sexta-feira, 17 de setembro de 2021

QUEDROGA DE MINISTRO

Marcelo Queiroga quer se candidatar no ano que vem, seja a deputado, senador ou até mesmo governador da Paraíba. Para isto, precisa se manter em evidência, à frente do ministério da Saúde. Como sua situação anda meio periclitante, o ministro não teve dúvidas: rifou sua reputação e a saúde dos brasileiros, para agradar ao Biroliro e sua claque de ativistas do vírus. Seu anúncio ontem de que adolescentes não devem se vacinar é um escândalo proposital, lançado para desviar a atenção de um escândalo ainda maior: os testes fajutos que a Prevent Senior vêm fazendo com pacientes de Covid-19, à revelia destes, com resultados falsos e algumas mortes perfeitamente evitáveis. Num país normal era caso para cair o governo inteiro, mas no Brasil ainda há quem acredite em mitos. Esse caso da Prevent levanta uma lebre que pula por aí há algum tempo: o Genocida e sua turma devem estar recebendo uma granda de indústrias farmacêuticas para promover remédios ineficazes como a cloroquina e companhia bela. E ainda tiveram o desplante de cortar no meio a live da tarde de ontem, para insinuar que estariam sendo censurados por Facebook e YouTube - esqueceram que essas plataformas têm donos diferentes, e é impossível que combinassem de sair do ar no mesmíssimo segundo. É com essa corja que o Quedroga se mistura, é dela que ele faz parte.

quinta-feira, 16 de setembro de 2021

O FIM DA SEMANA

A notícia era mais do que esperada e mesmo assim fiquei tristinho. A The Week São Paulo fechou as portas de vez, depois de mais de um ano e meio sem funcionar por causa da pandemia. A nota ao lado foi publicada hoje no Instagram, comunicando que o imenso imóvel da Pompeia foi vendido. Vão subir uns prédios ali... Estive lá pela última vez em novembro de 2019, mas já ia pouco fazia alguns anos. Mas nunca deixei de adorar a boate que eu mais frequentei na minha vida. Entre 2005 e 2012, fui praticamente todos os fins de semana, e não sei como sobrevivi. Fui gold, fui black, fui green, botei grupos imensos pra dentro, passei vexame e o André Almada sempre me tratou feito um rei. Tenho um milhão de boas lembranças da TW, e teria dois milhões se ainda me sobrassem todos os neurônios. Mas a vida continua: a Japonesa já está aprontando sua próxima casa, e a The Week Rio deve reabrir até o final do ano. Novas lembranças virão.

PEQUI DERRETIDO

Segundo a pesquisa DataFolha divulgada hoje, a popularidade do Biroliro bateu um recorde negativo: 53% dos brasileiros reprovam seu desgoverno. Ainda acho pouco. Dilma chegou a 85% por muito menos. Como que metade da população ainda tolera, para não dizer apoia, este incompetente metido a autoritário? Acho que é aí que reside o x da "cuestão". Muita gente se identifica com o Genocida, com seu machismo, sua ignorância, suas más-criações. Nunca fui desses que acha que o Brasil é o melhor país do mundo, mas agora luto comigo mesmo para não achar o pior. Por outro lado, não há lugar totalmente civilizado neste mundo, nem mesmo a Escandinávia. A única coisa que me dá confiança no futuro é que, por aqui, os negros já são maioria.

quarta-feira, 15 de setembro de 2021

FILHA DE ADULTOS SURDOS

Coda, cauda em italiano, é parte final de uma peça musical. Em inglês, também é a sigla de Child of Deaf Adults - filho de adultos surdos. Os dois sentidos da palavra cabem no título do remake americano de "A Família Bélier", aquele filme fofinho francês que fez sucesso uns anos atrás. No Brasil, virou um meio óbvio "No Ritmo do Coração". A trama básica segue a mesma: a protagonista é a única ouvinte em uma família onde pai, mãe e irmão mais velho são todos surdos. Ela não só escuta como também canta, e quer se profissionalizar. Só que os pais precisam dela para trabalhar: no original, são fazendeiros, e aqui são pescadores. O roteiro adaptado também me pareceu mais dramático e melhor resolvido como um todo, e eu me emocionei algumas vezes mesmo sabendo o que ia acontecer. Não admira que o filme tenha ganho quatro prêmios importantes no último festival de Sundance e esteja cotado para o próximo Oscar.

COMO TREINAR SUA DRAG

A moda agora são filmes de temática gay com finais absurdamente felizes. O final lacrimejante de "Me Chame pelo Seu Nome" é insuportável para as novas gerações: a viadada jovem exige desfechos fantásticos, sem pé na realidade - nada que os héteros não tenham tudo desde sempre. O filme "Com Amor, Victor" foi um dos pioneiros dessa onda três anos atrás, seguida com brio por "Todos Estão Falando Sobre Jaime". Esta nova produção da Amazon é baseada num musical britânico, por sua vez baseado no caso real de um rapaz que resolveu ir de drag à sua festa de formatura. O personagem-título sempre quer que o mundo gire à sua volta, o que faz para a autoestima mas nem tanto para sua inserção na sociedade. O curioso é que ele parece desprovido de sexualidade: não se interessa por ninguém só por se montar. Os números são todos muito bem executados, mas nenhuma das canções gruda no ouvido. E me incomodou bastante o fato de Jamie não ensaiar nada para sua estreia no palco, nem ter escolhido seu nome de drag queen até a hora das cortinas se abrirem. Por outro lado, gostei das participações de Richard E. Grant e Sharon Horgan. Já sei, já sei: não tenho mais idade para amar esse "High School Musical" aviadado. Se joga, você que é xóvem.

terça-feira, 14 de setembro de 2021

CARA GENTE BRANCA

Michel Temer disse uns anos atrás que dava por encerrada sua carreira política, mas claro que era mentira. O golpista não só está de volta, mas se pavoneando como nunca. Foi ele quem revelou ser de sua própria "larva" a carta de arrego que o Biroliro divulgou semana passada. Ontem foi seu marqueteiro Elisnho Mouco quem mandou para a imprensa o vídeo acima, em que o comediante André Marinho, filho do ex-aliado e atual desafeto do Bozo Paulo Marinho, imita o Despreparado com requintes adnetianos. O que fica claro é que a elite branca que está no poder há 521 anos despreza o Genocida com todas suas forças e faz troça dele nos bastidores, mas ainda prefere que ele esteja no poder do que Lula ou qualquer outro nome mais à esquerda. E prepare-se: Temer vai se candidatar a alguma coisa no ano que vem, e periga ser eleito.

CENAS DE UM CASAMENTO

A carreira de Aziz Ansari desandou desde que ele foi acusado de não entender "dicas não-verbais" por uma moça que ele sequer comeu, em 2018. Desde então, rolou apenas um especial de stand-up para a Netflix em que esse episódio bizarro era abordado, mas a ótima série "Master of None" ficou pras calendas. Em maio passado finalmente saiu a terceira temporada, com novo foco e um subtítulo: "Moments in Love". A protagonista agora é Denise, a amiga sapatona de Dev, feita por Lena Waithe. Nesta fase ela é uma escritora de sucesso, que vive numa casa de campo com sua linda esposa britânica. Como na minissérie "Scenes from a Marriage", o que azeda a relação é a possibilidade de um bebê. Ao longo de quatro episódios de duração variada, as duas vão do céu ao inferno a algo difícil de definir. Há pouquíssimas piadas e um rigor lacônico que lembra mais Ingmar Bergman do que o remake da HBO. Mas também há uma verdade emocional e uma honestidade que são raras de se encontrar na TV. "Master of None: Moments in Love" não é exatamente fácil de se assistir, mas recompensa o espectador.

segunda-feira, 13 de setembro de 2021

ANIRA MONTERO

Anitta ahazou no pre-show dos VMAs ontem à noite. Baita produção, coreô irada e ainda um merchan do Burger King no final, que é para ela bancar o próximo álbum da Juliette. Mas tem espírito de porco no Brasil que acha que se apresentar no esquenta dos prêmios da MTV é vergonhoso. Que Anira não estava no show principal, nem tinha sido indicada a nenhum astronauta. Impressionante como não há conquista da moça que baste para seus haters: não tem feat. com Madonna, não tem inglês perfeito, nada nunca está bom. A inveja é mesmo uma merda.
Por falar em Madonna, a MTV teve a decência de chamar sua sócia-fundadora para abrir os VMAs de seu 40o. aniversário, depois de não convidá-la nem para vender bala no intervalo nos últimos 10 anos. O canal também reconheceu o artista mais importante de 2021: Lil Nas X, que ganhou o prêmio mais importante de todos e levou seu cabaré de bicha preta para o palco do Barclay's Center, em Nova York. O resto eu só vi de soslaio. Expirou minha validade para achar muita graça em Olivia Rodrigo ou The Kid Laroi. Preferi assistir à estreia de "Scenes from a Marriage" na HBO, bem mais de acordo com a minha faixa estária.

DUPLO PIXULECO

O Vem Pra Rua mostrou ter tanta palavra quanto o Bozo, a encarnação moderna do escorpião da anedota. Amigos que iam à Paulista neste domingo desanimaram assim que viram o duplo pixuleco inflado pelo VPR, contrariando o acordo firmado com diversos partidos. As manifestações de ontem foram pequenas, mas não há por que o Genocida comemorar. Só provam que o MBL e similares não têm mais o apelo de três anos atrás, ou que a base desses movimentos está satisfeiticíssima com a ameaça de um golpe de estado. De qualquer forma, foi bom ver nomes da direita à esquerda na avenida, e melhor ainda ver a dancinha do Doria. Só espero que os 80% que não querem mais o Bozo não se pulverizem em 10 grupos diferentes, com 10% cada.  

domingo, 12 de setembro de 2021

MISSÃO: FABULOSA

Já houve muitas tentativas de se criar heróis gays, mas nenhuma tão engraçada quanto "Força Queer". A nova série em animação da Netflix consegue tirar sarro de vários arquétipos do mundo LGBTetc. - a barbie, o urso, a drag, a sapatão politizada, e não-binárie pós-tude - sem nunca rir da sexualidade em si. O protagonista é um super-espião que, pelo simples fato de ter saído do armário, ficou relegado por 10 anos a um posto em West Hollywood, o bairro mais pédé de Los Angeles, onde acontece de tudo, mas nada que requeira agentes bem-treinados. Até que um dia acontece, e sua equipe, representativa de várias letras, finalmente mostra todo seu talento. Mas a trama é o de menos: o que importa são os "one liners", as piadas rápidas que obrigam o espectador não piscar se não quiser perder nenhuma. Uma das minhas favoritas é "pode me chamar de Kylie Minogue, porque I can't get you out of my head". A dublagem original ficou a cargo de nomes como Sean Hayes (o Jack de "Will & Grace"), Wanda Sykes e Laurie Metcalf, e é curioso como que, depois de alguns episódios, os roteiristas não perdem uma chance de mostrar os personagens em nu frontal. Tenho visto bibas mais jovens reclamando da série nas internets, e talvez elas não tenham mesmo a bagagem necessária para digerir esta finíssima bavaroise. Vocês chegam lá, querides: é só questão de tempo.

sábado, 11 de setembro de 2021

20 ANOS DE SÉCULO 21

Há um consenso entre muitos historiadores de que o século 20 só começou para valer depois da 1a. Guerra Mundial, que eliminou impérios decadentes e rearranjou a ordem internacional. O século 21 não precisou esperar 14 anos para deslanchar: seu ground zero é mesmo o 11 de setembro de 2001, que vaporizou o período "pós-histórico" da década de 1990 e pavimentou o caminho para a ascensão da extrema-direita pelo planeta afora. Hoje estamos muito mais polarizados que há 20 anos, mais inseguros, mais apavorados e cheios de ódio no coração. Também é verdade que o foco dos EUA à guerra ao terror facilitou a expansão do soft power chinês. A retirada desastrosa do Afeganistão dá uma terrível sensação de que nada adiantou - por outro lado, duvido que os talibãs durem muito tempo, pois boa parte do país não é mais aquela caipirice a que eles estavam acostumados. O século 21 começou mal, e só piorou com Trump, Biroliro e a pandemia. Por outro lado, temos cada vez mais plataformas de streaming!

sexta-feira, 10 de setembro de 2021

SEXTOU EM MAORI

Se Lorde fosse americana e regravasse algumas faixas de seu novo álbum em navajo ou hopi, sem ter uma gota de sangue indígena nas veias, seria um forrobodó. A cantora seria acusada de apropriação cultural para baixo. Mas a cultura maori está tão impregnada à da Nova Zelândia que todo mundo está achando lindo o EP "Te Ao Marama", que traz cinco músicas de "Solar Power" na língua dos primeiros habitantes do país (ajuda o fato de um em quatro neozelandeses ser legalmente maori, pois basta ter um tataravô da etnia para sê-lo). Eu também adorei o resultado, acho que até mais do que o original. O idioma maori soa como japonês para os meus ouvidos desacostumados, e seu monte de vogais combina perfeitamente com o clima estival que Lorde quis dar ao seu novo trabalho. Perfeito para ouvir na rede em frente ao mar, se eu tivesse uma rede em frente ao mar.

CAIM CAIM

Alguns me acusam de otimismo exagerado quando eu digo que o Edaír não é de nada. Além de tudo, ele também é burro pra caralho, criando problemas para si mesmo o tempo todo. Desde o infame 7 de setembro, dois grupos de seus apoiadores peceberam a canoa furada em que embarcaram. Primeiro foram os caminhoneiros a soldo do agronegócio primitivo, que deram com a boleia no chão depois que o Minto, com voz tênue, implorou que eles parassem de bloquear estradas. Depois foi a vez de influenciadores malignos como Alan dos Santos e Rodrigo Constantino, reagindo à nota de recuo escrita por Michel Temer e endossada pelo Biroliro. Claro que esse Jairzinho Paz e Amor não vai durar muito: é como pedir para o escorpião não picar o sapo durante a travessia. Mas o Despreparado se meteu numa sinuca de bico. Se para de vociferar merda, sua claque o abandona. Se vociferar, a direita mais envernizada o defenestra, como quase aconteceu esta semana, como quase aconteceu esta semana. Mas eu aposto na merda. Que acabará por tragá-lo, aguardem.

quinta-feira, 9 de setembro de 2021

PENETRAS NA WHITE PARTY

Está rolando um debate saudável nas redes sociais se simpatizantes da esquerda devem ir às manifestações convocadas pelo MBL e pelo Vem Pra Rua para este domingo. Os fraldas-marrons do Kim Kataguiri e do Mamãe Falei surgiram como trolls da extrema-direita, e eu mesmo virei alvo deles quando os critiquei no F5. Eles andam maneirando no tom de uns tempos para cá, mas há quem diga que isto só acontece porque não foram convidados a participar do desgoverno Biroliro, que ajudaram a eleger. Quem acredita realmente na democracia pode aderir a um protesto liderado por notórios anti-democratas? O MBL até tentou atrair quem não os endossa, decretando que a cor "oficial" do dia 12 será o branco, tamanho é o medo que eles têm do vermelho-Lula. Acham que estão dando uma White Party na Paulista e que podem impor o dress code. Pois eu defendo que eles sejam solenemente ignorados. A direita não teve o menor prurido em tomar para si as "jornadas de junho" de 2013, que começaram como passeatas contra o aumento do preço da passagem de ônibus de São Paulo, uma pauta da esquerda. Não houve o menor debate: reaças simplesmente foram se imiscuindo nas manifestações, até descaracterizá-las. Sigamos o exemplo no domingo, e vamos às ruas usando a cor que quisermos, carregando bandeiras de qualquer candidato. O Genocida precisa ser combatido por uma frente ampla, que inclua até quem a gente não gosta. Nem por isto temos que obedecer aos marronzinhos. Sejamos penetras!

ÊÊÊÊÊ MACARENA

É o que dá duvidar da imprensa profissional e só acreditar em mensagem do zap. Caminhoneiros a soldo dos agrotrogloditas se cobriram de vergonha eterna na noite de ontem, ao celebrar uma coisa que eles nem sabem o que é - o estado de sítio. Não adiantou nem o Biroliro, em pânico perceptível, mandar um áudio pedindo que eles se desmobilizassem. Acharam que era a voz do Toffoli, alterada pelos técnicos da Globolixo. O tal do Zé Trovão exigiu que o Despreparado gravasse um vídeo com data e hora, impresso e auditável. Para coroar o vexame, Marcelo Adnet imitou o Genocida pedindo que esses imbecis dançassem a Macarena. O Brasil está a salvo enquanto houver galhofa.

quarta-feira, 8 de setembro de 2021

A ENCARNAÇÃO DA COVARDIA

Alguns amigos mais cultos e vividos do que eu estão com muito medo que o Biroliro dê um golpe de estado. Eu, talvez por ser mais ignorante e tolo, já superei esse temor. Digo e repito que o Pequi Roído é um chihuahua, raça que late muito mas nunca morde (e, se morder, basta dar um peteleco). Edaír nunca fez nada de concreto contra ninguém. Passou a vida inteira na ameaça, mas nunca transformou suas palavras em ação. Não reagiu nem quando foi assaltado em 1995, e olha que ele anda armado desde sempre. Por isto, duvido que seus discursos de ontem se transformem em realidade. O Bozo é a encarnação da covardia, e meter medo é o cerne de seu marketing. Não nos esqueçamos nunca de que foi ele mesmo quem contou à revista Veja, em 1987, que iria explodir a adutora do Guandu, no Rio. Que terrorista é esse que trombeteia seus planos?

CINDERELO DE BURCA

Sou fã de carterinha do quadrinista francês Riad Sattouf, autor da série autobiográfica "O Árabe do Futuro". Sattouf também é compositor e cineasta, mas seus filmes nunca estrearam no circutio brasileiro. Agora consegui ver um, o segundo, e adorei. "Jacky au Royame des Filles" (Jacky no Reino das Mulheres) está em cartaz no MUBI até o começo de outubro. Trata-se de uma inversão esperta da história da Cinderela, lançada em 2014 - mas, com a volta do Talibã ao poder no Afeganistão, parece ter sido feita ontem. A história se passa na fictícia República Popular e Democrática de Boubounne, uma ditadura totalitária onde as mulheres é que mandam e os homens não têm direito algum. Os pobrezinhos precisam andar com uma espécie de burca que só deixa o rosto descoberto (melhor que a das afegãs), e os solteiros são assediados o tempo todo pela mulherada. É o caso do belo Jacky, que, como todos os rapazes de sua idade, sonha em se casar com a Coronel, a filha da General, líder máxima do país. O noivo será escolhido num grande baile, e Jacky precisa não só arranjar uma burca branca e cintilante como também um convite, que custa caríssimo. Rodado na Geórgia em locações que desafiam a credulidade, "Jacky" também um elenco cheio de estrelas francesas, como Charlotte Gainsbourg e Noémie Lvovsky. Mas quem carrega o longa é Vincet Lacoste, revelado por Sattouf em sua estreia no cinema e hoje um astro estabelecido. Cheio de piadas com machismo reverso e atuações fenomenais (dá para sentir como as atrizes estão se divertindo ao se comportar feito cafajestes), "Jacky" é um filme que subversivo e engraçadíssimo, já deveria ter se tornado cult. Vale a pena pegar um mês de graça no MUBI só para assisti-lo.

terça-feira, 7 de setembro de 2021

GADO QUE MUGE NÃO CHIFRA

Não foi uma "minifestação", como celebraram no Twitter. Segundo a própria Polícia Militar, onde não faltam novilhos, foram 104 mil reses em Brasília e 125 mil em São Paulo. Muito longe dos dois milhões esperados para cada uma das cidades. Os clarões na Esplanada dos Ministérios foram constrangedores, e o Biroliro, sempre incapaz de disfarçar o que está sentindo, fez muxoxo de decepção. Em São Paulo, a muvuca se concentrou em frente ao MASP e à FIESP, mas mais para cá onde eu moro não estava lotado, não. A verdade incontestável é que qualquer parada gay enche mais a Paulista do que a gadociata de hoje. Claro que o Genocida vai dizer que foram 10 bilhões de pessoas e que dava para ver de Marte, mas eu, que cruzei com vários imbecis trajando verde e amarelo, não estou preocupado. Até porque o apoio dele vai sumir por decurso de prazo - quase não havia jovens no rebanho, composto majoritariamente por gente branca de meia idade e fora de forma. Mas o mistério continua: porque 25% dos brasileiros ainda apoiam o Genocida? Foram às ruas comemorar a gasolina a sete reais, o dólar a mais de cinco, a Amazônia e o Pantanal em chamas, os pobres comendo osso com arroz quebrado e os 580 mil mortos pela pandemia? No Rio teve quem tirasse selfie com o Queiroz! O gado muge pelo direito de ser roubado. Só que, depois de um dia sem o quebra-quebra esperado e cheio de discursos vazios, ficou provado que ele não chifra. Não que faltem galhos na cabeça do Minto, hohoho.

EJACULAÇÃO PRECOCE

Excitada feito uma vaca no cio, parte da manada que chegou a Brasília para a gadociata de 7 de setembro não esperou o sol raiar. Com o apoio expresso da PM do DF, uma das mais birolistas, os novilhos furaram o bloqueio e invadiram a Esplanada dos Ministérios. Alguns levavam bebidas alcoólicas, fogos de artifício e, dããã, armas - funcionou super bem a revista, não é mesmo? Com o Bananinha lá no meio, tentando compensar sua falta de pinto, os bovinos queimaram a largada. Hoje há quem tema que destruam o Congresso e o STF, e pode até ser que penetrem no interior desses prédios. Isso quer dizer golpe de estado? Não, só arruaça. Não tem ninguém lá dentro. Não temo pelas instituições nesta terça. Não me assusto com avisos do tipo "Biroliro parte para o tudo ou nada". Ele nunca fez isto na vida. Vai fazer justo agora quando sua popularidade está em baixa? O Bozo é o sujeito que planejou um atentado terrorista e depois denunciou a si mesmo. Ele só late, há mais de 30 anos. Nunca morde. Agora quer que os outros lutem e morram por ele e sua familícia. 

E o gado atende ao som do berrante, indo às ruas para celebrar a gasolina a 7 reais, a sopa de osso com arroz quebrado e os quase 600 mil mortos pela covid-19. Mas não se assustem com o eventual tamanho da gadociata. Tanto em Brasília quanto em SP, as multidões serão infladas por ônibus vindos de cidades distantes, pagos por empresários inescrupulosos e por dinheiro público. Ninguém consegue dar autogolpe com menos de 25% de popularidade e a economia em frangalhos. Mas o 7 de setembro é um ensaio-geral para o forrobodó que o Genocida quer promover no ano que vem, quando levar uma tunda de Lula nas urnas. Só que, com os atos de hoje, ele só infla sua própria oposição. Começou o fim irreversível da era Edaír.

segunda-feira, 6 de setembro de 2021

LE BEL BÉBEL

Tecnicamente, Jean-Paul Belmondo era feio. O nariz e os lábios volumosos lhe davam um ar de personagem das aventuras de Asterix, ainda mais se comparado a seu contemporâneo Alain Delon. Mas, na tela, Bébel arrasava: magnético, sedutor, irresistível. Deixou uma vasta filmografia, que vai de obras de auteurs como Goddard e Resnais ao mais descarado cinemão comercial francês. Estava afastado há anos, depois de um AVC, e hoje se foi aos 88 anos. Belmondo estrelou um dos meus longas favoritos, "Le Magnifique", de Philippe de Brocca. E confirmou uma verdade eterna: só é feio quem se acha feio.
Cata só esta sequência profética de "O Homem do Rio", rodada numa Brasília ainda em obras. Belmondo claramente interpreta a Constituição brasileira, fugindo dos bolsominions que querem destruí-lo. Mas eles não são páreo para sua agilidade, esperteza, charme e elegância!

OS PARATLETAS DO SUCESSO

Quando eu trabalhei na filial brasileira de uma produtora internacional, passamos boa parte de um ano tentando vender uma série documental sobre atletas paralímpicos. O projeto era bacanérrimo. Pintava os caras como autênticos super-homens, capazes de altas performances mesmo enfrentando a deficiência e a falta de recursos. Mas o maior obstáculo é mesmo a indiferença da sociedade. Ninguém se interessou pelo nosso programinha, que jamais saiu do papel. A piada interna era que ele andava mal das pernas... Cinco anos depois, o Brasil teve mais um desempenho estelar nas Paralimpíadas de Tóquio, com 22 medalhas de ouro e um honroso sétimo lugar no cômputo geral. Durante duas semanas, gente estropiada deu as caras na TV, rompendo a invisibilidade a que costuma estar relegada. Também houve um avanço importante este ano: os comentaristas pegaram mais leve com as narrativas chorosas de superação. Claro que ela existe e é importante, mas o esporte paralímpico é muito mais do que um quadro no programa do Luciano Huck. A maioria desses atletas também seria campeã se não tivesse nenhuma deficiência: eles nasceram para o esporte, e nesse ponto são idênticos aos ditos normais. O ideal seria não voltar a falar deles apenas nos Jogos de Paris, mas isso talvez seja pedir demais. Tirando o futebol, nenhum esporte fica o tempo todo em evidência.

domingo, 5 de setembro de 2021

BORRALHEIRA EMPREENDEDORA

Para quê serve uma nova versão de "Cinderella", o mais filmado dos contos de fada? Essa que saiu agora na Amazon Prime Video serve basicamente para os fãs da Camilla Cabello - jovens demais para lembrar do longa do Kenneth Branagh de 2015, com figurinos indicados ao Oscar e uma sublime Cate Blanchett como a madrasta. Desta vez, os modelitos e a direção de arte são dignos de telefilme (o que não deixa de ser verdade), mas o elenco com experiência em musicais e a trilha composta por hits manjados até que dão para o gasto. Veteranos como Idina Menzel, Minnie Driver, Billy Porter e até mesmo o inevitável James Corden estão bem, mas quem brilha mesmo é o novato Nicholas Galitzine como o príncipe encantado. O cara é o pacote completo: além de belíssimo e bom ator, canta com brio, demonstrando seus dotes vocais na dificílima "Somebody to Love" do Queen. Já para miss Cabello sobra uma Cinderella empoderada, metida a empreendedora e chegada numa palestrinha. Um chata, não de galochas, mas de sapatinhos de cristal.

sábado, 4 de setembro de 2021

MULHERES-PLANTA

Sou imune ao carisma de Juliette. Nunca entendi por que metade do Brasil se rendeu a esta paraibana, sem dúvida simpática, mas carecendo daquele plus a mais. Depois que ela venceu o BBB21, então, essa minha indiferença quase que se transmutou em ódio: Juliette está em toda parte, competindo com Gil do Vigor para ver quem torra nossa paciência primeiro. Por todas essas razões, achei que eu iria abominar o primeiro EP da moça. Mudei de ideia logo na primeira faixa. "Bença" é um xaxado-lounge muito agradável, perfeitamente adequado para a voz pequena e afinadinha da rainha dos cactos. O resto do trabalho não faz feio, apesar de chafurdar em todos os clichês nordestinos possíveis. Juliette está sendo criticada por não sair de sua zona de conforto, mas queriam o quê? Que ela gravasse cantos folclóricos da Bulgária? Talvez mais adiante. Por enquanto, por incrível que pareça, ela ainda está construindo sua marca.
Bem mais elaborado é "Purakê", o segundo álbum de Gaby Amarantos, lançado inacreditáveis nove anos depois do primeiro, "Treme". Nesse meio tempo, a Beyoncé do Pará não sumiu: gravou diversos singles, virou jurada do "The Voice Kids" e estará na próxima novela das seis da Globo. O nome do novo disco é o de um peixe-elétrico da Amazônia, mas poucas faixas têm alta voltagem. A mais energizante é "Vênus em Escorpião", disponível desde o ano passado, que Gaby divide com Urias e Ney "Pica das Galáxias" Matogrosso. A maioria das demais tem uma pegada mais suave, e a mais emocionante é a da abertura, "Última Lágrima", sofrência das boas com feats. de Elza Soares, Alcione e Dona Onette. Está mais do que na hora de Gaby Amarantos, dona de uma das melhores vozes do Brasil, ser considerada uma das nossas divas absolutas. Tomara que "Purakê" dê choques.

sexta-feira, 3 de setembro de 2021

CORNONARO

O ventilador não está dando conta de tanta merda da familícia que vem sendo jogada nele. Hoje surgiu a informação de que Edaír passou o comando do seu esquema de rachadinhas para o Zero-Um e o Zero-Dois depois que descobriu que sua segunda mulher, Ana Cristina, o chifrava com um segurança. Ser corno não é pecado, mas dói muito mais no Bozo do que ser chamado de despreparado, incompetente, corrupto e genocida. Nesta quinta, o deputado Rodrigo Maia também endossou uma teoria em que muita gente acredita: Biroliro é uma bicha enrustida, por isto tem tanto ódio acumulado dentro de si. Faz sentido.

ARROCHA GAGA ARROCHA

O planeta acordou hoje ao som de "Dawn of Chromatica", o novo álbum de remixes de Lady Gaga. Ela foi esperta em juntar a releitura de seu último trabalho de estúdio num pacote só: ao longo do último ano, lançou diversas versões avulsas das faixas de "Chromatica", que passaram em brancas nuvens. Mas "Dawn" também tem a proposta de reunir os nomes da vanguarda da dance music mundial, e o Brasil está muito bem representado por Pabllo Vittar. "Fun Tonight" virou sofrência, com sanfona e tudo, e é de longe a música mais interessante de todas. O disco também traz a esquisita venezuelana Arca, a nipo-britânica Rina Sawayama, a onipresente Charli XCX e vários de quem eu nunca ouvi falar. Pena que, com tanta novidade boa, as pistas de dança sigam tão fechadas como há um ano e meio.