quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

RÁDIO VOZES TE DÁ AAAASAS

No dia 1o. de setembro, participei da gravação do programa "Vozes com Asas", da rádio online Vozes. O tema era a imagem do homem brasileiro e meus colegas de debate foram a cineasta Flávia Moraes, o publicitário Ian Black e o coach/yogi Renato Stefani, sob o comando de Patricia Palumbo. O programa só foi divulgado no sábado passado e pode ser ouvido no site da Rádio Vozes. Coragem, é só meia horinha.

TUDO FORA DO LUGAR

Conheço a fama de escroto do juiz Roy Moore desde que ele ergueu um monumento aos Dez Mandamentos no saguão da Assembleia Legislativa do estado do Alabama, num flagrante conflito com a separação entre Igreja e Estado. O sujeito já tentou minimizar a escravidão e arriscou que os homossexuais mereceriam a pena de morte, "como está na Bíblia". Sua eleição ao Senado americano parecia favas contadas, até que surgiram várias denúncias de que ele teria abusado sexualmente de garotas adolescentes. A direita raivosa contra-atacou, fazendo com que uma militante levasse denúncias falsas ao jornal "The Washington Post", na torcida para desacreditar a imprensa e a maré contra Moore. Não deu certo. O juiz hipócrita perdeu para um democrata pró-escolha, que já botou membros do Ku Klux Klan na cadeia - um espanto para um estado que há 25 anos só elege republicanos, e onde Trump bateu Hillary no ano passado por mais de 30 pontos. Pois é, rapeize, tudo tem limite. Com a vitória democrata nas eleições do mês passado e mais nessa agora, os prognósticos para as "mid-term" do ano que vem não são nada bons para o maluco que ocupa a Casa Branca. Quem sabe assim a Terra finalmente volta a girar em seu eixo?

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

TUDO ESTÁ EM SEU LUGAR

Poucas figuras políticas do Brasil atual me causam mais engulhos do que o deputado federal Carlos Marun (PMDB-MS). Sem o menor medo de não ser reeleito, ele não pode ver um microfone pela frente que vai logo defendendo Eduardo Cunha, Michel Temer e toda a quadrilha que está no poder. Tanta fidelidade lhe rendeu uma promoção: vai assumir a coordenação política do governo a partir de quinta-feira, para comprar conquistar os votos pela reforma da Previdência. Ou seja, vai aparecer ainda mais na TV, o que talvez lhe garanta uma vitória por aclamação no ano que vem. Enquanto isto, já avisou que o ex-PGR Rodrigo Janot merece ser indiciado por ter "conspirado" para derrubar Temer. É de foder de dar risada: Rocha Loures é flagrado correndo pela rua com uma mala de dinheiro, Joesley Batista confirma que o dinheiro saiu dele em direção a Temer, e o indiciado é o Janot?? Como o próprio Marun cantou ao enterrar a segunda denúncia contra seu chefe, nas imortais palavras de Benito Di Paula: "tudo está em seu lugar, graças a Deus, graças a Deus..." Só que não, né? Só que nunca.

VOCÊ NÃO ESTÁ OUVINDO?

Pabllo Vittar virou uma presença tão avassaladora na mídia brasileira que eu até me esqueci que, antes delx, já existia Conchita Wurst. A "personagem" (é assim que elx se define) que venceu o festival Eurovision de 2014 andava meio sumidx, depois de adotar um vestuário mais masculino. Em seu novo clipe, elx reaparece não só usando uma roupa não-binária como cantando em alemão ao lado de uma racha. Pena que esse cover de um hit austríaco não seja lá dos mais épicos.

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

CAÍA A TARDE FEITO UM VIADUTO

Nem as mulheres dos presidentes militares foram tão invisíveis quanto Marisa Letícia (algumas delas, aliás, gostavam de mandar a maior brasa). A falecida esposa de Lula não cumpriu sequer as funções tradicionais de uma primeira-dama brasileira, como se envolver em obras de caridade ou liderar alguma campanha em prol de alguma causa, qualquer causa. Por isto, acho totalmente descabido que um viaduto em São Paulo receba o nome dela. E não digo isto por não ser petista, pois reclamaria da mesma coisa se a mulher inexpressiva de um político, qualquer político, fosse homenageada desse jeito por seus correligionários. Qual foi a grande façanha de Marisa Letícia? Evitou que o Lula desse algum vexame? Não, não estou desrespeitando ninguém. Que ela descanse em paz. Mas virar nome de logradouro é para quem de fato merece.

NÃO HÁ DINHEIRO NO MUNDO

Kevin Spacey deve estar se debatendo na tumba onde foi enterrado vivo. Christopher Plummer, que o substituiu no filme "All the Money World", recebeu agora há pouco uma indicação ao Globo de Ouro de melhor ator coadjuvante de cinema. O mais curioso é que Plummer rodou suas cenas há menos de um mês, quando o longa de Ridley Scott já estáva finalizado e pronto para entrar em cartaz. O diretor aproveitou o escândalo em torno de Spacey para tirá-lo do filme e colocar em seu lugar o nome que ele preferia desde o início, Plummer. Além disso, "All the Money in the World" também foi indicado a dois outros Globos de Ouro, melhor atriz para Michelle Williams e melhor diretor para o próprio Ridley Scott. Foi a única grande surpresa durante o anúncio desta manhã, pois o filme não aparecia entre as apostas dos sites especializados. Sem ter visto nada, desconfio que a Associação da Imprensa Estrangeira de Hollywood tenha se deixado levar pela ousadia de Scott. E também aproveitou para soltar um apoio indireto às vítimas de assédio sexual. Pois é: nem todo o dinheiro do mundo conseguirá salvar Kevin Spacey.

domingo, 10 de dezembro de 2017

ELECTROGRAMMY



Não dei muita pelota para os indicados ao Grammy, que saíram há mais de dez dias. Este ano a Academia Fonográfica parece querer se redimir de ter escolhido Adele ao invés de Beyoncé na última premiação, dando destaque ao rap nas categorias principais. Como eu mal escuto rap, pulei direto para o que mais me interessa: a categoria dance/eletrônica, que sempre traz pérolas que eu desconhecia. A mais brilhante deste ano é o álbum "Migrations" do canadense Bonobo (tem nome de banda mas é um cara só), que também emplacou "Bambro Koyo Ganda" como melhor faixa do gênero. O disco todo é bom, feat. músicos africanos, indianos e até a dupla Rhye, que fez sucesso em 2013 e depois sumiu. Meu Grammy vai para ele.

Outro trabalho interessante é "A Moment Apart", da dupla americana Odessa, que mistura temas atmosféricos com umas pitadas de soul music. O problema é que às vezes a receita desanda e se aproxima perigosamente da vibe Coldplay, para o público do estádio se dar as mãos e cantar junto por um mundo melhor. Tô fuera.

Mais saltitante é o álbum homônimo do DJ inglês Mura Masa: um apanhado de faixas pop com vocalistas convidados, como Charlie XC, Damon Albarn (que também concorre a melhor faixa com a sublime "Andromeda", com os Gorillaz) e outra sumida que eu adoro, a france Chrstine and the Queens (de novo, uma artista-solo, não uma banda - o que se passa com essa gente?).

Mais pop ainda é a dupla Sylvan Esso, que recupera uma arte antiga: a composição. As 12 faixas do disco "What Now" são todas pegajosas, e servem como antídoto para a seriedade de seus concocorrentes.
E ainda tem a faixa "Cola", que concorre como gravação dance/eletrônica do ano. Acho que gosto, não sei direito. Só sei que quem vai ganhar mesmo é um grande injustiçado, mas que de maneira nenhuma reflete o som de agora: o Kraftwerk, indicado pelo álbum ao vivo "3D", que soa exatamente como seus discos de estúdio. Não reclamo, mas esse prêmio tinha que ter saído em 1978.

sábado, 9 de dezembro de 2017

A TV QUE TEM TORCIDA

O slogan do SBT não é exagero. Além  de um número expressivo de espectadores fiéis, o canal também tem um grupo de fanáticos que não só assiste tudo que é exibido como ainda anota data, ficha técnica e características de cada atração. Alan Gomes é um deles: sem ainda ser funcionário da casa (hoje ele é o responsável pelo arquivo fotográfico), ele começou a registrar tudo o que o SBT transmitiu desde que entrou no ar em 1981. Esse arquivo de valor inestimável foi organizado, ilustrado e diagramado em forma de livro: o "Almanaque SBT 35 anos" (que foram cumpridos em 2016). Eu entrei nos cinco minutos finais do segundo tempo para emprestar minha verve ao texto final do calhamaço, que conta um capítulo significativo da televisão brasileira. Eu, que trabalhei no SBT em três ocasiões diferentes, tenho o maior orgulho de fazer parte dessa história. O livro já está à venda nas boas casas do ramo. E, sim, inclui o "Jesus do SBT".

A ESTAÇÃO MAIS CHATA DO ANO


Está na moda um estilo hiperrealista de fazer cinema. Com atores desconhecidos, ausência de trilha sonora e retratando situações banais do cotidiano, em tempo real que é para ficar ainda mais chato. Eu sou a voz do exceção: muita gente cai de quatro por esse tipo de filme. Tanto que "Verão 1993" não só vem colecionando prêmios e elogios, como também foi escolhido pela Espanha para disuptar uma indicação ao Oscar. A pouca história que tem fala de uma garotinha que ficou órfã de pai e mãe por causa da AIDS, e é adotada pelos tios. Há momentos bonitinhos, mas boa parte do longa lembra um amontoado de filmes caseiros, sem edição nem prumo.

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

OVO NO CABELO

Como faz todo final de ano já há algum tempo, o New York Times divulgou esta semana os vídeos especialmente produzidos com os dez atores de 2017 segundo seus críticos. Desta vez o tema foi terror, em curtas de cerca de um minuto dirigidos pela italiana Floria Sigismondi. Entre os eleitos está meu crush Timothée Chalamet, que aparece devorando o meu coração. Também foram escolhidos nomes cotados para o Oscar, como Saoirse Ronan ou Daniel Kaluuya, e outros que dificilmente ganharão algum prêmio, como Cynthia Nixon ou Andy Serkis.

Mas o vídeo que vem arrancando mais aplausos é o da Nicole Kidman, que parece inspirado no clássico "Possessão" de Isabelle Adjani. Sem medo de esfregar o cabelo no ovo, Nicole reitera que é uma das grandes de sua geração.

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

A EXPERIÊNCIA CÔMICA

Pela primeira vez na vida, hoje fui à Comic Con Experience (ou CCXP17, para os enturmados). Sempre tive vontade de ir e achava que ia me divertir à pampa. Chegando lá... me apavorei, porque o evento é um assalto aos sentidos. Não é só uma explosão de luzes e cores: também é uma cacofonia, gerada por milhares de geeks fazendo cosplay da Daenerys. Andei a porra toda e furei algumas filas graças à minha credencial de imprensa, mas fui acometido por sensações contraditórias. Por um lado, um ataque bravo de FOMO - "fear of missing out", ou o medo de estar perdendo alguma coisa. Pelo outro, uma dor de cabeça dessas que sobrevem depois de um golpe de Ser Gregor Clegane. Foi cômico, foi épico, foi trágico. E saí de lá me sentindo agradavelmente velho, porque passei faz tempo da fase de achar graça nessas coisas.

PECADO CAPITAL

Jerusalém é a capital "de facto" de Israel há muito tempo. É lá que funciona o Parlamento e quase todo o governo. Mas nenhum país reconhece a cidade como tal, para não jogar gasolina gratuita em uma fogueira que arde há mais de 70 anos. Até Donald Trump, que nunca viu uma fogueira de que ele não gostasse de atiçar, avisar que reconhece sim e que vai mudar a embaixada dos EUA de Tel-Aviv para lá. Não foi um gesto inesperado: o presidente americano avisou ainda em campanha que iria fazer isto, num aceno para o eleitorado evangélico que acredita que o fortalecimento do estado judaico vai acelerar o Arrebatamento. Podia ter cometido essa besteira no primeiro dia de seu governo, mas preferiu esperar até esta semana, quando está mais do que óbvio o conluio de seus assessores com a Rússia e o risco do impeachment nunca pareceu tão real. Cortina de fumaça? Pode ser. Só que não houve uma única semana, desde 20 de janeiro, em que Trump e sua quadrilha não estivessem envolvidos em algum escândalo. Chegamos ao ponto em que todas as barbaridades que ele diz ou comete são para desviar a atenção de outras barbaridades, ainda piores.

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

MERCÚRIO RETRÓGRADO

Faz cinco séculos que a astronomia provou que os planetas não andam para trás. No entanto, a astrologia insiste no conceito de "Mercúrio retrógrado". A fase atual começou no domingo, dia 3, e vai até o 22, e não é que eu estou sentindo seus efeitos? E-mails não chegam, pagamentos atrasam, baterias de celular descarregam de repente nas horas mais impróprias. Por outro lado, ontem mesmo recebi duas ótimas notícias inesperadas. Por ooooooutro lado, já tive que calibrar três vezes o mesmo pneu em menos de duas semanas. Talvez seja um aviso dos céus para eu passar num borracheiro.

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

C.S.I. VAN GOGH


Quem matou Vincent Van Gogh? A história diz que o pintor deu um tiro na própria barriga, vindo a falecer três dias depois. Mas será que ele não foi assassinado, apesar de ter assumido que queria mesmo se matar? É com base nesta ligeira forçação de barra que deslancha o desenho de longa-metragem “Com Amor, Van Gogh”. Se fosse um filme convencional, com atores em carne e osso seria bem chatinho. O roteiro é desinteressante e os diálogos, repetitivos. Mas acontece que cada frame foi pintado à mão e cada personagem é inspirado em um retrato executado pelo artista. O resultado parece o efeito de uma droga: nada faz muito sentido, mas a experiência em si é deslumbrante.

SENHOR JUIZ, PARE AGORA

Que um quadrúpede que aprendeu a teclar vá à internet expelir sandices em mau português, vá lá, a gente até perdoa. Afinal, faz parte de uma sociedade democrática o direito à livre expressão, mesmo aos que não têm estudo nem bom coração. Mas que um juiz do STJ, uma das mais altas instâncias da Justiça brasileira, diga que "não pode ser pautado pelas minorias só (...) quero meus privilégios porque o heterossexual agora está virando minoria. Não tem mais direito nenhum" é inadmissível. Nem em tom de brincadeira, como João Otávio Noronha diz que foi, porque isto dá munição à estupidez que prega a criação do "Dia do Orgulho Hétero" e, em última análise, mata gays e travestis pelo país todo. Que o meritíssimo liste todos os direitos que os heterossexuais perderam nos últimos tempos (não vale o direito de zoar das bichas), ou então, que peça desculpas. Pode até dizer que tem amigos gays, que a gente perdoa.

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

A ÚLTIMA SOCIALITE

É uma coincidência cósmica o fato de que, pouco mais de uma semana depois da autoproclamada socialite Day McCarthy ter despontado para a infâmia, uma verdadeira socialite - talvez a última que ainda existia no Brasil - tenha nos deixado. Carmen Mayrink Veiga imperou na vida social do Rio de Janeiro (e, por consequência, na de todo o Brasil) por mais de meio século. Tinha uma beleza lendária e um estilo inconfundível, com o cabelão negro eternamente armado emoldurando as feições aquilinas, dignas de uma estrela do cinema italiano. Aliás, estrela ela era mesmo: adorava os holofotes, e sabia posar para as câmeras. Não, nunca trabalhou para valer - mas, nos anos 90, quando as finanças da família deram uma balançada, lançou o livro "ABC de Carmen Mayrink Veiga". Era para ser um manual do bem-viver, mas tinha verbetes involuntariamente cômicos, tipo assim: "Ervas - são indispensáveis na cozinha" (ponto). Carmen perdeu dinheiro, mas jamais perdeu a pose. Sua vida glamurosa incluiu um retrato pintado por Portinari, uma enorme coleção de vestidos de alta-costura e até mesmo uma militância pela construção de rampas de acesso, depois que se tornou cadeirante no final da vida. Com ela se extingue o último vestígio da alta sociedade tradicional; se você acha que essa turma era fútil, lembre-se que a turma atual é formada por ex-participantes de realities, cantores sertanejos e blogueiras fitness, que não sabem a ordem certa dos talheres.

(Já em 2014 eu falava do fim do "high society", neste post aqui e neste outro)

SERIAL TALKER

Conheci a Paula Carvalho, do "Morning Show" da rádio Jovem Pan, no primeiro "Roda Viva" de que participei - o do Hélio de la Peña, que ainda nem foi ao ar. Ficamos amigos, nos adicionamos em nossas redes sociais e até descobrimos que somos primos (a bisavó dela era irmã do meu avô materno, veja só). Semana passada, Paula me convidou para participar do "Direto do Sofá", o podcast semanal do portal da Jovem Pan sobre séries de TV. Junto com ela, João Guimarães e Amanda Garcia, discorri sobre três séries ótimas, mas ainda pouco badaladas: "Harlots" (Fox Premium), "I Love Dick" (Amazon) e "Jardim de Bronze" (HBO). Ouça a nossa conversa aqui. E procure ver as séries, são realmente boas.

domingo, 3 de dezembro de 2017

QUE A VIDA É TREM-BALA, PARCEIRO


Comecei a frequentar filmes para adultos aos 13 anos de idade, com a ajuda da minha altura e de uma carteirinha falsificada. Um dos primeiros "proibidos para menores de 18 anos" que eu vi (como era ridícula a censura dos tempos da ditadura!) foi o suntuoso "Assassinato no Expresso do Oriente" de Sidney Lumet, que o diretor dizia ser uma metáfora para o escândalo de Watergate, então a pleno vapor. Desde então, o mais glamouroso dos livros de Agatha Christie ganhou várias outras versões para o cinema e a TV - inclusive uma minissérie japonesa. A última tenta resgatar o luxo e o elenco de prestígio do longa de 1974. Kenneth Branagh assume a direção e também o papel de Hercule Poirot, o detetive belga que prefere estudar as motivações do que procurar pistas físicas, à la Sherlock Holmes. Branagh se joga com gosto no ridículo, do espantoso bigode-suíça ao sotaque francês digno de Pepe Le Pew. Também calca a mão na fofura aristocrática, um vício também presente em "Victoria & Abdul" e outros do gênero. O roteiro toma várias liberdades: agora Poirot tem uma paixão do passado, e o final ganha tons melodramáticos que a escritora talvez não aprovasse. O filme de 1974 deu o Oscar de atriz coadjuvante para Ingrid Bergman; seu papel de missionária cristã agora coube a Penélope Cruz, e foi bastante encurtado. Quem brilha dessa vez é Michelle Pfeiffer, no personagem que foi de Lauren Bacall. Mas o fato é que não há tempo para cada grande ator presente fazer um solo. Pior: desconfio que quem não souber quem é o assassino vai matar a charada lá pela metade.

sábado, 2 de dezembro de 2017

MONA BRAGA

Fazia tempo que eu não postava nada aqui no blog sobre revistas, talvez porque tão poucas delas ainda tenham alguma importância. Mas as cinco capas da versão brasileira da "Elle" que chegam às bancas na próxima segunda-feira são autênticas obras de arte. A minha favorita é mesmo a Sonia Braga de Mona Lisa, mas o fato é que estão todas lindas - até mesmo o Zé Celso Martinez encarnando "O Grito" de Munch, uma escolha ousada para a edição de Natal de uma publicação feminina. Parabéns à todos os envolvidos (são muitos fotógrafos, produtores, diretores de arte, stylists, maquiadores), porque ficou realmente sensacional.

Lázaro Ramos e Taís Araújo dão "O Beijo" de Gustav Klimt.

Lea T. emerge das águas como no "Nascimento de Vênus" de Boticelli.

Zé Celso não se conteve depois que viu os planos de Silvio Santos para o entorno do Teatro Oficina.

Caetano se dividiu um muitos no "Joiners" de David Hockney. Ou não.

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

O LIBERTADOR-GERAL DA REPÚBLICA

Gilmar Mendes é que nem Donald Trump: a gente já sabe que nenhum dos dois presta, e mesmo assim eles conseguem nos surpreender chegando um pouco mais baixo quase todo dia. Esta semana Trump compartilhou três vídeos que pregam o ódio aos muçulmanos, que ele catou de uma militante da extrema-direita britânica. Isto já seria feio se ele ainda fosse só um milionário apresentador de talk show, mas o cara é o presidente dos Estados Unidos. Enquanto isto, Gilmar não se conteve mais e finalmente libertou seus cupinchas da máfia carioca do ônibus. Aguardamos para breve sua mudança de voto no que tange a prisão após a condenação em segunda instância. Aí, meus amigos, babau, acabou-se tudo.

THELMA, EU NÃO SOU GAY


Assisti "Thelma" no Festival do Rio, mais de um mês antes do filme entrar em cartaz no Brasil. É uma aposta ousada da Noruega para o próximo Oscar, bem longe das fofices que se convencionou serem do gosto dos vovôs da Academia. Porque mistura fanatismo religioso, manifestações sobrenaturais e a descoberta da própria homossexualidade, sem que o clima esquente jamais. em outras palavras, é um longa bem esquisito, sem parentes próximos. Mas é bom? Sim, no sentido de que é lindamente filmado e diferente de tudo o que está por aí. Mas nem tanto se o espectador estiver buscando uma experiência arrebatadora. A mocinha sofre pacas, mas não chegamos a torcer por ela.

quinta-feira, 30 de novembro de 2017

O ÉTNICO NÃO É ÉTICO

Logo mais à tarde, das 15 às 18h, estarei mediando o debate Conciliação Cultural LGBTQ+Negra. Já teve leitor aqui no blog comentando que as duas agendas são irreconciliáveis, o que eu duvido - e, se são mesmo, como é que fazem os negros gays, por exemplo? Também teve quem lembrasse que existe bicha racista e negro homofóbico. Infelizmente, isto é verdade, ainda que às vezes o racismo se manifeste de maneira sutil. Confira o vídeo acima, onde o ator Sean Zevran reclama da inclusão da categoria "melhor cena étnica" nos GAYVN Awards, o Oscar do pornô gay. Por um lado, ele admite que o novo troféu dá visibilidade aos homens "de cor", que é como são chamados quase todos os não-louros de olhos azuis nos Estados Unidos. Por outro lado, Zevran diz que a categoria os cristaliza como diferentes, fora do padrão. Dou razão a ele. Além do mais, porque detesto compartimentos. Todo mundo tem mais é que se juntar, se misturar e ser feliz.

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

CANADÁ MAIS

Mesmo nos países mais liberais do mundo, até bem pouco tempo os gays eram demitidos do serviço público se sua homossexualidade fosse descoberta. Uma das desculpas oficiais era que eles poderiam ser vítimas da chantagem de espiões soviéticos. Mas, se sua viadagem deixasse de ser secreta, o que haveria para chantageá-los? O jogo virou, e a Grã-Bretanha até pediu perdão por ter perseguido Alan Turing, um dos gênios que possibilitou a informática e que acabou se suicidando. O Canadá foi além: o primeiro-ministro Justin Trudeau anunciou que o país irá gastar 110 milhões de dólares canadenses em indenizações a ex-servidores gays, demitidos nas décadas de 1950 a 1990. Desta forma, além de fazer justiça, Trudeau acaba de recuperar o título de político mais bacana do mundo, que ele havia perdido em abril para Emmanuel Macron.

(Obrigado ao Luciano Guimarães, do saudoso blog Muque de Peão, pela dica)

A PRINCESA ESCOLADA

Parte da imprensa está arregalando os olhos por Meghan Markle, a noiva do príncipe Harry, ser negra. Tecnicamente, ela é mulata - tem mãe negra e pai branco - mas o termo caiu em desgraça entre alguns militantes por causa do parentesco etimológico com a palavra "mula". Bobagem: ambos querem apenas dizer "mestiço". Mas hoje até quem tem apenas um bisavô negro já se considera negro politicamente, e isto não é mau. Este espanto da imprensa traiu um certo racismo, porque Meghan tem duas outras características que causariam escândalo em épocas passadas. Para começar, é mais velha do que o príncipe: tem 36 anos, e ele, 33. Para completar, é divorciada - ou seja, é uma mulher experiente, algo que a família real britânica rejeitava com veemência até forçar o príncipe Charles a se casar com a última nobre virgem do reino. Diana quase derrubou a monarquia, e os Windsor aprenderam a lição. Meghan Markle, além de linda e simpática, ainda tem a vantagem de ser atriz - ou seja, já chegou com o "media training" completo. Felicidades aos pombinhos, e que tenham pelo menos um filho gay assumido.