terça-feira, 27 de junho de 2017

PRONUNCIAMENTO À NAÇÃO


(a partir de 3:55)
"Portanto, não farei mais parte disto. 
Não servirei mais como alvo de vossas excelências. 
Todos me usaram por muito tempo.
Agora a festa acabou, a carona terminou.
Respeito o cargo demais para permitir que isto continue.
É por isto que estou anunciando a este comitê e à nação que, a partir das 18 h de amanhã, irei renunciar ao cargo de presidente dos Estados Unidos."

É foda quando o Frank Underwood tem mais dignidade e grandeza que o Temer.

RENUNCIA, LADRÃO

Renuncia, ladrão. Renuncia, ladrão. Renuncia, ladrão. Renuncia, ladrão. Renuncia, ladrão. Renuncia, ladrão. Renuncia, ladrão. Renuncia, ladrão. Renuncia, ladrão. Renuncia, ladrão. Renuncia, ladrão. Renuncia, ladrão. Renuncia, ladrão. Renuncia, ladrão. Renuncia, ladrão. Renuncia, ladrão. Renuncia, ladrão. Renuncia, ladrão. Renuncia, ladrão. Renuncia, ladrão. Renuncia, ladrão. Renuncia, ladrão. Renuncia, ladrão. Renuncia, ladrão. Renuncia, ladrão. Renuncia, ladrão. Renuncia, ladrão. Renuncia, ladrão. Renuncia, ladrão. Renuncia, ladrão. Renuncia, ladrão. Renuncia, ladrão. Renuncia, ladrão. Renuncia, ladrão. Renuncia, ladrão. Renuncia, ladrão. Renuncia, ladrão. Renuncia, ladrão. Renuncia, ladrão. Renuncia, ladrão. Renuncia, ladrão. Renuncia, ladrão. Renuncia, ladrão. Renuncia, ladrão. Renuncia, ladrão. Renuncia, ladrão. Renuncia, ladrão. Renuncia, ladrão. Renuncia, ladrão. Renuncia, ladrão. Renuncia, ladrão. Renuncia, ladrão. Renuncia, ladrão. Renuncia, ladrão. Renuncia, ladrão. Renuncia, ladrão. Renuncia, ladrão. Renuncia, ladrão. Renuncia, ladrão. Renuncia, ladrão. Renuncia, ladrão. Renuncia, ladrão. Renuncia, ladrão. Renuncia, ladrão. Renuncia, ladrão. Renuncia, ladrão. Renuncia, ladrão. 

segunda-feira, 26 de junho de 2017

CASAIS SUBVERSIVOS

Em 2014, assisti a uma palestra da Regina Navarro Lins onde ela disse uma coisa que não me saiu da cabeça: hoje em dia é mais fácil para a  família aceitar que um filho seja gay do que ele se case com uma mulher mais velha. Os casais onde ela é "superior" a ele - em idade, dinheiro, experiência, classe social - são um dos últimos tabus, apesar de cada vez mais frequentes na vida real e na dramaturgia. Se bem que nenhuma novela mostrou até hoje a barra que esses pombinhos enfrentam de todos os lados. A mãe dele, os filhos dela, a sociedade em geral, todo mundo é contra. E, mesmo assim, tais arranjos conjugais costumam ser felizes e duradouros. Acho que este assunto rende um roteiro, e foi com este intuito que compareci ao lançamento do livro "Por que Os Homens Preferem as Mulheres Mais Velhas?", de Marian Goldenberg. O que era para ser um debate com a plateia com uma hora de duração acabou se estendendo por duas e meia, tantas eram as pessoas presentes que vivem situações similares - e todas confirmando a tese de que esses casais têm mesmo algo de especial. Claro que comprei o livro, e o devorei neste fim de semana (são só 124 páginas). Mirian entrevistou diversos maridos e mulheres com pelo menos 10 anos de diferença entre si, e aponta as razões porque esses relacionamentos, que até nos parecem contrários à natureza, na verdade são bastante equilibrados. Agora preciso escrever um argumento.

A MARAVILHA DO PORTO

Eu, que cheguei a ter um pied-à-terre no Rio, hoje em dia vou muito pouco à minha cidade natal, e quase sempre em esquema de bate-e-volta. Por isto só ontem tive tempo de conhecer o Porto Maravilha, que ficou pronto na época das Olimpíadas. Fizemos um passeio completo: largamos as malas no Santos Dumont, tomamos o VLT e saltamos bem em frente ao mural do Kobra. De lá, uma caminhada até o AquaRio, que estava cheio mas não intransitável. O novo aquário da cidade não é o mais bacana que eu conheço (esta honra ainda cabe ao Oceanário de Lisboa), mas não faz feio. Só reclamo do preço salgadíssimo: 80 reais a inteira (pelo menos eu paguei só 60, por ser nativo do RJ). Depois ainda fomos espiar as recém-descobertas ruínas do Cais do Valongo, onde desembarcou boa parte dos escravos trazidos da África ao Brasil. E finalmente encaramos o Museu do Amanhã, que já não tem mais as filas quilométricas na porta. Mesmo assim, lá dentro as instalações continuam cheias de gente: imagino que só num dia de semana o visitante conseguirá usufruir de tudo. Mas nem esses pequenos tumultos conseguiram estragar meu dia. O céu estava limpo, a temperatura, agradável, e a limpeza de todo o trajeto realmente me impressionou. O Rio se civiliza! Claro que a um custo exorbitante, tanto que agora o estado e a cidade vivem crises profundas. Mas torço para o Porto Maravilha sobreviver incólume a esse turbilhão. Já é um belo legado deixado pelos Jogos, e vale muito ser visto.

domingo, 25 de junho de 2017

DROGA DE ÉPOCA

Fábio Assunção deu o azar de viver não só na era da internet, como num momento em que o conservadorismo ignorante avança no mundo inteiro. Em outros tempos, dependentes químicos famosos puderam lutar contra seus problemas longe das câmeras dos celulares e do julgamento instantâneo nas redes sociais. O ator, não: está sendo exposto e execrado como se fosse um criminoso, em mais um episódio relevador da nossa relação de amor e inveja com as celebridades. Pelo menos dessa vez também percebo uma onda de solidariedade esclarecida, ainda mais depois que a minha timeline passou por rigorosa curadoria. Tudo o que não precisamos é de uma Amy Winehouse brasileira, para tirarmos bastante sarro enquanto viva e depois chorarmos quando fizerem um documentário.

sábado, 24 de junho de 2017

FRANTZ CAFÉ


François Ozon é um dos meus cineastas preferidos. Eu nunca menos que gostei de um filme dele, e alguns, como "8 Mulheres" ou "Uma Nova Amiga", estão entre os que eu vou levar para a ilha deserta. Seu penúltimo trabalho, "Frantz", não entrou para este seleto clube, mas é uma beleza - e também um desafio. Nem todo mundo vai apreciar a história do francês misterioso que aparece colocando flores no túmulo de um soldado alemão, logo depois da 1a. Guerra Mundial. O cara se apresenta como amigo do falecido, mas é claro que ele esconde um segredo. A revelação acontece na metade, e não chega a ser uma enorme supresa. Daí para a frente, Ozon se afasta do filme mudo de Ernst Lubitsch onde se baseou, e "Frantz" se assume como uma jornada de autoconhecimento da namorada do morto. Paula Beer está luminosa no papel, fazendo um bom contraste com o esguio Pierre Niney. Há alguns finais falsos, e eu me perguntei onde que Ozon queria chegar. A resposta é: na cor, que aparece de vez em quando entre tanto preto-e-branco.

sexta-feira, 23 de junho de 2017

TEAM QATAR

Vamos deixar bem claro: o Qatar não é nenhuma democracia. A família real não admite dissidências, os trabalhadores estrangeiros têm pouquíssimos direitos e está cada vez mais claro que o país comprou a Copa de 2022. Mas, nesse momento em que meio mundo árabe rompeu com os qataris, eu estou do lado deles. As exigências da Arábia Saudita para reatar os laços diplomáticos são absurdas: querem que o Qatar não só se afaste do Irã, como feche a emissora al-Jazeera, que é sediada lá. O grande canal de notícias faz uma cobertura equilibrada e até ousada para os padrões muçulmanos - menos do próprio Qatar, o que é hipocrisia, lógico. Mas seus vizinhos estão pegando pesado demais, e o pior é que têm o apoio do Trump. Como ajudar o pequeno (porém riquíssimo) emirado? Pensei até em fazer conexão em Doha ao invés de Dubai, se algum dia eu for mesmo para o oriente. E olha que, por causa do embargo e das restrições ao espaço aéreo, a viagem daqui para lá aumentou em quase duas horas...

NORWEGIAN WOOD

Alguém aí sabia que a Noruega já investiu mais de UM BILHÃO de dólares na preservação da Amazônia? Tremo em pensar no destino que boa parte desse dinheiro deve ter tomado. Mas agora o país nórdico vai repensar essa ajudinha, e o anúncio do corte foi só um dos vexames que Temer, o Velho, passou em sua visita oficial por lá. Os outros: ele foi recebido em Oslo por ninguém mais que o administrador do aeroporto; na entrevista coletiva havia um único jornalista, um rapazote recém-formado; e o presidente ainda chamou o rei da Noruega de rei da Suécia, numa gafe que o perseguirá até o fim de seus dias (que virá em breve).

quinta-feira, 22 de junho de 2017

O PÓS-LULA JÁ COMEÇOU

Há uma nova esquerda se aglutinando no mundo, não necessariamente ao redor de caras novas. Nos Estados Unidos, ela é personificada por Bernie Sanders; na França, por Jean-Luc Mélénchon. Os dois saíram derrotados dos últimos ciclos eleitorais, mas a garotada os apoia cada vez mais - o que quer dizer que eles (ou suas ideias) estarão de volta nas próximas eleições. E no Brasil? Faz mais de 20 anos que por aqui esquerda é sinônimo de Lula e vice-versa. Mas tudo indica que o ex-presidente está no ocaso de sua carreira. Na remota hipótese dele escapar de uma condenação em segunda instância, ainda terá que vencer uma enorme rejeição para se reeleger no ano que vem. Portanto, não é de se admirar que PSOL, MTST e setores do próprio PT estejam se encontrando sem avisá-lo. Mas quem seria o líder dessa nova fase? Se ele quiser, aposto em Fernando Haddad. Duvido que ganhem em 2018, mas desconfio que a era pós-Lula já começou. Só não avisaram para ele.

quarta-feira, 21 de junho de 2017

QUAL É O SEU KIKI?


Uma mulher só se excita quando vê o marido chorar. Uma outra, goza quando sente muito medo. E um homem dá soníferos para sua esposa paraplégica, para transar com ela adormecida. Estas são algumas das filias - ou taras, em bom português - apresentadas no filme espanhol "Kiki - Os Segredos do Desejo", que está passando discretamente pelos cinemas brasileiros. Mas não devia: "Kiki" é delicioso feito um tesão reprimido. O próprio título quer ser um sinônimo simpático para essas práticas pouco ortodoxas, mas talvez devesse ter sido trocado por aqui para atrair mais público, Pelo menos é mais sedutora do que "A Pequena Morte", o filme australiano no qual é baseado e que também ignoramos. Mas não perca esta versão, mais humana e caliente, com personagens verossímeis e algumas cenas antológicas (como a do surdo...). Let's have a kiki!

LIFE IN PLASTIC, IT'S FANTASTIC

Fui uma criança perversa - aliás, como quase todas. Gostava de tirar as roupas dos bonecos e promover surubas entre eles. Também os torturava: certa vez derreti o braço de um monstrinho de borracha, para ver como escorria. Esse meu instinto básico estava adormecido, mas foi despertado pela nova linha de Kens. O namorado da Barbie passou por um extreme makeover, o que já não era sem tempo, e ganhou novas cores, tipos de corpo e estilos de cabelo. Até aí, nada contra: viva a diversidade, etc. etc. Mas o Ken de coque samurai me dá vontade de matar. Acho que vou comprar um só para submetê-lo às mais cruéis sevícias, mwahahaha.

terça-feira, 20 de junho de 2017

NARIÇÕES DE RENANZINHO

Renan Calheiros tem medo. A exposição de suas falcatruas ao longo dos anos está pondo em risco sua reeleição em 2018 - e também a de seu pimpolho, governador de Alagoas. Mas o ex-presidente do Senado achou uma maneira de turbinar sua popularidade: agora ele é contra as reformas previdenciária e trabalhista, indo totalmente contra seu partido e o governo do qual faz parte. Tanto que seu voto contra hoje nem foi surpresa, o que não quer dizer que ele tenha se tornado o paladino dos desvalidos. É só mais um oportunista pensando exclusivamente na própria pele, e mais uma prova de que a permanência de Temer no poder não garante a aprovação de reforma nenhuma.

YOUNG MAN, I WAS ONCE IN YOUR SHOES

Levou 40 anos, mas finalmente uma filial da Associação Cristã de Moços - a da Austrália - se apossou do clássico hino do Village People, que sempre foi renegado pela entidade por causa de sua conotação gay. "Y.M.C.A." acabou de ganhar uma versão meio folk na voz de ninguém menos que Boy George, como tema da campanha "Why Not" que pretende reapresentar a marca à garotada australiana. Gostei, mas pena que com essa levada não dá para fazer a coreô.

segunda-feira, 19 de junho de 2017

LEGAL PACAS


Elis Regina rendeu vários livros e um longa-metragem, e tem uma minissérie planejada na Globo. Maria Bethânia ganhou pelo menos dois documentários que contam sua trajetória. Mas Gal Costa, que com as outras duas forma o trio de grandes cantoras brasileiras surgidas nos anos 60, era pouco examinada até hoje. Essa lacuna está finalmente sendo coberta pela série "O Nome Dela é Gal", cujo segundo de quatro episódios foi exibido ontem pela HBO. A receita não tem nada de inovadora - depoimentos atuais e antigos são entremeados com imagens de arquivo - mas é didática e envolvente. E o roteiro realça o pioneirismo da ex-Gracinha, que foi, em pleno auge da ditadura militar, a cantora mais moderna que o Brasil teve até hoje. Fiquei tão curioso que fui ouvir o terceiro álbum de Gal, "Legal", de 1971, que ela gravou quando Gil e Caetano estavam exilados em Londres. O disco é assombroso: tem de uma versão à la Janis Joplin de "Eu Sou Terrível", de Roberto e Erasmo, a misturas psicodélicas de baião com rock, culminando no clássico "London, London". Muito mais avançado do que as tulipas e karinas de hoje em dia. Agora, se "O Nome Dela é Gal" reitera a importância artística da cantora, sua vida íntima permanece um mistério. Enquanto sabemos detalhes de cada amor que Elis teve na vida, os de Gal Costa continuam elusivos como o sorriso do gato de Alice.

TEAM RODIN X TEAM CAMILLE


Camille Claudel virou figurinha fácil no cinema. Ganhou seu próprio filme em 1989, com uma interpretação que rendeu a Isabelle Adjani sua segunda indicação ao Oscar. Reapareceu em 2013 com Juliette Binoche, no sombrio "Camille Claudel 1915". E agora vira coadjuvante em "Rodin", onde seu famoso amante é o protagonista. Mas não é mais uma personagem trágica, que enlouquece por ser rejeitada: aqui ela só é uma mocinha bonitinha e esforçada, sem nenhum glamour, que se torna uma chata a incomodar o talento de um gênio. Este é um dos defeitos de "Rodin", que está passando no Festival Varilux mas só entra em cartaz em novembro: o escultor é mostrado como um grande artista que tem o direito de comer as mulheres que quiser, pois o que importa mesmo é sua obra. É uma visão masculina, para não dizer machista, contrária ao mimimi a que nos habituamos sempre que Camille Claudel é mencionada. Além disso, o longa do veterano diretor Jacques Doillon é bem austero, com planos longos e pouca música, sem que nada de muito transcendental aconteça. Achei meio chato, e continuo sendo Team Camille.

domingo, 18 de junho de 2017

A PARADINHA-AH-AH-AH-AH

Cheguei às 14 horas e me instalei numa ilha no meio da Paulista, em frente ao prédio de um amigo meu. Chamei o dito cujo e assistimos juntos ao desfile de todos os carros da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo. Eu nunca tinha visto o desfile inteiro, do começo ao fim. E não posso dizer que adorei: os primeiros carros me pareceram beeem pobrinhos. Um deles nem faixa tinha, só umas bichas desanimadas em cima. As celebridades só começaram a aparecer da metade para o fim, a partir do carro da Daniela Mercury, que virou obrigatória em eventos do gênero. Avistei Rogéria, Fernanda Lima e Fafá de Belém, esta última cantando no trio do filme "Divinas Divas". Mas me chamou a atenção a ausência de políticos - alguém viu algum? Onde se meteu a Marta Suplicy? Jean Wyllys tampouco veio. E o Dória avisou que ia viajar, mas gravou um vídeo saudando as guei para sua página no Facebook (onde foi imediatamente massacrado). E a Anitta, onde parou? Saí às quatro e meia com a sensação de ter visto uma parada animada, sem problemas, mas também sem uma trans crucificada para entrar na história. Também não ajudou o tema quilométrico, impossível de caber numa hashtag: "Independente das nossas crenças, nenhuma religião é lei. Todos e todas por um Estado Laico'.  Me chamem no ano que vem, prometo que escrevo coisa melhor e não cobro nada.  Mas, enfim, vinte anos depois da primeira edição, a Parada de SP está mais que incorporada à rotina da cidade. Felizmente, parou com aquela bobagem de inflar seus números ano a ano: ela continua gigantesca, maior do que qualquer similar no mundo. Dessa vez o que mais me impressionou, na verdade, foram turmas de garotos e garotas bem novinhos, com cara de que tinham vindo de longe, todos dançando animadíssimos. Se essa energia for canalizada não só para a festa, mas também para o voto, não estaríamos mais debatendo se família só pode ser formada com um homem e uma mulher.

sábado, 17 de junho de 2017

BRASILSLEY

Acredito piamente em cada palavra da entrevista que Joesley Batista deu à revista "Época". Por quê? Porque tudo monta, tudo faz sentido. E é tudo absolutamente apavorante: o Brasil que emerge daquelas páginas é uma bosta. Riquíssimo em recursos, com dimensões continentais e um potencial incalculável, o país caiu nas mãos de uma quadrilha mafiosa. Não se deixem enganar, coxinhas e mortadelas: PT, PSDB e PMDB são só facções de uma mesma "Orcrim", a abreviatura de "organização criminosa" que Joesley nos ensinou. Não adianta tirar um para colocar o outro no lugar. Que se vayan todos, e já.

sexta-feira, 16 de junho de 2017

VOYAGE VOYAGE


Faço muito turismo no cinema. Adoro passar duas horas viajando, mesmo se o filme for ruim. "Paris Pode Esperar" é médio: a trama e os personagens não tem lá muita substância, mas as paisagens são maravilhosas e a comida é tentadora. Dianne Lane (uma atriz que Hollywood precisava usar mais) faz a mulher de um produtor de cinema que desiste de acompanhá-lo a uma viagem de negócios a Budapeste, preferindo pegar carona de Cannes a Paris no velho Peugeot de um amigo do marido. O que era para ser um trajeto de oito horas acaba levando três dias, pois o francês faz questão de parar em cada restaurante e atração turística pelo caminho (inclusive a gloriosa Pont du Gard, o aqueduto romano que aparece no trailer aí em cima e que eu tive a honra de conhecer em 2014). Fica aquela tensão boba no ar: os dois vão ou não vão para a cama? "Paris Pode Esperar" é o primeiro longa de ficção dirigido por Eleanor Coppola (aos 80 anos de idade!), esposa de Francis e mãe de Sofia. É bem a fantasia de uma mulher casada e privilegiada, mas totalmente inofensivo. Não chega aos pés do resto da obra da família, mas enche os olhos e abre o apetite.

BUM BUM PRATICUMBUM PRUGURUNDUM

É im-pres-sio-nan-te o dedo podre de cariocas e fluminenses para escolher seus dirigentes. O estado já elegeu bandidos como Anthony Garotinho e Sérgio Cabral para governador. A cidade preferiu Eduardo Paes ao invés de Fernando Gabeira, e no ano passado foi de Marcelo Crivella para prefeito. Sim, um bispo evangélico no comando da capital nacional da putaria - e vindo da mais gananciosa de todas as igrejas neopentecostais, a Universal do Reino de Deus. Agora o Rio está em polvorosa com a queda de braço entre o alcaide e a Liga das Escolas de Samba, não exatamente um antro de virtude.  A disputa é o tema da minha coluna de hoje no F5, e mexe com os interesses de muito cachorro grande. Seria maravilhoso se Crivella saísse enfraquecido, pois o cara não faz a menor ideia do que seja o estado laico. Mas as escolas também merecem ser auditadas, para deixarem de ser sinônimo de contravenção (para não dizer crime). Só que isto é um sonho tão improvável quanto o Império Serrano voltar a ser campeão pelo Grupo Especial.

quinta-feira, 15 de junho de 2017

VICTORIA ENGANOSA


"Na Cama com Victoria" foi indicado a vários Césars, inclusive de melhor filme. O trailer é ótimo. As críticas, excelentes. E assim armou-se o cenário para eu me decepcionar. Veja bem, em nenhum momento eu achei chato (ainda mais porque é bem curto). E o tema comum da mulher em crise, em casa, no amor e no trabalho, ganha acréscimos originais, como um jovem ex-traficante que é contratado como baby-sitter ou o amigo sedutor que, no entanto, tem um histórico de violência com as namoradas. Mas fui esperando rir mais, apesar de umas duas ou três piadas boas. Saí do cinema... derrotado (que bola fácil, hein?).

quarta-feira, 14 de junho de 2017

O CONTÁGIO QUE DESENDIREITA

Dizer que o populismo de extrema-direita vai engolir o mundo is the new black, assim como já o foi achar que o Brasil inteiro seria evangélico em 2020. Virou lugar comum até entre comentaristas renomados. Só que a realidade desmente a percepção. Desde que Donald Trump foi eleito, os demagogos nacionalistas perderam feio todos os páreos que disputaram na Europa. Começou pela Áustria: em maio do ano passado, os extremistas do Partido da Liberdade ficaram a meio ponto de vencer as eleições. Contestaram o resultado e um segundo turno foi realizado em dezembro. E aí, perderam por uma diferença de oito pontos... Na Grã-Bretanha, pegou muito mal Theresa May ser a primeira líder estrangeira a visitar o novo presidente dos EUA. A primeira-ministra acabou de perder a eleição que ela mesma convocou, e o partido semi-nazi UKIP não conquistou uma mísera cadeira no Parlamento. Na França, o Front National de Marine Le Pen terá no máximo cinco cadeiras. Ainda falta a Alemanha, que só vai às urnas em setembro, mas a popularidade de Angela Merkel vem subindo nos últimos meses. O fenômeno é analisado neste ótimo artigo (em inglês) de Nate Silver. É bom lembrar, no entanto, que tudo isto está acontecendo na Europa. Como será no Brasil?

LEITÃO À PURURUCA

É estranho que Miriam Leitão tenha levado dez dias para relatar a agressão que sofreu a bordo de um avião. É estranho que as testemunhas (não confirmadas) que apareceram até agora tenham diminuído a gravidade do incidente, quando não desmentem totalmente a jornalista (mas há um vídeo que mostra turba cantando palavras de ordem). O que não é estranho é o PT emitir uma nota em que lamenta o ocorrido e ainda assim culpar a Globo pelo clima de ódio que domina o país, quando o próprio Lula costuma atacar Míriam Leitão nos comícios para sua claque. Também não é estranha a divisão que aconteceu nas redes sociais, com os coxinhas defendendo a moça e os mortadelas xingando-a ainda mais. Esse tipo de divisão entre nós, cidadãos, só interessa à classe política, que assim se mantém no poder - como demonstra com brilhantismo este artigo do Pablo Ortellado publicado ontem na Folha Online. Eu sou totalmente a favor de que os políticos, de qualquer partido, sofram apupos quando aparecem em público. Afinal, eles têm poder: poder de aprovar leis e orçamentos, que afetam diretamente nossas vidas. Mas agredir jornalistas é demais. E, ao invés de discutirmos se Miriam Leitão mereceu ou não ser achacada, devíamos mesmo era nos unir contra essa asquerosa política velha.

terça-feira, 13 de junho de 2017

ENTALADOS

É triste ver os "cabeças-negras" do PSDB serem derrotados. A ala (mais) jovem dos tucanos queria sair já do governo Temer, porque ainda está no começo da carreira política e sabe que o eleitor não vai perdoar quem for percebido como cúmplice de ladrão. Mas Alckmin e Aécio conseguiram conter a revoada. O primeiro, porque acha que a manutenção do atual presidente é o caminho mais suave para ele próprio se candidatar em 2018. O segundo, porque vê em Temer sua única esperança de talvez, quem sabe, frear a Lava-Jato e escapar da cadeia. E assim o partido, que poderia ser o ninho de talvez, quem sabe, um Macron brasileiro, combinando o melhor da direita e da esquerda, condena a si mesmo à extinção. Fogo nele!

VEM CÁ, LUISA

O chavismo vai implodir? Talvez, porque suas fissuras internas já estão visíveis. A maior de todas é a procuradora-geral Luisa Ortega Diaz, a única pessoa que está conseguindo colocar algum tipo de obstáculo à determinação de Nicolás Maduro de convocar uma constituinte para se manter no poder. Chavista histórica, ela quer apenas que a constituição bolivariana de Hugo Chávez seja seguida ao pé da letra. Ou seja: que a Assembleia Nacional, hoje dominada pela oposição, tenha poder de fato; que as eleições para governador, programadas para o ano passado, um dia aconteçam; que os prisioneiros políticos sejam libertados, e assim por diante. Luisa Ortega é uma voz solitária dentro do governo, e é improvável que alguma coisa mude na Venezuela enquanto o exército apoiar Maduro. Mas já é um sinal de que a ditadura incompetente em que o país se tornou não é uma unanimidade nem entre os que queriam o socialismo.