quinta-feira, 18 de outubro de 2018

JOÃO TRAPACEADOR

Quando João Doria foi eleito prefeito de São Paulo em 2016, achei que se tratava apenas de um almofadinha arrivista sem conteúdo nenhum, Qual o quê: logo depois de sua vitória em primeiro turno, o prefake voltou-se contra seu padrinho político, o governador Geraldo Alckmin, e acho que tinha cacife para atropelá-lo na corrida presidencial. Seu único ano à frente da Prefeitura teve mais de 30 viagens para diferentes pontos do país, na tentativa afinal inútil de ser o candidato do PSDB ao Planalto. Depois Doria traiu o povo paulistano, ao largar o cargo para o qual havia sido eleito para concorrer ao governo do estado. Agora o botocado faz uma campanha de baixíssimo calão contra Márcio França, e chegou a implorar o apoio do Inominável. Joãozinho não é tucano, não é liberal, não é conservador, não é gestor: é um traíra oportunista, sempre pronto a virar casaca se achar que tem algo a lucrar. Os paulistas têm agora a chance de liquidar essa carreira espúria com uma bala de prata. França não é flor que se cheire, mas Doria é um predador. Merece ser abatido a votos.

BOLSOLÃO

Não era novidade nenhuma que a campanha do Bostonazi dispara fake news a torto e a direito. E não dá nem para culpar os minions sobre os quais o candidato "não tem nenhum controle". Ele próprio foi ao "Jornal Nacional" brandir um livro de educação sexual para adolescentes, dizendo que a obra havia sido incluída no currículo escolar de crianças pequenas. Os filhos do Bozo, então, não têm o menor prurido de espalhar potocas em suas redes sociais. E ainda há a megapotoca que prega o descrédito da imprensa, das pesquisas e das urnas eletrônicas (mas só quando elas não são favoráveis ao Coiso, claro). O que é novidade é o caixa 2 na campanha, já maravilhosamente batizado de "bolsolão". Mas algum não-minion pode dizer que está surpreso? Ainda mai asqueroso é o ataque a Patrícia Campos Mello, uma das jornalistas mais respeitadas do Brasil. E isto é só um trailer do que periga vir por aí. Não dá pra já ir se acostumando, mas vai estourar um escândalo novo toda semana.

quarta-feira, 17 de outubro de 2018

CANNABIS-DÁ

Eu sou pragmático na política. Não acredito em ideologia: acredito em copiar os países que deram certo. E quais são eles? Holanda, Suécia, Nova Zelândia... "Ãin, mas o Brasil não tem nada a ver com esses lugares". Não tem se a gente não quiser. E eu quero viver num país onde seja legalizado o aborto, o casamento gay e a maconha (que aliás eu nem fumo). Hoje o Canadá passou a cumprir este último quesito, se tornando um completo antípoda do que os minions querem para cá. Só que ninguém pode dizer que seja uma nação desgovernada, destruída pela esquerda ou coisas do gênero. Pena que por lá faça um frio da porra. Ainda me resta o Uruguai?

JAMAL A PIOR

Essa história do jornalista morto dentro do consulado saudita em Istambul é tétrica, mas também tem um lado fascinante: como é que os árabes acharam que iriam se safar? Que ninguém ia dar pela falta de Jamal Khashoggi? Esqueceram que tem uma câmera de segurança bem na entrada do consulado. Ignoraram que a noiva de Khashoggi ficou lá fora esperando por ele - experimenta sumir com o futuro marido de uma mulher para ver o que te acontece. O príncipe Mohammad Bin Salman, admirado pelas reformas que vem fazendo na Arábia Saudita, pode ter cometido um erro fatal para sua breve carreira de ditador. Para cada medida liberalizante, como a permissão para as mulheres dirigirem, ele enfiava mais alguns dissidentes na cadeia. Entrou em atrito com o Canadá e atraiu protestos do mundo todo ao ameaçar com a pena de morte uma pacífica ativista. E agora criou uma batata quente gigantesca para seu maior aliado, os EUA, que, por dependerem do petróleo saudita, sempre fizeram vista grossa para os muitos excessos do wahabbismo. Mesmo sendo riquíssima, a Arábia Saudita depende de investimentos estrangeiros, e eles perigam evaporar na esteira desse escândalo. MBS pode ter sido pela mesma mosca azul que picou Lula e outros políticos que se acharam mais poderosos do que de fato são. Depois de anos pregando apenas aos convertidos, pensaram que o mundo era deles e que poderiam fazer o que quiserem. Uma hora a conta chega, mesmo para quem nada em petróleo.

terça-feira, 16 de outubro de 2018

KKKKKKKK

Já cansei de dizer aqui no blog e vou repetir: nesses tempos bicudos, um dos poucos prazeres que nos restam é ver a minionzada passar vergonha. Hoje foi de rolar de rir vê-los tentar dissociar o Bozo do Ku Klux Klan, depois do chefe do KKK dizer que "ele soa como nós". Não, não é intriga do Haddad, e não adianta o Coiso insistir que não aceita esse apoio: ele de fato soa como a mais notória organização racista do planeta. E assim, depois do Pink Floyd, da Madonna, da The Economist e da mme. Le Pen, agora o KKK foi desmascarado como comunista.

O LULA TÁ PRESO, BABACA

O destempero faz parte do DNA da família Gomes. Cid, irmão de Ciro, começou seu discurso aos petistas de Fortaleza dizendo que não cabia a ele cobrar mea culpa de ninguém. No minuto seguinte ele cobrou essa mea culpa do PT, e terminou xingando a plateia de babaca. O vídeo já viralizou e vem sendo interpretado como a pá de cal na tal da "frente democrática" que o Haddad não conseguiu formar. Cirão foi pra Europa, Marina se calou, FHC se deitou no muro. Para todos eles, é mais confortável ser oposição ao Coiso do que endossar um novo governo petista. À primeira escorregada de Haddad, seriam chamados de cúmplices da roubalheira e daí para baixo. Apoios de peso estão vindo mais de artistas do que de políticos. O PT deveria ter construído essas alianças antes do primeiro turno, mas preferiu bater nos adversários próximos e poupar o Bozo. Agora corre atrás do prejuízo e contra o relógio. O partido está derretendo, e só terá chance de sobrevivência quando não depender mais de Lula. Mas, quando este dia chegar, estará pequenino feito o PSOL ou o PCdoB. Enquanto isso, Ciro traça sua estratégia para emergir como o paladino da oposição no pleito de 2022.

segunda-feira, 15 de outubro de 2018

MINHAS MÃES


A maternidade virou um tema frequente no cinema. De uns tempos para cá, não faltam filmes sobre a dor e a delícia de ser mãe. O italiano "Minha Filha" é uma contribuição recente ao filão e, como seus congêneres, foi escrito e dirigido por uma mulher. A história é centrada em Vittoria, uma garota de 10 anos que vive em uma comunidade muito pobre na ilha da Sardenha. Um dia, uma maluquete aparece por lá, e a menina se sente estranhamente atraída por ela. Trata-se de sua mãe biológica, que a entregou logo depois do parto para que sua melhor amiga a criasse. Duas ótimas atrizes, Alba Rorwacher e Valeria Golino, fazem as progenitoras, e o choque entre elas rende os melhores momentos do longa. Mas também há uma certa aridez na linguagem, e a música irrompe em uma única cena. Eu prefiro meus filmes mais para o cinematográfico do que para a vida real, então gostei menos do que esperava. Mas as mães deveriam ver.

domingo, 14 de outubro de 2018

UM SUJEITO PEQUENININHO

Vamos fingir que o Bostonazi nunca falou nada de ofensivo a ninguém. Nunca se declarou homofóbico com todas as letras, jamais disse que mulher merece ganhar menos do que homem, não mediu em arrobas o peso de um quilombola. Não defendeu a tortura, nem que o problema da ditadura militar foi ter matado pouca gente. Vamos fazer de conta que todas as opiniões autoritárias, que mais do que justificam a suspeita de que se trata de um protofascista, em momento algum foram ditas. Então, o que é que sobra? Um cara tosco, iletrado, mesquinho e despreparado. Um deputado que, em 27 anos de Congresso,  não só aprovou apenas dois projetos de lei como nunca se envolveu nas discussões sérias sobre seus cavalos de batalha, o combate à corrupção e à violência. Um sujeito sem a menor noção dos reais problemas brasileiros, sem a sombra do que seja um estadista, nem um milímetro de grandeza de caráter. E é para esse sujeito, que também carece de experiência administrativa, cultura geral e sabedoria política, que mais da metade do Brasil quer entregar a presidência.

Mas bobo o Bozo não é. Nas últimas eleições legislativas, foi sempre o deputado mais votado do Rio de Janeiro. Soube expandir seu público, antes restrito aos militares, sem nunca ter mexido uma palha que não fosse a favor dos militares. Lançou os filhos na política e despachou um deles para fincar uma base em São Paulo. Hoje são uma família de políticos profissionais, como qualquer clã nordestino. Florescem todos graças à marca que o pai cultivou ao longo das décadas. Uma marca que significa autoridade, firmeza e dureza contra a corrupção, sem que o produto em si corresponda. Pelo contrário: nenhuma das muitas denúncias de que não é bem assim, da empregada-fantasma Wal à ex-mulher que procurou socorro na embaixada na Noruega aos 432% que o patrimônio de um único filho cresceu em pouco tempo, nada cola na família Brucutu. Isso é que é blindagem. Os tolos acreditam porque querem acreditar.

E é esse fulano sem plano, sem ideias, só com "boutades" e frases de efeito que viram memes, que boa parte dos brasileiros chama de "mito" e quer no Planalto. Ainda sonhamos com o Salvador da Pátria: herança do sebastianismo português? Do Império, que ainda nos faz crer que um presidente tenha poderes imperiais? O fato é que a República dá um reboot em si mesma de 30 em 30 anos. A primeira vez foi em 1930, quando a sociedade era muito menos estruturada do que hoje. Getúlio Vargas destituiu a República Velha e se instalou durante 15 anos no poder, oito deles como ditador pleno. A segunda vez foi em 1960, quando Jânio Quadros foi eleito prometendo varrer a corrupção. Não durou nem um ano, e precipitou o processo que levou ao golpe de 1964. A terceira foi em 1989, nas primeiras eleições diretas para presidente em 29 anos. O povo acreditou que Fernando Collor de Mello era mesmo o "caçador de marajás". Durou dois anos. 

Collor e Jânio ainda gozavam da vantagem de terem sido prefeitos e governadores de estados. Vendiam-se como outsiders, mas tinham alguma experiência. Solnorabo, nem isso. É marketing da cabeça aos pés, passando pelas mãos em forma de revolvinho (já pensou se seus opositores adotassem o gesto da facadinha?). E é para esse farsante que queremos entregar o cargo mais alto da nação. A missão de salvar a economia e nos fazer felizes. Não aprendemos nada, nem queremos aprender. Somos o povo cujo Museu Nacional ardeu com tudo dentro, e deu de ombros. Não é que poucos de nós tínhamos ido lá: poucos de nós sabíamos da existência do museu. Para quê, não é mesmo?

Mas continuamos querendo um rei, um imperador, alguém "contra tudo o que está aí". Caímos, pela segunda vez, na esparrela de um cicioso que comete erros crassos de português. Mas Lula pelo menos tinha jogo de cintura; sabia fazer política. E ainda tinha uma certa grandeza de espírito. O Bozo e seus filhos são aqueles alunos mais velhos que fazem bully nas bichinhas do colégio, mas enfiam o rabo entre as pernas quando chamados na diretoria. Muito corajosos quando andam em bando e covardões quando a sós.  Veja como o Coiso reagiu ao ser confrontado com a violência de seus seguidores: "Não tenho nada a ver com isso, eu é que levei uma facada" (e o mestre Moa levou 12). Raso, egoistinha, desprezível. Só sabe fazer marketing e contar potocas. Mais nada: pode procurar. E é aí - e não nas tiradas asquerosas, repelidas até por Marine Le Pen - é aí, na minha modesta opinião, que mora o perigo. Estamos mais do que avisados.

sábado, 13 de outubro de 2018

A BARBRA TÁ BRABA


Barbra Streisand despontou no começo da década de 60, um período de grande ebulição social e política nos Estados Unidos. Ela não tinha nada de artisticamente inovador: na verdade, seguia a tradição de Judy Garland, Ethel Merman e outras "belters", indo na contramão de companheiros de geração como Bob Dylan e Joan Baez, estes sim, autênticos cantores de protesto. Mas careta, Barbra nunca foi. Sempre apoiou as pautas progressistas e chegou a promover um concerto dentro de sua própria casa para arrecadar fundos para a primeira campanha de Bill Clinton. Ela foi se tornando mais vocal (hehe) nos últimos anos, talvez por causa do filho gay, talvez porque o mundo retrocedeu pra burro. Agora a diva lança sua primeira canção de protesto, depois de mais meio século de carreira. "Don't Lie to Me" não cita Donadl Trump, mas ele aparece muito no clipe escrito e dirigido por Barbra. A faixa é o carro-chefe de "Walls", seu novo álbum, que reúne standards como "What a Wonderful World" e "Happy Days Are Again" e os recontextualiza como mensagens políticas. A capa e o título são meio angustiantes, mas "Walls" também é um manifesto pela esperança. Temos todos que ficar muito brabos.

sexta-feira, 12 de outubro de 2018

A QUARTA RECAÍDA


Adorei o novo "Nasce uma Estrela". Este é a quarta versão para o cinema da história do artista decadente que se apaixona por um jovem talento em ascensão. Assim como o filme de 1976, a trama se passa no mundo da música (os dois primeiros eram no teatro e no cinema). Tem até cenas parecidas, como a da banheira de espuma e toda a sequência final. A maior diferença é mesmo o Bradley Cooper: seu personagem cresceu, e o ator revelou um lado musical insuspeito até agora. Já é o favorito para o próximo Oscar. Fora que sua direção é criativa e econômica. Jamais telegrafa o que vem a seguir, jamais exagera na emoção. E ainda tem Lady Gaga, no papel que durante muitos anos esteve prometido a Beyoncé. Ela faz uma cantora de estilo parecido a seu álbum "Joanne", provavelmente muito mais perto de seu gosto pessoal do que a dance music desvairada de seu começo de carreira. Gaga não tem pudor de se expor: aparece sem maquiagem, mais feia do que nunca, e até faz um rápido nu frontal. Aliás, a feiúra é um elemento importante do relacionamento entre o astro do rock e a cantora de cabaré: ele a convence de que é bonita e infla sua autoestima, só para chamá-la de feia quando quer machucá-la. Mesmo sabendo como acaba, eu me emocionei: um clássico és empre um clássico. Agora vou ouvir com mais atenção a trilha sonora. Depois de ter visto o filme, ela me parece bem melhor do que à primeira audição.

COME ON BARBIE, LET'S GO PARTY

De uma hora para a outra, minhas redes se encheram de memes da Barbie apoiando o Bozo e atacando o PT. A origem é difícil de detectar: tem os perfis Barbie Fascista no Instagram, Barbie de Bem e Ken Atualizado no Twitter, Barbie e Ken Cidadãos de Bem no Facebook e ainda a hashtag #BarbieMilituda. O sucesso é tão grande que os minions estão tentando inverter a mensagem, SQN. E o melhor de tudo é que a vida real confirmou a piada sem tirar nem por, ao revelar que Lala Rudge e outras blogueirinhas fashion levaram um chega-pra-lá da Tiffany's e de outras marcas  por terem manifestado apoio a um candidato homofóbico e apologista da tortura. Imagination, life is your creation!

quinta-feira, 11 de outubro de 2018

ME INCLUA FORA DISSO

Aí está a íntegra da entrevista que Marine Le Pen deu a Caroline Roux no programa "4 Verités" desta manhã, exibido na França pelo canal France 2 e aqui no Brasil pelo TV5 Monde. Ela fala do Bostonazi nos três primeiros minutos. Mais do que a declaração de que o Boçalnaro propões coisas "desagradáveis e intransferíveis" que incendiou a internet brasileira, uma outra fala de madame Le Pen me chamou a atenção. Ela diz que não há "nada" no Coiso que o caracterize como sendo de extrema-direita. Isto porque ela e seu partido, o rebatizado Rassemblement National (antes era Front National), se instalaram confortavelmente na pontinha da direita. Mas Marine não quer que uma figura bizarra como o nosso inominável seja associada a ela. Para quem não sabe: Marine Le Pen deu uma espécie de golpe de estado no partido fundado por seu pai. Afastou o véio, que era declaradamente antissemita, e vem lutando nos últimos anos para modernizar a agremiação. Os afiliados não podem mais ser abertamente machistas, racistas e homofóbicos. De resto, ela fez o que pode para não se posicionar nem a favor nem contra: prefere que os brasileiros decidam. Bem diferente dos minions acusando-a de "interferir" no Brasil ou "dar palpite" onde não foi chamada. Mas o melhor mesmo foi ver madame sendo xingada de comunista. Ah, minionzada, vocês nunca desapontam. Todo dia um vexame novo.

ESCANCARADOS

Hoje, 11 de outubro, é o Dia da Saída do Armário. A data é muito festejada pela comunidade LGBT+ americana, mas ainda é meio desconhecida por aqui. Não pode ser mais. Um dos objetivos de muitos dos seguidores do Bozo é forçar a bicharada e afins a se esconder novamente, já que a nossa simples presença provoca a sexualização precoce da criançada. O Bostonazi em si agora jura que não tem contra os homossexuais, mas não foi bem isso o que ele disse nesta entrevista de apenas cinco anos atrás. Num momento como este, a minha reação é exatamente a oposta: temos mais é que nos expor e ocupar todos os lugares a que temos direitos (i.e. todos). Quanto mais luz do sol, mais difícil fica para nos pegarem na sombra. Portanto, cabeça erguida, força na peruca e * pose * pose * pose * double pose * pose * pose *

UM MALUCO NO PEDAÇO


No momento em que a extrema-direita avança até no Brasil, vem bem a calhar o novo filme de Paul Greengrass, que já dirigiu thrillers políticos como "Voo United 93" e "Capitão Phillips". "22 de Julho" chegou ontem à Netflix, mas nos EUA estreou em alguns cinemas para concorrer ao Oscar. Não duvido que conquiste algumas indicações. Porque é tenso e consequente como todos os filmes de Greengrass, sem jamais virar pregação. O diretor conta sem rodeios a história do dia que sacudiu a Noruega em 2011, quando um único militante de extrema-direita matou mais de 70 pessoas em dois atentados diferentes. Primeiro o sujeito detonou um caminhão-bomba em frente a um prédio do governo no centro de Oslo. Depois, foi até uma ilha próxima à capital onde estava acontecendo um encontro de estudantes e abriu fogo. O roteiro foca em um sobrevivente, que chegou a depor no julgamento do facínora. E mostra como a radicalização gera monstros, capazes das maiores atrocidades em nome de um bem maior. Aqui no Brasil já tivemos um maluco desses esfaqueando um candidato, o que acabou ajudando na campanha deste. Agora vemos apoiadores desse mesmo candidato cometendo ataques e até assassinatos por todo o país. A lição de "22 de Julho" é que esse tipo de violência sempre se volta contra quem a praticou. O assassino norueguês achou que sairia vitorioso quando outros o seguissem, mas vai mofar numa solitária pelo resto da vida. O cara que esfaqueou o Bozo deu um impulso impensável a seu desafeto. Fica a dica para os asnos que acham que a violência resolve tudo.

quarta-feira, 10 de outubro de 2018

O EX-PRESIDENTE EM SEU LABIRINTO

Houve um momento em que esta eleição parecia confirmar a força e o gênio político de Lula. De dentro de uma cela, o ex-presidente iria conseguir eleger quem ele quisesse, seguindo uma estratégia cuidadosamente urdida. Primeiro, afastou o PSB de Ciro Gomes; depois, adiou ao máximo sua renúncia à candidatura, deixando pouco mais de vinte dias para Fernando Haddad subir nas pesquisas. E Haddad subiu. Chegou a ter anunciado um empate técnico com o Boçalnaro no começo da semana passada. E aí, Haddad estacionou... Agora, com o Bozo abrindo 16 pontos de vantagem no segundo turno, o PT descobriu que Lula afasta mais votos do que atrai. Que foi uma cagada master insistir no golpe, em "Lula livre", em "Lula é Haddad". Chega a dar peninha ver a nova campanha, toda em verde e amarelo, querendo se passar pela frente ampla que ainda não é. Só não é totalmente patético porque é o único jeito de evitar que o Brasil salte no desconhecido. Mas o Brasil nunca foi uma prioridade para Lula: sua carreira política e sua fome de poder sempre estiveram em primeiro lugar. Chegou-se a falar em uma chapa Ciro-Haddad no início do ano; Lula vetou. Ou ele é o protagonista, ou foda-se a humanidade. Agora chegou a conta. O antipetismo é avassalador. Seja o que acontecer no dia 28, tenho cá comigo que Lula já era. Virão outras condenações e, sem o toque de Midas de outros tempos, ele acabará sendo esquecido em Curitiba. Uma morte em vida.

PAREDÃO DA VERGONHA

A ascensão da extrema-direita no Brasil é assustadora, mas traz uma contrapartida divertida: os sucessivos vexames que os bolsominions passam nas redes sociais, ao expor sua ignorância e seus preconceitos. Já existe até uma página no Facebook que denuncia os casos mais graves, o Paredão da Vergonha, chamando a atenção dos empregadores desses boçais. Eu não costumo apoiar esse tipo de perseguição na internet, mas ela está virando um serviço de utilidade pública nesses tempos tão sombrios. Paredão lembra "The Wall", e está sendo engraçadíssimo ver a minionzada se estatelando contra o muro do Roger Waters. Quer dizer que o sujeito paga 700 reais para ir ao show de seu ídolo, sem nunca ter prestado atenção às letras dele? O ex-líder do Pink Floyd, que teve o pai morto pelos nazistas na 2a. Guerra Mundial, sempre se posicionou contra o fascismo em todas as suas formas. Ninguém tem o direito de ficar surpreso com a adesão de Waters ao #EleNão e à inclusão do nome do Bozo na lista de líderes neofascistas que ele projetou no palco de sua apresentação em São Paulo, na noite de ontem. As vaias chegaram a constranger o músico, que não esperava estar diante de uma plateia tão desconectada de seu trabalho. Vamos ver o que acontece nos próximos shows, em Brasília e no Rio de Janeiro. Pelo menos agora os reacinhas já sabem: Roger Waters não quer perder a boquinha na lei "Ruaney", e só está atrás de cinco minutos de fama (***contém ironia***).

terça-feira, 9 de outubro de 2018

THE CATEGORY IS: REALNESS


O primeiro episódio de "Pose" é a melhor hora de TV que eu vi este ano. Os outros sete também são ótimos, mais do que justificando o hype em torno da primeira série com elenco formado majoritariamente por mulheres transexuais. Porque as histórias delas são muito inéditas, mas também são humanas: é preciso ser minion ao quadrado para não se emocionar. "Pose" cobre um fenômeno muito específico, as "houses" de Nova York no final dos anos 80. Eram casas onde bichas, travestis e outros marginalizados viviam juntos, sob o comando de uma "mãe" - uma trans mais velha e sábia, que protegia sua prole. E ainda punha todos para concorrer nos "balls", em concursos divididos nas mais absurdas categorias de elegância, glamour e, claro, pose. Foi nesse ambiente que surgiu o vogue, a dança imortalizada por Madonna com seu single de 1990 (um ano antes, eu vi membros de uma house dançando o vogue em uma festa da promoter Susanne Bartsch, na lendária boate Copacabana de NY). Mais do que qualquer troféu, todos almejam "realness": um neologismo que significa transformar em realidade o sonho que você vive por dentro, inclusive o de ser mulherrr. "Pose" ainda tem uma figura fabulosa: a "mãe" Elektra Abundance, resultado do amor proibido entre Joan Crawford e Grace Jones, divinamente defendida por Dominique Jackson, uma amazona nascida em Trinidad e Tobago. Elektra vai disputar pau a pau (hehe) com Paulina de la Mora, de "La Casa de las Flores", a categoria de melhor personagem do ano.

NOT HIM

A minionzada está em pé de guerra contra o John Oliver, porque o apresentador ousou dizer em seu programa na HBO o que qualquer pessoa com um mínimo de educação e decência já sabia sobre o Bostonazi. A milhares de quilômetros de distância e protegido por instituições sólidas, Oliver não tem nada o que temer. Nós temos: são inquietantes os sinais, fortes sinais, de que o desempenho do Bozo nas urnas empoderou os boçais a cometer as piores violências contra quem ousa contrariá-los. Se fosse mesmo um estadista, o Solnorabo iria desautorizá-los. Mas como eles são sua linha de frente, as coisas só devem piorar. #NotHim!

segunda-feira, 8 de outubro de 2018

CHÁ COM PORRADA

Se "Quarta-Feira, Sem Falta, Lá em Casa" tivesse sido escrito em inglês, já teria sido montado no mundo inteiro e virado um filme que renderia indicações ao Oscar a Judi Dench e Maggie Smith. Como é um texto brasileiro, esta é apenas sua segunda montagem importante. A primeira, em 2002, tinha Beatriz Segall e Myrian Pires, fez um sucesso enorme e eu tive a manha de perder. Esta agora tem Eva Wilma e Suely Franco, e tudo para repetir o mesmo sucesso. Porque a história das duas amigas que há anos se encontram toda semana para tomar chá tem apelo universal, produção simples e a necessidade de duas grandes atrizes, para nos dar a impressão de que estamos vendo duas tias da nossa família conversando. Só que esta conversa evolui para a revelação de um segredo e uma monumental lavagem de roupa. Uma porrada emocional, dessas que revigoram o prazer de ir ao teatro.

PONTOS DE LUZ NA ESCURIDÃO

Existe algo além e acima da onda direitista que varreu o Brasil nas eleições deste domingo. Claro, não dá para negar que a direita é mesmo a grande vitoriosa: ela avançou em todos os estados, mesmo naqueles onde o PT ainda conseguiu vencer. Candidatos que declararam apoio ao Bozo deram arrancadas espantosas na reta final, como Zema, em Minas, ou Witzel, no Rio - eu nunca tinha ouvido falar de ambos até a véspera, quando as pesquisas apontaram que eles estavam crescendo.

Ah, as pesquisas. Agora todo mundo vai dizer que elas passaram um vexame histórico. Em alguns lugares, passaram mesmo. Mas não há modelo estatístico que preveja com acuidade o "efeito bandwagon". O popular maria-vai-com-as-outras: essa mania dos brasileiros de resolver tudo em cima da hora, e de votar em quem estiver em primeiro para "não desperdiçar o voto". Mas é óbvio que o Brasil também mostrou que, neste momento, é bem mais conservador do que progressista. A avalanche é grande demais para ser relativizada.

Mas o que me chamou mais a atenção nem foi isto. Foi a fúria contra "tudo o que está aí", à direita e à esquerda. Não foram só o PT e o PSDB que se deram mal. Foi também, e acho que principalmente, o entorno do Temer e quase toda a política tradicional que vem desde as décadas de 70 e 80. O número e o naipe dos derrotados é de tirar o fôlego: Dilma, Suplicy, os Sarney, Eunício, Delcídio, Romero Jucá, o irmão do Geddel, Vanessa Grazziotin, Lindbergh Farias... Por outro lado, Aécio, Gleisi, Renan e Jader foram as exceções desonrosas. Já no Espírito Santo, o maligno Magno Malta perdeu a reeleição para o Senado (mas aposto que ele ganha um ministério depois). Em primeiro lugar no estado ficou Fabiano Contarato, que é gay assumido, casado com um homem e pai de dois filhos. Esta foi uma das boas notícias trazida pelo tsunami de ontem.

Houve outras: a Bancada Progressista, um coletivo do PSOL, conquistou uma cadeira na Assembleia Legislativa de São Paulo. Os mais notórios bandidos fluminenses fracassaram: os clãs Cunha, Cabral e Picciani não elegeram seus herdeiros (e Cidinha Campos também ficou de fora, bem feito). Três assessoras de Marielle Franco venceram no Rio. São Paulo vai ter uma deputada trans. Marcelo Calero foi eleito no Rio. Jean Wyllys, dado como derrotado num primeiro momento, acabou sendo reeleito graças à votação expressiva de Marcelo Freixo (e será perseguido por causa disso por seus inimigos, que quase o destruíram com uma campanha incansável de fake news nos últimos anos).

No meu voto pessoal, só dois tiveram sucesso. Ou duas: as duas mulheres que eu escolhi foram eleitas, a senadora Mara Gabrilli (PSDB) e a deputada estadual Marina Helou (Rede). Meu querido Wellington Nogueira não chegou lá, apesar de seus 22 mil votos. E o Márcio França passou raspando, livrando SP do Skoria.

A nível nacional, há grandes derrotados. Marina sai minúscula, com menos de um milhão de votos e um distante oitavo lugar, atrás do Daciolo e do Meirelles. Foi vítima do voto útil em Ciro Gomes. Alckmin também se deu mal. Deve perder o comando do PSDB, mas não duvido que se candidate a senador daqui a quatro anos e leve. Lula, então, suspeito que já era. Sua estratégia maquiavélica deu muito errado. Ele preferiu apostar em sua lenda pessoal do que no futuro do país, e já está pagando por isto. Haddad terá que se afastar dele para ter uma chance.

Além do PSL, que saltou de nanico para a 2a. maior bancada do Congresso, quem mais se deu bem? O partido Novo, que chegou para ficar e conseguiu resultados expressivos em muito lugares. Se não virar uma linha auxiliar do Solnorabo, pode ter um belo futuro pela frente. O Cirão também sai maior do que entrou. Ocupou o centro-esquerda que já foi domínio do PSDB, hoje direitista, e pode ser o grande líder da oposição, cacifando-se para 2022. Sim, eu disse oposição: duvido muito que haja uma virada até o dia 28. Hmm, talvez se o Haddad levar uma facada?

domingo, 7 de outubro de 2018

VIRA VIRA CIRO

Vai ser difícil, a gente sabe. E não por causa do seu amigo que é petista histórico e acha que o petrolão foi uma invenção da mídia em conluio com a CIA, portanto não larga o Haddad. Quem não está migrando o voto para o Ciro são os grotões mais pobres, que têm uma lembrança dourada dos anos Lula. Se tem gente mudando de ideia neste segmento, infelizmente, parece que é para o Bostonazi.
Mas o crescimento do Ciro é real, não é um fenômeno de bolha. Verdade que na minha quase todo mundo aderiu, e quem declarou voto no Coiso foi limado. Acreditei em diálogo muito tempo, e achava legal ter esses desinformados lendo ideias diferentes. Não rolou. Eles não leram nada, continuaram pensando a mesma merda e vieram disseminá-la na minha timeline. Quase todos já eram mesmo uns chatos de galocha: o Bozo só me deu o pretexto ideal para a faxina.
Ciro chegou ao segundo turno na Austrália e na Nova Zelândia, onde as urnas já foram fechadas. Vai ser um milagre se chegar aqui também, mas não custa tentar. De qualquer forma, ele é um dos poucos que sairá dessa eleição maior do que entrou. E quanto mais votos tiver, mais cacife vai ter na hora de negociar uma aliança com o PT para o segundo turno. Cirão Ministro da Casa Civil, que tal?

sábado, 6 de outubro de 2018

UN SUEÑO ME ENVOLVIÓ

A semana foi péssima para quem era um grande cantor já entrado em anos. Foi-se a Ângela Maria, foi-se o Charles Aznavour e agora foi-se a Montserrat Caballé. Abençoado que sou, vi duas vezes em cena a maior soprano do final do século 20. A primeira foi nada menos do que uma montagem da "Tosca" no Met de Nova York, em 1985, com direção de Franco Zefirelli feat. Luciano Pavarotti (precisei me abanar agora, de tanta fabulosidade junta). A segunda foi um espetáculo-solo de Montsie no Municipal do Rio de Janeiro, quando a diva mandou desligar o ar condicionado e quase morremos de calor e emoção. Mas a maior impressão que ela me causou foi mesmo o hino e o álbum "Barcelona", gravado em 1987 junto com meu ídolo Freddie Mercury. Estava ouvindo agora há pouco uma versão remasterizada e me maravilhando: aquilo lá é um delírio inclassificável, um sonho de bicha. E por falar em sonho, agora devem estar os dois azucrinando os anjos.

sexta-feira, 5 de outubro de 2018

LIBERDADE PARA A BORBOLETA


Eu era pequeno demais quando "Papillon" virou filme pela primeira vez. Queria ser pequeno agora, para ter perdido a segunda versão. O que supostamente foi a mais espetacular fuga da cadeia de todos os tempos (hoje se sabe que Henri Charrière inventou muita coisa) se converteu em uma sentença de duas horas, tão divertida quanto uma temporada na solitária. Os personagens são mal construídos, as motivações são pífias e o esconderijo do dinheiro, que tantas piadas rendeu em 1973, é jogado na privada, hahahaha. Rami Malek até que está bem no papel que foi de Dustin Hoffman, mas Charlie Hunnam consegue ser tão inexpressivo quanto Steve McQueen, só que sem o carisma deste. Fuja!

PAROU, MAS NÃO DEU PARA TRÁS


Dessa vez, Pabllo Vittar não foi longe demais. "Não Para Não", seu segundo álbum, é quase que o volume 2 de "Vai Passar Mal", o primeiro. Esse novo trabalho é mais variado musicalmente, mas não mexe no time vencedor. As letras não precisam da voz de uma drag: poderiam ser cantadas por qualquer diva pop, e eu acho que é aí que mora o segredo do sucesso de Pabllo. Mas, como eu digo na minha coluna de hoje no F5, ele/a consegue ser política apenas por ser o que é. Num país que caminha a passos largos rumo à Idade Média, é alentador ter uma figura como essa na TV e no hit parade. Animado, bem produzido e cheio de chicletes sonoros, "Não Para Não" carece de palavras de ordem contra a boçalidade que ameaça nos engolir. Mas dá para o gasto. Hoje em dia, ficar no mesmo lugar já é um avanço e tanto.

quinta-feira, 4 de outubro de 2018

COLA NI MIM

Demorei, mas finalmente me decidi. Estes são os candidatos em quem eu votarei no domingo. Vou fazer uma colinha e levar comigo na urna. Faça a sua também!


Presidente: CIRO GOMES - 12 (PDT) 

Cirão da Massa vive um paradoxo: estacionou por volta dos 11% no primeiro turno, mas cresce no segundo turno tanto quanto contra Haddad quanto contra Bostonazi. O cara é preparado, experiente, carismático, sem papas na língua. Não, eu não concordo 100% com ele. Mas nem com o meu marido eu concordo 100%, e nós estamos juntos há 28 anos.



Governador: MÁRCIO FRANÇA - 40 (PSB)

Este é o meu voto mais desanimado de todos. Não estaria votando no atual governador de São Paulo se Paulo Skaf ou João Doria não estivessem na frente. O primeiro é do MDB e só isto já basta para eu nem cogitá-lo. O segundo é o almofadinha oco de ideias que largou a Prefeitura depois de pouco mais de um ano. E ambos apoiam o Bozo no segundo turno. Xô, Satanás!



Senadora 1: MARA GABRILLI - 457 (PSDB)

Acompanho a luta da Mara em prol dos portadores de deficiência física desde que trabalhei no Teleton de 2000, quando ela ainda nem havia entrado para a política. A moça é séria, dedicada, honesta e foi uma brilhante deputada federal. Está mais do que na hora de dar um upgrade. Saiba mais sobre ela aqui.



Senador 2: PEDRO HENRIQUE DE CRISTO - 188 (Rede)

Eu ia votar no Eduardo Suplicy, que nunca se deixou contaminar pela lama do PT. Mas aí eu fiz o Match Eleitoral da Folha e deu esse rapagão aí com jeito de surfista, de quem eu nunca tinha ouvido falar. Pedro Henrique não tem a menor chance, mas o Suplicy não precisa do meu voto. Saiba mais sobre ele aqui.



Deputado Federal: WELLINGTON NOGUEIRA - 1808 (Rede)

Conheci o Wellington há mais de 30 anos, quando ele ainda nem havia fundado os Doutores da Alegria. O cara entende muito de saúde e educação, além de ser honesto e dedicado. Eu já ia votar nele, e adivinha quem deu quando fiz o Match Eleitoral? É o meu voto mais entusiasmado. Saiba mais sobre ele aqui.



Deputada Estadual: MARINA HELOU - 18.888 (Rede)

Este foi o último voto que eu decidi. E tive que correr atrás: por algum imbroglio, a Rede mal conseguiu falar de seus candidatos ao Legislativo no horário eleitoral. Vou de Marina porque as ideias dela me pareceram interessante, e já tem homem demais nesse meu voto. Saiba mais sobre ela aqui.


Bom Brasil para todos nós!

CALMA GENTE

Oooooohmmmmm...

RASGA CORAÇÃO

Dois candidatos a deputado pelo partido do Bozo rasgaram as placas simbólicas que renomeavam uma praça no centro do Rio como "Marielle Franco". A intenção de ambos era só causar reboliço nas redes sociais e alavancar suas candidaturas, portanto nem vou citar seus nomes aqui. O mais chocante é constatar, DE NOVO, o despudor da extrema-direita em espalhar fake news e deturpar narrativas. É a mesma turma que inventou que Marielle era mulher de traficante e que teria sido morta em um acerto de contas entre a bandidagem. Marielle, na verdade, lutava contra as milícias que dominam muitos bairros cariocas e, muito provavelmente, foi assassinada a mando delas. Uma gente tão poderosa que, seis meses depois do crime, a investigação ainda não produziu resultados concretos. Mas nada disso importa para os autoproclamados "cidadãos de bem", que usam a violência para se impor. Este é o meu maior medo de uma vitória do Bozo: nem tanto pelo que ele irá fazer, pois será tolhido pela oposição, pelo Judiciário e pelas próprias limitações, mas pelos minions, que se sentirão mais empoderados do que nunca. Ainda faltam dois turnos. #EleNão!