conspiração, mas essa morte súbita do Gustavo Bebianno desafia o meu ceticismo. Existem muitos venenos que agem sem deixar traço. Ele cair duro aos 56 anos, fulminado por um ataque cardíaco, menos de um mês depois de participar do "Roda Viva" e dar a entender que sabia muito mais do que dizia, é um pouco demais. O Paulo Marinho diz que Bebianno morreu de tristeza. Talvez estivesse triste mesmo por dedicar tanto tempo a uma gangue criminosa, cujo único projeto de poder é mais poder. Eu acho que deveria ser realizada uma autópsia, mas a família deve estar apavorada. Também era bom investigar onde e com quem ele esteve nos últimos dias. E torcer para que sejam logo abertas as cartas que ele entregou a dois amigos em 2019, segundo a revista "Veja". Se nada disso acontecer, ninguém me convencerá de que o sujeito não foi a primeira vítima do inner circle presidencial.